17/10/2011

Brasil precisa desonerar custo para enfrentar a Argentina



O Brasil precisa desonerar custo interno para não perder empresas para a Argentina. A advertência foi feita pela senadora Ana Amélia Lemos (PP-RS) em entrevista exclusiva ao DCI, ao reclamar contra as ações feitas pelo país vizinho para atrair os exportadores brasileiros. Ela é defensora de retaliações contra os argentinos e contra os asiáticos que tentam se instalar no Paraguai e Uruguai para entrar no mercado brasileiro com os benefícios fiscais do Mercosul. Ana Amélia defende que o governo tem de adotar uma postura firme: "Amigos, amigos, negócios à parte".



DCI: O que os hermanos estão fazendo em termos de barreiras comerciais que estão provocando a sua indignação?
Ana Amélia Lemos: Como o superávit da balança bilateral é muito benéfico para o Brasil em cerca de US$ 7 bilhões, a Argentina está criando barreiras comerciais. Dessa forma, tenta forçar o exportador brasileiro a transferir suas unidades para Argentina. Onde o ambiente para o empreendedor é melhor. Do ponto de vista cambial, tributário, logística. O grande interesse de qualquer investidor do mundo não é pelo carnaval, nem pela beleza das mulheres brasileiras. É pelo mercado brasileiro, A própria presidente disse em Porto Alegre que o mercado brasileiro é o grande patrimônio que o povo brasileiro tem para superar essa crise internacional, que vai chegar ao Brasil até mais forte por dois motivos: por causa da retração da China e dos mercados que compram os nossos produtos; e porque aumenta especialmente na Europa o protecionismo comercial. Temos que buscar soluções aqui mesmo.



DCI: Há casos concretos de atração de empresários brasileiros?
AAL: A Argentina já está conversando com nossas empresas de máquinas agrícolas do Rio Grande e quer levá-las para o seu território. E o embaixador da Argentina declarou o seguinte: "Se você quer vender para a Argentina, vá para lá para produzir e vender". A presidente Dilma se deu conta da gravidade do problema quando um carregamento de chocolate, na Páscoa deste ano, derreteu na fronteira, e ela adotou medidas, não diria de retaliação, mas de reciprocidade em relação ao que a Argentina vinha fazendo em termos de licenças não automáticas. Além disso, o comércio bilateral é contaminado pelo interesse da presidente Cristina Kirchner de fazer o enfrentamento ao Brasil, nesse momento em que está disputando uma eleição.



DCI: Esse impasse pode levar ao fim do Mercosul?
AAL: Não, o Mercosul está sendo conveniente. Um especialista em Mercosul levantou a seguinte questão: como o Brasil está vencendo na Organização Mundial do Comércio [OMC] algumas demandas na área do contencioso comercial, como foi o caso dos calçados com os chineses, em que foi aplicada uma sobretaxa de US$ 13,85 por par de tênis importado desse país. A China começou a fazer a chamada triangulação: ela manda o calçado ao Uruguai ou ao Paraguai e ele entra no Brasil como se do Mercosul fosse. Aí é liberada da tarifa externa comum. A China está criando joint ventures nesses países, como foi o caso dos caminhões e dos carros da Coreia, como se o índice de comercialização fosse de 65%. Nós não estamos preparados do ponto de vista da fiscalização. Qual é o fiscal aduaneiro brasileiro que vai saber se um carro tem um índice de 65% de nacionalização? Precisamos criar mecanismos da área negociadora do Itamaraty para resolver esses problemas. Claro que o Mercosul está em frangalhos, mas ainda acho que é possível salvá-lo da morte anunciada.



DCI: Mas a senhora não acha que as retaliações geram também retaliações a produtos brasileiros, como o Japão, que moveu ação contra o Brasil na OMC por causa do aumento do IPI de carros importados?
AAL: O Brasil precisa é desonerar o nosso custo interno. O Brasil tem custos insuportáveis. Você acha que é possível que um carro Gol, da Volkswagen, custe na Argentina R$ 18 mil e custe R$ 28 mil no Brasil? Um carro da GM básico custa nos Estados Unidos R$ 10 mil a menos do que no Brasil? É o custo Brasil: tributos, custo financeiro, a nossa falta de logística, a nossa burocracia. Tudo é complicado para o empreendedor. O nosso ambiente é dos piores possíveis.



DCI: Em vez de lutar contra essa sedução dos argentinos às empresas brasileiras, não seria mais interessante o Brasil criar condições mais favoráveis aos empreendedores?
AAL: O Brasil tem de fazer o dever de casa. O governador do meu estado, o Tarso Genro, foi à Coreia buscar investimentos, buscar empresas. Ele faria melhor se deixasse que as indústrias daqui ficassem aqui. Só que uma empresa do Rio Grande, para conseguir uma licença para o fundo financiamento, demora dois anos, então não há condição nem ambiente para o empreendedor.





Segunda, 13 de Maio de 2013


 Portonave participa de ação comercial para empresários de Blumenau e região
 Construção da fábrica da BMW em Santa Catarina começa em novembro
 Veículos circulando em Santa Catarina ultrapassam os 4 milhões
 Ferrovia da Integração: Obra poderá iniciar em dois anos

Sexta, 3 de Maio de 2013


 SEP implanta “Porto 24 horas” em Itajaí

Notícias de 2013

   Maio
   Abril
   Março
   Fevereiro
   Janeiro

Notícias de 2012

   Dezembro
   Novembro
   Outubro
   Setembro
   Agosto
   Julho
   Junho
   Maio
   Abril
   Março
   Fevereiro
   Janeiro