sexta, 20 de outubro de 2017
15/08/2017 11:04

Exportações devem crescer 12,8% em 2017

EXCLUSIVO: As previsões para o comércio exterior em 2017 foram elaboradas levando-se em consideração os cenários interno e internacional, presente e futuro, com projeções dos volumes e estimativas das cotações das commodities, responsáveis por mais de 60% das exportações brasileiras.

 Após amargar quedas consecutivas por cinco anos, acumuladas em 27,7%, a Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB) projeta o primeiro crescimento para as exportações brasileiras desde 2012. Segundo a última revisão das projeções feita em julho, o superávit para este ano será recorde. O levantamento elaborado pela instituição aponta que as exportações vão atingir US$ 209,017 bilhões, com aumento de 12,8% em relação a 2016; importações de US$ 145,795 bilhões, com expansão de 6%; e superávit comercial de US$ 63,222 bilhões, com alta de 32,6%.

“A nossa previsão para 2017 era de pouco mais de US$ 55 bilhões. Considerando que em seis meses chegamos a quase US$ 40 bilhões, é possível prever superávit aproximado de US$ 60 bilhões para este ano”, afirmou o ministro da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, Marcos Pereira. “O superávit histórico será recorde e colocará o Brasil no top 5 mundial de superávits, superado apenas pela China, Alemanha, Coreia do Sul e Rússia”, destaca o presidente da AEB, José Augusto de Castro.

Segundo o executivo, o baixo crescimento econômico brasileiro será o responsável pelo crescimento de apenas 6% das importações, enquanto as commodities responderão pelo crescimento projetado de 12,8% das exportações. “Números que proporcionarão efetiva contribuição positiva do comércio exterior para o Produto Interno Bruto (PIB) de 2017.

De acordo com o presidente da AEB, esse superávit deve ser comemorado, mas sem esquecer que decorrerá de forte contração das importações e das exportações nos últimos anos. “Superávit comercial não significa atividade econômica, conforme mostra a realidade do Brasil, pois há uma possibilidade das exportações serem maiores que as importações em 2017”, explica.

O superávit comercial recorde, segundo o estudo apresentado pela AEB, decorre das exportações de commodities, sendo destaque a elevação das cotações de minério de ferro, petróleo e açúcar, e aumento do quantum de soja, petróleo e açúcar, ajudado pela expressiva expansão das exportações de automóveis e caminhões para a Argentina.

O especialista em comércio exterior e CEO da Múltipla Assessoria Aduaneira, Mauro Marcelo Sperber dos Santos, explica que as exportações de commodities brasileiras são historicamente a base das exportações do país. “Com o baixo índice industrial do Brasil, as grandes operações de exportação são baseadas nos grãos produzidos pais a fora”.

Os três principais produtos de exportação, soja em grão, minério de ferro e petróleo vão representar 28,8% das exportações em 2017, superando os 23% apurados em 2016, atestando a importância das commodities na elevação das exportações e do superávit comercial.

A soja, pelo terceiro ano consecutivo, será o principal produto de exportação do Brasil neste ano, graças ao incremento de 22% no volume embarcado. Até a primeira quinzena de julho foram embarcados 47,4 milhões de toneladas de soja em grão, representando 75,2% dos 63 milhões de toneladas previstas para 2017.

A expansão das exportações brasileiras projetada em 12,8%, índice maior do que os 2% previstos para o comércio mundial, permitirá ao Brasil elevar, em 2017, sua participação nas exportações mundiais para o percentual estimado de 1,21%, superando a participação prevista de 1,09% em 2016, assim como deve melhorar sua posição de 25ª para 24ª no ranking mundial de países exportadores.

Diversificação

Mas não são compostas apenas de commodities as exportações brasileiras. A diversificação às vendas externas com a inclusão de produtos típicos do país como guaraná, açaí, farinha de mandioca, polvilho doce e azedo, sucos em polpa, tapioca, pipoca, café, pão de queijo congelado, leite condensado, coco ralado e palmito também ajuda a proteger a economia e a melhorar o desempenho da balança comercial. Esse processo de diversificação da pauta de exportação tem aberto portas para que produtos pouco convencionais busquem mercado fora das fronteiras brasileiras.

As commodities, no entanto, ainda representam cerca de 65% do valor das exportações brasileiras, segundo estatísticas apresentadas pela Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD). Os outros 35% são divididos pelos mais variados tipos de produtos.

Conforme levantamento feito pelo setor de exportação da Allog International Transport, os itens chamados “peculiares” engrossam esta relação de produtos que o Brasil vende para diferentes regiões do planeta. “Cada produto movimentado tem sua especificidade. Os pães de queijo congelados e açai, por exemplo, devem ser mantidos refrigerados durante a viagem, com controle de temperatura e umidade. Isto gera uma atenção especial a uma série de detalhes logísticos, desde a retirada até a chegada ao destino final”, pontua o diretor de Operações da Allog International Transport, Rodrigo Hauck.

Para o segmento de bebidas e alimentação, os principais destinos dos produtos tupiniquins são Estados Unidos, Europa, Argentina, Rússia e Peru. “O Brasil tem uma indústria muito diversificada e com condições de suprir o mundo com uma variedade grande de produtos”, acrescenta o diretor da Allog. Inclusive, muitos destes itens da pauta de exportação são para consumo dos próprios brasileiros que moram no exterior. O Censo de 2010 estimou que aproximadamente meio milhão de brasileiros residiam fora do país. Já o número apontado pelo Ministério das Relações Exteriores diz que o número atinge 2,5 milhões de brasileiros morando no exterior.

Commodities também dominam as exportações de Santa Catarina

“As commodities sempre representaram algo em torno de 65 a 70% da pauta exportação brasileira e continuarão sendo relevantes para os resultados da balança comercial, num sinal que ainda é bastante difícil incorporar as exportações de manufaturados”, diz a presidente da Câmara de Comércio Exterior da Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc), Maria Tereza Bustamante. E em Santa Catarina não é diferente. “Nossa pauta de exportações tem frangos, carne bovina, soja, que são commodities e que, por sinal, apresentaram resultados excelentes no primeiro quadrimestre de 2017”, acrescenta a especialista.

Já Mauro Sperber, da Múltipla Assessoria Aduaneira, diz que o Brasil tem um índice de 11,3% de valor em produto exportado, proveniente da soja, produto número um de commodities. “Índice muito baixo, se levarmos em conta, que as grandes operações desses produtos ocorrem em Paranaguá e Santos”, explica. Inclusive, segundo Sperber, uma boa parte da produção catarinense sai por estes portos.

“Embora tenhamos o melhor complexo portuário do país, com os portos de Imbituba e São Francisco do Sul operando estes produtos, infelizmente ainda temos que ver nossos produtos sendo escoado por outros portos, talvez devido à falta de estrutura para este área especifica”, acrescenta.

Os outros produtos da pauta de exportação catarinense como motores, bombas, entre outros, facilmente identificáveis nas vendas externas catarinenses, demonstram que, apesar da predominância das commodities, a indústria de Santa Catarina tem um bom mercado no exterior. “Porém, há dificuldade de aumentar o percentual de industrializados devido ao famoso Custo Brasil e vários outros fatores que tradicionalmente são apontados. O relevante é que a falta de competitividade não é do fabricante catarinense e sim da rede de carga tributária e dos custos logísticos que impactam fortemente no preço final, reduzindo sua competitividade”, diz Maria Tereza.

Para o CEO da Múltipla Assessoria Aduaneira, Santa Catarina tem exportado carnes, produtos da indústria metal mecânica, fumo, produtos de madeira, papel kraft, entre outros. “O que podemos notar é que, tirando a indústria metal mecânica, são produtos com pouca agregação de valor”, diz Sperber.

Argentina tende a ser o principal destino das exportações do Brasil

Depois de ficar atrás dos Estados Unidos nos últimos três anos, a Argentina voltou a ser o principal destino das exportações de produtos manufaturados brasileiros e tem sido a responsável pela recuperação de uma categoria que responde por um terço das vendas do Brasil ao exterior. E a expectativa da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB) é de que o país seja, no final deste ano, responsável por 50% do crescimento previsto de 6,7% nas exportações de manufaturados, e os Estados Unidos, por 13%.

As projeções indicam que as exportações para os “hermanos" cheguem a 25% e a 10% para os americanos, fazendo com que em 2017 a Argentina recupere dos Estados Unidos o posto perdido, em 2014, de maior país importador de produtos manufaturados brasileiros, graças ao crescimento de 3% do Produto Interno Bruto (PIB) do país. Com relação ao câmbio, a previsão da AEB é de que neste segundo semestre a taxa oscile entre R$ 3,15 e R$ 3,30, porém, sem provocar reflexos nas exportações ou importações. A avaliação aponta também que o quadro político-econômico vigente pode ter impacto apenas residual sobre as importações.

A avaliação da AEB destaca ainda que a corrente de comércio, fator gerador de atividade econômica, projetada em US$ 354,812 bilhões para este ano, será equivalente a 17,5% do PIB, similar ao índice de 17,4% de 2010; porém, 9,9% maior que os US$ 322,787 bilhões apurados no ano passado.

As exportações de manufaturados, segundo José Augusto de Castro, da AEB, permanecem dependentes de um país ou região, a Argentina ou América do Sul, devido à falta de competitividade desses produtos, representada pela manutenção do elevado “Custo Brasil”, provocando a exclusão do país das cadeias globais de valor e, indiretamente, produzindo seu isolamento comercial.

Argentina é o segundo maior destino das exportações de SC

A Argentina tradicionalmente foi o primeiro mercado dos produtos catarinenses. “Entretanto, desde o início da década de 2000, com as medidas protecionistas implantadas por esse país, houve uma redução substantiva do valor exportado pelo estado”, diz Maria Tereza Bustamante, da Fiesc. Entretanto, a especialista está otimista, uma vez que “desde 2015, com a entrada do Governo Macri, as exportações para a Argentina vêm apresentando um crescimento”, diz.

Maria Tereza lembra ainda que existe a expectativa de que o país do Mercosul retorne ao posto de primeiro mercado das exportações catarinenses. “Mas precisamos lembrar que, ao longo da década de 2000, várias industrias catarinenses abriram unidades de produção, sendo algumas com alianças estratégicas”.

Segundo números do Observatório da Indústria Catarinense, da Fiesc, no ano passado o mercado argentino absorveu 6% de tudo o que Santa Catarina exporta. Índice que se manteve no primeiro semestre deste ano. O índice é inferior ao registrado em 2010, de 7,3%, porém bem superior ao verificado em 2014, de 4,9%. 




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