30/07/2010
São Paulo restringe trânsito de caminhões e pode travar Porto de Santos
Bruno Rios
PortoGente
O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), anunciou uma restrição ainda maior ao tráfego de caminhões na maior cidade do Brasil. A partir do dia 2, veículos de carga pesada não poderão transitar, de segunda a sexta, das 5 às 21h, na região central de São Paulo, Marginal Pinheiros e avenidas dos Bandeirantes e Roberto Marinho. O problema é que estas são rotas obrigatórias de acesso de veículos ao Porto de Santos.
O maior temor de sindicalistas ligados às empresas de transporte de cargas e de representantes dos caminhoneiros é que a restrição encareça produtos, atrase as entregas e gere efeitos negativos, como o desemprego e a diminuição da segurança nas viagens. O presidente do Sindicato dos Caminhoneiros de Santos (Sindicam), José Luiz Gonçalves, está preocupado com a restrição anunciada por Kassab.
“A carga que sai de São Paulo rumo ao Porto de Santos passa obrigatoriamente por uma ou mais dessas vias interditadas. É uma atitude lamentável, estão querendo colocar o caminhoneiro como o vilão do trânsito. Não somos nós quem criamos os congestionamentos. Transportamos contêineres e cargas ao Porto de Santos porque nos pagam para isso e não há opções viárias que suportem o movimento”.
Outro que reclama da restrição imposta pela Prefeitura de São Paulo é o presidente do Sindicato das Empresas Transportadoras de Cargas (Sindisan), Marcelo Marques da Rocha. Ele vê motivos políticos para a decisão e fala em falta de coerência.
“Caminhão só pode circular de noite em São Paulo? Então, que nos dêem condições para isso. O trecho Sul do Rodoanel foi entregue, mas não nos oferece segurança suficiente, há pontos cegos para rastreadores e celulares. O prefeito de São Paulo não pensou ao anunciar uma proibição desse porte. Essa restrição arbitrária pode travar o Porto de Santos”.