quinta, 05 de dezembro de 2019
02/05/2018 17:26

Santa Catarina prepara os primeiros projetos de confecção avançada

Empresas têxteis e de confecção saem na frente rumo à Indústria 4.0

Algumas sementes da indústria 4.0 já se espalham pela área têxtil, mas o modelo de produção ainda não havia decolado por questões culturais, de custo e oportunidade. Para atrair e incentivar empresários a ingressarem neste novo ciclo produtivo, o SENAI CETIQT, do Rio de Janeiro, está promovendo uma pós-graduação em Master Business Innovation (MBI), que reúne 45 empresários, executivos e representantes do setor têxtil e de confecção, em aulas presenciais e à distância que vão até outubro.

Três indústrias de Santa Catarina têm representantes no grupo: Alterburg e Karsten, ambas de Blumenau; e Malwee, de Jaraguá do Sul.

“Acredito que este MBI agregará ferramentas e conhecimentos que, quando aplicados à realidade da empresa têxtil, poderão transformar a forma como conduzimos nossos processos, gerando um grande diferencial competitivo em relação aos concorrentes, visto que hoje ainda são poucas as empresas onde a indústria 4.0 é realidade”, acredita Dario Lana, supervisor de projetos na Altenburg. O diretor industrial da empresa, Vidal Bazanini, concorda: “É uma satisfação dividir o aprendizado com um grupo tão seleto e qualificado. Nossa expectativa é obter ideias, soluções, possibilidades que permitam que continuemos o processo de atualização tecnológica, aumentando a competitividade da empresa, necessidade cada vez mais eminente em todos os setores. A Indústria 4.0 é um grande desafio para o Brasil como um todo e uma grande necessidade. Não podemos fugir dela”, afirma o executivo.

Já a representante da Karsten lembrou, por sua vez, a necessidade de automatizar algumas áreas da empresa. “Temos um processo todo vertical, desde a fiação até a confecção, e é na confecção onde temos a maioria dos processos manuais. Minha expectativa é conhecer aqui oportunidades de automatizar alguns processos, se modernizar, mas sem virar escravo da robotização”, disse Franciele Furlan, Coordenadora de Engenharia de Produto e Processo na Karsten, de Blumenau (SC).

As indagações são muitas sobre os próximos passos rumo ao modelo 4.0 de produção industrial, como destaca Amilcar Marcelo Nagel, diretor industrial do grupo Malwee. “Sempre fomos pioneiros em inovação, mas agora é grande questão é como adaptar a necessidade do mercado à indústria, ou como podemos mudar o comportamento do consumidor. Neste MBI queremos aplicar o que há de novo à uma forma de produzir diferente, mais rápida, dentro da expectativa do cliente, com segurança. Esse é o principal ponto. Aqui vamos trabalhar em conjunto. O networking que encontramos nesse MBI é fantástico para a indústria têxtil”.

A ideia, segundo Robson Marcus Wanka, gerente de educação do Senai Cetiqt e um dos organizadores do MBI, é reunir representantes das principais indústrias têxteis e de confecção do país, grandes, médias e pequenas, com poder de decisão em suas empresas, para uma ‘imersão’ no ambiente de automação 4.0. São eles das indústrias: Vicunha, Cataguases, De Millus, Coteminas, Guararapes, Renner, Grupo Soma, JGB, Sol da Terra e DelRio, entre várias outras. A intenção é que todos tenham contato com personalidades e empreendedores reconhecidos em suas áreas para assimilar novos conceitos e trocar conhecimentos. Eles vão trabalhar no desenvolvimento de projetos que podem ser implantados em ambientes industriais reais.

Durante o lançamento do MBI foram apresentadas linhas de financiamento do BNDES para projetos de inovação com taxas de juros de 11% a 12% e prazos mais alongados. Para micros, pequenas e médias empresas, o banco pode financiar até 100%, com dispensa de algumas garantias, conforme o projeto submetido.

O MBI em Indústria Avançada: Confecção 4.0 seguirá por cinco eixos temáticos: Estratégias de Inovação e Posicionamento de Negócio; Materiais e Produtos; Processo Produtivo; Confecção 4.0; e Projeto e Análise de Viabilidade. Para incentivar a imersão nesses temas, os participantes terão a orientação de especialistas do Brasil e do exterior. Além de professores do próprio Senai Cetiqt, os alunos terão palestras com Angela Hirata, CEO da Japan House e ex-diretora de marketing da Havaianas, responsável por reposicionar a marca no Brasil e em mais de 50 países, e que participou da aula inaugural. O corpo docente também conta com professores da universidade alemã de Aachen, especializada em automação industrial, do MIT (Massachusetts Institute of Technology) e do ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica), entre outros. “O MBI vai facilitar a definição de estratégias e os próximos passos da implantação do modelo 4.0 na área têxtil, reunindo empresas e financiadores”, afirma Wanka.

Ao longo da especialização, os alunos-executivos contarão com aulas, palestras e videoaulas colaborativas. O MBI terá duração de 360 horas, com seis encontros presenciais, em fins de semana, em um hotel na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro; além de aulas na unidade Riachuelo do SENAI CETIQT,onde existe uma planta piloto automatizada. Na mini fábrica 4.0, o sistema começa a funcionar a partir de um espelho virtual, no qual o cliente se posiciona para tirar suas medidas e escolher a peça que será fabricada. Em vinte minutos, a roupa está pronta e embalada.

“O sonho está se materializando. Começamos a dar corpo a uma comunidade que pode construir na prática a fábrica do futuro. Para isso, é preciso unir várias competências. Temos rodado continentes e estamos muito satisfeitos em constatar que caminhamos lado a lado com o que há de melhor no mundo em termos de Indústria 4.0. A implementação no setor têxtil brasileiro começou”, conclui Fernando Pimentel, presidente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção – ABIT.




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