segunda, 06 de dezembro de 2021
14/10/2021

Educação profissional é o futuro para o desenvolvimento brasileiro


Ao longo desta semana, entre os dias 5 e 7 de outubro, o Canal Futura, em parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) e o Serviço Social da Indústria (SESI), realizou o Seminário Internacional Juventude, Trabalho e Educação. O evento promoveu debates acerca da formação técnica e profissional dos jovens brasileiros, apontando os desafios do atual sistema de educação e o futuro do mercado de trabalho e da indústria.

Entre os temas abordados ao longo do seminário, o diretor de Educação e Tecnologia da Confederação Nacional da Indústria (CNI), diretor-geral do SENAI e diretor-superintendente do SESI, Rafael Lucchesi, contemplou os impactos e as perspectivas da educação profissional e apresentou uma análise crítica com desafios e possibilidades para a ampla implementação do Ensino Técnico no sistema educacional brasileiro. O diretor do Programa Gulbenkian Conhecimento Pedro Cunha também participou do debate.

Panorama da educação brasileira

Rafael Lucchesi apresentou um histórico das evoluções industriais brasileiras até a implementação tardia do sistema educacional. Em sua fala, o diretor da CNI destacou as falhas históricas e sociais do Brasil, que impedem o avanço da educação e o crescimento do país.

Para ele, há uma grande divergência entre o nosso modelo educacional e o modelo implementado em outros países, em especial, nas nações desenvolvidas. Nestas regiões, a educação profissional é oferecida de modo simultâneo à escolar, o que auxilia no progresso e prosperidade econômica da nação. Em países europeus, mais da metade dos jovens cursa as duas modalidades, básica e técnica, ao mesmo tempo. Ao analisar o cenário brasileiro, a porcentagem é de apenas 9%.


“Existe uma correlação entre o debate sobre o sistema educacional e o projeto de país. No Brasil, em geral, nós alienamos esses dois debates. Discutimos os caminhos do desenvolvimento sustentável, do crescimento econômico, da industrialização e, de certa forma, divorciamos esses temas no debate sobre a educação, o que é um equívoco e é uma lógica singular no concerto das nações. Na sociedade do conhecimento, a educação tem quer considerado um pilar fundamental da construção do projeto de país”, detalha o diretor Lucchesi.


Além dos impactos educacionais, que são refletidos no Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (PISA), por exemplo, há ainda um custo financeiro para o Brasil, o qual é gerado pelos altos índices de evasão escolar.

De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), um a cada três jovens não concluem o Ensino Médio. Em decorrência disso, o país tem uma perda anual de R$ 220 bilhões, que equivale a 3,3% do Produto Interno Bruto (PIB).

“Claramente, temos um problema em que o sistema educacional, da forma como está refletido na matriz educacional, não enxerga a totalidade dos jovens e não dialoga com seus projetos de vida e carreira. O que marca uma lógica de exclusão social que precisa ser corrigida. Isso prejudica não só a inserção do jovem no mundo do trabalho, mas obviamente prejudica a produtividade do trabalho, a que vai se traduzir em problemas de empregabilidade, de violência social e diversas outras características”, aponta.

Educação do futuro visando o resgate de oportunidades

No contexto da pandemia do coronavírus, o diretor da CNI mostra a relevância da implementação do Novo Ensino Médio, uma vez que esse modelo educacional oportuniza a integração do mundo da educação e do trabalho, por meio do itinerário V, que abrange a formação técnica e profissional.

Desta forma, após a formação, os jovens poderão ingressar, logo em seguida, no mercado de trabalho com o conhecimento técnico desejado adquirido no Ensino Médio. Estudos mostram que este modelo aumenta a empregabilidade e reduz as taxas de evasão escolar.

Enquanto o Ensino Médio tradicional é norteado por muitas disciplinas e conteúdos que não se integram, o Novo Ensino Médio contempla itinerários formativos e prepara os estudantes para os desafios do mercado de trabalho, cada vez mais competitivo.


“Nós temos que pensar no Ensino Médio como um período de transição onde parte dos jovens vão se encaminhar para a formação superior e a outra vai para o ensino técnico. Buscando, com isso, uma inserção mais jovem no mercado de trabalho, avançando no seu projeto de vida e carreira. Muitos deles fazem isso e depois eles prosseguem seus estudos na formação profissional de superior”, destaca Rafael Lucchesi.


O diretor de Educação e Tecnologia da CNI também ressaltou a importância de o sistema educacional brasileiro estar alinhado ao projeto de país almejado:

“Os territórios que melhor interpretarem o futuro vão certamente criar vantagens competitivas a partir das transições dos seus sistemas educacionais, dialogando com a educação e seu papel sociológico e de formação para a cidadania. Um elemento importante nesse processo é como preparar a juventude para ingressar no seu projeto de vida e carreira onde a profissão é um componente central importante. Este é um objetivo de todos os sistemas educacionais, até para assegurar um sistema virtuoso de cidadania, geração e distribuição da riqueza no país”.

O diretor do Programa Gulbenkian Conhecimento Pedro Cunha também participou do evento. Seu currículo mostra como ele foi personagem de grande impacto no sistema educacional de Portugal ao integrar a Comissão Nacional de Proteção de Crianças e Jovens, bem como o Sistema Nacional de Intervenção Precoce na Infância, onde atua como Comissário Nacional. Cunha também foi perito da União Europeia, do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e da Organização para Cooperação  e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

Segundo ele, a história de Portugal não é muito diferente do Brasil, mas a jornada pela implementação da educação profissional no sistema de ensino ainda está em andamento, apesar de possuir grande êxito. Em retorno, o país se beneficia economicamente e socialmente.

“Felizmente, estamos mudando. Hoje, cerca de 40% dos jovens frequentam o Ensino Médio em cursos de dupla certificação [no Brasil, chama-se ensino integrado]. Portanto, em um único local os jovens concluem a escolaridade também adquirem uma qualificação profissional que, em Portugal, um curso profissional possui nível de qualificação superior ao Ensino Médio tradicional”, aponta.

Por fim, ele conta que Portugal colocou o ensino profissional no topo de suas propriedades. “Não há muito tempo, o nosso atual Ministro dizia publicamente: ‘Valorizar o ensino profissional é valorizar o país’. É este nível que temos de comprometimento em Portugal”, relembra.

 
 


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