06/07/2012

Nova barreira contra a China




Em meio à pressão da Argentina para que o Mercosul feche um acordo de livre comércio com a China, o governo brasileiro emitiu mais um sinal de resistência à invasão de produtos chineses no mercado brasileiro. A partir de agora, peças e cabedais (parte superior) de calçados importados da China serão sobretaxados em 182%. Com isso, o governo espera acabar com a entrada ilegal desses produtos, que, ao contrário dos sapatos prontos - tributados em US$ 13,85 por par -, estavam até ontem livres do direito antidumping reivindicado pela indústria brasileira. Em uma avaliação reservada no governo, o alcance das garras chinesas no Mercosul também é visto com grande preocupação: não interessa às autoridades brasileiras abrir a porteira aos chineses em um tratado que tiraria a competitividade da indústria e das empreiteiras brasileiras na América Latina.

Na visão de especialistas ouvidos pelo GLOBO, o Mercosul passa, atualmente, por uma crise de identidade. Há evidente insatisfação de todos os sócios, que querem mais comércio para enfrentar os impactos negativos da crise internacional e não hesitam em flertar com mercados que não fazem parte do bloco. Para o Brasil, sob o ponto de vista econômico, a Venezuela e o México, por exemplo, são muito bem-vindos. Já Cristina Kirchner, presidente da Argentina - cuja economia está em frangalhos e sem os petrodólares do venezuelano Hugo Chávez, antes usados para a compra de títulos da dívida portenha - insiste em negociar um acordo de livre comércio com os chineses. O Brasil, por sua vez, usa a seu favor norma do Mercosul que proíbe os membros do bloco de fecharem acordos em separado com outros parceiros internacionais.

Na semana passada, inclusive, foi grande o constrangimento quando, de surpresa, Cristina convocou a presidente Dilma Rousseff e o presidente do Uruguai, José Mujica, para uma videoconferência ao vivo, de Buenos Aires, com o primeiro-ministro da China, Wen Jiabao, para sensibilizar os parceiros do Mercosul para o acordo com o país asiático.

O cientista político e professor titular de Relações Internacionais da Universidade de Brasília, Eduardo Viola, acredita que um acordo com a China poderá ser "um golpe de morte" para a indústria brasileira. Já os argentinos se beneficiariam com a venda de produtos agropecuários, assim como os uruguaios e os paraguaios.

Embaixador: acordo seria inadequado
Um dos fundadores do Mercosul, o embaixador José Botafogo Gonçalves, hoje dirigente do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri), avalia que um acordo com a China seria extremamente inadequado para o Brasil. Um dos resultados é que o país se consolidaria de vez como exportador de commodities , sem condições de concorrer com os produtos chineses.

De acordo com o diplomata, é preciso que o Brasil, como líder do Mercosul, defina uma política comercial de médio e longo prazos para o bloco, tendo em vista o surgimento da Aliança do Pacífico, formada por México, Peru, Chile e Colômbia. Ainda mais agora que, segundo o discurso do governo, a integração física na América do Sul novamente se tornou prioridade.

- Há muito por fazer e não vejo ninguém falando sobre isso. O Brasil precisa se fortalecer para entrar nas obras de infraestrutura de acesso ao Pacífico, rodovias, ferrovias e corredores bioceânicos - destaca Botafogo. - Ou o Brasil leva o Mercosul a sério, ou o Mercosul vai acabar - conclui.

O diretor da Câmara de Comércio Brasil-China, Kevin Tang, lembrou que os chineses já têm acordos de livre comércio com Peru e Chile. As linhas de crédito repassadas à Venezuela somam cerca de US$ 10 bilhões. A seu ver, embora o Brasil não veja com bons olhos um tratado do gênero com o país asiático, não há como fugir de uma realidade próxima.

- Não por culpa da China, mas do Brasil e seus elevados custos de produção, a indústria brasileira não tem interesse em um acordo e quem acaba pagando por isso são os consumidores. Mas não adianta querer impedir o avanço da China na América Latina. As empresas chinesas estão conquistando esses mercados - advertiu Tang.

Uma fonte do governo brasileiro enfatizou que, embora não haja interesse em um acordo de comércio com a China, o Brasil tem firmado acordos bilaterais com chineses em diversas áreas - o veto do Mercosul é restrito ao comércio. Um dos focos é a parceria em inovação e desenvolvimento tecnológico.

Também os outros países do bloco têm acordos desse tipo. O Uruguai, por exemplo, celebrou um tratado com os EUA em 2007, cujo ponto forte são investimentos e abertura do mercado americano para a carne uruguaia. Há poucos dias, a Argentina firmou um tratado com o Azerbaijão.

- Geografia é destino. Não existe futuro para o Brasil sem a Argentina. Assim como não existem Uruguai, Paraguai, Bolívia sem o Brasil - resumiu uma fonte do governo, referindo-se à relação de dependência entre as nações sul-americanas.

Crise dá à integração mais importância
O diretor do escritório da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe no Brasil, Carlos Mussi, prefere olhar o problema sob o ponto de vista de longo prazo. Não há como fugir da integração, por mais divergências que existam entre os vizinhos. Ainda mais em um momento de crise, avalia:

- Não são eventos pontuais que vão alterar todo o esforço de integração. Veja o exemplo da União Europeia.

No caso das partes de calçados, a decisão de ampliar o alcance da tarifa teve como objetivo acabar com práticas desleais de comércio por parte de várias empresas que importavam peças e cabedais do país asiático para montar sapatos no Brasil. A medida, aprovada na última terça-feira pelo Comitê Executivo de Gestão (Gecex) da Câmara de Comércio Exterior (Camex), é uma reivindicação antiga do setor calçadista.

Desde 2010, o Brasil já aplica o direito antidumping definitivo para as importações de calçados da China. A investigação para estender o antidumping às importações de partes e peças chinesas foi iniciada posteriormente, em outubro de 2011, a pedido da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados).

A investigação durou cerca de nove meses. Foi constatado que houve importação de partes e peças para confecção de calçados no Brasil, em que esses itens representaram mais de 60% da matéria-prima utilizada na fabricação dos sapatos. Além disso, o valor agregado no processo de industrialização foi inferior a 25%.

FONTE: O GLOBO




Sexta, 24 de Maio de 2013


 Abertura de mercado japonês para carne suína de Santa Catarina

Quarta, 22 de Maio de 2013


 Faesc reúne dirigentes para discutir desafios do agronegócio, nesta sexta-feira em Florianopólis
 Santa Catarina registra mais de 10 mil vagas de emprego em abril
 Prévia da inflação sobe menos em maio, freada pelos alimentos
 Fenabrave-SC e Senai-SC reúnem-se para definir últimos detalhes de ações em parceria
 Brasil recebe este ano primeiro iate Magellano

Segunda, 13 de Maio de 2013


 Portonave participa de ação comercial para empresários de Blumenau e região
 Construção da fábrica da BMW em Santa Catarina começa em novembro
 Veículos circulando em Santa Catarina ultrapassam os 4 milhões
 Ferrovia da Integração: Obra poderá iniciar em dois anos

Sexta, 3 de Maio de 2013


 SEP implanta “Porto 24 horas” em Itajaí

Notícias de 2013

   Maio
   Abril
   Março
   Fevereiro
   Janeiro

Notícias de 2012

   Dezembro
   Novembro
   Outubro
   Setembro
   Agosto
   Julho
   Junho
   Maio
   Abril
   Março
   Fevereiro
   Janeiro