domingo, 16 de junho de 2019
14/12/2018 10:17

AEB anuncia previsão para a balança comercial em 2019

Incertezas marcam comércio exterior brasileiro no próximo ano

O presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro, divulgou hoje, no Rio, a previsão da balança comercial brasileira para 2019. O levantamento aponta para um superávit de US$ 33,757 bilhões, uma queda de 38,6% em relação aos US$ 54,951 bilhões previstos para 2018. Os dados indicam exportações de US$ 220,117 bilhões, queda de 7,3% em relação ao montante de US$ 237,485 bilhões, estimados para este ano, enquanto as importações devem atingir US$ 186,360 bilhões, aumento de 2,1% em relação aos US$ 182,534 bilhões previstos para o mesmo período.

A corrente de comércio prevista para 2019 é de US$ 406,477 bilhões, queda de 3,2% sobre a estimativa de US$ 420,019 bilhões para 2018.

Segundo Castro, o resultado projetado considerou um conjunto de indícios que apontam para uma redução do ritmo de crescimento do mundo econômico. “Os cenários apontam um eventual impacto negativo direto sobre 65% das exportações do Brasil, representadas pelas commodities e, indiretamente, sobre os manufaturados”, afirma.

Castro elenca uma série de fatores que vão influenciar o comércio exterior em 2019, entre eles a guerra comercial EUA x China, que deve ter como consequência uma sobretaxa aduaneira, elevação do custo de importação, redução da demanda causando retração no fluxo comercial e queda nas cotações das commodities; a eventual elevação das taxas de juros dos EUA, aumentando os custos financeiros e reduzindo os níveis de comércio mundial; os problemas econômicos na Itália, políticos na Alemanha e o Brexit no Reino Unido, que travam o crescimento econômico, reduzindo o nível de comércio, com impacto negativo nas cotações das commodities.

Há fatores, alerta Castro, ainda desconhecidos, como as ações do presidente Trump de caráter protecionista, aplicações de antidumping, revisão de acordos comerciais, elevação de taxas de juros, medidas para atrair capitais financeiros e os investimentos produtivos, fortalecimento do dólar e redução da carga tributária; o impacto nas cotações de petróleo, como resultado do corte na produção de petróleo pela OPEP, em contrapartida à elevação da produção dos Estados Unidos; o PIB da Argentina será negativo, com sua crise devendo transformar o quase crônico superávit comercial brasileiro em déficit comercial, afetando as exportações de manufaturados; e, ainda, não se pode indicar, e muito menos quantificar, os impactos advindos de futuras decisões a serem adotadas pelo novo governo, tanto sobre exportações quanto importações.

O levantamento diz também que, salvo exceções por fatores pontuais, em 2018 as commodities tiveram acomodação em suas cotações e a projeção é de leve queda para 2019. Outro ponto que deve ser observado é de que o PIB da China tem mostrado lenta e contínua queda no seu ritmo de crescimento, aparentemente decorrente da fadiga econômico-financeira de suas provinciais.

A América do Sul, destino de 43% das exportações de manufaturados do Brasil, exporta basicamente commodities, com a eventual queda de suas cotações o resultado será a redução das importações de produtos brasileiros. Na análise feita por Castro, a Argentina, um dos nossos principais parceiros na região, deverá ter retração na compra de produtos brasileiros, devido a sua elevada taxa cambial, alto desemprego, baixo consumo e forte queda de suas atividades econômicas.

As projeções da AEB para as exportações se basearam em um cenário que aponta oscilação da taxa cambial entre R$ 3,50 e R$ 3,90, influenciada principalmente pelo quadro político-econômico brasileiro, secundada pela elevação dos juros nos Estados Unidos. “Neste nível, a insegurança quanto à competitividade das exportações de manufaturados continuará presente, com a América do Sul sendo o principal mercado de destino dos produtos manufaturados brasileiros, embora em escala menor”, destaca Castro. Para o presidente da AEB o mercado americano continua o objetivo a ser alcançado, apesar da baixa competitividade dos produtos brasileiros, especialmente em razão do “Custo-Brasil”.

Para as importações, a previsão de crescimento do PIB brasileiro entre 2,5 e 3% deverá reduzir o nível de desemprego, aumentar o consumo das famílias, ampliar a demanda interna, assim como diminuir o nível de inadimplência, acelerando as importações, com possível redução do superávit na balança comercial.

A análise indica que as cotações médias das principais commodities sinalizam leve tendência de queda em 2019 em relação aos preços médios praticados em 2018, com o quantum tendendo à estabilidade. Porém, segundo Castro, um eventual acirramento da guerra comercial entre Estados Unidos e China ou até mesmo qualquer outra crise em país desenvolvido pode acelerar a queda das cotações e quantidades das commodities, ampliando o impacto negativo sobre o comércio exterior brasileiro, principalmente exportações.

De acordo com Castro, em razão de mudança na legislação do REPETRO, o ano de 2018 teve recorde de importação e expressivo valor nas exportações fictas de plataformas de petróleo, anteriormente restritas apenas a exportações. “Até a primeira semana de dezembro foram exportadas quatro plataformas, no montante de US$ 5,7 bilhões, e importadas cinco plataformas no valor de US$ 9,6 bilhões, que, mesmo sob o aspecto contábil, impactaram as projeções e a corrente de comércio”, salientou.

 

 Particularidades

O documento mostra que em 2018 as exportações de soja vão superar 82 milhões de toneladas, graças à quebra de 17 milhões na safra da Argentina e à guerra comercial EUA x China, quadro que não deve se repetir em 2019, com os projetados 72 milhões de toneladas. Em 2017 foram 68 milhões de toneladas. Em 2019, pelo quinto ano consecutivo a soja continuará sendo o produto líder de exportação, com US$ 27 bilhões, mesmo com a queda prevista no quantum e na cotação.

Outros destaques são que a queda de 7,3% nas exportações e aumento de 2,1% nas importações, o que terá contribuição negativa no PIB de 2019. A soja, petróleo e minérios deverão ser responsáveis por 30,1% das exportações totais projetadas para o próximo ano, enquanto em 2018 alcançaram 32,5%.

A análise de Castro é de que, com a posse do novo governo, existe uma expectativa positiva de que as indispensáveis reformas estruturais nas áreas tributária e previdenciária serão efetivamente iniciadas e aprovadas em curto prazo. “Espero que as decisões governamentais sobre investimentos em infraestrutura e processos de desburocratização sejam aceleradas, condição sine qua non para reduzir o “Custo Brasil” e gerar competitividade externa nos produtos manufaturados, independentemente de qual seja a taxa de câmbio”, concluiu Castro.  




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