segunda, 15 de dezembro de 2025
12/11/2024

Black Friday sob ataque: entenda os riscos dos DDoS para o e-commerce e consumidores


por Pedro Campiteli Morgato* 
 
Com a chegada da Black Friday e o aumento do tráfego on-line, a segurança cibernética se torna uma prioridade para empresas e usuários em todo o mundo. E um dos tipos mais comuns e preocupantes de ataques cibernéticos são os DDoS (Distributed Denial of Service), um tipo de ameaça que pode interromper o funcionamento normal de um serviço on-line, tornando-o inacessível para os usuários.
 
De acordo com a Cloudflare, o quarto trimestre de 2023 apresentou aumento de 117% nos ataques DDoS na camada de rede e um aumento geral de DDoS visando sites de varejo e remessas durante a Black Friday e a temporada de final de ano. 
 
O relatório também mostra que os sites do setor de embalagens e entrega de carga ficaram em segundo lugar no número de ataques, devido à sua correlação com as compras on-line durante o período. 
 
Neste crime cibernético, os invasores tentam interferir nos destinos dos presentes e bens adquiridos e, diferente de um ataque DoS (Denial of Service), também conhecido como ataque de negação de serviço, que vem de um único sistema, os DDoS utilizam múltiplos sistemas comprometidos, muitas vezes em uma rede de dispositivos conhecida como botnet, ou rede de robôs, que é uma rede de computadores infectados por malware que estão sob o controle de uma única parte invasora. 
 
Eles podem ser computadores, servidores ou até mesmo dispositivos IoT (Internet das Coisas) que foram infectados por malware. Quando isso acontece, o acesso ao serviço é interrompido, levando à perda de acessibilidade e, em muitos casos, prejuízos financeiros significativos.
 
Além disso, os ataques DDoS são realizados geralmente em três etapas. Na primeira, o atacante infecta múltiplos dispositivos com malware, criando uma rede de bots que podem ser controlados remotamente. Depois, o hacker envia comandos para os dispositivos comprometidos, direcionando uma quantidade massiva de solicitações a um servidor específico . Por fim, o servidor alvo fica sobrecarregado, resultando em lentidão ou indisponibilidade total para os usuários.
 
Os impactos de um ataque DDoS podem ser devastadores. Além da perda imediata de receita devido à inatividade, as consequências podem incluir danos à reputação e custos significativos para recuperar os efeitos do ataque e restaurar os serviços. Já os impactos a longo prazo afetam a estratégia de negócios e a infraestrutura de segurança cibernética.
 
Para evitar os riscos de ataques DDoS, as empresas podem adotar estratégias como a implementação de soluções de mitigação para ajudar a filtrar o tráfego malicioso antes que ele atinja os servidores, assim como adotar uma arquitetura de rede escalável, permitindo que o serviço se adapte ao aumento repentino de tráfego, e ferramentas de monitoramento contínuo para ajudar a identificar padrões de tráfego suspeitos, permitindo uma resposta rápida. E, por fim, , mas não menos importante, é essencial treinar as equipes sobre a importância da segurança cibernética e as melhores práticas.
 
Os ataques DDoS representam uma ameaça significativa no ambiente digital atual. Entender como eles funcionam e os impactos que podem causar é crucial para empresas e organizações que dependem de serviços on-line, principalmente neste período de Black Friday, em que os hackers se aproveitam das vulnerabilidades e os números de ataques aumentam. 
 
Implementar medidas de mitigação e estar preparado para responder a incidentes pode ajudar a proteger a infraestrutura e garantir a continuidade dos negócios, lembrando sempre que as tecnologias evoluem e as táticas dos atacantes também se aprimoram, cenário que exige uma postura proativa contínua em relação à segurança cibernética.


Sobre a Protiviti 
 
A Protiviti é uma empresa global, com 85 escritórios em 25 países, e mais de 7.000 profissionais que atendem a 60% das empresas da FORTUNE 1000®. Reconhecida como Great Place To Work e com faturamento anual superior a USD 1,5 bilhão, atua por meio de uma rede de subsidiárias e firmas-membro independentes. No Brasil ela é representada pela ICTS, uma empresa brasileira de consultoria empresarial que combina a ampla experiência e serviços especializados em gestão de riscos, compliance, ESG, cybersecurity, privacidade, auditoria interna e investigação empresarial.
 
A união de deep expertise, com a capacidade de transformação e excelência na execução, proporciona aos nossos clientes soluções que endereçam os principais riscos, problemas e desafios de negócio, protegendo e maximizando o valor das organizações.
 
Reconhecidos com o selo Pró-Ética desde 2015, contamos no Brasil com cerca de 200 profissionais e servimos a mais de 1.000 clientes, incluindo 58% dos 200 maiores grupos empresariais do Brasil¹, a partir dos nossos escritórios em São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Barueri.



Blog

Santa Catarina tem 103 municípios habilitados ao novo edital do Programa de Aquisição de Alimentos

Foto: Helena Marquardt/ Ascom SAS

A Secretaria de Estado da Assistência Social, Mulher e Família (SAS), por meio da Coordenadoria de Segurança Alimentar e Nutricional, divulgou nesta sexta-feira, 12, que 103 municípios catarinenses se habilitaram ao novo edital do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) que vai distribuir R$ 3 milhões.

“A Coordenadoria de Segurança Alimentar e Nutricional está muito feliz com o número de municípios que solicitaram a habilitação. Santa Catarina já tem o melhor índice de segurança alimentar do país e esse número fortalece ainda mais a política de Segurança Alimentar. A nossa previsão é que as compras iniciem em janeiro beneficiando centenas de unidades recebedora”, disse a coordenadora estadual de Segurança Alimentar e Nutricional, Juliana Rocha Pires.

Ela lembrou ainda que o cadastro dos agricultores familiares interessados em fornecer alimentos ao PAA continua aberto. Cada agricultor pode vender até R$ 15 mil para as cidades habilitadas no programa. “Se a cidade onde ele mora não se habilitou ele pode vender para as cidades próximas, o que garante mais uma fonte de renda”, completa.

Santa Catarina tornou-se referência na execução do PAA no país. Em 2025, a Coordenadoria de Segurança Alimentar e Nutricional executou os R$ 10 milhões disponibilizados em 2024 em apenas cinco meses, bem antes dos 12 meses previstos inicialmente. Também está em andamento a execução do PAA Indígena, que conta com recursos de R$ 3 milhões.

Sobre o PAA

Em Santa Catarina, o PAA é vinculado à Coordenadoria de Segurança Alimentar e Nutricional da SAS. O programa realiza a compra direta de alimentos de agricultores familiares, sem necessidade de licitação, destinando-os a pessoas em situação de insegurança alimentar e nutricional, à rede socioassistencial, a equipamentos públicos de segurança alimentar e nutricional e às redes pública e filantrópica de ensino.

O PAA tem como objetivos fortalecer a agricultura familiar, gerar emprego e renda, impulsionar a economia local, promover o acesso a alimentos e contribuir para a redução da insegurança alimentar e nutricional no estado.

ARTIGO: Hora de flexibilizar o Mercosul

A cada nova decisão tomada de forma isolada por integrantes do Mercosul, torna-se mais evidente que o bloco precisa ser atualizado. O recente ingresso do Uruguai na Parceria Transpacífica e o acordo firmado entre Argentina e Estados Unidos, ambos à revelia do Mercosul, revelam um modelo engessado que já não responde à realidade do comércio internacional.

O caso argentino é ilustrativo: 350 produtos foram incluídos em um programa de isenção tarifária com os EUA, sem que os demais países do bloco fossem contemplados. O Uruguai, por sua vez, passou a integrar uma aliança comercial dinâmica, com acesso facilitado a economias asiáticas. São iniciativas unilaterais que, na prática, já rompem com a lógica original do bloco.

Não se trata de negar a importância do Mercosul. Criado em 1991, com o Tratado de Assunção, o bloco nasceu com o objetivo de promover a integração econômica e política entre Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai. Desde então, ampliou o comércio regional, reduziu tarifas e estimulou o adensamento das cadeias produtivas. Em 2024, o Brasil exportou mais de US$ 20 bilhões aos parceiros do Mercosul. Santa Catarina, por sua vez, embarcou US$ 1,4 bilhão — com destaque para alimentos, máquinas, têxteis, metais e produtos químicos. Esses dados mostram que a integração trouxe benefícios reais.

No entanto, o modelo de decisões por consenso — a chamada rigidez da Tarifa Externa Comum (TEC) — se transformou num entrave. O emblemático acordo Mercosul–União Europeia, há mais de 20 anos em negociação, é prova disso. Diante da  expectativa de que a assinatura finalmente vai ocorrer, com potencial para ampliar o acesso a mercados europeus, torna-se ainda mais urgente modernizar o bloco.

Flexibilizar o Mercosul não significa enfraquecê-lo, e sim modernizá-lo. Permitir que os países firmem acordos bilaterais, válidos apenas para seus signatários, manteria o espírito da integração e, ao mesmo tempo, destravaria oportunidades urgentes.

O mundo avança com blocos mais flexíveis, abertos ao dinamismo dos fluxos globais. Santa Catarina e o Brasil não podem continuar presos a um modelo que, ao invés de impulsionar, freia o desenvolvimento e é incompatível com a velocidade e a competitividade exigidas no comércio internacional.
 

Gilberto Seleme, presidente da FIESC

Copom mantém Selic em 15%, juros atingem nível máximo em quase 20 anos

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu manter a taxa Selic em 15% ao ano pela quarta vez consecutiva. O índice segue no maior patamar em quase duas décadas — nível semelhante apenas ao registrado em julho de 2006. A decisão ocorre em meio a críticas crescentes do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que pressiona por um ciclo de cortes para estimular a atividade econômica.

No comunicado divulgado após a reunião, o Banco Central fez mudanças pontuais no texto e evitou indicar qualquer previsão de redução dos juros. Segundo o colegiado, o momento exige prudência.

“O cenário atual, marcado por elevada incerteza, exige cautela na condução da política monetária”, afirmou o Copom. “A estratégia em curso, de manutenção do nível corrente da taxa de juros por período bastante prolongado, é adequada para assegurar a convergência da inflação à meta.”

Quatro decisões seguidas sem cortes
A última alteração na taxa básica ocorreu em 18 de junho, quando o BC elevou a Selic em 0,25 ponto percentual. Desde então, o comitê manteve o índice inalterado nas quatro reuniões seguintes, sinalizando uma postura mais rígida e focada no controle da inflação.

O Banco Central reiterou que não descarta voltar a subir os juros caso considere necessário: “Não hesitaremos em retomar o ciclo de ajuste, caso julgue apropriado”.

Pressões sobre a política monetária
A decisão do Copom ocorre em meio ao debate sobre se o atual nível de juros — o mais alto desde 2006 — será suficiente para manter a inflação sob controle. Apesar de críticas do governo federal, a autoridade monetária reforça que a estratégia atual é adequada diante do ambiente econômico incerto.

Entre os fatores que pesaram pela manutenção da taxa estão:

Expectativas de inflação ainda elevadas, principalmente para horizontes mais longos.

Mercado de trabalho resiliente, com desemprego em 5,4% no trimestre encerrado em outubro, uma das mínimas históricas.

Oscilação recente do dólar, pressionado também após o anúncio da pré-candidatura de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República.

Expectativas de inflação seguem distantes da meta

Apesar de terem recuado desde novembro, as projeções de inflação continuam acima do objetivo oficial de 3%. Para 2025, a estimativa passou de 4,55% para 4,40%, ficando abaixo do limite de tolerância de 4,50%.

Para 2026, a projeção diminuiu de 4,20% para 4,16%. Já para prazos mais longos, as expectativas permanecem praticamente estáveis:

3,80% para 2027

3,50% para 2028

Segundo o BC, a persistência de expectativas elevadas em horizontes maiores é uma preocupação relevante para a condução da política monetária.

Inflação dentro da meta e sinais de desaceleração econômica
Por outro lado, o Banco Central aponta resultados mais claros do impacto da política de juros. O IPCA de novembro fechou em 4,46%, dentro do intervalo de tolerância da meta — algo que não acontecia desde setembro de 2024.

Além disso, o Produto Interno Bruto (PIB) do terceiro trimestre registrou alta marginal de 0,1%. Embora modesto, o desempenho reforça, segundo o BC, a leitura de desaceleração da atividade econômica necessária para reduzir pressões inflacionárias.

No cenário externo, o ambiente também se mostra mais favorável, impulsionado especialmente pela redução dos juros nos Estados Unidos pelo Federal Reserve (Fed).

Manutenção da Selic em 15% ignora sinais da economia, critica CNI

A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central de manter a taxa de juros em 15% ignora uma série de sinais da economia que tornavam possível a redução da Selic de forma imediata, avalia a Confederação Nacional da Indústria (CNI).

Segundo o presidente da CNI, Ricardo Alban, a desaceleração econômica, a queda da inflação e a perda de ritmo do mercado de trabalho já seriam motivos suficientes para o início do ciclo de corte de juros na reunião desta quarta-feira (10).

“A manutenção dos juros nesse patamar tão elevado é excessiva e prejudicial, uma vez que intensifica a perda de ritmo da atividade econômica, encarece muito o crédito, inibe o investimento e penaliza a competitividade da indústria”, afirma Alban.

Segundo ele, o próprio Copom reconhece que os efeitos dos juros elevados ainda não se materializaram por completo, “havendo espaço para uma mudança gradual na política monetária sem comprometer a convergência da inflação para a meta”.

Juros reais continuam entre os maiores do mundo
A taxa de juros real, calculada a partir das expectativas de inflação, deve fechar 2025 em torno de 10,5% a.a., aproximadamente 5,5 pontos percentuais acima da taxa neutra estimada pelo Banco Central. Com isso, o Brasil segue entre os países com as maiores taxas de juros reais do mundo, atrás apenas da Turquia.

Estimativas da CNI mostram que a taxa básica de juros de equilíbrio — compatível com o controle da inflação e o pleno emprego — deveria situar-se em torno de 10,5% a.a. Isso indica que a Selic atual está 4,5 p.p. acima do nível necessário, traduzindo uma postura monetária conservadora do Banco Central.

Inflação volta ao intervalo de tolerância
Há sinais consistentes de que as pressões de preços começam a ceder. O IPCA de novembro, por exemplo, subiu 0,18%, trazendo a inflação acumulada em 12 meses para 4,46%, dentro do intervalo de tolerância da meta. A queda dos preços dos alimentos reforça o enfraquecimento da inflação: o grupo passou de uma alta de 8,2% em 2024 para 2,5% no acumulado em 12 meses até novembro de 2025.

Além disso, as expectativas de inflação seguem em trajetória de baixa. De acordo com o Boletim Focus, a projeção para o IPCA de 2025 recuou para 4,4% e as expectativas para 2026, 2027 e 2028 caíram para 4,16%, 3,8% e 3,5%, respectivamente.

Juros altos desaceleraram economia
Os efeitos da atual política monetária se refletem na desaceleração da economia. No 3º trimestre, o PIB cresceu apenas 0,1%, perda de ritmo expressiva em relação ao 2º trimestre, quando a economia avançou 0,3%, e ao 1º trimestre, cuja alta foi de 1,5%.

No caso da indústria, os efeitos dos juros são ainda maiores. De janeiro a outubro, a produção industrial cresceu apenas 0,8% em relação ao mesmo período do ano passado, de acordo com a Pesquisa Industrial Mensal, do IBGE.

Mercado de trabalho e concessões de crédito justificam redução dos juros
No trimestre encerrado em outubro, o número de pessoas ocupadas cresceu apenas 0,1% na comparação com o trimestre móvel anterior encerrado em julho, de acordo com dados mais recentes divulgados pelo IBGE.

Além disso, em meio ao aumento das taxas médias de juros das operações e à alta da inadimplência, as concessões de crédito passaram de um crescimento de 10,7% no acumulado em 12 meses até dezembro de 2024 para apenas 4,5% até outubro de 2025.

É importante ressaltar que o impacto dos juros elevados se estende ao setor público, aumentando o custo da dívida e o déficit nominal. Segundo o Banco Central, com base nos dados de novembro de 2025, uma elevação de 1 p.p. na Selic eleva a dívida bruta do governo geral em R$ 55,6 bilhões, no horizonte de 12 meses.

Banco Central deveria usar outras ferramentas para conter a inflação
Nesse contexto, a CNI entende que o Banco Central precisa iniciar já na próxima reunião o tão necessário ciclo de cortes na Selic. Além disso, o Banco Central deve acelerar o ritmo de corte da taxa de juros com a utilização de outros instrumentos de política monetária, como os depósitos compulsórios, que têm menor custo fiscal e exercem papel semelhante ao da Selic ao restringir a disponibilidade de crédito no sistema financeiro.

Foto: Gabriel Pinheiro / CNI

Diversidade da indústria de SC garantiu crescimento em 2025, diz FIESC

O impacto negativo da taxa básica de juros, que está em 15% ao ano, e do tarifaço na economia de Santa Catarina resultaram em uma desaceleração do crescimento industrial em 2025. Na avaliação da Federação das Indústrias (FIESC), o movimento de redução de ritmo só não foi maior porque a diversificação industrial catarinense diluiu o peso desses fatores, já que segmentos relevantes para a economia do estado foram impulsionados pelo elevado nível de consumo das famílias e também pelo ciclo da construção civil.

A produção industrial de Santa Catarina avançou 2,8% no ano até outubro, na comparação com o mesmo período de 2024. Na mesma comparação, a atividade da indústria brasileira cresceu apenas 0,8%. A fabricação de produtos de metal foi um dos segmentos que puxaram o resultado em SC, com alta de 14,8% frente ao mesmo período do ano anterior, explicada, em parte, pelo dinamismo da construção civil no estado, e também do setor automobilístico nacional focado em veículos de maior eficiência energética.

“A produção de alimentos, um dos motores da indústria de SC, foi beneficiada pelo aumento da renda. Também contribuiu para o desempenho a retomada da atividade econômica na Argentina, que voltou a comprar produtos catarinenses de diferentes setores”, explica o presidente da FIESC, Gilberto Seleme. 

De janeiro a novembro, as vendas para o país vizinho cresceram 19,2%. Segundo Seleme, a Argentina teve um papel importante para o crescimento das exportações catarinenses - que avançaram 3,5% no acumulado do ano até novembro - e ajudou a minimizar a redução das vendas externas para os dois principais destinos de nossas exportações, os Estados Unidos e a China. As vendas aos EUA foram prejudicadas pelo tarifaço (declínio de 14,1% no ano até novembro), enquanto a queda das exportações para a China (9,1%) refletem uma desaceleração da atividade econômica no país asiático.

Confira a apresentação

Na avaliação da FIESC, as medidas para conter a inflação trouxeram o efeito esperado, de desaceleração da economia, embora o ciclo de alta dos juros esteja longo, devido à expansão do gasto público. 

"A expectativa é de que a partir do segundo trimestre de 2026 possamos observar uma retomada mais consistente do crescimento da economia, caso a redução da Selic se concretize”, explica.

Ainda para 2026, a expectativa é de que o aumento da renda, decorrente das mudanças na faixa de isenção do Imposto de Renda, e a manutenção do mercado de trabalho aquecido sigam impulsionando a economia.

No cenário externo, a assinatura do acordo entre a União Europeia e o Mercosul pode levar a um incremento das exportações para o bloco.

“Se ampliadas, as vendas para a União Europeia tendem a minimizar os impactos de uma eventual manutenção do tarifaço e as exportações catarinenses poderão ter novamente um ano positivo. Soma-se a isso a perspectiva de continuidade da retomada do crescimento na Argentina”, afirma. 

Seleme destaca ainda que em 2025 os produtos catarinenses chegaram a mais destinos, e vendas externas para mercados menos tradicionais foram ampliadas, compensando parte da queda nos embarques aos Estados Unidos.

Emprego
Apesar do fechamento de 2,9 mil vagas de trabalho em outubro, no acumulado do ano a indústria registrou saldo positivo de 39,5 mil novos postos de trabalho.

 “SC deve continuar crescendo e, por isso, vai precisar contratar. A falta de trabalhadores qualificados seguirá sendo um desafio para a indústria”, acrescenta.

PRINCIPAIS DADOS DA INDÚSTRIA DE SC
Produção Industrial +2,8% (jan-out/25)
Emprego industrial +39.5 mil vagas (jan-out/25)
Exportações +3,5%  - US$ 11,1 bilhões (jan-nov/25)

Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina - FIESC

Gerência de Comunicação

Estatais federais em dificuldade poderão pedir aportes da União

Em meio à crise nos Correios, o governo federal criou um mecanismo para que empresas estatais federais não dependentes (com receitas próprias) em dificuldades possam reorganizar as contas sem serem automaticamente classificadas como dependentes do Tesouro Nacional. Um decreto publicado nesta terça-feira (9) em edição extraordinária do Diário Oficial da União altera normas sobre o processo de transição entre empresas estatais dependentes e não dependentes. 

A proposta foi elaborada pelos ministros que compõem a Comissão Interministerial de Governança Corporativa e de Administração de Participações Societárias da União (CGPAR).

O que muda
O texto introduz o artigo 18-A, que permite que empresas estatais não dependentes, mas com problemas operacionais, apresentem um plano de reequilíbrio econômico-financeiro. Esse plano poderá prever inclusive aportes futuros da União, desde que pontuais, para auxiliar na retomada do equilíbrio das contas.

Em nota, o Ministério da Fazenda informou que a ideia é criar uma rota estruturada para que essas empresas lidem com crises conjunturais sem que isso resulte, de imediato, em sua reclassificação como dependentes, situação que exigiria repasses recorrentes do Tesouro.

Regras mais rígidas e etapas de aprovação
Para que o plano de reequilíbrio seja aceito, a estatal terá de apresentar medidas concretas de ajuste nas receitas e despesas que garantam a melhora das condições financeiras e preservem sua condição de não dependência.

O processo de aprovação é composto por várias etapas:

. análise pelos órgãos de governança da própria empresa (Conselho de Administração e, conforme o caso, Conselho Fiscal);

. avaliação técnica e aprovação pelo ministério ao qual a estatal está vinculada;

. encaminhamento ao órgão central do sistema de governança das estatais e decisão final da CGPAR, com base em pareceres técnicos das equipes que integram a comissão.

Após a aprovação, a execução do plano será acompanhada semestralmente pelos órgãos competentes, que vão monitorar o cumprimento das metas e do cronograma.

Como era antes
Pelas regras anteriores, apenas estatais não dependentes que tivessem recebido aportes pontuais para custeio poderiam apresentar plano de reequilíbrio. A nova redação amplia essa possibilidade: agora, empresas que estejam em dificuldades operacionais poderão propor planos com a previsão de aportes futuros, desde que não se transformem em subsídio permanente.

Segundo o governo, a atualização busca fortalecer a responsabilidade fiscal, aprimorar a gestão de riscos e oferecer mais previsibilidade à administração das estatais.

Coopera Agro SC é aprovado na Alesc e marca fortalecimento das cooperativas, agroindústrias e mais competitividade no setor

Foto arquivo: Aires Mariga/Epagri

O Programa Coopera Agro SC, considerado uma das mais robustas iniciativas de estímulo ao agronegócio catarinense, foi aprovado nesta terça-feira, 9, pela Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc). Enviado pelo Governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado da Agricultura e Pecuária (Sape), o programa representa um marco para ampliar o acesso ao crédito, fortalecer cooperativas e agroindústrias e impulsionar a competitividade do campo em todas as regiões.

A iniciativa prevê a criação de até 10 linhas de crédito, somando R$ 1 bilhão em financiamentos voltados a agricultores vinculados a cooperativas e integradoras. As condições são diferenciadas, os financiamentos terão taxa de juros reduzida, próxima a 9% ao ano, com prazo total de 10 anos, incluindo dois anos de carência.

A operacionalização financeira será conduzida em parceria entre o Governo do Estado e o Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE), por meio da aquisição de Letras Financeiras com prazo de 10 anos. O programa prevê R$ 200 milhões aportados pelo Estado e R$ 800 milhões pelo setor privado. Como incentivo adicional, o Governo poderá liberar créditos acumulados de ICMS, limitados a até 50% do valor investido.

Com potencial estimado de R$ 26 bilhões em impacto econômico, 40 mil empregos diretos e indiretos e benefícios para mais de 120 mil produtores rurais, o Coopera Agro SC é apontado como um programa de transformação estrutural para o setor. “A aprovação do Coopera Agro SC pela Assembleia Legislativa é um avanço para a nossa agricultura. Significa mais renda e oportunidades para impulsionar ainda mais a força do nosso campo e de toda cadeia produtiva”, afirma o governador Jorginho Mello.

O programa também responde a desafios estruturais do setor, como o custo elevado do crédito rural e a necessidade de ampliar investimentos que sustentem a competitividade. “O Coopera Agro SC marca um novo patamar de apoio ao agronegócio catarinense. Estamos criando um ambiente mais favorável para que agricultores, cooperativas e agroindústrias possam investir com segurança e crescer. É um programa que moderniza o acesso ao crédito, fortalece quem produz e garante mais renda e oportunidades no campo. Santa Catarina passará a contar com um programa inovador, que certamente será referência para o país”, destaca o secretário da Agricultura e Pecuária, Carlos Chiodini.

A coordenação do programa é da Secretaria de Estado da Agricultura e Pecuária (Sape), com apoio da Secretaria de Estado da Fazenda (SEF) e da Secretaria de Estado do Planejamento (Seplan).

SENAI lança livro para apoiar a indústria a digitalizar processos e reduzir desperdícios

 Instituto SENAI de Tecnologia em Excelência Operacional lança a obra Eficiência Operacional e Transformação Digital: Princípios, Cultura e Tecnologia para Resultados Sustentáveis, primeiro volume da coleção “Simplificando a Eficiência Operacional”. A publicação reúne dez autores do SENAI, empresas e federações de indústrias e apresenta uma abordagem integrada entre pessoas, processos e tecnologia para apoiar empresas na jornada de produtividade e inovação.

Quer adquirir o livro? Clique aqui?: https://loja.editoracrv.com.br/produtos/eficiencia-operacional-e-transformacao-digital-principios-cultura-e-tecnologia-para-resultados-sustentaveis-vol-02/

A obra organiza conceitos essenciais, discute tendências e detalha metodologias que vêm sendo aplicadas em projetos conduzidos pelo SENAI. Além disso, apresenta cases de empresas como WEG e Tupy, que ilustram como a transformação digital pode evoluir de forma estruturada, conectando eficiência produtiva à estratégia de negócios.

De acordo com o diretor regional do SENAI, Fabrízio Pereira, a iniciativa reforça o papel da entidade em disseminar conhecimento aplicado. “A eficiência operacional é um passo decisivo para a indústria brasileira se manter competitiva. As experiências práticas, os métodos e os cases que o SENAI compartilha nesta publicação ajudam empresas de todos os portes a estruturar melhorias e a conectar inovação ao chão de fábrica”, destaca.

São abordados temas como:
Cultura e liderança para eficiência operacional
Processos enxutos (Lean) e melhoria contínua
Modelos internacionais de maturidade digital
Tecnologias habilitadoras da Indústria 4.0, como IA, IoT, automação, BI e RPA
Estratégias de integração entre dados, pessoas e tecnologia
Como medir resultados e sustentar ganhos ao longo do tempo

O livro traduz a experiência prática do SENAI e oferece um conjunto estruturado de ferramentas e conhecimentos que ajudam as empresas a:
reduzir desperdícios
acelerar processos
melhorar indicadores de desempenho
dar os primeiros passos na digitalização
e sustentar resultados ao longo do tempo

 Destaques da obra:
capítulos estruturados com “o que você vai aprender” para orientar o leitor
ferramentas e frameworks aplicáveis ao dia a dia industrial
glossário e conceitos simplificados para quem está iniciando na temática
reflexões e questões para discussão que ampliam a aprendizagem
exemplos de empresas que adotaram práticas de excelência operacional

A publicação traz o olhar de profissionais que atuam diariamente dentro das fábricas brasileiras. É destinada a profissionais da indústria, gestores de operação, especialistas em processos, engenheiros, consultores, docentes e estudantes interessados em saber mais sobre eficiência operacional e transformação digital.

Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina - FIESC
Gerência de Comunicação

Empresário Augusto München assume presidência da gestão 2026-2029 do Sindilojas BC

O empresário Augusto München (Sol Motos) assumiu na noite de sexta-feira, dia 5, a presidência do Sindicato do Comércio Varejista e Atacadista de Balneário Camboriú e Camboriú (Sindilojas). A cerimônia marcou a posse da nova diretoria para a gestão 2026-2029, sucedendo a empresária Rosemari Tomazoni (Léo Cama Mesa e Banho), que encerrou seu ciclo de quatro anos à frente da entidade.

Em sua fala de despedida, Rosemari destacou o trabalho coletivo realizado ao longo de sua gestão, o compromisso com o fortalecimento do setor e a importância de manter o Sindilojas próximo dos empresários, sempre atento às demandas do comércio local. Ela desejou sucesso ao novo presidente e à equipe que assume a condução da entidade, da qual ela também faz parte.

Ao assumir, Augusto München agradeceu a confiança dos associados e apresentou as principais diretrizes de sua gestão: modernização das ações do sindicato, fortalecimento das câmaras empresariais, ampliação dos serviços e foco intenso na qualificação profissional de empresários e colaboradores. 

Ele ressaltou que a dificuldade de encontrar mão de obra qualificada permanece como um dos maiores desafios enfrentados pelo comércio de Balneário Camboriú e reforçou que o Sindilojas atuará para expandir o acesso à formação e ao desenvolvimento de equipes. “É fundamental também expandir a base de associados, fortalecer o suporte jurídico às empresas e incentivar projetos que promovam a integração e o dinamismo do ambiente empresarial, como a criação da Câmara Jovem Empresarial”, citou.

A cerimônia reuniu autoridades políticas, empresários e representantes do Sistema Fecomércio SC. Em seu pronunciamento, o presidente da Fecomércio, Hélio Dagnoni, enfatizou o papel decisivo do associativismo no fortalecimento do setor produtivo. Ele lembrou que sindicatos patronais são a principal voz dos empresários nas negociações coletivas, na defesa de pautas legislativas e nas discussões que impactam diretamente a atividade econômica.

Dagnoni destacou ainda que a união empresarial amplia a força das entidades para enfrentar desafios contemporâneos, como a concorrência do comércio online, práticas de pirataria e a crescente necessidade de qualificação profissional. Ele também reiterou o compromisso permanente do Sistema S — por meio de Sesc e Senac — em formar trabalhadores, apoiar o desenvolvimento social e fortalecer a competitividade do comércio catarinense.

Diretoria executiva Sindilojas - Gestão 2026/2029

Presidente: Augusto München (Sol Motos)
Vice-Presidente: Sieghard Muller (Muller Sistemas)  
Diretor Secretário: Hélio Dagnoni (Parafina Surf Shop)
Diretor Financeiro (Tesoureiro): Paulo Afonso Beling (Instaladora Palestina)
Diretor de Produtos e Serviços: Rafael Fenner (Dmarket Supemercados)
Diretora de Eventos: Rosemari Tomazoni (Leo Cama Mesa e Banho)
Diretora das Câmaras Empresariais: Maristela Pavan da Silva (Stop Kar Autopeças)

Conselho Fiscal Sindilojas – Gestão 2026/2029

Titulares
Nelson Pereira (Comercial Pereira)
Marcelo Gorges (De Angelina Supermercados)
Daniel Salles (Cacau Show)

Suplentes
Tayse Michelli Bolda (Santa Classe)
Adriano Pereira (Kiko Autopeças)
Marcos Aurélio Silva (Espaço do Óleo)

Governo apresenta programa Avança SC ao setor produtivo catarinense

Em reunião do COFEM nesta segunda-feira (8), secretário de planejamento detalhou ferramenta de acompanhamento de indicadores e metas que vão nortear desenvolvimento do estado; secretário adjunto de infraestrutura apresentou desempenho e perspectiva do programas Estrada Boa e Estrada Boa Rural

Em reunião nesta segunda-feira (8), o Conselho das Federações Empresariais (COFEM), recebeu o secretário de estado de planejamento, Fabrício Oliveira, que apresentou o Programa Avança SC 2025-2030. A iniciativa desenha uma estratégia de desenvolvimento para o estado, em parceria com o governo estadual, municípios e o setor privado. “Esse programa cria sinergia para poder medir o impacto dos investimentos em uma determinada região. Ele será um instrumento orientador do desenvolvimento, oferecendo diretrizes integradas”, explicou Oliveira.

A plataforma gratuita, disponível para toda a sociedade catarinense, vai trazer indicadores sociais e econômicos, e fazer uma relação entre eles e as principais ações estruturantes de uma região. 

“É uma ferramenta para que os governos municipais e a iniciativa privada possam consultar para planejar suas iniciativas e medir impactos de suas ações em prol de objetivos conjuntos”.

Para o presidente da Federação das Indústrias (FIESC), Gilberto Seleme, o estado precisa de planejamento de longo prazo, para que os investidores em SC tenham um norte. 

“O setor produtivo avalia que a iniciativa é importante para alinhar expectativas para que governos e empresários possam caminhar juntos”, afirmou.

O secretário de planejamento destacou que em janeiro, o governo do estado deve enviar para a Assembleia Legislativa o projeto Sinal Bom, com o objetivo de oferecer sinal de internet de qualidade em todas as regiões de SC. Os dirigentes de entidades presentes na reunião do COFEM destacaram que essa é uma demanda antiga do setor produtivo.

O diretor de desenvolvimento industrial e inovação da Federação das Indústrias (FIESC), José Eduardo Fiates, destacou que os empresários de SC podem ser parceiros relevantes no projeto, já que possuem uma cultura de vínculo com o território, de inovação e internacionalização. 

“Essas características contribuem para a formação de arranjos produtivos mais complexos, que propiciam um desenvolvimento equilibrado em cada região de Santa Catarina, valorizando as singularidades de cada região.”

Infraestrutura
Ainda durante a reunião, o secretário adjunto de infraestrutura, Ricardo Grando, apresentou o andamento e as perspectivas do programa Estrada Boa. Segundo Grando, desde o lançamento, já foram executadas obras em 100 frentes de trabalho em 66 rodovias, contemplando R$ 4,16 bilhões. Com as obras em andamento e as que devem ser iniciadas em 2026, o investimento deve alcançar R$ 5 bilhões.

O programa Estrada Boa Rural vai investir mais R$ 2,5 bilhões na conservação e melhorias de 2,5 mil km de estradas. Em 90 dias, 64 municípios já protocolaram seus projetos. 

“Temos convicção de que este programa vai revolucionar SC, para reconhecer o que o agronegócio representa para o nosso estado. A projeção é de tenhamos o dobro da malha viária pavimentada de SC em 10 anos”, avalia Grando. 

O COFEM é composto pelas Federações das Indústrias (FIESC), do Comércio (FECOMÉRCIO), da Agricultura (FAESC), dos Transportes (FETRANCESC), das Associações Empresariais (FACISC), das Câmaras de Dirigentes Lojistas (FCDL), das Micro e Pequenas Empresas (FAMPESC), além do Sebrae-SC.
 
Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina - FIESC
Gerência de Comunicação

Governador lança programa SCTEC para qualificação gratuita de mão de obra em tecnologia e capacitação em inteligência artificial

Inscrições já estão abertas para cursos 100% on-line – Foto: Roberto Zacarias / SECOM

O governador Jorginho Mello lançou nesta segunda-feira, 8, o SCTEC, o maior programa estadual de qualificação tecnológica e capacitação em inteligência artificial já desenvolvido em Santa Catarina. A iniciativa, totalmente gratuita, reúne trilhas de aprendizagem e ações de empregabilidade voltadas a preparar os catarinenses para as novas exigências do mercado de trabalho e ainda ensina a população em geral a utilizar a inteligência artificial (IA). Com investimento de R$ 22,9 milhões, o programa deve impactar mais de 155 mil pessoas ao longo de seu ciclo, incluindo cursos, palestras, jornadas formativas e atividades de conexão com o setor produtivo. A cerimônia de lançamento contou com a presença das demais autoridades parceiras da iniciativa.

Ao anunciar o programa, o governador Jorginho Mello destacou que Santa Catarina quer garantir oportunidades reais aos cidadãos. “Todo mundo se assusta com a Inteligência Artificial, mas temos que assimilar a inovação, o desafio, o que é novo e isso é a cara de Santa Catarina. Com o SCTEC, o nosso estado dá um passo decisivo ao futuro. Essa parceria com o Senai tem credibilidade e vai garantir que o cidadão conheça melhor a IA e acompanhe essa tecnologia. Vai garantir que cada cidadão tenha acesso às oportunidades que a tecnologia traz. Investir em formação e inovação é apostar no potencial catarinense e no fortalecimento da economia. Nosso compromisso é construir um estado onde o talento gera desenvolvimento para todos”, explicou o governador.

Durante a cerimônia, as autoridades reforçaram que o programa atende a um momento decisivo do setor tecnológico catarinense, que cresce acima da média nacional e enfrenta deficit de profissionais qualificados. O secretário de Estado da Ciência, Tecnologia e Inovação, Edgard Usuy, destacou essa necessidade. “Santa Catarina vive um período de expansão muito forte no setor de tecnologia, mas ainda carece de profissionais preparados. O SCTEC é uma resposta direta a esse cenário: democratiza o acesso, amplia oportunidades e fortalece competências essenciais para o presente e o futuro do trabalho”, afirma.

Nesta primeira fase, o SCTEC disponibiliza jornadas de aprendizagem que vão do zero ao avançado e visam impactar mais de 155 mil pessoas em todo o estado. A maior jornada do programa é a “Carreira Tech”, para quem busca seguir um caminho na tecnologia, passando por quatro etapas: despertar, primeiros passos, profissionalizar e aperfeiçoar. Esta jornada visa formar 2.100 profissionais que também receberão mentoria de carreira, inglês para DEVs e ainda participarão das feiras de empregabilidade que aproximam esses talentos das empresas.

Para quem já trabalha como Desenvolvedor e quer aprender a programar com IA ainda tem “IA para DEVs”, mais um curso de aperfeiçoamento do “Carreira Tech” com 700 vagas. Para o público em geral, que busca aprender a utilizar ferramentas de IA em seu dia a dia tanto na vida pessoal quanto profissional, serão oferecidas 100 mil vagas na trilha rápida: “IA na Prática”. Todas as trilhas de aprendizagem serão on-line e 100% gratuitas, com aulas ao vivo ou gravadas e certificação do Senai, responsável pela execução do programa.

O presidente da Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (Fiesc), Gilberto Seleme, diz que a iniciativa amplia as oportunidades de formação em áreas que influenciam diretamente a competitividade do estado. “Estamos abrindo caminhos para que mais catarinenses se qualifiquem em setores decisivos para o futuro da economia. A indústria depende de profissionais preparados para trabalhar com tecnologia e inovação.” O diretor regional do Senai/SC, Fabrizio Pereira, afirma que o programa fortalece a conexão entre demandas do setor produtivo e oferta educacional. “Estamos falando de cursos voltados às necessidades reais das empresas. O SCTEC contribui para formar talentos e acelerar a transformação digital em Santa Catarina.”

O presidente da Associação Catarinense de Tecnologia (Acate), Diego Brites Ramos, reforçou a importância da iniciativa para o avanço do setor. “O lançamento do SCTEC marca um momento estratégico para a tecnologia em Santa Catarina. Essa é uma resposta concreta aos desafios que enfrentamos para continuar crescendo com competitividade e inclusão”, afirmou o presidente. O vice-presidente de Talentos da Acate, Moacir Antônio Marafon, complementou: “A formação de talentos é hoje uma prioridade absoluta para o segmento. O SCTEC reforça essa agenda com um modelo acessível e conectado às necessidades reais das empresas. É desse tipo de iniciativa que precisamos para reduzir o déficit de mão de obra e acelerar o desenvolvimento do nosso ecossistema”, concluiu Marafon.

Inscrições
As inscrições seguem abertas até início de 2026 e devem ser feitas pelo site sctec.scti.sc.gov.br. Podem participar residentes de Santa Catarina a partir de 14 anos, incluindo iniciantes, trabalhadores em transição de carreira e profissionais que buscam aperfeiçoamento. As primeiras turmas começam em fevereiro.

O programa é realizado pela Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia e Inovação, executado pelo Senai, e conta com apoio da Secretaria Executiva de Articulações Internacionais, Secretaria da Educação, Secretaria do Planejamento, Fapesc e Aacate.

Instituto criará centro especializado em energia renovável no oceano

Um projeto do Instituto Nacional de Pesquisas Oceânicas (INPO) prevê a criação do Centro Temático de Energia Renovável no Oceano Energia Azul. Por meio dele, serão desenvolvidas quatro tecnologias para produção de energia renovável offshore (em alto-mar): conversão de energia das ondas, correntes de maré, gradiente térmico do oceano (OTEC) e produção de hidrogênio verde.
Para colocar o projeto em prática, o instituto venceu, recentemente, um edital da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) no valor de cerca de R$ 15 milhões.

Redução de emissões
Segundo o INPO, as soluções têm aplicação industrial e podem reduzir emissões em setores de difícil abatimento, o que inclui plataformas de óleo e gás, fertilizantes, siderurgia, transporte e cimento. As unidades flutuantes que hoje utilizam turbinas movidas a gás natural, por exemplo, poderão substituir parte da geração por fontes limpas produzidas no oceano.

O diretor-geral do INPO, Segen Estefen, reforça o potencial estratégico da iniciativa.

A disponibilidade de recursos renováveis no oceano e a experiência brasileira em atividades offshore são diferenciais importantes. Podemos transformar o oceano em um aliado estratégico na transição energética, produzindo eletricidade, hidrogênio e água dessalinizada de forma sustentável, diz ele.

Bolsas para estudantes
Do total investido, R$ 4,3 milhões serão destinados a bolsas de pesquisa para estudantes de mestrado, doutorado e pós-doutorado em parceria com quatro universidades: Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Universidade Federal do Pará (UFPA), Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e Fundação Getúlio Vargas (FGV). A medida busca fortalecer a formação de especialistas e expandir a produção de conhecimento em energias oceânicas no país.

Outra frente do projeto simula fisicamente a produção de hidrogênio a partir de energia eólica offshore, utilizando água do mar dessalinizada para eletrólise (conversão de energia elétrica em energia química).

A tecnologia, segundo o INPO, busca resolver o problema da intermitência da geração eólica, permite armazenar energia sob a forma de hidrogênio e garante estabilidade ao sistema elétrico.

Hoje, cerca de 250 gigawatts em projetos de eólica offshore estão em licenciamento no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Se apenas 20% forem implantados, a matriz elétrica brasileira pode ganhar 50 gigawatts adicionais - quase um quarto da capacidade nacional atual.

A turbina para aproveitamento de correntes de maré será capaz de operar tanto no oceano quanto em rios de fluxo contínuo.

Mesmo turbinas de pequeno porte podem alcançar alta capacidade instalada. Isso permite levar energia limpa e contínua a comunidades isoladas, solucionando um problema histórico de acesso à eletricidade, afirma Estefen.

Conversor de águas
O projeto prevê ainda o desenvolvimento de quatro equipamentos: um conversor de ondas, um sistema Otec baseado em ciclo de Rankine com amônia, um módulo de produção de hidrogênio offshore e uma turbina de correntes de maré.

Cada tecnologia será projetada, construída e testada em ambiente laboratorial e operacional, resultando em projetos-piloto prontos para instalação no mar.

Estefen disse, ainda, que o Centro de Energia Azul será decisivo para elevar o nível de maturidade tecnológica das soluções.

As energias renováveis offshore encontram-se atualmente em fase pré-comercial, o que exige avanços nos níveis de maturidade tecnológica (TRL). O Centro de Energia atuará justamente nesse estágio intermediário, viabilizando a prova de conceito e o detalhamento de projetos para aplicação em escala real. Ao final do projeto, para cada tecnologia está contemplada a entrega de respectivo projeto-piloto para instalação no mar, etapa que prepara o caminho para aplicações comerciais em larga escala, finaliza o diretor-geral.

Reduzir Custo Brasil é chave para transformar potencial em riquezas, empregos e bem-estar, diz diretor da CNI

O diretor de Desenvolvimento Industrial, Tecnologia e Inovação da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Jefferson Gomes, afirmou que o Custo Brasil é um obstáculo que precisa ser enfrentado com rapidez para que o país supere deficiências estruturais e se torne competitivo. 

“Não é apenas uma questão contábil para as empresas, mas a chave para transformar o imenso potencial do país em riquezas, empregos de melhor qualidade e bem-estar da população”, disse Jefferson Gomes, na abertura do Seminário Custo Brasil, realizado pela Folha de S. Paulo, com apoio da CNI, no auditório do jornal na capital paulista.  

O Custo Brasil é um conjunto de deficiências estruturais, burocráticas e econômicas que atrapalham o dia a dia dos negócios, encarecem a produção e desestimulam os investimentos, comprometendo o bom desempenho da economia nacional. Esse custo é estimado em R$ 1,7 trilhão por ano para as empresas brasileiras, o equivalente a 20% do Produto Interno Bruto (PIB) do país.  

Oferta de energia e redução de juros devem ser prioridade 
Jefferson Gomes destacou ainda que, por mais que a o país invista em educação e inovação, o Custo Brasil tem corroído o desenvolvimento, desestimulando a criação de empregos e elevando os preços para o consumidor. Ele observou que dois pontos são essenciais para que o país comece a reverter esse quadro: a oferta de energia renovável a preços competitivos e redução dos juros abusivos atualmente praticados no Brasil.  

“A redução da taxa Selic, que está em 15% ao ano, é indispensável para destravar os investimentos produtivos e o consumo, que são essenciais para estimular o emprego e a renda no país. Precisamos também de uma energia com alta qualidade, potência e preço equilibrado. Isso requer a redução de encargos e subsídios, que, atualmente, representam 26% da conta de luz”, enfatizou o diretor da CNI.  

Além disso, Jefferson Gomes alertou que é preciso ampliar investimentos em infraestrutura e adequar regulações para que o país avance na área de logística.  “O diagnóstico está claro e as soluções são conhecidas. Não podemos mais perder tempo repetindo análises e estudos. É hora de partir para a ação. Nossa expectativa é que o poder público continue sendo um parceiro do setor produtivo nessa agenda tão relevante para o desenvolvimento das nossas empresas e do país”, pontuou. 

Também participaram do seminário Luciana Costa, diretora de Infraestrutura, Transição Energética e Mudança Climática do BNDES; Paulo Henrique Dantas, advogado especialista em Infraestrutura e direito público; Jorge Lima, secretário estadual de Desenvolvimento Econômico de São Paulo; Paulo Furquim de Azevedo, professor do Insper; e Hadassa Santana, professora da Fundação Getúlio Vargas (FGV). 

Conheça a Campanha Custo Brasil 
Neste ano, a CNI estreou nova campanha sobre o Custo Brasil, em que apresenta os principais entraves como vilões do desenvolvimento e da competitividade do país.  

Seis personagens representam os principais fatores para a conta de R$ 1,7 trilhão por ano desperdiçados no Brasil, de acordo com dados do Observatório Custo Brasil (OCB). Jurássio, o monstro que representa a alta taxa de juros; a Infradonha, com o custo das obras paradas e as consequências da ausência de ampliação e diversificação da matriz logística; o Burocratus, com a morosidade da burocracia; Custo Circuito, que representa o valor da energia para lares e empresas; o Tributácio, mostrando que os tributos estão por todos os lados; e o Baiacusto, que reúne o peso de todos eles, representando as perdas do Custo Brasil.

CNI aponta fragilidades na metodologia de cálculo do tabelamento do frete

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) apresentou propostas de melhora na metodologia do tabelamento do frete rodoviário, em audiência pública na última semana na Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), onde foram debatidas propostas de aperfeiçoamento da metodologia de cálculo do piso mínimo do frete de cargas.

A audiência foi convocada para a realização de revisão ordinária da Resolução nº 5.867/2020 – norma que estabelece as regras gerais, metodologia e coeficientes relativos à Política Nacional de Pisos Mínimos do Transporte Rodoviário de Cargas.

Na ocasião, a CNI destacou os principais parâmetros que precisam ser revisitados  na metodologia e que foram identificados a partir de uma ampla consulta à base industrial sobre o tema. Desde a instituição da política, em 2018, a CNI se manifestou no sentido de inconstitucionalidade do tabelamento e apresentou formalmente esse posicionamento junto ao Supremo Tribunal Federal, por meio da Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 5.964.

Como os custos de transporte estão na base de todas as cadeias produtivas, o resultado da implementação da política é uma elevação dos preços aos consumidores finais e, por isso, a CNI entende que é de suma importância que o tema seja apreciado pelo Supremo.

Além da própria inconstitucionalidade da medida, a CNI entende que é muito complexo estabelecer uma metodologia que seja capaz de contemplar todas as especificidades do transporte rodoviário de cargas. “Cada indústria possui suas particularidades, operações de transporte e variedades de cargas que precisam de tratamentos diferenciados. Por isso, é difícil estabelecer uma metodologia que seja capaz de contemplar todos esses pontos”, pontua a analista de infraestrutura da CNI Paula Bogossian.

Debate público na ANTT
O ciclo de revisão ordinária da ANTT tem o propósito de atualizar a tabela do piso mínimo de frete rodoviário, com base em estudos técnicos, dados de mercado e participação social, a fim de aproximar o custo do transporte rodoviário à realidade de funcionamento desse setor.

“Se o modelo fixa um valor mínimo obrigatório por quilômetro rodado utilizando como base uma metodologia em que os parâmetros não condizem com a realidade de mercado, isso acaba resultando em um aumento artificial de preços aos consumidores finais”, completa Paula.

A CNI também aproveitou audiência para pleitear, junto à ANTT, a suspensão temporária da medida que amplia a fiscalização eletrônica dos valores praticados de frete. A advogada da CNI Christina Aires argumentou que “tal medida se fundamenta não apenas na necessidade de aguardar o julgamento do mérito da ADI 5.964 no STF, como também na importância de promover o aperfeiçoamento da metodologia e dos conceitos aplicados ao tabelamento, assegurando que as peculiaridades dos setores sejam devidamente consideradas.”

Próximos passos
A CNI pretende formalizar suas contribuições voltadas ao aprimoramento da metodologia de piso mínimo nesse ciclo de revisão ordinária da Resolução nº 5.867/2020. As contribuições escritas podem ser enviadas até às 18h, do dia 11 de dezembro de 2025, pelo site do Sistema ParticipANTT. Informações adicionais sobre o processo participativo também estão disponíveis, na íntegra, no site do Sistema ParticipANTT.

Após adiamentos, Banco Central desiste de regular Pix Parcelado

Após sucessivos adiamentos, a diretoria do Banco Central (BC) decidiu abandonar a criação de regras específicas para o Pix Parcelado. A decisão foi comunicada nesta quinta-feira (4), em Brasília, durante a reunião do Fórum Pix, comitê que reúne cerca de 300 participantes do sistema financeiro e da sociedade civil.

Além de desistir da regulação, o BC proibiu as instituições financeiras de utilizarem o nome Pix Parcelado. No entanto, termos similares - como Pix no crédito ou Parcele no Pix - continuam permitidos.

Inicialmente previstas para setembro, a obrigatoriedade do Pix Parcelado e a padronização das normas foram adiadas para o fim de outubro e posteriormente para novembro. 

A modalidade, que funciona como uma linha de crédito com juros oferecida pelos bancos, já está disponível no mercado e seria regulamentada para aumentar a transparência aos usuários.
Falta de padronização
O Pix parcelado permite que o consumidor parcele um pagamento instantâneo, recebendo o valor integral no ato, enquanto o cliente arca com juros. Cada banco define livremente taxas, prazos, forma de cobrança e apresentação do produto. A ausência de uniformização, segundo especialistas, aumenta o risco de endividamento.

Apesar de nomes que sugerem semelhança com o parcelamento tradicional do cartão de crédito, a modalidade é um empréstimo que cobra juros desde o primeiro dia.

As taxas têm girado em torno de 5% ao mês, enquanto o Custo Efetivo Total (CET) chega a aproximadamente 8% mensais. A contratação costuma mostrar os custos apenas na etapa final. As regras sobre atrasos nem sempre são claras. Em muitos casos, o pagamento das parcelas aparece na fatura do cartão, embora o produto não seja um parcelamento tradicional.

Críticas
Em nota, o Instituto de Defesa de Consumidores (Idec), que acompanhou a reunião do Fórum Pix, classificou como inaceitável a decisão do BC de não estabelecer padrões para operações de crédito associadas ao Pix. A entidade afirma que a ausência de regras cria um ambiente de desordem regulatória, favorece abusos e amplia o risco de superendividamento.

Segundo o Idec, mesmo com a proibição do nome Pix Parcelado, a mudança é meramente cosmética. O consumidor continuará exposto a produtos de crédito heterogêneos, sem transparência mínima, sem salvaguardas obrigatórias e sem previsibilidade sobre juros ou procedimentos de cobrança, afirma o texto.

O Idec avalia que o Banco Central optou por não enfrentar um problema que já está em curso, delegando ao mercado a responsabilidade pela autorregulação. Segundo o Idec, a falta de regulação tende a deixar famílias ainda mais vulneráveis.

O Idec destaca que, por estar associado à marca mais confiável do sistema financeiro brasileiro, o Pix parcelado tende a induzir decisões impulsivas. A entidade lembra que o Brasil já vive um cenário preocupante de superendividamento e que a modalidade pode agravar esse quadro ao misturar pagamento e crédito sem deixar claros os riscos.

O Pix nasceu para democratizar pagamentos. Transformá-lo em porta de entrada para crédito desregulado coloca essa conquista em risco, alerta a instituição, que promete continuar pressionando por regras que garantam padronização, segurança e transparência ao consumidor.

Fiscalização incerta
Embora o BC tenha vetado o uso das marcas Pix Parcelado e Pix Crédito, não há clareza sobre como o regulador fiscalizará a aplicação dessas diretrizes. Durante o Fórum Pix, representantes da autarquia informaram que acompanharão o desenvolvimento das soluções oferecidas pelos bancos, mas sem impor padrões específicos.

Para entidades de proteção ao consumidor, essa postura abre espaço para que produtos semelhantes funcionem de formas completamente distintas entre instituições, dificultando a comparação e aumentando a probabilidade de contratações inadequadas.

Ajustes
Nos últimos meses, a expectativa era de que o Banco Central publicasse regras para harmonizar a oferta da modalidade, determinando informações obrigatórias - como juros, IOF e critérios de cobrança - e estabelecendo padrões mínimos de transparência. Os adiamentos na regulação refletiam um impasse entre o BC e os bancos, que defendiam mudanças na proposta original da área técnica.

A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) declarou ser favorável à existência de regras, mas negou ter pressionado o BC pela suspensão da regulamentação. A federação, entretanto, reconheceu ter pedido ajustes no texto em discussão e alegou que não havia urgência.

Secretaria da Agricultura e Pecuária discute estratégias para fortalecer o setor leiteiro e ampliar a competitividade

Foto: Thais Venâncio/Sape

Para avaliar o atual panorama socioeconômico e os desafios do setor leiteiro, a Secretaria de Estado da Agricultura e Pecuária (Sape) promoveu, na quinta-feira, 4, uma reunião com lideranças do segmento, parlamentares e empresas vinculadas: Epagri e Cidasc. O encontro teve como foco a busca por soluções para aumentar a competitividade da cadeia produtiva e apresentar os programas do Governo do Estado, que neste ano somam mais de R$ 216,3 milhões em apoio direto aos produtores de leite.

Santa Catarina é o 4º maior produtor de leite do país, são mais de 24,5 mil produtores. Em 2024, o estado alcançou 3,3 bilhões de litros produzidos, o equivalente a 9% da produção nacional. Durante a reunião, foram debatidos temas como custo de produção, rentabilidade, produtividade, impactos das importações no preço pago ao produtor e estratégias para ampliar o consumo de leite.

O secretário de Estado da Agricultura e Pecuária, Carlos Chiodini, destacou que os esforços estão concentrados em agregar valor à cadeia produtiva. “Estamos em um trabalho intenso com o setor produtivo e lideranças na busca de soluções para conquistarmos um melhor momento para esse mercado. O Governo do Estado está fazendo a sua parte com políticas públicas e ouvindo a cadeia leiteira. Elencamos diversas sugestões, que serão sistematizadas e avaliadas quanto à sua viabilidade”, afirmou. O Grupo de Trabalho formado seguirá dialogando para alinhar ações. Nesta semana, o secretário também participou de uma reunião sobre o tema no Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), em Brasília.

Dados do IBGE apontam que, no primeiro semestre de 2025, a captação de leite no Brasil atingiu 13 bilhões de litros — o maior volume da última década e 7% superior ao mesmo período de 2024. As economistas do CEPA/Epagri também ressaltaram dados da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF/IBGE), que mostra consumo médio de apenas 5 litros de leite por família (entre leite fluido e derivados).

Apoio à cadeia leiteira catarinense
Com o objetivo de assegurar a competitividade do setor leiteiro em Santa Catarina, os produtores de leite contam com programas do Governo do Estado, que nesse ano já somam mais de R$ 216,3 milhões para esse setor, com mais de 49 mil produtores beneficiados.

O Programa Leite Bom SC compreende os programas Pronampe Leite SC e Financia Leite SC via Fundo Estadual de Desenvolvimento Rural (FDR), para esses programas estão previstos R$ 150 milhões, para os anos de 2024, 2025 e 2026, para subsidiar juros de empréstimos bancários e conceder financiamentos sem juros.

O Leite Bom também contempla outros R$ 150 milhões, que devem ser revertidos em incentivos tributários à indústria leiteira catarinense de maneira escalonada: R$ 75 milhões no primeiro ano, R$ 50 milhões no segundo e outros R$ 25 milhões no terceiro ano. Nesse sentido, também estão em execução medidas como a suspensão de benefícios para a importação de leite e derivados.

A suspensão dos incentivos voltados à importação de leite e derivados teve reflexos positivos para a indústria catarinense. Indicadores monitorados pela Secretaria de Estado da Fazenda (SEF/SC) mostram que o volume de importações de leite e derivados caiu quase 75% no primeiro semestre deste ano comparado ao mesmo período do ano passado: baixou de R$ 512,5 milhões para R$ 135,2 milhões.

A cadeia leiteira também conta com o Programa Terra Boa, para melhoria das pastagens e aumentar a produtividade. Além disso, o leite produzido em Santa Catarina também segue rigorosos controles de qualidade, inspeção e rastreabilidade.

Santa Catarina é reconhecida com o nível máximo em transparência pública, durante Congresso Internacional dos Tribunais de Contas

Foto: Guilherme Bento / SECOM

O Governo de Santa Catarina foi reconhecido nesta quinta-feira, 4, com o nível Diamante, a classificação máxima do Programa Nacional de Transparência Pública (PNTP), em anúncio oficial realizado durante o IV Congresso Internacional dos Tribunais de Contas, evento que reuniu autoridades, especialistas e órgãos de controle de todo o país. O resultado coloca o Estado entre os mais transparentes do Brasil.

“Uma gestão pública de qualidade precisa ser eficiente, mas também transparente em tudo o que realiza com o dinheiro público. Esse selo vem confirmar exatamente isso: estamos construindo uma gestão séria, responsável e verdadeiramente comprometida com a sociedade”, destacou o governador Jorginho Mello.

O secretário de Estado da Fazenda, Cleverson Siewert foi quem recebeu o troféu, representando o governador, que está no Rio de Janeiro para o encontro do Cosud. “Este avanço reflete o compromisso diário do governador Jorginho Mello, que nos orienta a trabalhar com dedicação, lealdade e total responsabilidade com o dinheiro público. O Selo Diamante coloca Santa Catarina em destaque no cenário nacional e renova o compromisso de todo o Governo com a boa gestão e a transparência”, afirmou o secretário da Fazenda.

“Santa Catarina trabalha com seriedade e responsabilidade. Receber o nível Diamante mostra que tratamos a transparência como um valor permanente da gestão Jorginho Mello. Este reconhecimento, anunciado em um congresso internacional, reforça que estamos no caminho certo ao fortalecer a confiança da sociedade na gestão pública”, conclui o controlador-geral do Estado, Freibergue Rubem do Nascimento.

O  Programa Nacional de Transparência Pública (PNTP), coordenado pela Atricon (Associação dos Membros dos Tribunais de Contas do Brasil), avalia o cumprimento de critérios rigorosos relacionados à transparência ativa, passiva, dados públicos e conformidade com a Lei de Acesso à Informação (LAI).

A avaliação deste ciclo aponta um crescimento de +5,74 pontos percentuais em relação ao ano anterior. No total, foram analisados 91 critérios do PNTP e 15 recursos apresentados pelo Governo do Estado, sendo oito deles aceitos integralmente.

CGE lidera estratégia que levou SC ao topo da transparência

A Controladoria-Geral do Estado (CGE) foi responsável por coordenar as ações que garantiram o avanço. A pasta orientou todos os órgãos estaduais, realizou diagnósticos internos, revisou itens pendentes e supervisionou a adequação das informações disponibilizadas nos portais oficiais.

Mesmo com a nota máxima, o Governo do Estado, por meio da CGE, já estruturou um plano de ação para aperfeiçoar os poucos pontos pendentes, com medidas envolvendo órgãos e entidades como SEA, SEF, SCTI e a própria CGE.

Com o resultado divulgado no Congresso, Santa Catarina reforçou sua posição entre os estados mais transparentes do Brasil. “A CGE continuará monitorando e qualificando as informações públicas para manter o desempenho e ampliar o acesso dos catarinenses a dados claros, confiáveis e atualizados”, finalizou o controlador-geral do Estado, Freibergue Rubem do Nascimento.

Dívidas renegociadas na Rebentona Casan já ultrapassam R$ 1 milhão

Foto: Divulgação / Casan

O Programa Rebentona, iniciado pela Companhia Catarinense de Águas e Saneamento (Casan) na segunda-feira, 1 ° de dezembro, já superou a marca de R$ 1 milhão em dívidas renegociadas em todo o estado. A marca mostra o sucesso do programa, que permite a regularização de débitos vencidos até 31 de julho deste ano em condições especiais. Entre as novidades anunciadas está o pagamento em até 60 vezes com isenção total de multa e juros sobre o valor em atraso. Outra facilidade é que não há exigência de entrada mínima e as parcelas são a partir de R$50,00, para Pessoa Física, e R$100,00, para Pessoa Jurídica.

“Em três dias, atingimos rapidamente a marca de R$ 1 milhão. Isso evidencia a força do programa e a atratividade das condições especiais oferecidas, reforçando o compromisso da Casan em fortalecer a relação com nossos usuários”, explica a Gerente Financeira, Micheli Soares.

A adesão ao Programa Rebentona pode ser feita presencialmente, nas Agências da Casan, ou ainda on-line, também uma novidade desta edição. Basta acessar o Atendimento Online disponível no site oficial da Companhia: www.casan.com.br ou então o portal eCASAN, que está acessível para contas Gov.BR ouro ou prata. No portal, o usuário pode clicar no botão Rebentona – Parcelamento C, escolher o número de parcelas e os valores, e confirmar o termo de parcelamento.

Secretaria da Agricultura e Pecuária e Cidasc regulamentam autorizações excepcionais para plantio de soja em Santa Catarina

Foto: Divulgação / Sape

A Secretaria de Estado da Agricultura e Pecuária (Sape) publicou a Portaria Sape nº 66/2025 de 27 de novembro de 2025, que estabelece regras para a concessão de autorizações excepcionais de plantio de soja no Estado. A Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (Cidasc), será responsável pela análise das solicitações e autorizações com base nos critérios técnicos definidos na Portaria. A iniciativa reforça o compromisso de Santa Catarina com a segurança fitossanitária, a inovação e a adaptação do setor produtivo diante dos impactos das mudanças climáticas.

A nova portaria entrou em vigor em 1º de dezembro de 2025 e define que os plantios excepcionais compreendem os casos destinados à pesquisa, ensino, produção de sementes, unidades demonstrativas em eventos agropecuários e, em circunstâncias excepcionais, na produção de grãos influenciadas por condições climáticas atípicas. Para atividades de pesquisa e ensino conduzidas em ambiente protegido, a autorização será automática. Já na produção de sementes e de grãos, deverão ser respeitados o vazio sanitário e as regras do Ministério da Agricultura e Pecuária, incluindo a regularidade dos produtores de sementes no Registro Nacional de Sementes e Mudas (Renasem).

O secretário de Estado da Agricultura e Pecuária, Carlos Chiodini, destaca que a portaria reforça o equilíbrio entre segurança sanitária e desenvolvimento da cadeia produtiva.“Santa Catarina precisa estar preparada para responder aos desafios climáticos e, ao mesmo tempo, manter a competitividade da nossa soja. Esta portaria garante regras claras e seguras, permitindo que pesquisa, inovação e produção avancem sem comprometer o controle da ferrugem asiática e a sustentabilidade do setor”, destaca.

“A possibilidade de cultivos excepcionais é prevista no Programa Nacional de Controle da Ferrugem Asiática (PNCFA) e significa não apenas um grande um ganho para os produtores, mas é também um compromisso extra. A condição de exceção implica em maior responsabilidade do produtor em relação ao monitoramento e controle da ferrugem asiática. Uma vez permitido o plantio excepcional, o compromisso com a sanidade da lavoura está firmado”, afirma a presidente da Cidasc, Celles Regina de Matos.

A norma reitera a vedação do cultivo de soja em sucessão à soja dentro do mesmo ano agrícola e mesma área, assim como determina que qualquer autorização só será concedida quando não houver risco à eficácia das medidas de controle da ferrugem asiática. As solicitações deverão ser feitas pela plataforma Conecta Cidasc, acessada através da página do Programa Estadual de Sanidade das Grandes Culturas, acompanhadas de justificativa técnica e de um plano de manejo fitossanitário. O pedido deve ser protocolado com até 30 dias de antecedência, exceto em situações emergenciais motivadas por condições climáticas adversas.

A portaria reforça a importância do Cadastro de Produtores de Soja em Santa Catarina, o qual deve ser realizado em até 10 dias após o término da semeadura. Para o atendimento à nova portaria, Sape e Cidasc orientam buscar apoio junto à assistência técnica, às cooperativas ou nos escritórios dos Departamentos Regionais da Cidasc.

Atenção ao Requisito de Acesso: Para utilizar o Conecta Cidasc e preencher a solicitação para o cultivo excepcional de soja, é requisito obrigatório que o usuário solicitante já possua cadastro ativo no Sigen+ (Sistema de Gestão da Defesa Agropecuária Catarinense), com um dos seguintes perfis:

Responsável Técnico; ou
Produtor e-Origem.

Caso não tenha usuário no Sigen+, basta solicitar na área de “Processos” da página de acesso ao sistema em https://sigen.cidasc.sc.gov.br/. Com seu usuário e senha em mãos, retorne ao site do Programa Estadual de Sanidade das Grandes Culturas e inicie seu processo.

Alinhado à demanda industrial, UniSENAI lança pós-graduações em robótica e food tech

O Conselho Universitário do UniSENAI/SC aprovou nesta terça (2) duas novas pós-graduações estratégicas para ampliar a formação tecnológica e atender às demandas da indústria: Aplicações Robóticas Industriais, criada em parceria com as empresas Kuka e Schunk, e o MBI em Food Tech: Segurança e Processos de Proteínas Alternativas, desenvolvida com a Netzsch. 

De acordo com o diretor regional do SENAI, Fabrízio Pereira, as formações reforçam o movimento da instituição de expandir seu portfólio em áreas de alto impacto tecnológico e fortalecer a conexão entre educação, inovação e indústria. “Ter parceiros que são referência global em robótica e food tech eleva a qualidade da formação e garante que nossos acadêmicos cheguem à indústria preparados para os desafios do setor”, frisa.

Ofertas para 2026
A nova pós-graduação em Aplicações Robóticas Industriais, ofertada pelo campus Joinville, terá 90 vagas, carga horária de 390 horas e contará com imersões presenciais para prática em ambiente tecnológico avançado.

Já o MBI em Food Tech: Segurança e Processos de Proteínas Alternativas será ofertado pelo campus Chapecó, também com 90 vagas, na modalidade 100% EAD, alinhado à expertise do Instituto SENAI de Tecnologia em Alimentos e Bebidas, além das demandas crescentes da indústria por soluções inovadoras em proteínas alternativas.

Nova graduação 
Entre outras deliberações, o Conselho aprovou a criação do curso superior de Tecnologia em Mecatrônica Industrial, estruturado em alinhamento com demandas do Departamento Nacional do SENAI e integrado ao UniSENAI.digital. A oferta se inicia em 2026 e atenderá o programa Universitários da Indústria, do SESI Departamento Nacional, com bolsas integrais para estudantes egressos dos cursos técnicos de Automação Industrial e Mecatrônica.

Segundo Felipe Morgado, superintendente de educação profissional e superior do SENAI Nacional, a nova legislação da educação a distância representa uma oportunidade estratégica para o SENAI, já que exige maior presença física e infraestrutura robusta, pontos em que a instituição se destaca. “Essa estratégia nacional está orientada para atrair egressos do SESI ao ensino superior do SENAI, fortalecendo a trajetória formativa dos estudantes e ampliando o ingresso qualificado na indústria”, ressalta.

O gerente executivo de inovação e tecnologia do SENAI, Mauricio Pauletti, complementa afirmando que a robótica é um tema central para os Institutos SENAI de Inovação. “Estamos desenvolvendo um centro completo de robótica em Joinville que, além de atender projetos da Petrobras, terá impacto direto no avanço tecnológico de setores como automotivo, aeroespacial, energia, naval, mineração, transporte e demais segmentos industriais que demandam automação avançada”, afirma.

O UniSENAI apresentou ainda um panorama dos principais resultados de 2025, destacando o avanço em pilares estratégicos como hands on, conexão tech e empreendedorismo, que orientam a formação prática e alinhada às demandas da indústria. A reunião também avançou na construção do Plano de Desenvolvimento Institucional (2026–2030), com apresentação da linha do tempo, consolidação da Matriz de Alinhamento Estratégico (MAPA) e integração das contribuições colhidas nas pró-reitorias.

Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina - FIESC
Gerência de Comunicação

Brasil deve acelerar ampliação de acordo de livre comércio com o México, avalia CNI

O Brasil precisa avançar na construção de acordo de livre comércio mais robusto com o México, mercado prioritário da agenda internacional da indústria nacional, defende a Confederação Nacional da Indústria (CNI). A medida é considerada fundamental para proteger e ampliar a relação comercial bilateral, sobretudo se o governo mexicano conseguir aprovar nova medida prevê aumento substancial de tarifas de importação no México.  

O Congresso do México vai avaliar o projeto do executivo que institui o Programa de Protección para las Indústrias Estratégicas, que propõe elevar tarifas de importação de 983 produtos de 19 setores. A tarifa média de importação subiria de 16,1% para 33,8%, conforme a proposta, podendo chegar a 50% em alguns produtos. Uma análise da CNI mostra que a China seria o país mais afetado (US$ 34,2 bi em exportações sujeitas a novas tarifas), seguida por Coreia do Sul, Índia e Tailândia. Com exceção dos países asiáticos, o Brasil seria o país mais prejudicado.  

Em 2024, o México importou US$ 11,7 bilhões do Brasil, dos quais US$ 1,7 bilhão (14,7%) podem estar sujeitos às novas tarifas. No caso do Brasil, a medida atinge 232 produtos e 16 setores da indústria de transformação. Veículos automotores respondem por 53,8%, seguidos por borracha e plásticos (14,3%), máquinas e equipamentos (7,9%), químicos (7%) e metalurgia (6,3%). 

“O México é mercado prioritário para a indústria brasileira, mas o que temos de comércio coberto pelos acordos vigentes está muito aquém do potencial. Mais de 70% do que comercializamos com o México estão fora do escopo dos acordos. Avançar na ampliação do acordo comercial é fundamental para a diversificação de mercados para a indústria brasileira e para abrir oportunidades melhores para a indústria brasileira”, avalia Ricardo Alban, presidente da CNI.  

Acordos vigentes têm cobertura insuficiente 
Atualmente, Brasil e México mantêm 3 acordos de comércio. O Acordo de Complementação Econômica (ACE) 55 concede livre comércio apenas ao setor automotivo e mitigaria parte relevante dos impactos, com 100% de preferência para 59,8% do valor afetado (cerca de US$ 1 bi). Beneficiam-se sobretudo veículos automotores (67,4%), borracha e plásticos (17,5%) e máquinas e equipamentos (10,7%). Já o ACE 53 oferece preferências 100% para apenas três produtos da medida mexicana (sabões e pasta de dente), que representaram US$ 10,5 milhões em exportações ao México em 2024.  

Pelos cálculos da CNI, se a medida proposta pelo governo mexicano avançar, US$ 688,9 milhões em exportações brasileiras não têm cobertura ou contam apenas com margens parciais do ACE 55 e do Acordo Regional de Preferência Tarifária Regional 4 (APTR 04), em geral, de 20%, reduzindo a competitividade brasileira. Entre os setores mais expostos estão veículos automotores (30,5%), químicos (15,9%), metalurgia (15,6%), borracha e plásticos (11,9%) e outros oito setores da indústria de transformação. 

Tecnologia catarinense digitaliza operação de aterros e pode reduzir custos em até 70%

Uma solução tecnológica desenvolvida ao longo de dois anos, com investimento total de R$ 1,5 milhão e apoio técnico do SENAI, pode transformar a operação de aterros de resíduos sólidos. A iniciativa foi vencedora do Prêmio Melhores do Ano de Santa Catarina, promovido pelo Project Management Institute (PMI-SC) e anunciado na última sexta (28), na categoria melhor projeto.

Concebido para substituir sistemas importados e de alto custo, o projeto passou por testes em 29 aterros nos estados de São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul e entregou uma solução com economia estimada de 70% em relação às alternativas disponíveis no mercado. 

De acordo com Wilian Zanatta, CEO da Wihex, com a digitalização, gestores conseguem visualizar dados instantâneos sobre vida útil dos aterros, comportamento do solo, eficiência do maquinário e necessidade de intervenção. “Isso foi um salto de maturidade para um setor que movimenta milhões de toneladas de resíduos anualmente”, avalia Zanatta.

O avanço foi possível graças à combinação de agricultura de precisão, automação de equipamentos e sistemas embarcados capazes de monitorar a movimentação, compactação, volume e produtividade dos aterros sanitários. A parceria entregou uma solução nacional, de alta complexidade, que melhora desempenho, amplia segurança e reduz custos, frisa o diretor regional do SENAI, Fabrízio Pereira. “Estamos falando de tecnologia aplicada diretamente ao aumento da eficiência operacional”, reforça.

Os aterros sanitários são fundamentais para manter as cidades funcionando, mas a gestão deles é muito complexa, lembra Brenda Macário, gestora de projetos do Instituto SENAI de Inovação em Sistemas Embarcados. “É preciso medir o volume de resíduos que chegam, acompanhar a compactação, monitorar a estabilidade do terreno e prevenir riscos ambientais. Grande parte desse trabalho ainda exige muito esforço, tempo e recursos. E, quando esses processos não são precisos, a vida útil do aterro reduz e a segurança de quem trabalha ali pode ser comprometida”, alerta.

Programa impulsiona soluções digitais
O salto tecnológico foi viabilizado pela chamada Smart Factory, categoria da Plataforma Inovação para a Indústria do SENAI, desenvolvida em parceria com o BNDES e a ABDI no âmbito do programa Brasil Mais Produtivo. Selecionada no edital, a Wihex recebeu aporte de R$ 800 mil para acelerar o desenvolvimento da tecnologia. 

“Quando o Smart Factory foi lançado, encaixou para nós como uma luva, do ponto de vista do apoio ao recurso, das aquisições de equipamentos de alto custo e também do acesso à equipe técnica que o SENAI tem em laboratórios e ensaios”, lembra o CEO da Wihex. A solução elevou significativamente o nível de maturidade tecnológica (TRL) de um sistema voltado ao monitoramento inteligente de aterros sanitários, consolidando um avanço importante para o setor de resíduos sólidos no país. 
 

Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina - FIESC
Gerência de Comunicação

Leilões Caixa: mais de 520 imóveis com até 76% de desconto

Quem está à procura de imóveis para comprar ainda este ano já pode se programar para participar dos leilões da Caixa, que acontecerão nos dias 03 e 09 de dezembro, a partir das 10h00, respectivamente. No total são 524 propriedades ofertadas por meio da plataforma Leilão VIP, com descontos que podem chegar a 76% do valor de avaliação inicial.

Entre os tipos de propriedades ofertadas estão apartamentos (340 unidades), casas (150), terrenos (30) e imóveis comerciais ou industriais (4), que podem ser arrematadas a partir de R$ 35.400,00. A distribuição por região e estado é a seguinte:

- Norte (10 imóveis): Acre – 1; Amazonas – 1; Pará – 5; Roraima – 1; Tocantins – 2.

- Nordeste (124 imóveis): Alagoas – 13; Bahia – 21; Ceará – 22; Maranhão – 4; Paraíba – 11; Pernambuco – 29; Piauí – 10; Rio Grande do Norte – 5; Sergipe – 9.
- Sul (55 imóveis): Paraná – 26; Rio Grande do Sul – 18; Santa Catarina – 11.

- Sudeste (261 imóveis): Espírito Santo – 5; Minas Gerais – 44; Rio de Janeiro – 77; São Paulo – 135.
- Centro-Oeste (74 imóveis): Goiás – 60; Mato Grosso do Sul – 6; Mato Grosso – 8.

 Entre os destaques do leilão, estão:

O imóvel de menor valor localiza-se na cidade de Lapão (BA). Trata-se de uma casa com 68 m² de área construída, 68 m² de área privativa e 122,18 m² de terreno, composta por três quartos, uma área de serviço, um banheiro, uma sala e uma cozinha. No primeiro leilão, o imóvel está avaliado em R$ 59.000,00, e no segundo leilão o valor cai para R$ 35.400,00.

A propriedade de maior valor fica em São Paulo (SP), no bairro Vila Nova Conceição. É um apartamento no Condomínio Upscale – Edifício Window, Bloco 01, com 198,49 m² de área privativa e três vagas de garagem. No primeiro leilão, o lance inicial é de R$ 5.360.000,00, enquanto no segundo leilão o valor sobe para R$ 12.802.401,48.

Já o imóvel com maior desconto é um terreno em Araçoiaba da Serra (SP), com 403,37 m² de área total e 1.047,47 m² de área do terreno. Ele apresenta uma redução de 76% em relação ao valor de avaliação. No primeiro leilão, está avaliado em R$ 1.240.904,27, e no segundo leilão o preço cai para R$ 299.561,78.

 Como participar

Para participar dos leilões da Caixa, os interessados devem acessar o site da Leilão VIP (www.leilaovip.com.br), realizar o cadastro e habilitar-se. Todas as informações detalhadas sobre os imóveis, condições de pagamento e regras de participação estão disponíveis na plataforma.

  SOBRE A LEILÃO VIP:

A Leilão VIP, integrante do Grupo VIP Leilões, é referência no mercado de leilões há mais de 25 anos, especializada na organização de leilões judiciais e extrajudiciais. Oferece oportunidades diversificadas de aquisição de imóveis, veículos e outros bens com descontos atrativos e condições facilitadas, como financiamentos e lances online. Com foco em transparência e inovação, permite que participantes de todo o Brasil e do mundo acessem seus eventos de forma segura e eficiente.

Itajaí entra no radar dos "yield hunters": boom demográfico, pouca oferta de aluguel e retornos acima da média

Com crescimento populacional de cerca de 44% em dez anos e uma economia diversificada com porto e comércio exterior, indústria e turismo náutico, Itajaí vive escassez de imóveis para locação e passa a atrair os "yield hunters", caçadores de renda que miram ativos com alto retorno. Na FipeZAP, a cidade soma alta de 9,78% nos últimos 12 meses (R$ 12.712/m²) e um mercado de aluguel com rentabilidade média nacional próxima de 6% a.a., combinação que sustenta demanda, reduz vacância e abre prêmio de retorno para o investidor.

 

Itajaí, no Litoral Norte catarinense, virou alvo do investidor “yield hunter”, o caçador de renda que mira ativos com alto retorno, por um combo raro: forte crescimento populacional, economia diversificada (porto, comércio exterior, indústria e turismo náutico) e um mercado de locação ainda apertado. Em dez anos, a cidade saiu da casa de 180 mil/200 mil habitantes para 264.054 no Censo 2022, avanço de cerca de 44%, um dos maiores do Sul, segundo o IBGE, o que pressiona a demanda por moradia e sustenta preços e aluguéis em alta. No recorte mais recente de venda residencial da FipeZap, Itajaí acumula alta de 9,78% em 12 meses, com preço médio de R$ 12.712/m², acima do índice nacional, de 6,83%. 

“Para o investidor de renda, o yield hunter, Itajaí é um caso atípico no Brasil: porto ativo com efeito multiplicador, indústria e serviços diversificados, turismo náutico em alta, parceria entre público e privado para acelerar novos projetos de infraestrutura e migração consistente que mantém a demanda por moradia pressionada. Esse conjunto gera vacância baixa e prêmio de rentabilidade, e tende a sustentar valorização no longo prazo, porque a economia local é sustentável e segue ascendente. Empreendimentos de alto padrão pensados em conforto para o usuário e em investidores que querem gerar renda com locação, com localização central, plantas eficientes e serviços que reduzem fricção, performam melhor nesse ambiente ao atender a demanda reprimida com produto adequado”, afirma Erivelto Saes, CEO da Saes empreendimentos, empresa que integra o Grupo Saes, com mais de 50 anos de atuação na cidade e que tem em seu portfólio mais de 1 milhão de m² construídos.

O apetite se explica também por um retrato macro do aluguel no país: a rentabilidade média anualizada do mercado residencial está perto de 6% ao ano, com algumas cidades acima disso,  um parâmetro que muitos investidores usam como base para novas compras. Em setembro, a Fipe apurou rental yield de 5,94% a.a. na média das cidades monitoradas, com várias praças acima de 6% a.a.

Em Itajaí, corretores e gestores relatam “fila de espera” por unidades bem localizadas, prontos para alugar ou em fase final de obra. A percepção é corroborada pelos números de preço: além da alta de 9,78% em 12 meses, Itajaí soma 7,65% em 2025 (acumulado no ano até outubro), ambos acima da inflação do período. Para o investidor de renda, o quadro combina: valorização do principal + aluguel recorrente + vacância baixa.

Na vitrine dos projetos que miram esse público, o Arbo 1755, da Saes Empreendimentos, está sendo erguido na Rua Heitor Liberato, eixo central com transporte público e ciclovia. O prédio oferece tipologias de 62 a 76 m² (1 suíte + 1 dormitório ou 2 suítes), áreas comuns com coworking, academia, espaços gourmets e rooftop, além de reuso de águas pluviais e LED nas áreas comuns. O enfoque, segundo a empresa, é o morador que busca “upgrade” e o investidor que mira liquidez de locação no centro administrativo e de serviços.

“Para quem persegue renda, a leitura é direta: demografia em alta desde 2010/2015, base econômica diversificada, estoque de locação curto nos bairros centrais e preços de venda ainda com upside, frente a praças catarinenses mais visíveis. No jargão dos fundos, Itajaí ‘fecha a conta’: yield competitivo hoje, com ótimo potencial de ganho de capital no médio prazo. É a equação favorita do yield hunter”, conclui Erivelto. 

Sobre o Grupo Saes

Com mais de 50 anos de atuação e mais de 1 milhão de m² construídos, o Grupo Saes é uma empresa catarinense de referência na construção civil, reconhecida pela solidez, inovação e qualidade técnica. O portfólio reúne empreendimentos residenciais em Itajaí, Camboriú, Itapema e Gaspar, por meio da Saes Empreendimentos, e o complexo logístico Ciway 470, pela empresa Ciway, em Navegantes. Em 2025, o grupo avança na expansão regional com projetos no Rio Grande do Sul (Gramado), alinhando arquitetura autoral, sustentabilidade e valorização urbana.
Site: https://www.saesempreendimentos.com.br/

Porto Belo lidera ranking das cidades que mais venderam imóveis no país nos últimos 90 dias

Levantamento da plataforma DWV, que monitora lançamentos e transações em tempo real, aponta uma redistribuição da demanda imobiliária no país, em que o litoral catarinense, ao lado de novas praças como João Pessoa e Curitiba, assume peso crescente nas decisões de compra e investimento. Nesse ambiente de concorrência acirrada por atenção e liquidez, a JH Marketing, liderada por Jordan Hang, tem apoiado construtoras e incorporadoras ao integrar dados, narrativa de marca e gestão comercial com inúmeros casos comprovados de vendas aceleradas e posições de destaque em mercados emergentes.

 

Nos últimos 90 dias, seis cidades brasileiras se destacaram pela velocidade de vendas de imóveis residenciais, segundo dados da DWV, plataforma nacional de inteligência que monitora lançamentos e transações imobiliárias em tempo real. O topo do ranking ficou com Porto Belo (SC), que registrou 1.058 unidades comercializadas no período, à frente de Itapema (728), Itajaí (628), Curitiba (587), Balneário Camboriú (192) e João Pessoa (156).

Embora tenha menos habitantes e área reduzida em comparação a outros polos imobiliários, Porto Belo tem consolidado uma trajetória que une turismo, segunda moradia e uma nova geração de empreendimentos próximos ao mar voltados ao alto padrão. O volume de 1.058 unidades vendidas em apenas três meses indica um mercado com forte liquidez e apetite do comprador, especialmente em projetos situados perto da orla e em eixos que se conectam às principais praias e serviços da região.

Para o especialista em marketing e gestão imobiliária Jordan Hang, CEO da JH Marketing, os números de Porto Belo funcionam como um termômetro das mudanças em curso no mapa dos investimentos.

“Porto Belo é um exemplo de como a combinação entre planejamento urbano, bons produtos e leitura precisa de demanda pode reposicionar uma cidade no radar nacional. Há poucos anos, ela era vista quase exclusivamente como extensão de outros destinos do litoral norte catarinense. Hoje, passa a ser protagonista em volume de vendas, com ticket médio crescente e projetos que competem em padrão com mercados já consolidados”, afirma Hang.

Segundo ele, que presta consultoria para empreendimentos de peso de construtoras em todo o Sul do país e que acumula uma série de casos de sucesso de alavancagem de vendas em tempo recorde, o desempenho recente de Porto Belo também expõe uma ruptura no modo como construtoras e incorporadoras estruturam lançamentos.

“O jogo deixou de ser apenas ‘lançar bem localizado’ e virou ‘lançar com estratégia de marca, narrativa consistente e operação comercial altamente técnica’. Em mercados muito competitivos, como o litoral catarinense, quem não integra dados, comunicação e força de vendas tende a perder velocidade e margem. Cidades como Porto Belo e Itajaí mostram que, quando o produto certo encontra a mensagem certa e o preço certo, a absorção acontece em janelas de tempo cada vez menores”, avalia Hang, que neste e no próximo ano deve acumular R$ 2 bi em VGV sob a sua gestão.

A JH Marketing, fundada há quatro anos em Santa Catarina, tem atuado nos bastidores dessa transformação. A empresa trabalha com um modelo baseado em alta performance: só é remunerada quando o cliente vende. Nos últimos anos, a consultoria participou de lançamentos que tiveram todas as unidades comercializadas em poucos dias e registraram aumentos relevantes no Valor Geral de Vendas (VGV) após reposicionamento de marca e ajustes de estratégia comercial.

Hang afirma que o papel de empresas especializadas em gestão de marketing e vendas ganhou peso em um cenário em que o volume de lançamentos cresce, mas a atenção do comprador não acompanha na mesma proporção.

“O Brasil vive um momento em que várias cidades disputam o mesmo investidor, o mesmo comprador de segunda moradia e o mesmo fundo. Em vez de competir apenas em preço, as empresas que estão na frente — em Porto Belo, Itapema, Curitiba, João Pessoa — aprenderam a construir percepção de valor. Isso passa por desenhar o produto certo para aquele território, precificar com base em dados e criar uma história que faça sentido para o público. Quando isso acontece, a velocidade de vendas deixa de ser acaso e passa a ser método”, diz.

No litoral de Santa Catarina, a liderança de Porto Belo não ocorre de forma isolada. Conforme o estudo da plataforma e que também serve como um dos inúmeros indicadores para as análises de Hang,  Itapema, com 728 imóveis vendidos no período, mantém uma forte presença de lançamentos sofisticados que atraem investidores de todo o país, enquanto Itajaí, com 628 unidades, combina um mercado sólido, ancorado na economia portuária, a bairros emergentes que passam por um ciclo intenso de verticalização e valorização. Balneário Camboriú, apesar do número absoluto menor (192 unidades), segue com o metro quadrado mais valorizado do Brasil e confirma sua força no segmento de altíssimo padrão.

Fora do eixo catarinense, Curitiba aparece com 587 unidades vendidas, o que reflete um mercado mais maduro e diversificado, com produtos que vão de studios compactos a empreendimentos familiares em bairros consolidados. Já João Pessoa, com 156 unidades, simboliza a curva de crescimento constante do Nordeste, impulsionada por projetos modernos, voltados tanto a moradores locais quanto a compradores de outras regiões em busca de valorização e qualidade de vida em cidades litorâneas ainda com espaço para expansão.

Para o mercado imobiliário, o recado é duplo: por um lado, confirma a força do litoral catarinense em valorização; por outro, mostra que capitais consolidadas e novas fronteiras de expansão, como João Pessoa, também podem disputar espaço desde que combinem projeto, planejamento e inteligência comercial. Porto Belo, a “pequena gigante” do ranking, é símbolo desse novo ciclo.

Sobre a JH Marketing

A JH Marketing é uma empresa brasileira especializada em gestão estratégica de lançamentos imobiliários, com foco em atender construtoras e incorporadoras para aumentar a performance e a valorização da marca. Fundada por Jordan Hang, referência nacional em marketing e vendas, a empresa desenvolve planos personalizados que integram planejamento de alta complexidade, com soluções que envolvem a tecnologia e o humano.  Atuam  desde a concepção do produto até o posicionamento no mercado. Reconhecida por sua metodologia e sistemas exclusivos, a JH Marketing transforma empreendimentos em marcas desejadas e rentáveis.

Governo Federal Reduz Projeção do Salário Mínimo para 2026; saiba qual é o novo valor

O governo federal revisou para baixo a projeção do salário mínimo de 2026. A nova estimativa, enviada pelo Ministério do Planejamento e Orçamento (MPO) ao Congresso, indica que o piso deve ficar em R$ 1.627, quatro reais abaixo da previsão anterior, de R$ 1.631.

A atualização consta dos documentos que subsidiam a análise do projeto de Orçamento do próximo ano e reflete a nova expectativa para a inflação — um dos principais componentes da fórmula de reajuste anual do piso nacional. Com a recente desaceleração dos preços, o índice deve encerrar 2025 abaixo do previsto, levando à redução da projeção.

Em nota, o MPO explicou que a estimativa “reflete variação nos parâmetros, e o valor definitivo só será conhecido no início do ano”, após a divulgação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) em 10 de dezembro. O INPC é a base usada para calcular o reajuste do salário mínimo.

O salário mínimo serve de referência para uma série de despesas federais, como aposentadorias, pensões, seguro-desemprego e abono salarial. Uma projeção mais baixa tende a aliviar esses gastos, mas o impacto final depende do número de beneficiários e da dinâmica de entrada e saída nos programas.

O Ministério do Planejamento reforçou ainda que caberá ao Congresso avaliar possíveis ajustes durante a tramitação do Orçamento. As estimativas poderão ser revisadas novamente ao longo de 2026, conforme as avaliações bimestrais previstas na legislação fiscal.

Apesar da redução, o valor final não deve se distanciar muito da nova projeção. A fórmula de correção considera a inflação acumulada em 12 meses até novembro e o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), mas o reajuste possui um limite: até 2,5% acima da inflação, conforme determina o arcabouço fiscal.

Com a divulgação do INPC nos próximos dias, o novo salário mínimo deve ser confirmado e incorporado à versão final do Orçamento aprovado pelo Congresso.

STF não retira proteção do passageiro; direitos continuam válidos, alerta advogada
A decisão do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), publicada na última quarta-feira (26), provoca dúvidas entre passageiros e consumidores quanto aos seus direitos nos casos de disputas judiciais contra companhias aéreas. Toffoli determinou a suspensão de processos que discutem atrasos ou cancelamentos de voo relacionados exclusivamente a caso fortuito externo, ou seja, situações imprevisíveis e inevitáveis, como condições climáticas severas, falhas de infraestrutura aeroportuária ou determinações de autoridades públicas. Porém, a suspensão não se aplica à totalidade das ações contra companhias aéreas em tramitação no país.
 
De acordo com a advogada Aline Heiderich, especialista em Direito do Passageiro Aéreo e representante do autor do processo que originou o recurso analisado pelo Supremo, continuam tramitando normalmente as ações relacionadas a overbooking, falhas internas, problemas mecânicos, falta de tripulação e cancelamentos injustificados.
 
Também seguem amparadas pelo Código de Defesa do Consumidor e pela Resolução 400 da ANAC as ações que tratam de alterações unilaterais de voo, desorganização operacional, negativa de assistência e outras situações decorrentes da operação regular das companhias aéreas.
“Os direitos do passageiro permanecem absolutamente íntegros nos casos em que a falha decorre da própria empresa. A suspensão atinge apenas os processos que discutem eventos totalmente alheios à operação da companhia”, afirma Heiderich.
 
O que originou o processo?
 
O caso específico que chegou ao STF envolve a Azul Linhas Aéreas, que alegou que uma queimada na região da Floresta Amazônica teria impedido o prosseguimento de um voo que seria realizado no mês de agosto de 2025, do aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro, ao aeroporto de Corumbá, no Mato Grosso do Sul. 
 
A justificativa, de acordo com a Dra. Aline Heiderich, não se comprovou. Segundo a advogada, o juiz do Rio de Janeiro entendeu que a empresa não demonstrou tecnicamente que o suposto incêndio inviabilizou a operação e, por isso, manteve a responsabilidade da companhia. Antes do processo chegar ao STF, a Azul tinha sido condenada pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro a indenizar o passageiro em R$ 8 mil por danos morais, além de reembolsar despesas com alimentação. 
 
No processo consta ainda que, ao optar por transportar os passageiros por via terrestre, a empresa deveria ter garantido condições adequadas e seguras, o que, de acordo com o autor da ação, não ocorreu, pois o ônibus fornecido estaria em situação precária, ponto que reforçaria a responsabilidade da companhia mesmo diante de alegações de força maior.
 
Entenda a discussão
 
A advogada explica que o ponto central da discussão jurídica é a distinção entre fortuito externo e fortuito interno. O fortuito externo envolve situações totalmente alheias à atividade da companhia, como tempestades severas, queimadas ou falhas estruturais do aeroporto, e é justamente esse grupo de casos que está temporariamente suspenso, até que o STF defina qual legislação deve prevalecer, se o Código Brasileiro de Aeronáutica, que limita a indenização em algumas hipóteses excepcionais, ou o Código de Defesa do Consumidor, que garante reparação integral.
 
Já o fortuito interno refere-se a problemas que decorrem da própria operação da companhia aérea, como manutenção, troca de aeronave, atrasos por logística interna, ausência de equipe e demais falhas previsíveis ou controláveis. Em todas essas hipóteses, a responsabilidade permanece integral e não há qualquer suspensão determinada pelo STF, segundo a advogada.
 
O que muda com a decisão do STF
 
Aline Heiderich reforça que os passageiros continuam protegidos. Quem enfrentar hoje um cancelamento injustificado, atraso por falha operacional, overbooking ou extravio de bagagem segue plenamente amparado pela legislação. A assistência material também continua obrigatória, mesmo nos casos de fortuito externo, e inclui comunicação, alimentação, hospedagem e reacomodação sempre que necessário. “Nada mudou para o passageiro no dia a dia. Se houve falha da companhia, os direitos seguem exatamente os mesmos. A suspensão não retira nenhuma garantia e não paralisa a maioria das ações que já tramitam”, enfatiza.
 
Processos suspensos, mesmo com admissão das falhas
 
Apesar de a decisão do STF não suspender todos os casos, o efeito imediato já começa a gerar confusão. A advogada Aline Heiderich relata que, apenas na última sexta-feira, 28/11, processos nos estados do Piauí, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, em que as companhias aéreas admitiram as falhas ocorridas na prestação de serviços ao passageiro, foram suspensos de maneira equivocada, e cita genericamente o entendimento do STF sem distinguir entre fortuito externo e problemas operacionais internos.
 
Momento atual
 
Agora, o STF analisará qual regime jurídico deve prevalecer especificamente nos casos excepcionais de fortuito externo. Até lá, todas as demais ações continuam em curso normal. Para a advogada Aline Heiderich, o mais importante é que o consumidor não deixe de exercer seus direitos por receio ou por interpretações equivocadas da decisão. “É essencial que a população compreenda que somente uma pequena parcela dos processos foi suspensa. Todo o restante continua tramitando, e o passageiro permanece totalmente protegido contra abusos e falhas operacionais das companhias aéreas”, finaliza.
  
 
Aline Heiderich Bastos é advogada, empresária, mentora e influenciadora digital. Fundadora do maior escritório de defesa do passageiro aéreo do Brasil, já conquistou vitórias judiciais para mais de 15 mil viajantes. Com mais de 400 mil seguidores no Instagram @dra.consumidor, é reconhecida pela linguagem direta e acessível, que traduz o direito do consumidor de forma simples e sem juridiquês. Seu lema é: “ensinar trem difícil de forma fácil”.
 
Pós-graduada pela PUC-Rio e com 15 anos de experiência na área, Aline também comanda o escritório Meu Dano Moral, especializado em casos de problemas de consumo, como compras não entregues, cobranças indevidas e interrupções de serviço. Seu time é formado por mais de 50 advogadas, compondo uma equipe 100% feminina. Além da atuação jurídica, Aline é mentora de advogadas que desejam trilhar o mesmo caminho de crescimento e autoridade no direito do consumidor. Já participou de diversos podcasts e programas de televisão, como o Jornal da Record e o Sem Censura (TV Brasil).
 
 
 
Editora Bittencourt