segunda, 06 de dezembro de 2021
18/10/2021 14:27

Cecafé debate como cadeias de abastecimento podem enfrentar ruptura no transporte marítimo

Em evento da SCTA, entidade expôs ações que a cafeicultura do Brasil realiza para mitigar impactos dos gargalos logísticos e para atender ODS e leis social, ambiental e de segurança alimentar

O Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) participou, nesta sexta-feira, 15, da mesa redonda virtual “Resistindo à tempestade: Como as cadeias de abastecimento podem enfrentar a ruptura no transporte marítimo”, realizada pela Swiss Coffee Trade Association (SCTA), com a presença de líderes da cadeia mundial de suprimentos, da produção a exportação e armadores.

Nicolas Rueda, presidente do Cecafé, foi um dos explanadores no painel “Logística – um mergulho profundo no futuro do transporte”, que debateu os desafios causados pela grave crise operacional no comércio marítimo mundial. Ao mencionar a reviravolta no desempenho das exportações brasileiras de café, que eram positivas até o acumulado de julho, ele explicou que isso é reflexo da continuidade dos gargalos logísticos, problemas estruturais que extrapolam as fronteiras do Brasil e do produto.

De acordo com Rueda, a continuidade dos entraves no comércio marítimo global, com constantes atrasos causados pela falta de espaços nos navios e de contêineres, além de sucessivos cancelamentos de bookings, fez com que o Brasil deixasse de exportar cerca de 4 milhões de sacas entre maio e setembro deste ano.

Na sequência, o diretor geral do Cecafé, Marcos Matos, debateu “Os grandes temas de sustentabilidade para os próximos dez anos. Alcançaremos as demandas do Desafio do Café Sustentável e como as associações podem ajudar?”.

Durante o painel, foram apresentadas as novas legislações na Alemanha, relacionada aos direitos humanos, bem como as discussões preliminares no âmbito da União Europeia sobre a importação de commodities, entre elas o café. Pela proposta, os importadores europeus precisarão fazer uma rigorosa due diligence sobre o que importam, com um sistema que avaliará países de acordo com o nível de risco de desmatamento. Além disso, sugere-se a implantação de diversas obrigações de estrita rastreabilidade, a partir do local onde as commodities foram produzidas.

Diante do exposto, Matos defendeu o compromisso do Brasil com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas (ONU) e com as legislações social, ambiental e de segurança alimentar, que citou como pilares importantes para a entidade. “Temos trabalhado intensamente para avançar de forma positiva nesses temas, com a restruturação de programas anteriores, desenvolvimento de novos projetos e realização de parcerias estratégicas, que estão sendo liderados pelo Cecafé no Brasil”.

O diretor do Conselho também apresentou a importância da cafeicultura na elevação do Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) nas regiões produtoras do Brasil, que possuem indicadores superiores à média, bem como destacou, com base nos dados da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), que o café não está relacionado ao desmatamento no país, com os produtores, em média, tendo percentuais de preservação acima dos exigidos pelo Código Florestal Brasileiro.

Ao apresentar outros projetos em andamento, como a análise das emissões de carbono na produção de café e suas oportunidades comerciais, Matos convidou a todos para conhecerem mais as iniciativas do setor exportador brasileiro e a integrarem as ações do Cecafé, em um trabalho cooperativo, que se alinha com o slogan do evento da SCTA: “Juntos rumo ao amanhã e a década decisiva”.

SOBRE O CECAFÉ

 

Fundado em 1999, o Cecafé representa e promove ativamente o desenvolvimento do setor exportador de café no âmbito nacional e internacional. A entidade oferece suporte às operações do segmento por meio do intercâmbio de inteligência de dados, ações estratégicas e jurídicas, além de projetos de cidadania e responsabilidade socioambiental. Atualmente, possui 120 associados, entre exportadores de café, produtores, associações e cooperativas no Brasil, correspondendo a 96% dos agentes desse mercado no país.




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