quinta, 13 de agosto de 2020
04/02/2020 06:06

EUA podem ajudar Brasil a rever regras para petróleo, diz ministro

Atualmente, o governo discute o fim do regime de partilha no pré-sal, modelo criado no governo Lula que garante participação estatal nos contratos de exploração das reservas da região

O ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, afirmou nesta segunda (3) que o governo dos Estados Unidos pode cooperar com o Brasil para melhorar o ambiente regulatório no setor de petróleo. Os debates podem envolver regras para leilões de concessão de petróleo e para permitir o início da exploração de reservas não convencionais de petróleo e gás.

Albuquerque e o secretário de energia dos Estados Unidos, Dan Brouillette, acompanharam nesta segunda de assinatura de convênios no setor nuclear, mercado de interesse de empresas americanas no país.

Os dois participam do Fórum de Energia Brasil-Estados Unidos, parte de parceria estratégica iniciada em 2019, durante visita do presidente Jair Bolsonaro ao presidente americano Donald Trump.

Brouillette já havia afirmado no domingo (2) que os Estados Unidos têm o interesse em ajudar o Brasil a rever a regulação do setor de petróleo, citando o megaleilão do pré-sal realizado no fim de 2019, quando houve propostas apenas da Petrobras e sócios chineses.

Nesta segunda, Brouillette disse que a parceria entre os dois países pode ajudar a reduzir incertezas e melhorar a transparência dos leilões. Ao lado de Albuquerque, ele elogiou o modelo brasileiro de leilões de petróleo.

O ministro brasileiro lembrou que o Brasil bateu recorde de arrecadação com os leilões de 2019, mas que a cooperação "vai no sentido de criar um melhor ambiente de negócios".

"Vamos procurar juntos reduzir incertezas que possam por acaso existir nos leilões", disse, sem apresentar detalhes sobre pontos específicos que podem entrar em discussão.

Atualmente, o governo discute o fim do regime de partilha no pré-sal, modelo criado no governo Lula que garante participação estatal nos contratos de exploração das reservas da região. A ideia é apoiada por empresas estrangeiras interessadas no país.

Brouillette evitou indicar preferência dos Estados Unidos por algum modelo específico, dizendo apenas que o importante é reduzir incertezas e aumentar a transparência.

Albuquerque afirmou que os Estados Unidos podem contribuir na definição de regras para a exploração de reservas não convencionais de petróleo e gás. Nos Estados Unidos, a exploração chamado 'shale gas' levará o país a ser exportador de energia em 2020.

"É um exemplo claro daquilo em que podemos e devemos avançar", afirmou. A resistência à tecnologia de fraturamento hidráulico, que permite a exploração das não convencionais, é grande no Brasil —há legislação banindo o processo em diversos municípios do país.

Foram assinados dois convênios nesta segunda. Um deles prevê a aproximação entre empresas fabricantes de equipamento e tecnologias nucleares dos dois países, não só no setor energético, mas também nas áreas médica e de pesquisas, por exemplo.

O outro prevê estudo conjunto entre a estatal Eletronuclear e a americana Westinghouse para estender a vida útil da usina Angra 1, a primeira do país, que iniciou as operações em 1971.

A ideia é ampliar a vida útil em 20 anos, além dos 40 anos previstos na época de sua construção. Segundo Brouillette, trata-se de um primeiro passo de um "profundo relacionamento entre as duas empresas".

Para os Estados Unidos, a aproximação entre os governos Trump e Bolsonaro pode abrir mercado para companhias americanas do setor nuclear, em um momento em que o Brasil discute a conclusão de Angra 3 e a possibilidade de construção de novas usinas.

"A indústria americana de energia está pronta e ansiosa para trabalhar com o Brasil", afirmou em seu discurso. "Os Estados Unidos têm a melhor tecnologia do mundo", defendeu. Com informações da Folha SP




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