terça, 16 de julho de 2024
02/06/2008 00:00

ESPECIAL EDIÇÃO IMPRESSA: De Santa Catarina para o mundo


A globalização impactou fortemente a forma como as empresas gerenciam suas vantagens competitivas e a internacionalização, para muitas, deixou de ser uma escolha e transformou-se em questão de sobrevivência. Segundo o ranking da Fundação Dom Cabral (FDC), o Brasil conta com 30 empresas com presença internacional e, destas, sete surgiram em Santa Catarina. O estudo aponta que as empresas Weg, Tigre, Duas Rodas, Portobello, Perdigão, Datasul e Marisol são as catarinenses com o maior índice de transnacionalidade, medido por indicadores como receita bruta das subsidiárias no exterior, ativos e número de funcionários fora do país. A presidente da Câmara de Comércio Exterior da Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc) e gestora corporativa de Comércio Exterior e Relações Externas da Embraco, Maria Tereza Bustamante, caracteriza essa realidade como uma resposta do empresariado catarinense, caracterizada por uma visão de inserção no mercado mundial. “A internacionalização possibilita o desenvolvimento de tecnologia, aproximação constante com os grandes centros de pesquisa mundial, com instituições acadêmicas fortes na educação do conhecimento e com empreendedores pujantes e sempre voltados ao crescimento”, diz Maria Tereza. Ela classifica o conhecimento de mercado, dos clientes, dos concorrentes e dos fornecedores locais como grandes vantagens competitivas, aliadas às vantagens logísticas. “A montagem de unidades no exterior – fabris e de negócios – possibilita a melhor compreensão da cultura, educação e tradições dos mercados em questão, bem como a constante aproximação com o consumidor final, domínio da distribuição e atendimento personalizado”, diz a executiva. Maria Tereza aponta ainda a possibilidade do design dos produtos adaptados a cada realidade e o desenvolvimento de tecnologia e inovação, conforme as necessidades do mercado e dos clientes, como pontos importantes neste processo. “É preciso estar sempre ‘uptodate’ nas tendências e ameaças e a proximidade das empresas com seus respectivos mercados proporcionam isso”, acrescenta. As vantagens financeiras citadas pela especialista são a redução dos custos – gerada pela proximidade das empresas com seus mercados –, a melhor otimização do uso de políticas públicas, de financiamento e de obtenção de recursos e a possibilidade da utilização de benefícios que possam ser oferecidos aos investidores. Tributação – O presidente da Tigre, Amaury Olsen, diz que a facilitação da logística de produção e distribuição é um dos principais fatores que levam as empresas a investirem no exterior, juntamente com as vantagens financeiras e cambiais que cada mercado oferece. Segundo Olsen, muitas empresas estão investindo no exterior para não depender somente de uma moeda, o que evita riscos cambiais. Porém, ele destaca que o fator câmbio é pontual. Jean Klaumman, diretor de novos canais para a América Latina da Datasul, diz que a questão tributária é avaliada na hora da decisão por um investimento externo. “Os encargos sociais no exterior são, sem dúvida, mais baixos e flexíveis. Os governos de países com Produto Interno Bruto (PIB) elevado e taxas de crescimento mais altas que a média entendem que, para atrair investimentos, precisam oferecer, além de infra-estrutura e mão-de-obra qualificada, encargos sociais atraentes. E isso tem peso relevante na hora de uma empresa escolher investir no Brasil ou exterior”, afirma Klaumman. A questão cambial, segundo o diretor, também é um critério avaliado pela Datasul e que influencia nas decisões da empresa em investir fora do país. “Optamos, por exemplo, por criar um centro de inovação e desenvolvimento em Córdoba, que além do posicionamento estratégico nos trouxe condições cambiais e tributárias favoráveis”, diz. A presidente da Câmara de Comércio Exterior da Fiesc diz que não existe uma regra específica para dizer se é mais barato investir no exterior que no Brasil. “Não há uma receita pronta, tipo receita de bolo, para responder essa questão, extremamente relativa. Para se fazer a comparação é preciso analisar o tipo de investimento, país, marco regulatório e as condições em que o investimento é feito”, afirma. Maria Tereza diz que existem muitos fatores envolvidos e o diferencial não é necessariamente o custo. Tendência – O fenômeno da internacionalização das empresas brasileiras se intensificou nos últimos dois anos e as multinacionais investem cada vez mais em unidades fora do país. Especialistas apostam que essa é uma tendência que veio para ficar, por várias razões: desde o esgotamento do mercado doméstico para alguns segmentos, até a fuga de barreiras protecionistas mundo afora, passando pela busca da proximidade com os clientes e de capital de baixo custo. Maria Tereza Bustamante defende que esse aumento no índice de internacionalização é alavancado pela globalização, que abre um leque para que as indústrias brasileiras formalizem alianças e parcerias, sejam estratégicas para atender mercados ou clientes, sejam para fabricar para terceiros. “No momento há um movimento bastante intenso de vários setores que tradicionalmente só exportavam o produto acabado para que migrem para desenvolver atividades de internacionalização”, complementa. Os investimentos das multi brasileiras no exterior, segundo o Banco Central (BC), atingiram US$ 36,5 bilhões entre 2006 e 2007, volume superior ao que as empresas brasileiras investiram no exterior nos 12 anos anteriores. De 1994, início da estabilização econômica, a 2005, os investimentos diretos dos brasileiros fora do país foram de US$ 30,6 bilhões. Para 2008 a expectativa do governo e mercado é de que os investimentos das empresas brasileiras no exterior atinjam um volume semelhante ao alcançado em 2007, de mais de US$ 10 bilhões, apesar da crise norte-americana. “A internacionalização, sem dúvida, é e será a grande receita de sucesso para as empresas brasileiras. Nenhum setor vai sobreviver exclusivamente da conquista do mercado interno, cada vem mais receptivo ao produto de seu concorrente”, explica Maria Tereza Bustamante. Weg está presente em mais de cem países Líder no setor em que atua, a fabricante de motores elétricos Weg, de Jaraguá do Sul, iniciou suas exportações em 1970. Entretanto, o foco da empresa foi de, em curto espaço de tempo, transformar-se em multinacional, devido à necessidade de manter uma presença mundial para atender os grandes clientes multinacionais. Embora a estratégia de internacionalização tivesse seu início nos anos 70, foi com a queda de fronteiras e barreiras comerciais, no início da década de 90, que a Weg deu início à montagem de estrutura própria nos países que considerou os mais importantes para uma melhor administração de seus clientes e de sua logística. O primeiro país a abrigar uma filial Weg foi os Estados Unidos. Em seguida, a Bélgica, por ser a sede do Mercado Comum Europeu. Depois, vieram os demais países da Europa, a Austrália, Japão e América do Sul, totalizando 20 países com subsidiarias da empresa. A terceira fase do processo de internacionalização foi marcada pela instalação de fabricas da Weg no exterior. As duas primeiras unidades fabris da empresa fora do Brasil, por uma questão regional, foram instaladas na Argentina e, a terceira planta, no México. Unidade considerada de grande importância pela empresa, pelo fato do país possuir um grande mercado interno, mão-de-obra competitiva e grande oferta de matéria-prima. Segundo o vice-presidente e diretor internacional da Weg, Sergio Schwartz, a vantagem de ter plantas no exterior é a proximidade com o cliente (e a logística), além da segurança. No continente europeu a Weg entrou por Portugal, onde instalou a sua quarta unidade fabril, destinada à fabricação de motores industriais e de grande porte com alta tecnologia. Em 2005 entrou em produção mais uma unidade fabril no México e, em dezembro de 2004, a empresa adquiriu uma fábrica na China e inaugurou filiais na Índia e Cingapura, mercados com altas taxas de importação. Com essas ações, explica Schwartz, a Weg reforçou a presença no continente asiático. "A China tem custos mais competitivos que o Brasil, mas a prioridade é desenvolver o mercado asiático: ser um fabricante local dá um status diferente do que ser importador, em determinados mercados", diz Schwartz. O fato do setor de energia trabalhar com impostos reduzidos na Ásia também impulsionou a empresa a instalar unidades fabris no continente. Hoje a Weg está presente em mais de 100 países, com 11 fábricas, 20 filiais comerciais e 80 distribuidores. A empresa ainda projeta, a longo prazo, instalar mais uma unidade industrial na Índia e plantas no Leste Europeu, Rússia e Oriente Médio. Porém, tais investimentos dependem das questões moeda/câmbio, impostos de importação, acordos comerciais e aos aspectos conjunturais como um todo. Entretanto, apesar das fábricas no mundo, o mercado interno continua muito competitivo para a empresa. "Independente do processo de internacionalização, o Brasil é um grande exportador. As fábricas lá fora não vão substituir a produção daqui. A internacionalização diminui os riscos, mas é preciso estar preparado: as taxas cambiais às vezes nos pregam peças", complementa Sergio Schwartz. Resultados: A Weg fechou o primeiro trimestre deste ano com receita operacional líquida de R$ 887,3 milhões, alta de 10,8% sobre o mesmo período de 2007. As vendas brutas ao mercado interno cresceram 22% sobre o ano anterior e as vendas brutas ao mercado externo convertidas em reais pela taxa de câmbio média decresceram 2,6%. No trimestre, o Ebitda (lucro operacional antes das despesas financeiras, impostos e depreciação) cresceu 5,6% em relação ao primeiro trimestre de 2007 atingindo R$ 203,2 milhões. A margem Ebitda foi de 22,9 %, com perda de 1,1 ponto percentual em relação ao primeiro trimestre de 2007. O lucro líquido foi de R$ 125,8 milhões, 2,4% menor do que o do mesmo período de 2007. O resultado corresponde a uma margem líquida de 14,2% no trimestre. Os investimentos em ativos fixos totalizaram R$ 77,8 milhões no trimestre, 85% destinados ao Brasil e 15% ao exterior. O diretor Administrativo e de Relações com Investidores da Weg, Alidor Lueders, diz que apesar das turbulências nos mercados financeiros internacionais, a Weg espera obter crescimento de 20% na receita bruta sobre 2007. "Estimamos que nosso programa de investimentos atinja R$ 520 milhões ao longo de 2008”, diz. Perdigão consolida-se no mercado globalizado A internacionalização da Perdigão, gigante do setor de alimentos, se deu, principalmente, para aproximar a empresa dos seus clientes no exterior. A estratégia internacional adotada teve início há 14 anos e foi tomada pelo fato da empresa ter praticamente a metade de seu faturamento proveniente das exportações. A idéia foi eliminar os intermediários e atender o consumidor final, reduzindo a dependência de venda de commodities, para focar os produtos de maior valor agregado. “Entretanto, a implantação de unidades no exterior não impactou em redução das exportações a partir das plantas brasileiras”, informa o diretor de Relações Institucionais da Perdigão, Ricardo Menezes. O processo de internacionalização da Perdigão, presente hoje em mais de cem países, começou em 1994, quando passou de empresa familiar para uma gestão profissionalizada. A primeira etapa envolveu a abertura e a consolidação de escritórios no exterior, que deixaram de ser pontos de vendas e transformaram-se em locais de desenvolvimento de novos produtos, logística e pós-vendas. Além dos escritórios no Japão, Hong Kong, Moscou, Dubai e Holanda, a Perdigão abriu escritórios menores na Europa. O processo de internacionalização passou por várias fases que culminaram, no ano passado, com a compra da Blusfood e com a operação três unidades produtivas, na Holanda, Romênia e Grã-Bretanha. Outra estratégia da empresa para garantir sua fatia do mercado internacional são as diferentes marcas que a Perdigão tem para comercializar seus produtos em diferentes partes do mundo. Conta com a marca internacional Perdix, criada em 2001 para facilitar a identificação da marca no mercado global e ainda comercializa seus produtos com marcas criadas para mercados específicos, a exemplo da “Fazenda”, destinada ao mercado russo, e de outras marcas adotadas para a venda no mundo islâmico, que tem exigências diferenciadas. Superação – A Perdigão fechou o primeiro trimestre de 2008 com faturamento bruto de R$ 2,85 bilhões, valor 59,5% superior ao obtido em igual período do ano anterior, e crescimento total de 64,5% em volumes vendidos de carnes, lácteos e outros produtos processados. O resultado reflete a boa performance registrada nos mercados interno e externo, com o fortalecimento das bases da companhia no Brasil e no exterior, a partir da incorporação das operações da Eleva e da Plusfood. As vendas no mercado interno somaram R$ 1,74 bilhão, aumento de 69% ante o mesmo exercício do ano anterior, com incremento de 31% nos volumes de carnes e 197% em produtos lácteos. As exportações atingiram R$ 1,1 bilhão, valor 46,7% superior em comparação ao primeiro trimestre de 2007, refletindo o ritmo de crescimento da demanda nos principais mercados, com destaque para o Oriente Médio e o Extremo Oriente. Os volumes totais de vendas no mercado externo foram 31,9% maiores em carnes e 16,3% em outros produtos processados, como massas, pizzas e margarinas. O lucro bruto chegou a R$ 536,4 milhões, o que representa aumento de 30,5%. No entanto, apesar do bom desempenho das vendas, a margem bruta apresentou queda de 5,2 pontos percentuais, em razão da pressão dos custos das principais matérias-primas (especialmente milho, farelo de soja e leite) e dos materiais secundários, que elevaram em 73% os custos das vendas. A geração de caixa medida pelo Ebitda foi de R$ 186,4 milhões, valor 10,7% superior em relação ao mesmo trimestre do ano anterior. Entretanto, o estreitamento das margens, provocado pelo aumento de custos e despesas, reduziu em 18,7% o lucro líquido da companhia no período, que foi de R$ 51 milhões. Os investimentos superaram a casa de R$ 1,8 bilhão no trimestre. Desse montante, 92,3% (ou seja, R$ 1,7 bilhão) foram direcionados à aquisição da Eleva e da Plusfood. A empresa destinou R$ 143,2 milhões para aumento de produtividade, melhorias e novos projetos entre janeiro e março, valor 14,4% acima do aplicado no exercício anterior. Tigre dá continuidade a investimentos no exterior Para a Tigre SA, líder da América Latina na fabricação de tubos, conexões e acessórios em PVC, com matriz em Joinville, os investimentos no exterior fazem parte da estratégia definida em 1995, de crescer com base no tripé novos negócios, novos produtos e novos mercados. Objetivo que, para ser alcançado, tornou o processo de internacionalização uma necessidade para a empresa, que já domina o mercado brasileiro. Fatores logísticos também influenciam nas decisões da Tigre investir em unidades de produção fora do Brasil. A afirmação é do presidente do conglomerado, Amaury Olsen, que explica que o baixo peso e grande volume dos produtos Tigre, especialmente os tubos, acabam não gerando uma boa relação de custo benefício nas exportações, devido aos custos de frete, que são muito altos. “Produzir no mercado onde o produto é consumido é uma grande vantagem competitiva. Além de facilitar a logística, as especificações e peculiaridades de cada país, em termos de cores, materiais e bitolas, são questões importantes”, acrescenta Olsen. Segundo ele, os custos de investimentos em alguns países, a exemplo do Chile, onde a Tigre tem uma unidade fabril, também são mais baixos que no Brasil, o que gera uma vantagem interessante. Com relação às questões cambiais, Olsen as considera pontuais. “Podem influenciar numa decisão imediata, o que não é o caso da Tigre, que está com seu processo de internacionalização consolidado e tende a crescer mais ainda no mercado externo, com sua chegada na Colômbia, América Central e México”, diz. Expressão – A Tigre está presente em dez países com 18 fábricas: Brasil, Argentina, Chile, Uruguai, Paraguai, Bolívia, Equador, Peru, Colômbia e Estados Unidos. Nos últimos quatro países, as operações iniciaram em 2007. Em janeiro deste ano o Grupo também adquiriu a empresa Plástica SA, sediada em Lima, no Peru, companhia fabril com participação importante no mercado peruano. “Os motivos que levaram a Tigre a investir no Peru são muitos, mas o principal é a expansão dos negócios através da internacionalização”, afirma o vice-presidente da empresa, Evaldo Dreher. Ele diz que a economia peruana atravessa um bom momento, com inflação estável nos últimos dois anos: 2,1% em 2006 e 3,9% em 2007. “O país também apresenta um crescimento bem acima da média: 6,4% em 2006 e 8% em 2007%”, diz. Até a metade de 2008 a Tigre inicia também as operações fabris na Colômbia. Os investimentos da empresa no exterior totalizam US$ 150 milhões e as unidades externas respondem pela fatia de 25% do faturamento. Dos mais de cinco mil colaboradores da Tigre, 1,12 mil trabalham em unidades externas. “Neste ano estamos construindo cinco novas plantas industriais, duas no Brasil e três no exterior: uma no Peru e duas na Colômbia.”, informa Olsen. Os investimentos previstos para 2008 chegam a US$ 70 milhões, sem considerar as possíveis aquisições. Segundo o presidente, a empresa ainda avalia oportunidades na América Central e México. “Nossa estratégia de crescimento não muda. A Tigre continuará buscando oportunidades de crescimento, tanto no Brasil como no exterior, por meio de aquisições e/ou operações green field”, acrescenta Evaldo Dreher. Liderança – A história da Tigre começou em 1941 na cidade de Joinville, quando o empreendedor João Hansen Junior adquiriu o controle de uma pequena empresa. Sua visão pioneira e abordagem inovadora se transformaram no fundamento de uma companhia que, no ano passado, teve o faturamento bruto consolidado de R$ 1,889 bilhão (equivalente a mais de US$ 1 bilhão), o que representa um crescimento de 8,41% sobre 2006. O Lucro Operacional atingiu R$ 188,7 milhões, 70% acima do ano anterior e o Lucro Líquido chegou a R$ 125 milhões, ou seja, um crescimento de 39,66% sobre o ano de 2006. O Ebitda foi de R$ 258 milhões, 8,57% acima do registrado no exercício anterior. A empresa não divulgou os resultados do trimestre. Datasul: Estratégias diferenciadas marcam o processo de internacionalização O processo de internacionalização da Datasul, multinacional de software de gestão empresarial integrada, de Joinville, teve início na década de 90, compondo a estratégia da empresa de buscar a evolução e a solidez nos negócios após estrear no mercado de capitais. No Chile e na Colômbia, a atuação foi por meio de franquias. Na Argentina, a Datasul adquiriu um concorrente local para acelerar o crescimento e, no México, a empresa iniciou com operação direta e agora foca a abertura de novos canais. De acordo com a divulgação dos resultados da companhia, as operações internacionais representam 9,5% da receita total. As vantagens de investimentos fora do Brasil, explica o diretor de novos canais para a América Latina, Jean Klaumman, é a proximidade dos projetos estratégicos de sua clientela, o que aumenta a competitividade, uma vez que o principal ativo da Datasul é o capital intelectual. Entretanto, o executivo diz que, para uma empresa optar pela internacionalização, ela precisa estar preparada para os novos mercados. “Quando o objetivo é atender clientes globais, temos que saber atender fora do Brasil”, diz Klaumman. Ele defende que a ampliação da operação internacional é fundamental para o processo de A escolha dos mercado pela Datasul, informa Klaumman, leva em consideração aspectos como economia do país, qualidade de mão-de-obra, crescimento do PIB, vantagens logísticas e também as questões câmbio e tributação. “Optamos, por exemplo, por criar um centro de inovação e desenvolvimento em Córdoba, que além do posicionamento estratégico, nos trouxe condições cambiais e tributárias favoráveis”, explica o executivo. Ele diz que encargos sociais no exterior também são mais baixos e flexíveis. “Os governos de países com PIB crescido e taxas mais altas que a média entendem que para atrair investimentos precisam oferecer, além de infra-estrutura e mão-de-obra qualificada, encargos sociais atraentes”, complementa. Investimentos – Klaumman diz que, além dos investimentos constantes em cada operação, os últimos recursos aplicados pela Datasul na Argentina chegaram a U$S 3 milhões – incluindo a aquisição da Meya, no final de 2006. O executivo diz que a companhia ainda destinou parte desses recursos para ampliação da equipe de vendas, aumento do portfólio de soluções para o mercado argentino, inauguração de uma subsidiária da companhia em Buenos Aires e ações de fortalecimento da marca. “Volume semelhante de investimentos foi realizado no México, país no qual continuamos investindo, principalmente na estruturação e contínua melhoria de nossos negócios”, garante. Outra iniciativa importante neste sentido, diz Klaumman, foi o estabelecimento de uma parceria com a Salesforce.com, maior referência mundial em vendas de software on demand. “Também fomos pioneiros na América Latina ao desenvolver uma oferta de softwares como serviço e agora lançamos esta solução ao lado do principal player em SaaS, no mundo, o que nos confere escala global. É o primeiro acordo da empresa norte-americana com uma companhia brasileira”, afirma o diretor. Segundo Klaumman, com a parceria a Datasul ingressou na incubadora tecnológica da Salesforce.com, em San Mateo, na Califórnia. “Essa aliança é resultado de nossa busca pelos avanços tecnológicos que estão ocorrendo em todas as partes do mundo. E o lugar na incubadora não garante apenas o apoio da equipe de engenharia da Salesforce.com, mas sim o acesso às experiências das demais companhias instaladas no local e das empresas de investimento de risco presentes no Vale do Silício”, acrescenta. Crescimento –A Datasul SA registrou no primeiro trimestre de 2008 uma receita líquida de R$ 64 milhões, 40,6% maior que no mesmo período do ano anterior. O crescimento orgânico foi de 17,5% e o Ebitda registrado no período somou R$ 12,6 milhões, com expansão de 39,0% sobre o primeiro trimestre em 2007, e 19,6% de margem. O Lucro Líquido Ajustado totalizou R$ 10,6 milhões. “Tivemos um trimestre de resultados muito consistentes, que demonstram, além de ótimos índices de aumento em nossas diversas linhas de receitas, a coerência e assertividade de nossa estratégia de crescimento e foco de nossa gestão”, diz Mônica Molina, diretora de relações com investidores da companhia. A receita operacional líquida de licença de uso foi de R$ 8,2 milhões comparável aos R$ 6,3 milhões no mesmo trimestre do ano anterior. No período, representou um crescimento de 29,2%. As receitas de licenças de uso fora do Brasil representaram 9,5% do total, resultado fortemente apoiado pela Argentina e México, sinalizando um retorno promissor para os investimentos feitos ao longo do ano passado e que continuarão acontecendo este ano. Unidade de distribuição impulsiona negócios na América do Norte A empresa de revestimentos cerâmicos Portobello, com sua matriz em Tijucas, criou em 1990 a Portobello America Inc. na cidade de Delaware (EUA) para a distribuição e vendas dos seus produtos na América do Norte. A unidade é responsável pelas vendas, marketing e distribuição no mercado norte-americano. Inicialmente a empresa comercializou os produtos de duas fábricas: Cerâmica Portobello e Seoul Ceramics e, nos anos seguintes. Outros fabricantes de produtos cerâmicos foram acrescentados ao mix de produtos. Porém, a Seoul e a Portobello mantém sua posição mais influente na corporação. Além desta unidade no exterior, a Portobello conta ainda com mais cinco escritórios e depósitos regionais. Na Califórnia dispõe de Centro Corporativo e Administrativo, além do Departamento de Vendas e Marketing da Região Costa Oeste dos EUA. Em New Jérsei a empresa opera com o Departamento de Vendas e Marketing para a Região Nordeste dos EUA e, na Flórida, mantém o Departamento de Vendas e Marketing para a Região Sudeste dos EUA. No Texas e Illinois a empresa conta com departamentos de vendas e marketing destinadas aos mercados das regiões Centro-Sul e Meio-Oeste dos EUA. Desempenho – O faturamento da Portobello no mercado interno cresceu 22% no primeiro trimestre deste ano, enquanto as exportações caíram 19% em relação ao mesmo período de 2006. As exportações somaram US$ 12 milhões e o faturamento total atingiu R$ 103 milhões, 14% superior aos três primeiros meses do ano passado. A receita líquida no primeiro trimestre deste ano, de R$ 81 milhões, cresceu 11% em relação a igual período de 2007, mesmo com queda na taxa de câmbio, que prejudicou as exportações. O lucro bruto, de R$ 19 milhões, aumentou 22%, mesmo índice de crescimento verificado nas despesas administrativas e operacionais, decorrentes, principalmente, dos custos de reestruturação que a companhia vem implementando. O Ebitda, de R$ 14 milhões, cresceu 77% em relação ao ano anterior, chegando a 17% da receita líquida. Lojas impulsionam vendas no exterior Com seu parque fabril em operações na cidade catarinense de Jaraguá do Sul e 43 anos de mercado, a Marisol disponibiliza 13 lojas no exterior, sendo seis no Líbano, duas no Peru, uma no Chile, três na Colômbia e uma no Costa Rica. Para a marca Lilica Ripilica – de propriedade da Marisol – a empresa criou uma boutique na Itália – em Milão, que é considerado o maior centro criador de moda do mundo e ainda possui lojas na Espanha, Portugal e Guatemala. A empresa tem capacidade para produzir mais de 25 milhões de peças de roupas e 3,2 milhões de pares de calçados infantis por ano. São mais de 14 mil pontos de vendas multimarcas, 140 franquias exclusivas e está solidificada no mercado externo. A companhia fechou 2007 com receita operacional bruta de R$ 420,4 milhões, 4,3% inferior a de 2006. Liderança na América Latina A Duas Rodas Industrial é uma das principais fabricantes de ingredientes para a indústria de alimentos da América Latina. Sua matriz está sediada em Jaraguá do Sul e responde pela produção de mais de 3 mil itens. Conta ainda com uma unidade no Nordeste brasileiro que, desde 2003, atende exclusivamente ao mercado nordestino. Em 2008 a meta da empresa é atingir R$ 380 milhões de faturamento, valor superior em 16% o faturamento do ano passado 2007. A empresa está no mercado há 80 anos e iniciou seus investimentos no exterior há 11 anos. No exterior a Duas Rodas opera com duas unidades. O início do processo de internacionalização se deu com a unidade Duas Rodas Chile, cujas operações tiveram início em 1997, com o propósito de criar um centro de excelência para atender não só as necessidades do mercado chileno, como também de toda a região. Para atender ao mercado argentino com itens para a as divisões de produtos para sorvetes e aromas, além de corantes em geral destinados à indústria de alimentos, a companhia criou em 2003 a Duas Rodas Argentina, na capital Buenos Aires. No Peru a empresa conta com uma unidade em Lima, destinada a atender aquele mercado prestando serviços e desenvolvendo produtos específicos. “Cultura e o modo de ser brasileiro” A Embraco nasceu da união de três fabricantes de refrigeradores do Sul do Brasil em um período de incentivo do governo à substituição de componentes importados. Embora tenha sido fundada em 1971 para oferecer um produto nacional à indústria brasileira de refrigeradores, muito cedo a companhia percebeu o potencial do mercado externo para o crescimento da empresa e, no final da década de 70, a Embraco iniciava suas primeiras exportações. A globalização foi o passo seguinte e fruto de uma estratégia bem definida. A Embraco decidiu que seria líder mundial na fabricação de compressores herméticos para refrigeração até o ano 2000 e, para alcançar seu objetivo, teria que ter plantas industriais distribuídas pelo mundo. As bases fora do Brasil atenderiam a uma exigência crescente do mercado de proximidade com o cliente e tornariam a empresa menos suscetível à instabilidade política e econômica do Brasil. A liderança chegou antes do previsto, em 1998. A trajetória internacional contempla um escritório de vendas e assistência técnica nos Estados Unidos, inaugurado em 1987, fábricas na Itália (1994), na China (1995) e na Eslováquia (1999) e, ainda, escritórios na Itália (2003) e no México (2004). A organização atribui o rápido crescimento à capacidade de lançar produtos inovadores, muitas vezes, antes mesmo do cliente perceber esta necessidade. O firme propósito de investir em tecnologia e a parceria com a comunidade científica nacional e internacional ajudaram a conquistar a independência tecnológica. A gestora corporativa de Comércio Exterior e Relações Externas da companhia, Maria Tereza Bustamante, diz que a empresa não pode ser considerada pioneira na instalação de unidades fora do Brasil, uma vez que quando a companhia instalou sua primeira unidade no exterior já existiam empresas de outros segmentos instalados no exterior. “Porém, o pioneirismo da Embraco reside justamente em ter iniciado com um processo de exportação de produto acabado, seguido da implantação de unidade de fabricação e de aproximação com os clientes em vários continentes”, diz Maria Tereza. Com suas unidades no exterior, informa a gestora, a empresa tem condições de oferecer qualidade, prazo e assistência técnica, o que completa o ciclo de internacionalização e inclui a companhia definitivamente na era da globalização. “Mas mantendo sempre o direcionamento desde a matriz, a cultura e o modo de ser brasileiro. Aí reside o pioneirismo da empresa”, acrescenta. As vantagens da implantação de unidades no exterior para a Embraco, segundo Maria Tereza, são a proximidade com os fornecedores e clientes, a redução nos custos de entrega das mercadorias e a compreensão das dificuldades logísticas. “Com unidades fora do Brasil aprendemos a aproveitar da melhor forma os modais oferecidos em cada país, inserir o debate e a deliberação de vendas no mesmo contexto dos clientes e a contribuir fortemente com as políticas públicas dos paises em que nos instalamos, influenciando na melhoria da distribuição e do atendimento”, complementa a executiva.



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