12/03/2008

Brasil aposta em alimentos orgânicos para fechar negócios na Foodex


Alimentos orgânicos estão entre os destaques da participação brasileira na Foodex 2008, maior e mais importante feira asiática de alimentos e bebidas, que acontece esta semana na província de Chiba, no Japão. Empresas brasileiras levaram para o outro lado do mundo produtos derivados do guaraná - polpas, concentrados e chás -, sucos de frutas, mel e própolis. Também estão na Foodex produtos exóticos como o açaí e o melado de cana-de-açúcar, dentre outros apontados pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) como algumas das mercadorias mais consumidas no Japão. O mercado japonês é um dos grandes consumidores mundiais de alimentos orgânicos, principalmente em função da crescente preocupação com a saúde e o bem-estar. Em 2006, o Japão importou US$ 6,4 bilhões em produtos orgânicos, principalmente chás, cafés, sucos, frutas e verduras congeladas, cachaças, mel e própolis. O Brasil tem participação neste comércio: vendeu US$ 467,7 milhões para lá em 2006. Cultivados e produzidos sem a utilização de nenhum tipo de agrotóxico, os orgânicos brasileiros compõem um mercado em franca expansão, principalmente após o Governo Federal ter regulamentado o setor. A Lei 10.831, de 23/12/2003, publicada no Diário Oficial da União em 28/12/2007, define regras para produção e certificação para comercialização nos mercados interno e externo. Para tanto, foram criados mecanismos para mensurar as negociações e atrair investimentos de empresas do setor. Produtos O país asiático tem uma série de exigências para a importação de produtos do gênero, sendo a principal delas a necessidade de certificação do Japanese Agricultural Standard (JAS). As empresas brasileiras estão se adequando a este cenário. Quem estiver dando uma volta pelos corredores da Foodex encontrará, por exemplo, amostras de sucos orgânicos brasileiros nos sabores açaí, maracujá, maracujá-roxo, abacaxi e caju. O mercado japonês tem algumas peculiaridades às quais o exportador deve ficar atento. "Não dá para levar embalagem tetra pack, porque teria que colocar água e aí o volume aumentaria muito. Assim, o suco brasileiro vai na forma de polpa para que seja embalado ou engarrafado lá e adaptado ao paladar do japonês", conta Nelson Hirata, diretor da Tunipex, empresa fundada em 1992. "Nosso objetivo é introduzir efetivamente o suco tropical no Japão. Queremos fechar entre US$ 400 e US$ 500 mil em negócios a curto e médio prazo", prevê Hirata. Guaraná Em busca de espaço no mercado japonês, a Cooperagrepa apresenta na Foodex variações do guaraná em grão e em pó. "A meta não é comercializar a semente, já que o guaraná em si é muito amargo. Queremos desenvolver um produto com o sabor adequado ao da cultura que o estiver consumindo. Para o Japão, o guaraná tem que ser um pouco mais suave", explica Domingos Vargas, diretor-presidente da Cooperagrepa. A empresa, com sede em Terra Nova do Norte, no Mato Grosso, trabalha somente com produtos agroecológicos e orgânicos. Exporta melado de cana-de-açúcar, e açúcar mascavo para países europeus, como Itália e Áustria. Em sua primeira participação na Foodex, a Cooperagrepa espera conhecer melhor as particularidades do mercado japonês, para poder fechar algum negócio. Com clientes em Barbados, Estados Unidos, Espanha, Portugal, Grécia e Chipre, a Amacon quer agora chegar ao mercado japonês. "Acreditamos que lá há excelentes oportunidades para nossa empresa. E na Foodex poderemos aumentar nossa rede de relacionamento, já que a feira é visitada por pessoas de muitos países", explica Igor Menezes, coordenador operacional de comércio exterior. A empresa aposta no alto rendimento de seu concentrado de guaraná. "Fazemos 800 litros de bebida final, normalmente o refrigerante, para cada litro de concentrado", conta Menezes, ressaltando que o guaraná produzido pela Amacon é 100% natural. Outra que leva o guaraná brasileiro à Foodex é a Agrorisa, com sede em Manaus. A companhia fundada em 1994 vai pela quarta vez à feira e espera fechar US$ 200 mil em vendas de produtos orgânicos. "Vamos tentar emplacar o chá de guaraná, que é adequado aos hábitos de consumo do povo japonês", prevê Rivaldo Araújo, sócio-gerente da Agrorisa.


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