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23/07/2010

Banco Central mantém política de alta dos juros. Fiesp mantém repúdio



FIESP

"O Brasil não pode continuar entre os campeões mundiais de maiores taxas de juros", diz João Guilherme Sabino Ometto, presidente em exercício da Fiesp

Repúdio. Este é o sentimento do setor produtivo frente à decisão desta quarta-feira (21) do Copom em, mais uma vez, elevar a taxa básica de juros. A Federação e o Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp e Ciesp) não podem concordar com a política equivocada de elevação da taxa Selic simplesmente para que as expectativas de mercado não sejam contrariadas.

O que é mais importante: as expectativas de mercado ou os números já bem claros de arrefecimento da inflação no Brasil? A quem interessa juros altos: aos poucos do mercado ou aos muitos da sociedade?

Fiesp e Ciesp, quase sozinhos, afirmaram em abril deste ano que a pressão de preços, registrada no início de 2010, era fundamentada em causas muito bem definidas: sazonalidade e reajustes esporádicos.

“Vamos seguir defendendo o setor produtivo brasileiro. O Brasil não pode continuar entre os campeões mundiais de maiores taxas de juros. Esse título é péssimo não somente para a nossa atividade econômica, mas para toda a população brasileira”, afirma João Guilherme Sabino Ometto, presidente em exercício da Fiesp.

O barulho ensurdecedor das “vuvuzelas” de mercado – estas muito mais fortes do que o nosso responsável apito – apontava para uma inflação de demanda que estava perdendo o controle. Mas, diferente disso, os números estão aí e todos favoráveis a nossa tese.

Vejamos. O IPCA de junho fechou em 0%. A inflação do item referente a alimentos e bebidas fechou em -0,90%. A inflação acumulada nos últimos 12 meses já está em 4,84% e, importante, com tendência de queda. O IPCA-15 de julho registrou deflação de 0,09%, com inflação acumulada em 12 meses em 4,74%.

Como se pode constatar, até mesmo as perspectivas de inflação estão em queda, embora o barulho do mercado continue insistindo em uma suposta pressão de demanda.

Qual é a razão para o aumento dos juros? A Fiesp e o Ciesp não encontram nenhuma, exceto a distribuição de renda ansiada pelos sopradores de “vuvuzelas”.

“Quando a insistência da política de juros altos, na contramão da realidade econômica do País, prejudica o crescimento e tira da sociedade emprego e renda, quem trabalha e produz fica desmotivado. Isso não é bom para o Brasil”, afirma Rafael Cervone, presidente em exercício do Ciesp.


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