Como soltar pipa com a linha do Equador16/01/2007 Para quem pensou que o vírus socialista foi erradicado, saibam que ele está voltando e com força total. Vários casos de epidemia estão sendo registrados na América do Sul. Mês passado no Equador tomou posse o primeiro presidente de esquerda equatoriano desde 1979, o economista Rafael Correa. Em seu discurso de posse prometeu que iria reformular as formas de pagamento da dívida externa que hoje chegam ao número de 10,328 bilhões de dólares. Para tanto, poderá inclusive instalar uma moratória e renegociar seus recursos petrolíferos. Outro ponto de envergadura em seu discurso foi citar a reforma da Constituição equatoriana. O que mais chamou a atenção, no entanto, foram as palavras: “nascimento do socialismo do século XXI.” Palavras estas outrora proferidas pelo Hugo Chávez, o tutor de Rafael Correa. Se declarar responsável por tal concepção requer uma platéia à altura, estava na presença do seu tutor e presidente da Venezuela e o outro pupilo, o boliviano Evo Morales. Faltou apenas Fidel Castro, mas por motivos óbvios. Como na ilha de Caras, tinham outros convidados ilustres, mas não tão similares, assim, como por exemplo, o nosso presidente. Correa dificilmente irá assinar o Tratado de Livre Comércio ( TLC) e muito menos continuar o acordo com os Estados Unidos, que utiliza um porto equatoriano como principal posto antidrogas do Pacífico. Mas claro que Correa não é o clone de Chávez, já mencionou inclusive que não vai estatizar os meios de produção e, ao contrário de seu tutor, não irá anunciar medidas para a estatização do setor de telecomunicações. Dever de casa – O tutor Chávez ganhou seu terceiro mandato consecutivo no final do ano passado. Mas ele também já foi pupilo e não faz muito tempo. Seu tutor foi Fidel Castro e, com a inspiração deste, traçou um plano de governo onde pretende, até 2012, instalar uma República Socialista, nacionalizando os setores industriais, controlando a oposição e, como Fidel, instalando um mandato indefinido para poder governar até o fim de sua vida. Mas ao contrário do cubano, a arma de Chávez não é a metralhadora, mas o petróleo. E seu alvo direto não são políticos, mas o mercado financeiro internacional, mais precisamente as bolsas americanas e chinesas. E para manter carregada sua arma, ele utiliza do alto preço dos barris de petróleo e, com esse dinheiro, sustenta políticas sociais de subsídio ao consumo que favorecem uma vasta camada da população. Com a população do seu lado, seu status quo está garantido, como foi provado nas ultimas eleições. A grande diferença do pupilo Chávez para seu tutor Fidel neste caso está em seus países. Cuba é pobre, mas tem alto índice de alfabetização e não possui miseráveis, enquanto a Venezuela é rica nos negócios internacionais, mas 47% da sua população vive abaixo da linha da pobreza. Com certeza, acabar com a pobreza não são os planos de Chávez e também de muitos outros presidentes que encontram nela um apoio e suporte para seus governos enfadonhos. Um exemplo ilustrativo foi o caso do camponês que vivia sua eterna luta com os galhos, sem saber que o problema estava na raiz. Aumentando ainda mais a dependência do povo aumenta-se o poder de Chávez. Para se ter uma idéia, a pobreza nos seus anos de governo aumentou 8%. Privatizar ou Nacionalizar... Eis a questão!! No dia 14 de janeiro, nas vésperas da posse do presidente do Equador, Chávez, como de costume, discursou (em menos tempo que o seu tutor Fidel costumava discursar), criticou a Área de Livre Comércio das Américas (ALCA) e convidou o Equador a se unir a sua iniciativa da Alternativa Bolivariana das Américas (ALBA). Alguém duvida que o Equador vai aceitar o convite? Ambos não suportam o neoliberalismo, chamam a democracia de algo surreal. Chávez almeja a ditadura e Correa não vê com bons olhos o seu legislativo. Chega-se em um dilema. Sabemos que os latinos americanos acreditam muito em seus Estados, uma crença muitas vezes utópica, que já elegeu muitos supostos “salvadores da pátria”. Na América do Sul também existem pensamentos concretos e imutáveis, como a de que a privatização é um mal e a que a estatização é um bem. E sendo radicais, acabam sempre cometendo os mesmos erros e limitando as possibilidades. Essa luta entre o céu e o inferno vai continuar. A questão é se para você o messias já chegou. Estamos todos interligados nas negociações da política latina. Espera-se apenas que não acabe, como diria aquela expressão popular, “...em uma grande bola de fogo”. Enquanto isso, no Carnaval Brasileiro... Segundo a organização não-governamental americana Freedom House, a nossa estimada democracia brasileira sofreu uma queda. O relatório da ONG descreveu entre os motivos, o aumento da corrupção e os inúmeros escândalos na política. Os métodos de avaliações foram dignos de árbitros carnavalescos. As notas variavam de 1 até 7, sendo que receber a menor nota era mais positivo, ou seja, a avaliação era em ordem decrescente, quem tirava 1 estava na frente de quem tirava 4, por exemplo. Digamos que se o Brasil fosse uma escola de samba, tiraria 2 no quesito direitos políticos e, a mesma nota, no quesito liberdade civil. Caso estivéssemos na Sapucaí, empataríamos com a Argentina, que, vejam só, também segundo a ONG teve uma queda em sua democracia, devido a centralização do poder nas mãos de Nestor Kirchner. Portanto, junto com os hermanos, fomos considerados livres. Ganhamos da Venezuela, que recebeu nota 4 nos dois quesitos, classificando-se como um país parcialmente livre. Como já era esperado, a Bolívia e o Equador também foram considerados parcialmente livres. Já Cuba recebeu as piores notas possíveis, dois redondos 7, que a colocaram como um país não livre. Mas a parte mais interessante vem agora, Cuba ficou atrás de países como Irã e Iraque, que receberam ambos nota 6. Caso hipoteticamente fossemos todos a Escola de Samba Latino Americana, a única certeza seria que o barulho, ou melhor, a bateria, seria venezuelana e, seu ritmo, contagiaria muitos dos foliões. Mas se fossemos procurar direitinho, descobriríamos que Rainha da Bateria é brasileira e por isso não podemos deixar o samba morrer e nem a cuíca calar. Compartilhe no Twitter |
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