“O síndico da Rua América Latina” (*)28/03/2007 Até breve colega Bush!!! E assim foi embora o presidente norte-americano. Mas afinal o que ele queria mesmo???? Será que queria cumprir com sua campanha eleitoral em 2001 de “priorizar a América Latina”? Talvez tenha sido apenas para dar uma refrescada nas idéias, uma voltinha pelos lados abaixo da linha do equador! Antes da vinda todos achavam que dois pontos estariam em pauta nas discussões: geopoliticamente minimizar o impacto Chavista na região e comercialmente tentar diminuir a dependência americana ao petróleo do Oriente Médio, investindo no álcool etílico (etanol). Primeiramente como ele conseguirá isolar Chavez e impedir seu progresso no continente? Através de investimentos maciços em dinheiro para a educação e moradia e até o envio de um navio hospital conhecido como “USNS Comfort”. E como Chavez manterá seu posto? Fazendo exatamente o mesmo, inclusive ele já vem investindo em programas sociais nos países vizinhos e seguindo os passos de Bush, resolveu também dar uma voltinha pela América latina. Essa concorrência pode ser proveitosa para nós latinos americanos, mas até quando Lula vai ficar em cima do muro? O que foi decidido no chamado acordo estratégico assinado pelo presidente do Brasil e dos Estados Unidos representa uma nova parceria no quadro internacional. O protocolo assinado é amplo e trata da propagação da tecnologia de combustíveis para os países mais pobres e também da promessa de regras para o comércio internacional de etanol. A única certeza é que será tratada a questão dos subsídios agrícolas norte-americanos. O etanol produzido no Brasil chega a ser 50% mais barato que o norte-americano, mas os norte-americanos possuem uma taxa de importação do álcool que hoje está em torno de R$ 0,30 por litro, além do imposto alfandegário cobrado na entrada em território norte americano, explicita tentativa de monopolização dos negócios. Já que até agora a rodada Doha não roda e só se enrola, fica difícil conseguir a redução das tarifas para os produtos agrícolas exportados pelo nosso Brasil brasileiro. Sendo assim, evidencia-se o chamado protecionismo, já que Bush, por questões mais políticas que comerciais, defende os plantadores de milho norte-americanos. Mas talvez, ele ser contra qualquer avanço nas negociações seja favorável, já que o Congresso dos EUA está hoje lotado de democratas, predadores naturais de Bush. De todas as exportações de etanol no ano passado, cerca de 46% foram destinadas ao país natal de Bush. Isso que eles produziram 1,5 bilhão de litros a mais que o Brasil em 2006. Imagina o consumo deles!!!! Todos sabem que se o mundo consumisse como os EUA o planeta não agüentaria. Enfim, o fato é que a longo prazo o Brasil deve se tornar o maior produtor mundial de etanol, isso, pela possibilidade de usufruir de terras onde é plantado o milho que depois produz o álcool. O novo Commodity Não podemos negar que num futuro não muito distante, o álcool conquistará um espaço vital em um planeta cada vez mais preocupado com a poluição, como a do gás carbônico. Será o novo commodity, com preço internacional, assim como o petróleo. Mas não acredito que retirar o título de álcool de subproduto agrícola e o rotulando como combustível internacional seja mais proveitoso. Por um lado, diminuiria o protecionismo americano a seus agricultores mas por outro não seria favorável ao Brasil quando a rodada de Doha finalmente se concretizar. Um ponto que não foi ainda levantado por nenhum meio de comunicação que tive acesso, são as facilidades e possibilidades que se abrem para os Estados Unidos investirem na soja, enquanto outros países se preocupam com a cana. Concluo de forma talvez inconveniente, diante da luta que estamos travando, mas sempre é bom lembrar da canção “Movido a Álcool” (composição de Raul Seixas/Oscar Rasmussen/Tania Menna Barreto): “Derramar cachaça em automóvel É a coisa mais sem graça De que eu já ouvi falar Por que cortar assim nossa alegria Já sabendo que o álcool também vai ter que acabar?” * Larry Birns, é diretor do Council on Hemispheric Affairs, instituto norte-americano de pesquisas sobre a América do Sul. Sua frase e título desta coluna se refere ao presidente da venezuela Hugo Chavez. Compartilhe no Twitter |
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