terça, 01 de dezembro de 2020
23/01/2019 16:45

Suspensão da exportação de frango para a Arábia Saudita afeta 19 indústrias de SC

Amr Moussa, secretário-geral da Liga árabe até 2011, e um dos diplomatas do Oriente Médio de maior influência na região, afirmou que a decisão da Arábia Saudita de descredenciar frigoríficos brasileiros a exportar carne de frango ao país seria uma retaliação à ideia estudada pelo governo Jair Bolsonaro de mudar a embaixada brasileira em Israel de Tel-Aviv para Jerusalém

A suspensão dos certificados de exportação para a Arábia Saudita atinge 19 empresas de Santa Catarina. O número foi divulgado nesta quarta-feira (23) pela Associação Catarinense de Avicultura (Acav), com base em dados do Ministério da Agricultura, e repercutido pela jornalista Dagmara Spautz, do Jornal Diário Catarinense. Entre elas, duas indústrias tinham exportação ativa, ou seja, acordos comerciais para enviar aves para os árabes nos próximos meses. 

Uma das empresas fica na Serra e outra no Oeste do Estado. A Acav esclareceu que a indústria de Itaiópolis, no Norte, que havia sido citada pela associação na terça-feira, não faz parte da lista de suspensões. Continuará enviando frangos para a Arábia Saudita, assim como outras quatro indústrias catarinenses.

O volume de prejuízo para o Estado ainda é incalculável, segundo Jorge de Lima, executivo da Acav, porque as empresas não repassaram os números previstos de exportação. Além do setor produtivo, os portos catarinenses também serão afetados pois atuam fortemente no envio de cargas refrigeradas ao exterior. A exportação de aves representou, no ano passado, 28% da movimentação nos portos de Itajaí e Navegantes.

No setor, há preocupação com o destino da produção. A indústria que fica no oeste, por exemplo, deixou de ser inspecionada pelos árabes em 2018 porque estava em lay off, ou seja, com os trabalhos temporariamente suspensos. A empresa, que exporta perus, retomou recentemente as atividades. 

A intenção da Acav é construir uma missão do setor produtivo para a Arábia Saudita no mês que vem. As negociações são feitas em parceria com a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), governo federal e estadual.

Impasse diplomático

O anúncio do governo saudita sobre a suspensão dos certificados de exportação para indústrias brasileiras foi divulgado na noite de segunda-feira, em um relatório direcionado ao Ministério da Agricultura do Brasil.

À agência Estadão Conteúdo, Amr Moussa, secretário-geral da Liga árabe até 2011, e um dos diplomatas do Oriente Médio de maior influência na região, afirmou que a decisão da Arábia Saudita de descredenciar frigoríficos brasileiros a exportar carne de frango ao país seria uma retaliação à ideia estudada pelo governo Jair Bolsonaro de mudar a embaixada brasileira em Israel de Tel-Aviv para Jerusalém. 

— O mundo árabe está enfurecido (com o Brasil) — disse Moussa, que participa do Fórum Econômico em Davos, na Suíça. —Essa é uma expressão de protesto contra uma decisão errada por parte do Brasil — insistiu.

Apesar das afirmações do diplomata, o setor produtivo brasileiro aposta em outro motivo para as suspensões.

— Enquanto setor, não estamos olhando como retaliação, mas como critérios meramente técnicos. As visitas (dos árabes para as certificações) ocorreram antes do presidente ter assumido e antes das declarações de que mudaria a capital para Jerusalém — afirma Lima, da Acav.

Em todo o país, das 137 plantas com certificação apenas 25 foram autorizadas a manter as exportações para a Arábia Saudita — cinco em SC. As indústrias que mantiveram o certificado correspondem a 63% do que é exportado para os árabes no país. 

O Brasil é hoje o maior exportador de frango halal, ou seja, abatido de acordo com as regras do Islã, no mundo. Somente para a Arábia Saudita foram 486 mil toneladas no ano passado.




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