domingo, 16 de dezembro de 2018
18/01/2016 00:00

Inflação favorece a movimentação turística em Itajaí e região

Estado recebe turistas do Mercosul e do Brasil em peso e já registra bons números principalmente na hotelaria e na gastronomia

Conforme levantamento da Secretaria de Estado de Turismo, Cultura e Esporte, a movimentação turística em Santa Catarina foi de cerca de 4 milhões de pessoas desde o início de dezembro de 2015 até os primeiros dias de janeiro de 2016. Somente em Itajaí, a estimativa da Secretaria Municipal de Turismo é de que 180 mil veículos de turistas transitem pela cidade até o fim desta temporada.

“O movimento diário está sendo percebido tanto nas rodovias quanto no terminal rodoviário. É grande a quantidade de pessoas circulando pela cidade”, afirma o secretário de Turismo da Itajaí, Agnaldo Silva.

Conforme o levantamento do governo estadual, entre os 4 milhões de visitantes estão catarinenses, estrangeiros e pessoas de outros estados do Brasil. Cerca de 65% dos visitantes escolheram as cidades e praias das regiões Costa Verde e Mar e Grande Florianópolis.

Os demais, aproximadamente 35%, dividiram-se entre o Litoral Norte, nos balneários da região turística Caminho dos Príncipes, Litoral Sul, nas regiões Encantos do Sul e Caminho dos Canyons, Serra catarinense, além de Vale do Contestado e Grande Oeste, devido aos balneários de águas termais.

Os principais mercados emissores internacionais são Argentina, Chile e Uruguai, que se favorecem do real desvalorizado. Isso tem feito com que os “gringos” lotem as praias da região. Na hotelaria, o aumento do número de visitantes foi percebido antes mesmo do Natal. A média de ocupação tem ficado entre 80% e 100%.

“Muitos brasileiros que deixaram de ir para o exterior e os turistas do Mercosul estão na nossa região. Esse real em baixa nos favorece muito, apesar de o Carnaval ser cedo neste ano, no início de fevereiro, teremos movimento intenso até abril”, comenta a vice-presidente do Sindicato de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares de Balneário Camboriú e Região, Dirce Fistarol.

Em Itajaí outro atrativo além das belezas naturais tem sido a gastronomia. De acordo com o secretário, os investimentos em capacitação e em festivais realizados no ano passado fizeram a cidade crescer nesse segmento. A expectativa é encerrar a temporada de verão com a movimentação turística de 8 milhões de pessoas em Santa Catarina.

Hermanos aos montes

No Aeroporto Hercílio Luz, conforme a Infraero, o número de pousos aprovados de voos charter é de 385 (sendo 267 da Argentina, 97 do Chile, 11 do Paraguai, 10 do Uruguai). Já os voos extras nacionais são 312. Durante a temporada 2014/2015, foram 231 voos nacionais extras, ou seja, o crescimento é de cerca de 35%. No total, durante esta temporada serão 697 pousos a mais, entre os voos charter e extras. “Nossa expectativa foi superada, já que acreditávamos que esse número seria de 600 voos”, comemora o secretário de Estado do Turismo, Filipe Mello.

Os cruzeiros também vão impulsionar ainda mais o turismo. Serão, até o fim da temporada, 28 escalas de navios em Porto Belo e 16 em Itajaí.

Em relação aos ônibus, a maior empresa que faz a linha Buenos Aires-Florianópolis está operando com cinco ônibus diários até o dia 31 de janeiro. Já a companhia que possui linhas que partem do Uruguai opera com três a quatro ônibus diários em janeiro, conforme demanda, também com chegada na capital catarinense.

Altos custos refletem na movimentação de bares e restaurantes

Apesar de festejado pelo número recorde de turistas, o início da temporada de verão revelou queda no movimento de bares e restaurantes do litoral catarinense em comparação ao anterior, principalmente pela elevação dos custos. Os dados constam da pesquisa de satisfação realizada pela Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) em Santa Catarina entre 21 de dezembro e 3 de janeiro, que coletou informações de 100 estabelecimentos de todo o litoral catarinense.

“São dados significativos que denotam a crise econômica do país e o aumento dos preços de aluguéis, insumos, carga tributária, mão de obra e outros ônus do setor”, afirma o presidente da entidade, Fábio Queiroz. Quanto ao movimento, 82% dos entrevistados o acharam excelente ou muito bom em todo o Estado – na consulta anterior foram 90%. O problema da alta dos custos foi detectado significativamente – enquanto nesta pesquisa foi apontado por 26% dos proprietários, no ano passado foi citado por somente 7% deles.

Para 52% dos proprietários o poder aquisitivo dos clientes permaneceu igual, mas 35% o consideraram inferior. Entre os visitantes de fora de Santa Catarina, novamente a maior parte foi de paulistas, seguida dos paranaenses e gaúchos (praticamente empatados). Notou-se uma presença significativa também de mineiros e goianos. Quanto ao número de estrangeiros, 36% dos entrevistados apontaram aumento.

Mesmo com o problema da crise, a expectativa até o fim da temporada é positiva, com 51% dos proprietários apostando que será melhor que a passada – 37% pensam que será igual e 12%, pior. “O otimismo é uma característica do setor em nosso estado e muitos estão tentando segurar os preços e a própria equipe de trabalho”, diz Queiroz, referindo-se à mão de obra das casas.

Neste ano, 72% disseram estar satisfeitos com o grupo de colaboradores, enquanto este percentual era de 57% em 2015. “O desemprego aumentou e está mais fácil contratar. Além disso, a sazonalidade diminuiu, o que contribui para a manutenção das equipes”, explica.

A grande reclamação da elevação dos custos acabou mascarando outros problemas, como o trânsito. No ano passado 43% disseram ser a principal dificuldade, enquanto em 2016 o gargalo foi apontado somente por 20%.            




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