O lado Ruim de um Mundo Globalizado04/09/2008 Por onde começar para falar mal de um mundo globalizado? São tantas as possibilidades! Nada melhor que começar com o nosso continente, na América Latina, onde cem crianças morrem de fome ou de doença curável a cada 60 segundos. Filhos de mão-de-obra gratuita e ainda em alguns casos são a própria mão-de-obra gratuita de grandes indústrias transnacionais. É o chamado terceiro setor informal da economia globalizada. Porém não apenas em países em desenvolvimento que na verdade essa terminologia quer dizer países subordinados ao desenvolvimento alheio. Segundo a Unicef em 1997 haviam cem mil prostitutas infantis nos Estados Unidos da América, um país que se alimenta e muito da economia global atual. As melhores condições para uma transnacional em um país são a ausência de sindicatos, salários mínimos parvos, portanto são as piores condições de para a saúde e para o meio ambiente de onde estão sendo instaladas. Como gosta de mencionar as Nações Unidas: “A Globalização tem seus ganhadores e seus perdedores”. As empresas literalmente ameaçam os países em desenvolvimento, caso eles não aceitem as condições elas simplesmente vão para outro país. As condições são inóspitas para o proletariado e são um crime para a população local. E tudo para suprir o consumo dos paises ricos, porém se os paises pobres consumissem como eles, necessitariam de no mínimo 10 planetas como este. Para Carlos Monsiváis cada país irá reproduzir a injustiça que rege nas relações entre os países, ou seja, a democracia na economia mundial é um mito. Por exemplo, 447 milionários juntos, irão somar o que ganha anualmente metade de toda a humanidade. Quanto aos países, juntando os 10 mais ricos do planeta, já alcançaria um valor que iria cobrir a produção de 50 países. Continuando a contabilização, se juntarmos as dez maiores multinacionais elas somam atualmente uma receita maior do que a de cem países juntos. Diante das privatizações constantes os países ficam apenas com a função de disciplinar uma mão-de-obra barata e de convencer a população a aceitar um salário baixo, além de conter os desempregados a chamada segurança pública, porém o que se nota é a transformação de justiça social em justiça penal. O código moral mundial não condena a injustiça, mas sim o fracasso. Por exemplo, entrar em uma guerra insana não é o problema, mas perdê-la sim. Outro exemplo são as ajudas externas que na verdade são impostos para garantir uma relação internacional com certa virtude, porém apenas na teoria, uma simples olhada na distribuição dessas ajudas externas confirmam a chamada injustiça e que é tão bem aceita pelo código moral mundial. O mundo globalizado expressa uma discriminação, basta analisar as barreiras humanas que os países europeus e os Estados Unidos da América construíram para impedir a entrada de certos imigrantes. Em termos gerais, a globalização é um imperialismo, onde a economia de mercado é o próprio capitalismo, as vítimas desse sistema mundial são os chamados países em desenvolvimento, os pobres são os chamados carentes. O mundo está mais parecido, tanto na roupa, na comida (ou na falta dela), nas idéias, no medo e nos delitos e a violência aumentou muitíssimo. Em suma os países tentam justificar sua existência pela garantia da paz social e do pagamento de sua dívida externa. Os acordos internacionais estão sendo comparados a cheques sem fundos, os direitos humanos são inferiores aos direitos das máquinas, o mercado livre irá contribuir para a prosperidade, mas para a prosperidade de quem ? Talvez o problema tenha se iniciado não no início da década de 80 quando a globalização dava seus primeiros passos, mas quando os primeiros europeus pisaram em solo americano, e com seus chapéus cheios de penas confundiram os índios que achavam que os visitantes eram papagaios gigantes. Por isso, devemos pensar e analisar o mundo a nossa volta, criticar, discutir, refletir sobre tudo que nos é ensinado, porque sempre existe algo nas entrelinhas. Termino com uma citação do escritor americano Mark Twain, que como todos sabem era branco: “Onde estão meus ancestrais? A quem devo celebrar? Onde encontrarei minha matéria-prima? Meu primeiro antepassado americano...foi um índio, um índio dos tempos primevos. Os antepassados de vocês o esfolaram vivo e eu sou seu órfão.” * Esta coluna nunca poderia ter sido escrita sem a contribuição da obra “De Pernas pro Ar – A Escola do Mundo ao Avesso”,de Eduardo Galeano. Compartilhe no Twitter |
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