sábado, 04 de abril de 2020
14/01/2020 08:00

IMO 2020: o que muda com as novas regras de emissão de enxofre pelos navios

Todas estas mudanças devem atingir o consumidor tanto de forma negativa como positiva

A regra global que reduzirá significativamente as emissões nocivas de óxidos de enxofre por parte da frota mercante mundial entrou em vigor no dia 1º de janeiro de 2020. Conhecida como IMO 2020, a normativa reduz o limite de enxofre no combustível de navio de 3,5% para apenas 0,5%. Esses limites são obrigatórios para todas as embarcações que operam fora de zonas designadas de controle de emissões (Mar Báltico, Mar do Norte, área norte-americana, área do mar do Caribe e dos Estados Unidos), onde o limite já é de 0,10%. A decisão de reduzir o limite global de enxofre no combustível de navios foi tomada em 2008 e confirmada em outubro de 2016.

Conforme Diego Lemke, gerente de produtos da Allog – empresa especializada em logística internacional – o principal objetivo da IMO 2020 é a redução da emissão de gases poluentes na atmosfera. “Esta medida torna-se necessária frente ao alto fluxo de mercadorias transportadas através do modal marítimo. Por outro lado, devido a esta decisão, faz-se necessário a adaptação das embarcações para cumprimento da norma instituída”, explica.

Para a maioria dos navios, isso significa uma mudança para novos tipos de óleos compatíveis. Segundo estudos internacionais, o transporte marítimo consome 4,4 milhões de barris de petróleo por dia, representando 10% do consumo de petróleo atribuído a todo o setor de transporte. Além disso, o transporte marítimo internacional é responsável por aproximadamente 5% por cento da demanda global de petróleo.

Todas estas mudanças devem atingir o consumidor tanto de forma negativa como positiva. “Como o maior volume de mercadorias é transportado através do modal marítimo, a redução na emissão de enxofre melhora a qualidade do ar respirado. Por outro lado, esta adaptação trará custos que consequentemente deverão influenciar no frete e valores das mercadorias transportadas”, pontua Lemke.

Novo limite

O novo limite significará uma redução de 77% no total de emissões produzidas pelos navios, o que equivale a uma baixa anual de aproximadamente 8,5 milhões de toneladas de óxidos de enxofre, conforme dados da International Maritime Organization (IMO). O material particulado - pequenas partículas nocivas que se formam quando o combustível é queimado - também será reduzido. Como resultado, a organização espera uma redução nos casos de derrame, asma, câncer de pulmão e doenças cardiovasculares e pulmonares. A redução das emissões de enxofre dos navios também ajudará a impedir a chuva ácida e a acidificação dos oceanos, o que beneficiará florestas e espécies aquáticas.

Transição

A IMO fez um intenso trabalho preparatório para garantir que a transição fosse tranquila. A entidade publicou uma série de documentos para ajudar o setor a se preparar para a mudança, incluindo orientações sobre o desenvolvimento de um plano de implementação que aborda questões como avaliação de riscos para novos combustíveis e limpeza de tanques.

De acordo com Kitack Lim, secretário-geral da IMO, a indústria naval e os fornecedores de combustível trabalharam incansavelmente nos últimos três anos para se preparar para essa importante mudança. Os navios também podem usar combustíveis diferentes, com baixo ou até zero teor de enxofre, como o gás natural liquefeito ou biocombustíveis. No entanto, a mistura de diferentes combustíveis não é recomendada, de acordo com os padrões ISO e seus PAS (do inglês Publicly Available Specification). Os armadores devem testar a compatibilidade, estabilidade e outras características relevantes dos combustíveis reguladores a serem usados e consultar os padrões relevantes da Organização Internacional de Normalização.

Os navios também podem cumprir os requisitos de emissões usando um dos métodos equivalentes aprovados, como sistemas de limpeza de exaustão ou "lavadores" que "limpam" as emissões antes de serem liberadas na atmosfera. As arruelas removem óxidos de enxofre dos gases de escape do motor e da caldeira do navio, permitindo que os navios equipados com eles continuem usando combustível pesado, de acordo com as diretrizes da IMO.

 




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