
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) demonstra preocupação com o recuo na assinatura do Acordo Mercosul-União Europeia, após mais de 25 anos de negociações, mas acredita que ainda há espaço para diálogo e espera que as condições políticas necessárias para a assinatura sejam construídas até o início do próximo ano. A expectativa era de que o tratado fosse formalizado neste sábado (20), durante a 67ª Cúpula dos Chefes de Estado do Mercosul, mas a ausência de consenso entre os países europeus adiou a conclusão de um acordo considerado estratégico para a economia dos países envolvidos.
Com benefícios a ambos os blocos, o texto negociado reflete um equilíbrio relevante entre interesses econômicos, sociais e ambientais e permanece como uma base sólida para a conclusão do processo. Para a indústria brasileira, a entrada em vigor do acordo representa uma oportunidade de ampliar a inserção internacional do país, atrair investimentos, estimular ganhos de produtividade e fortalecer a competitividade. Só em 2024, a cada R$ 1 bilhão exportado do Brasil para a UE foram criados 21,8 mil empregos, movimentados R$ 441,7 milhões em massa salarial e outros R$ 3,2 bilhões em produção.
“Adiar a assinatura do acordo neste momento é motivo de frustração, especialmente diante do longo histórico de negociações, mas esperamos que o empenho em firmar essa parceria seja mantido para que o processo seja concluído o quanto antes, em benefício de uma integração econômica do Mercosul com a União Europeia”, avalia o presidente da CNI, Ricardo Alban.
A CNI atua de forma contínua e estratégica em defesa do acordo, especialmente por meio da Coalizão Empresarial Brasileira (CEB), que reúne entidades representativas de diversos setores da economia e tem contribuído para a construção de consensos e propostas equilibradas.
É preciso manter agenda ativa de inserção internacional
Diante do adiamento, a CNI destaca a importância de o Brasil seguir avançando na agenda de inserção internacional, tanto com a UE quanto com outros parceiros estratégicos. A celebração de acordos comerciais continua sendo um instrumento fundamental para ampliar exportações, reduzir barreiras, aumentar a previsibilidade regulatória e fortalecer a competitividade das empresas brasileiras.
Nesse cenário, ganham ainda mais relevância as negociações em andamento com países como Canadá e México e o lançamento de negociações com parceiros da América Central e o Reino Unido, além do aprimoramento de acordos já existentes. Para a indústria, é essencial que o Brasil adote uma estratégia pragmática e consistente de diversificação de mercados, ampliando sua participação no comércio internacional e reduzindo vulnerabilidades externas.
Acordo é importante para previsibilidade e investimentos
Além dos benefícios comerciais, o acordo Mercosul-UE estabelece regras modernas em áreas como desenvolvimento sustentável, propriedade intelectual, facilitação de comércio e normas sanitárias, contribuindo para um ambiente de negócios mais previsível e alinhado às melhores práticas internacionais. O documento prevê, ainda, oferta de cooperação científica e tecnológica da UE para os países do Mercosul que pode se traduzir em projetos conjuntos de P&D em áreas de fronteira, como tecnologias de captura de carbono, uso industrial de C02, reciclagem e reuso de baterias e minerais críticos.
A União Europeia é o principal investidor estrangeiro no Brasil, respondendo por 31,6% do estoque de investimento produtivo externo em 2023, o equivalente a US$ 321,4 bilhões. Já o Brasil é o maior investidor latino-americano no bloco. Esse vínculo reforça a importância de concluir o acordo e aprofundar uma relação econômica sólida e madura.
Parceria Brasil-União Europeia permanece estratégica
Em 2024, o bloco da União Europeia respondeu por 14,3% das exportações brasileiras (US$ 48,2 bilhões) e por 17,9% das importações (US$ 47,2 bilhões), se consolidando como o segundo principal parceiro comercial do país.
A indústria é um pilar central dessa relação. Em 2024, 98,4% das importações brasileiras vindas da UE foram de produtos da indústria de transformação, essenciais para o acesso a insumos, tecnologias e bens de maior valor agregado. Nas exportações brasileiras ao bloco, 46,3% foram bens industriais. Apesar de ser uma participação relevante, a indústria de transformação vem perdendo espaço nas exportações brasileiras para o bloco europeu, cenário que pode ser revertido com o acordo.
Por Camila Vidal
Muito além da folia, o Carnaval brasileiro impulsiona uma ampla cadeia de pequenos negócios criativos apoiados pelo Sebrae, que atuam na produção de fantasias, adereços, moda autoral e na customização de abadás. Considerada um dos principais motores da economia criativa do país, a festa gera renda, empregos temporários e oportunidades de empreendedorismo em diferentes territórios, além de aquecer setores como turismo, comércio e serviços.
De acordo com levantamento do Mercado das Indústrias Criativas do Brasil (MICBR), vinculado ao Ministério da Cultura, a economia criativa responde por 3,11% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional e emprega cerca de 7,5 milhões de pessoas em mais de 130 mil empresas formalizadas. Segmentos como artes visuais, moda autoral, design, audiovisual, música, e artes cênicas integram esse ecossistema que ganha ainda mais força durante o período carnavalesco.
Além do impacto econômico direto, o Carnaval também tem estimulado práticas mais sustentáveis entre empreendedores criativos. A reutilização de materiais, a customização de peças antigas e o uso de insumos recicláveis em fantasias e adereços vêm ganhando espaço, fortalecendo modelos de negócio alinhados à economia circular. Glitter biodegradável, tecidos reaproveitados e acessórios feitos a partir de resíduos têxteis já fazem parte da rotina de muitos pequenos produtores.
Economia criativa transforma a folia em oportunidade
Para o Sebrae, investir na profissionalização desses empreendedores é essencial para garantir que a festa continue sendo não apenas um espetáculo cultural, mas também uma poderosa engrenagem de desenvolvimento econômico e social.
O Carnaval é uma engrenagem estratégica da economia criativa brasileira. “O evento é de extrema importância para a economia criativa e, consequentemente, para os empreendedores do setor, porque envolve diretamente toda a cadeia produtiva. Estamos falando das fantasias, da dança, do enredo, da criatividade, da criação dos desfiles, sem contar o impacto positivo no turismo, nas hospedagens, bares, restaurantes e nos serviços em geral”, afirma Denise Marques, analista de Economia Criativa do Sebrae Nacional.
Segundo ela, a instituição oferece diversas soluções para apoiar os empreendedores criativos, como programas de capacitação, conteúdos digitais, ferramentas de gestão e aplicativos voltados para o microempreendedor individual.
"O Sebrae atua para fortalecer esses pequenos negócios, ajudando na gestão, na formalização e na ampliação de mercado." Denise Marques, analista de Economia Criativa do Sebrae
Um estudo da plataforma de comércio eletrônico Nuvemshop aponta que micro e pequenas empresas que vendem produtos para o Carnaval online faturaram R$ 2,7 milhões entre 1º de janeiro e 25 de fevereiro de 2025, um crescimento de 32% em relação ao mesmo período de 2024. Foram vendidos mais de 81 mil itens, volume 10% maior que do ano anterior.
Os acessórios lideraram as buscas, com destaque para brincos, bandanas e tiaras. Já a categoria “fantasia” superou R$ 700 mil em vendas, alta de 29%. Os abadás chamaram atenção pelo crescimento expressivo: o número de unidades comercializadas aumentou 3.000%.
Exemplos de sucesso diretamente de Brasília, do Rio de Janeiro e de Salvador mostram como o Carnaval é capaz de impulsionar pequenos negócios criativos em diferentes regiões do país, fortalecendo a economia local, promovendo sustentabilidade e valorizando a cultura brasileira.
Moda sustentável ganha espaço na folia
Em Brasília (DF), a empreendedora Giovana Dachi comanda a Gia Dachi Carnaval, marca que nasceu em 2017 — inicialmente com o nome Parangolés — com a proposta de criar roupas autorais que pudessem ser usadas para além dos dias de festa. Pioneira no uso de práticas sustentáveis no Carnaval, a marca aposta no upcycling e no reaproveitamento de tecidos descartados por grandes produções e pequenas confecções locais.
“O foco sempre foi trabalhar com retalhos selecionados, com bom acabamento e durabilidade. Começamos priorizando a compra de sobras têxteis e, com o tempo, toda a produção passou a ser feita a partir de descarte de tecido”, explica Giovana, formada em moda.
Ela destaca o crescimento do Carnaval da capital federal e o aumento da procura por peças autorais com viés sustentável. “É perceptível como a identidade carnavalesca de Brasília vem se consolidando, com consumidores buscando cada vez mais produtos criativos e conscientes. Estamos construindo essa cultura e sou entusiasta desse movimento”, afirma.
Ao longo da trajetória, a empreendedora contou com orientações do Sebrae para estruturar melhor a gestão do negócio, conciliando a criação artística com práticas empresariais.
Adereços autorais valorizam cultura popular
No Rio de Janeiro (RJ), o artesão Antenor Júnior, do ateliê Santuário Relicário, atua há 17 anos na produção de adereços voltados principalmente para os blocos de rua. Natural de Pernambuco, ele se inspira na cultura popular brasileira, com referências ao maracatu, frevo, Bumba Meu Boi e às tradições nordestinas.
“Criei a marca com o objetivo de valorizar e divulgar a cultura popular brasileira em todos os sentidos. No Carnaval, senti a dificuldade das pessoas encontrarem peças originais, que fugissem do industrializado, e resolvi oferecer esse diferencial”, conta.
Assistido pelo Sebrae Rio, Antenor afirma que as mentorias ajudaram no posicionamento da marca, na precificação e na gestão do negócio. Além disso, o artesão incorporou práticas sustentáveis ao reaproveitar materiais de fantasias antigas e peças doadas por clientes, transformando o que seria descartado em novos produtos criativos.
“O Carnaval é uma grande vitrine. É nesse período que muita gente conhece minha marca e continua comprando ao longo do ano, seja para festas juninas, peças religiosas ou coleções temáticas”, explica.
Customização de abadás gera renda e pertencimento cultural
Em Salvador (BA), a empreendedora Najara dos Santos Souza é fundadora da N Black – Moda Afrobrasileira, criada em 2005 após ela sofrer racismo em uma entrevista de emprego e decidir empreender por conta própria. Inicialmente voltada para bijuterias, a marca evoluiu para a moda autoral com foco em identidade, representatividade e criatividade.
Durante o Carnaval, Najara também se destaca com o serviço de customização de abadás, transformando as peças em criações exclusivas. “Muitas vezes, em dez dias de Carnaval conseguimos faturar o que levaríamos dois ou três meses para alcançar. Além disso, geramos emprego e renda para costureiras, artesãs e pequenos ateliês da comunidade”, afirma. A empreendedora destaca que a customização vai além do aspecto econômico.
É uma forma de pertencimento cultural. As pessoas querem sair bonitas, com a cara da folia, com uma peça única. Isso faz parte da identidade visual do Carnaval de Salvador.
Najara dos Santos Souza, empreendedora
Com práticas sustentáveis incorporadas à produção, Najara reaproveita retalhos e materiais, destinando sobras para artesãs que produzem acessórios e outros itens. Parceira do Sebrae desde 2012, ela afirma que os cursos e orientações em gestão, precificação e planejamento foram fundamentais para o fortalecimento do negócio.


A Caderneta de Poupança registrou retirada líquida de R$ 23,5 bilhões em janeiro, segundo dados divulgados nesta sexta-feira (6) pelo Banco Central. Apesar do resultado negativo, o volume de saques foi 10,3% menor do que o registrado no mesmo mês de 2025, quando a saída líquida de recursos somou R$ 26,2 bilhões.
No mês passado, os depósitos totalizaram R$ 331,23 bilhões, enquanto os resgates alcançaram R$ 354,74 bilhões, o que resultou no saldo negativo. De acordo com o Banco Central, janeiro não apresenta entrada líquida de recursos na poupança desde 2014.
Com o desempenho de janeiro, o estoque total aplicado na caderneta recuou. O volume de recursos depositados caiu de R$ 1,022 trilhão em dezembro para R$ 1,005 trilhão no fim de janeiro. Ainda assim, os rendimentos creditados aos poupadores no período somaram R$ 6,4 bilhões.
A rentabilidade da poupança varia conforme o patamar da taxa básica de juros, a Selic. Quando a taxa está acima de 8,5% ao ano, o rendimento é de 0,5% ao mês, acrescido da Taxa Referencial (TR). Já quando a Selic fica igual ou abaixo de 8,5% ao ano, a remuneração passa a ser de 70% da Selic, também mais a TR.
Esse modelo de cálculo foi implementado em 2012 com o objetivo de evitar que a poupança se tornasse mais atrativa do que outros investimentos em períodos de juros baixos, o que poderia interferir na condução da política monetária.
O Senac Santa Catarina apresenta sua mais nova unidade móvel de Tecnologia da Informação e Gestão, um espaço educacional sobre rodas criado para levar conhecimento, inovação e tecnologia para diferentes regiões catarinenses, especialmente as mais afastadas das faculdades de Tecnologia e centros educacionais do Senac.
Com 15 metros de comprimento, 4,20 metros de altura com capacidade de extensão lateral automatizado para cerca de 62 metros quadrados, a carreta oferece a infraestrutura de um laboratório tecnológico completo, equipado para atender cerca de 20 pessoas sentadas, em cursos, feiras, ações comunitárias, eventos educacionais e programas em parceria com municípios e instituições locais.
“Entregamos à população mais uma unidade móvel, com estrutura preparada para oferecer diversas capacitações e demonstrar toda a competência do Senac na educação profissional. Além dessa, possuímos mais duas unidades: uma de Gastronomia, recém-adquirida e outra de Açougue e Panificação, recentemente reformada, que estão circulando por toda Santa Catarina”, comemora o Diretor Regional do Senac, Fabiano Battisti Archer.
Ambiente inovador com tecnologia de ponta
Pensada como um laboratório móvel, a nova unidade reúne recursos que permitem vivências práticas em áreas como programação, computação gráfica, criação digital, segurança de dados, impressão 3D, realidade virtual, inteligência artificial, drones, design, audiovisual e diversas outras frentes estratégicas da tecnologia contemporânea.
“É mais uma conquista para o Senac. A unidade móvel é mais do que um veículo, é um hub de conectividade itinerante que concretiza a nossa missão de fazer a tecnologia circular e oferecer soluções para os problemas onde eles realmente acontecem. Demonstra todo o nosso compromisso com a sociedade em ampliar as possibilidades na área de TI”, diz Juliano Vieira, coordenador do Eixo de Tecnologia da Informação do Senac.
A carreta possui infraestrutura completa para acolhimento dos estudantes, com climatização de alta capacidade, elevador para Pessoa com Deficiência (PCD), iluminação em LED e persianas para controlar a luminosidade, permitindo a criação de cenários diversos, bancadas de trabalho, mesas modulares em diferentes formatos e armários para organização dos equipamentos.
Entre os equipamentos embarcados estão:
“Com projeto elaborado pelo Departamento Nacional, cada detalhe foi planejado para garantir segurança, conforto e funcionalidade, acompanhando os rigorosos padrões técnicos do Senac”, garante Diego Casasanta Mostaço, Analista de Patrimônio do Senac, responsável técnico pelo recebimento, conferência e montagem da unidade móvel.


Fotos: Divulgação/SIE
Obra integra o Programa Estrada Boa e já alcança 25% de execução em um dos trechos mais aguardados do Norte catarinense
A duplicação da SC-108 entre Guaramirim e Massaranduba, uma das obras rodoviárias mais esperadas pela população do Norte de Santa Catarina nas últimas décadas, segue em ritmo contínuo dentro do Programa Estrada Boa, o maior conjunto de investimentos rodoviários da história do Estado.
O trecho em obras compreende 15,15 quilômetros de extensão, iniciando no km 32+400 e se estendendo até o km 47+550. O investimento contratado é de R$ 238.467.067,04, consolidando a importância estratégica da rodovia para a mobilidade regional, o escoamento da produção industrial e agrícola e a segurança dos usuários.
Atualmente, a obra registra aproximadamente 25% de execução global, com frentes de trabalho distribuídas ao longo do traçado. Os principais avanços por etapa são:
Terraplenagem: 65% concluída
Pavimentação: 15% executada
Drenagem: 17% realizada
Obras de Arte Correntes (bueiros, galerias e dispositivos estruturais): 40% concluídas
Os serviços de terraplenagem, que representam uma das fases mais complexas da duplicação, estão em estágio avançado, permitindo a preparação das plataformas que receberão as novas pistas. Paralelamente, as equipes atuam na implantação dos sistemas de drenagem, fundamentais para a durabilidade do pavimento e a segurança viária, além da execução de dispositivos estruturais ao longo do trecho.
Para o secretário da Infraestrutura e Mobilidade, Jerry Comper, a obra simboliza uma virada de padrão nos investimentos rodoviários do Estado.
“A duplicação da SC-108 é uma resposta concreta a uma demanda histórica da região. Estamos falando de um corredor estratégico para a indústria, para o agronegócio e para milhares de trabalhadores que utilizam essa rodovia todos os dias. O Programa Estrada Boa veio justamente para tirar do papel obras estruturantes como esta, com planejamento, responsabilidade técnica e foco em segurança viária e desenvolvimento regional”, destaca o secretário.
A duplicação da SC-108 representa um marco para o Norte catarinense, atendendo a uma reivindicação que se arrasta há mais de 25 anos. A rodovia é eixo fundamental de ligação entre municípios industriais e polos logísticos, além de integrar rotas que conectam o Vale do Itapocu ao Médio Vale do Itajaí.
Com o Programa Estrada Boa, o Governo de Santa Catarina promove uma transformação sem precedentes na malha rodoviária estadual, priorizando obras estruturantes, ampliação de capacidade, restaurações profundas e elevação dos padrões de segurança. A duplicação da SC-108 entre Guaramirim e Massaranduba é um dos exemplos mais emblemáticos desse novo ciclo de investimentos.
Por Camila Vidal
O mercado pet continua aquecido no país. Entre os anos de 2023 e 2025, houve um aumento de 22% no número de pequenos negócios criados para atender diversos tipos de tutores de animais. Apenas nesse período foram abertos mais de 41,6 mil pequenos negócios desse segmento, de acordo com levantamento do Sebrae feito com base nos dados da Receita Federal. Em 2023, foram 12,7 mil aberturas. Já em 2024, 13,3 mil e, em 2025, 15,5 mil. Desse total, cerca de 91% são microempreendedores individuais (MEI).
Uma das justificativas para esse aumento é o crescimento anual de 2,5% de donos de gatos, que cuidam de uma população de aproximadamente 30 milhões de felinos e já se consolidam como o segmento pet que mais cresce no país.
De acordo com a Abras (Associação Brasileira de Supermercados), o mercado pet brasileiro movimenta cerca de R$ 77 bilhões, com forte avanço nas categorias premium e especializadas, e o número de gatos no Brasil já representa 19% da população pet nacional, com crescimento superior ao de cães nos últimos anos. O dia 17 de fevereiro é comemorado como o Dia Internacional do Gato.
O cenário abre oportunidades estratégicas para micro e pequenos negócios especializados em produtos premium, serviços cat friendly, bem-estar animal e soluções criativas voltadas ao público “gateiro”. Para o Sebrae, esse contexto reforça o protagonismo dos pequenos empreendedores no setor.
" O pequeno pet shop de bairro não é coadjuvante, ele é protagonista, pois consegue conquistar mercado e pulverizar oportunidades, com inclusão e novas oportunidades." Décio Lima, presidente do Sebrae
Diferenciais competitivos
O Sebrae atua como parceiro estratégico do setor pet desde 2015, com foco crescente no segmento felino. “O Sebrae está presente em todo país para dar apoio na gestão eficiente, padronização de processos, capital humano e estímulo às oportunidades”, afirma o presidente do Sebrae.
Entre as frentes de apoio estão as trilhas de capacitação em finanças, precificação, controle de estoque, marketing digital e gestão estratégica, além de orientações específicas para negócios cat friendly. O Sebrae explica que o tutor de gatos tem hábitos de consumo muito distintos. Ele busca ambientes tranquilos, atendimento especializado e um mix de produtos pensado para o bem-estar do animal.
A chamada “ascensão felina” está associada à verticalização das cidades e à mudança no estilo de vida das famílias. Estudos acompanhados pelo Sebrae, em parceria com instituições como o Instituto Pet Brasil (IPB) e a Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Animais de Estimação (Abinpet), indicam crescimento contínuo nas categorias de alimentação funcional, saúde preventiva, enriquecimento ambiental e produtos premium para gatos.
Empreendedorismo na prática
Em Brasília, a empresária Mariana Eduarda Brod, proprietária do Betina Cat Café, acompanha de perto essa transformação. Referência na capital federal, o empreendimento aposta em um modelo de negócio totalmente voltado ao público gateiro, oferecendo uma experiência imersiva de convivência com gatos e campanhas de adoção.
"O mercado cresce ano após ano. As pessoas estão adotando mais gatos, e aquele antigo preconceito de que o gato não é companheiro está ficando para trás." Mariana Eduarda Brod, empresária
Segundo ela, o foco exclusivo em felinos se tornou diferencial competitivo. “O gateiro se sente representado. Aqui é um espaço pensado só para quem ama gatos. Isso cria identidade, pertencimento e fidelização”, diz.
Além do conceito, o negócio também integra práticas sustentáveis, como uso de granulado sanitário biodegradável, redução de plástico, embalagens de papel e apoio a projetos de reciclagem e castração de animais de rua. “A causa animal, a sustentabilidade e o empreendedorismo caminham juntos”, destaca.
Especialização como estratégia
Já em São Paulo, o empresário Décimo Baccarini Neto, fundador da Raça & Ração, atua há 21 anos no mercado pet e vê o segmento felino como uma das maiores oportunidades atuais. “O tutor de gatos está mais informado, mais exigente e disposto a investir em qualidade. Por isso, a especialização virou estratégia de crescimento”, afirma.
O negócio investe em orientação técnica, curadoria de produtos voltados ao bem-estar animal e práticas sustentáveis, como o uso de energia solar e a reciclagem de embalagens, acompanhando a crescente demanda do mercado felino por qualidade, responsabilidade ambiental e atendimento personalizado. Para a empresa, a profissionalização da gestão e o apoio institucional são decisivos para transformar a paixão por animais em um negócio sustentável e preparado para crescer.
O uso de energia solar, reciclagem de embalagens e fornecedores alinhados a boas práticas ambientais também fazem parte do cotidiano da empresa. “No atendimento ao público felino, esse cuidado é ainda mais valorizado. Sustentabilidade deixou de ser discurso e virou diferencial competitivo”, observa Neto.


Por Rafael Baldo
Atenção, microempreendedores individuais (MEIs) interessados em prestar serviços para órgãos públicos. O Sebrae oferece conteúdos exclusivos para ampliar as chances de conseguir contratos pela plataforma Contrata+Brasil, que permite que MEIs ofereçam seus serviços diretamente a órgãos públicos sem licitação formal.
Lançado em fevereiro de 2025, o Contrata+Brasil é o comércio eletrônico público do Brasil, uma iniciativa do governo federal que contribui para o fortalecimento da economia local. Diferente dos processos de licitação tradicionais, que podem ser longos e complexos, esta plataforma permite que órgãos públicos encontrem fornecedores de maneira simples e rápida.
A plataforma conecta órgãos públicos a MEIs para a execução de serviços de manutenção e pequenos reparos. São 47 serviços, incluindo pintura, alvenaria, carpintaria, entre outros, com processos mais ágeis e menos burocracia. Segundo o coordenador nacional de compras públicas e acesso a crédito do Cidade Empreendedora, Hudson Costa, as possibilidades da plataforma se expandiram no fim de 2025.
Em novembro do ano passado foi disponibilizada a possibilidade de aquisição de alimentos com recursos do PAA (Programa de Aquisições de Alimentos), incluindo produtos da agricultura familiar. Nesse segmento, podem participar cooperativas, associações, agricultores familiares, supermercados e empresas que vendem alimentos. Isso amplia a possibilidade de participação das MPEs.
Hudson Costa, coordenador nacional de compras públicas do Sebrae
Para se preparar, o microempreendedor pode aprender a prestar serviços ao governo com o curso Contrata Mais Brasil na prática: guia para o MEI, do Portal Sebrae. Além de aprender o que é a plataforma Contrata+Brasil, o curso ensina o que é necessário para acessá-la e como cadastrar propostas nas oportunidades divulgadas.
O curso possui certificado em formato digital, com verificação de autenticidade, além de ser gratuito. O Portal Sebrae oferece duas cartilhas complementares: um guia resumido com um passo a passo e um material sobre precificação dentro da plataforma.
Nova fase
Com a entrada do Programa Dinheiro Direto na Escola (PDDE), o Contrata+Brasil avança ao apoiar escolas públicas na contratação de serviços de manutenção e pequenos reparos de forma simples. Para 2026, está prevista a integração do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), o que permitirá que sejam realizadas também compras para a merenda escolar através da plataforma.
O Contrata+Brasil reúne cerca de 1,2 mil órgãos públicos, mais de 7,8 mil profissionais cadastrados e já viabilizou o pagamento de mais de R$ 13 milhões para fornecedores, movimentando economias das cidades brasileiras.
Acesse o Contrata+Brasil: http://www.gov.br/contratamaisbrasil
A forte desaceleração da produção industrial, que cresceu 0,6% em 2025 ante alta de 3,1% em 2024, é sintoma de uma economia fragilizada. Os dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatistica (IBGE), nesta terça-feira (3), refletem um ambiente marcado por juros altos, crédito restrito e gastos públicos em excesso, avalia a Confederação Nacional da Indústria (CNI).
"O país precisa reajustar a rota macroeconômica se quiser retomar um crescimento de forma sustentável, com criação de empregos e estabilidade fiscal. Caso contrário, o desempenho da indústria e dos demais motores da economia continuará oscilando, com anos muito positivos, tal como 2024, e outros bem abaixo do potencial", afirma o presidente da CNI, Ricardo Alban.
O presidente da CNI ressalta que o crescimento da produção industrial no ano passado foi determinado pela indústria extrativa, uma vez que a indústria de transformação voltou a cair, após um ano bom em 2024.
Vale lembrar que, depois de crescer 10,7% em 2024, as concessões de crédito desaceleraram drasticamente em 2025, subindo apenas 3,8%. Sensível ao custo do capital, a indústria segurou investimentos e fechou 84,2 mil empregos somente no segundo semestre do ano passado.
“Os juros estratosféricos têm cobrado caro e, se isso não for revertido rapidamente, o quadro vai piorar em 2026", alerta Alban. Segundo estimativas da CNI, as concessões de crédito crescerão apenas 3,2%, - desempenho ainda pior do que o observado no ano passado.
Do lado fiscal, os números também frustraram as expectativas. O déficit primário de R$ 61,7 bilhões e o crescimento real de 3,4% das despesas federais superaram as projeções da CNI, que previa déficit de R$ 54,2 bilhões e alta de 3,3% dos gastos, reforçando a trajetória de deterioração das contas públicas.
Para Alban, os dados reforçam a necessidade de priorizar o corte de gastos para ajustar as contas públicas, em vez da estratégia equivocada de sufocar o setor produtivo com o aumento de carga tributária. As expectativas para 2026, no entanto, vão na contramão. De acordo com as projeções da CNI, o déficit primário deve chegar a R$ 75,2 bilhões e as despesas federais podem subir 4,6%, elevando a dívida bruta em relação ao PIB de 78,9% para 82,4%.


A Americanas, uma das principais empregadoras do País, abre mais de 5 mil postos de trabalho temporários para reforçar sua operação de Páscoa — considerada uma das maiores do Brasil e um dos principais eventos da companhia no ano. As inscrições podem ser feitas pela internet neste link até o dia 19/2 e a previsão das contratações é para o início de março.
Em Santa Catarina, estão disponíveis 60 oportunidades para atuação nas cidades de Florianópolis, Balneário Camboriú, Blumenau, Chapecó, Criciúma, Guaramirim, Itajaí, Jaraguá do Sul, Joinville, Lages, Palhoça, São Bento do Sul, São José e Tubarão.
A companhia está em busca de pessoas com idade a partir de 18 anos, ensino médio completo e perfil dinâmico, ágil e resiliente para atuar nas mais de 1.400 lojas físicas da varejista. As oportunidades não exigem experiência prévia e os interessados devem ter disponibilidade para trabalhar até meados de abril, com possibilidade de efetivação. A Americanas incentiva a participação de candidatos de diferentes faixas etárias, incluindo profissionais 50+, reforçando seu compromisso com a diversidade e a inclusão.
Entre as atividades estão o atendimento ao cliente, operação de caixa, organização de itens nas gôndolas e parreiras de ovos de Páscoa, além do suporte à operação dos pedidos feitos pelo site e app da Americanas com retirada em loja. Após a contratação, todos os temporários passarão por treinamentos, integração e ambientação nas unidades de trabalho lideradas por um time experiente que conduz diariamente essa grande operação do varejo.
O processo seletivo acontece de forma online e presencial, com teste online e entrevista com a liderança. Além de salário compatível com o mercado, os contratados receberão benefícios como vale-refeição, seguro de vida e acesso aos cursos do Americanas Educa, plataforma de treinamentos da rede varejista.
"A Americanas é referência nacional no evento de Páscoa, tanto para quem quer comprar os ovos e chocolates, quanto para quem procura uma recolocação profissional ou quem deseja ingressar no mercado de trabalho”, afirma Ana Paula Martins, Gerente de Gente & Gestão da Americanas. “Esse reforço na nossa operação é necessário para garantir a melhor experiência de compra para os nossos mais de 45 milhões de clientes, além de fortalecer nossa responsabilidade social como uma das grandes marcas empregadoras do Brasil”, completa.
Sobre a Americanas - A Americanas é uma das maiores varejistas do Brasil, com quase 100 anos de história. A marca, amada pelos clientes, tem o propósito de resolver a vida das famílias brasileiras de maneira simples e descomplicada. A integração das cerca de 1.400 lojas, presentes em todos os estados do país, e a um e-commerce que complementa a experiência no físico, permite a realização de uma estratégia de vendas multicanal e eficiente, com foco na geração de caixa e rentabilidade. Essa geração de valor se reflete também no seu compromisso com o desenvolvimento sustentável, além do impacto social com foco na redução das desigualdades.
Com o objetivo de aproximar jovens e adultos do mercado de trabalho e ampliar o acesso às oportunidades de empregabilidade na região, a UniFECAF, um dos centros universitários que mais crescem no país, realiza nos dias , 5 e 6 de fevereiro (quinta e sexta-feira), o Mutirão de Oportunidades UniFECAF – Polo Navegantes, em Santa Catarina.
A ação acontece das 13h às 21h, na quinta-feira e das 11hr às 20h30 na sexta-feira na Meia Praia, em Navegantes (SC), em uma área externa próxima ao Aeroporto Internacional da cidade, local que também recebe os jogos de vôlei responsáveis por movimentar o município.
Realizado em parceria com a Prefeitura de Navegantes, o evento conta ainda com o apoio da Confederação Brasileira de Voleibol (CBV) e reúne, em um mesmo espaço, ações voltadas à empregabilidade, educação e bem-estar. Ao todo, serão disponibilizadas cerca de 2 mil vagas, entre oportunidades de emprego, estágio e programas de aprendizagem, oferecidas por empresas parceiras.
Segundo Marcel Gama, CEO da UniFECAF, a iniciativa integra um movimento nacional da instituição para fortalecer a empregabilidade nas regiões onde atua. “Quando criamos ações que conectam candidatos, empresas e educação, estimulamos um ciclo positivo de desenvolvimento regional. A cada edição do Mutirão, vemos jovens conquistando o primeiro emprego, profissionais em busca de recolocação e pessoas descobrindo novas possibilidades de futuro por meio da qualificação.”
Aberto ao público de todas as idades, o Mutirão tem como proposta aproximar a UniFECAF da comunidade local, incentivar a empregabilidade na cidade e oferecer ativações voltadas à saúde e à orientação profissional. Durante o evento, as empresas participantes contarão com estandes para divulgação das vagas e contato direto com os candidatos.
Além das oportunidades de trabalho, o público poderá participar de testes vocacionais, receber orientações sobre carreira e efetuar matrículas em cursos de graduação, reforçando o papel da educação como um caminho estratégico para o desenvolvimento profissional.
Atenção ao acesso: o mutirão será realizado na área onde acontecem os jogos. Para entrar no espaço, é obrigatória a retirada gratuita do voucher no link abaixo: https://www.sympla.com.br/evento/1-etapa-circuito-brasileiro-de-volei-de-praia-navegantes-sc/3269657?referrer=v .
Link para inscrição: https://conteudo.unifecaf.com.br/mutirao-de-oportunidades-navegantes
Sobre a UniFECAF
Um Centro Universitário com nota máxima (5) no MEC, reconhecida pela proposta inovadora de formação prática e conectada com o mercado de trabalho. Fundada em Taboão da Serra (SP), a instituição expandiu sua atuação para todo o Brasil por meio de cursos presenciais, EAD e semipresenciais, com infraestrutura moderna e uma metodologia centrada no aluno. Com mais de 10 anos de história, a UniFECAF já impactou milhares de estudantes em busca de crescimento pessoal e profissional. Seu ecossistema educacional inclui microcertificações digitais (badges), desenvolvimento de portfólios desde o início da graduação, trilhas de empregabilidade e parcerias com mais de 3 mil empresas. O índice de empregabilidade dos alunos chega a 90% ainda durante o curso. A missão da UniFECAF é transformar sonhos em realidade por meio da melhor experiência educacional, promovendo inclusão, inovação e formação com propósito.


Em um ano de maior cautela no comércio internacional, marcado por ajustes regulatórios e incertezas nas relações com a América do Norte, a Azimut Yachts, maior fabricante de iates de luxo do mundo e que mantém no Brasil o único parque fabril fora da Itália, teve a exportação como um pilar de sua estratégia em 2025. A unidade de Itajaí (SC) destinou ao exterior cerca de 15% da produção anual, percentual estável nos últimos três anos, tendo a América Latina como o principal vetor de crescimento internacional da filial brasileira.
A maior demanda por embarcações de luxo na América Latina, especialmente na Argentina, está associada à redução de custos e à simplificação do processo de compra no exterior. Medidas recentes adotadas pelo governo argentino diminuíram entraves à importação, reduziram etapas burocráticas e ampliaram a previsibilidade cambial, fatores decisivos para transações de alto valor. Para bens como iates, em que etapas como contrato, pagamento e prazo são extremamente relevantes, a combinação de menor incerteza regulatória, acesso mais funcional ao câmbio e custo financeiro tornou as operações mais viáveis. Nos demais mercados latino-americanos, as exportações avançam porque a combinação de regras comerciais previsíveis e rotas logísticas mais curtas a partir do Sul do Brasil reduz custo e encurta prazos de entrega.
“Exportar iates produzidos no Brasil significa operar uma indústria sofisticada, intensiva em engenharia, capital e mão de obra altamente qualificada. A fábrica de Itajaí atingiu um nível de maturidade que permite competir globalmente, com eficiência logística e previsibilidade. A América Latina se tornou estratégica porque reúne demanda consistente, proximidade geográfica e um ambiente de negócios que evoluiu de forma pragmática para viabilizar esse tipo de transação”, afirma Carlo Alberto Sisto, CEO da Azimut Yachts no Brasil.
A estratégia se materializa nos embarques recentes. Uma Azimut Fly 62, com quase 19 metros de comprimento, foi enviada para a capital argentina, enquanto uma Azimut Fly 58 seguiu para Punta del Este, no Uruguai, um dos principais pólos náuticos de alto padrão da região. O mesmo modelo já tem outra unidade em fase final de fabricação em Itajaí, com entrega programada para Cartagena, na Colômbia, em abril deste ano.
“Esses mercados tratam o iate não apenas como um bem de lazer, mas também como um ativo patrimonial. Para esse perfil de cliente, fatores como previsibilidade cambial, segurança jurídica, prazo de entrega e estrutura de pós-venda pesam tanto quanto design e performance. Hoje, a sede da Azimut Yachts no Brasil opera como uma plataforma regional de exportação, preparada para atender a América Latina com padrão global”, conclui Sisto.
Sobre a Azimut Yachts
Azimut Yachts é uma marca do Grupo Azimut|Benetti, líder mundial na fabricação de iates de luxo, com matriz na Itália. Com suas coleções Atlantis, Verve, Magellano, Flybridge, S e Grande, oferece a maior variedade de iates de 40 a 120 pés. Presente em 80 países por meio de uma rede de 138 centros de vendas e assistência, conta com uma fábrica no Brasil desde 2010, que produz embarcações de 51 a 100 pés.
O desempenho e as finanças das indústrias de pequeno porte — que representam 94,2% das empresas industriais — caíram em 2025 em relação a 2024. É o que mostra o Panorama da Pequena Indústria (PPI), divulgado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) nesta segunda-feira (2).
Segundo a pesquisa, o índice de desempenho das indústrias de pequeno porte registrou média de 45,5 pontos no 4º trimestre do ano passado, contra média de 46,8 pontos no mesmo recorte do ano anterior. O resultado mostra que a atividade industrial desse segmento fechou o ano pior do que em 2024.
Embora o índice que mede a situação financeira das pequenas indústrias tenha subido 0,5 ponto na passagem do 3º para o 4º trimestre de 2025, o indicador fechou o ano abaixo do patamar registrado no fim de 2024, apontando piora das finanças dessas empresas.
“No ano passado, a indústria experimentou um cenário muito mais negativo e preocupante do que em 2024, quando houve um forte aumento da demanda por bens industriais e o setor mostrou um forte crescimento.”, avalia o gerente de Análise Econômica da CNI, Marcelo Azevedo.
Para calcular o índice de desempenho, a CNI considera três variáveis: produção, utilização do parque industrial e número de empregados. Já o índice de situação financeira leva em conta a avaliação dos empresários sobre margem de lucro operacional, condições financeiras e facilidade de acesso ao crédito. Ambos vão de 0 a 100 pontos e, quanto maior o resultado, melhor o desempenho ou a situação financeira no período.
Alta carga tributária pressiona competitividade da pequena indústria
A elevada carga tributária foi apontada pelos empresários das pequenas indústrias como o principal problema enfrentado pelo setor no 4º trimestre do ano passado. O problema foi assinalado por 42,7% dos empresários da indústria de transformação e por 44,7% dos industriais da construção.
“A elevada carga tributária tira competitividade das empresas, tanto na hora de exportar quanto na hora de competir com importados. Soma-se a isso a complexidade do nosso sistema tributário, que amplia esse problema”, explica Marcelo Azevedo.
Em segundo lugar do ranking de principais problemas da pequena indústria de transformação aparece a falta ou alto custo de trabalhador qualificado, com 29,2%; no caso da pequena indústria da construção, é a falta ou alto custo de mão de obra não qualificada que ocupa a segunda posição do ranking, com 30,9%.
As taxas de juros elevadas aparecem em terceiro lugar na lista das preocupações para ambos os segmentos, com 27,6% e 30,9% das assinalações.
Falta de confiança persiste
O Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI) da pequena indústria permaneceu em 47,9 pontos na passagem de dezembro de 2025 a janeiro de 2026. Com isso, o indicador chegou a 14 meses abaixo da linha de 50 pontos, refletindo um quadro de pessimismo persistente entre os empresários desse segmento.
Os empresários também estão cautelosos quanto ao futuro. O índice de perspectivas, que pondera a expectativa de demanda/atividade, número de empregados e intenção de investimento nos próximos seis meses, registrou 47,4 pontos em janeiro de 2026, abaixo dos 48,2 pontos observados no mesmo mês do ano passado.
Sobre o PPI
O Panorama da Pequena Indústria (PPI) é uma publicação trimestral feita a partir dos resultados da Sondagem Industrial, Sondagem Indústria da Construção e Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI).


A perda de ritmo da atividade industrial em 2025 teve como principais responsáveis os juros altos, a demanda interna insuficiente e o aumento das importações, avalia a Confederação Nacional da Indústria (CNI). De acordo com levantamento divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta terça-feira (3), a produção industrial cresceu apenas 0,6% no ano passado - uma forte desaceleração frente à alta de 3,1% em 2024.
O resultado só não foi pior por causa do desempenho da indústria extrativa — segmento que compreende atividades como mineração e extração de petróleo e gás natural —, cuja produção cresceu 4,9% em 2025. A alta ajudou a compensar a queda de 0,2% da indústria de transformação, segmento responsável por transformar matérias-primas em produtos, e que abrange a fabricação de alimentos, vestuário, veículos, eletrônicos, entre outros. Vale lembrar que a indústria de transformação vinha de crescimento de 3,7% em 2024.
Desaceleração acompanha aperto dos juros
A desaceleração industrial se deu a partir do segundo semestre de 2024, período em que o Banco Central iniciou o ciclo de aumento da taxa Selic. Depois de crescer 2,3% no primeiro semestre daquele ano, a indústria de transformação subiu 1,8% no semestre seguinte. A continuidade do aperto nos juros, que chegou a 15% na metade do ano passado, resultou em queda de 0,4% na produção do segmento no primeiro semestre de 2025 e em recuo de 0,8% no segundo semestre do mesmo ano.
“O patamar punitivo da taxa Selic encareceu o crédito ao setor produtivo, que segurou investimentos, e reduziu o apetite dos consumidores por produtos industriais. O prejuízo causado pelos juros altos é enorme: em 2024, com a Selic menor, a demanda doméstica por bens da indústria de transformação cresceu quatro vezes mais do que a demanda registrada até novembro de 2025”, pontua Mário Sérgio Telles, diretor de Economia da CNI.
O enfraquecimento da demanda encontra respaldo nos dados da Sondagem Industrial da CNI. Segundo os empresários industriais, os estoques ficaram acima do planejado durante o segundo semestre do ano passado.
Além dos impactos negativos dos juros, a indústria teve que lidar com o aumento das importações. As compras de bens de consumo, bens de capital e bens intermediários saltaram 15,6%, 7,8% e 5,6% em 2025, capturando parcela relevante do mercado interno.
O cenário adverso impactou o Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI), da CNI, que teve o pior janeiro em 10 anos. Com isso, o indicador completou 13 meses abaixo da linha de 50 pontos, caracterizando quadro persistente de falta de confiança.
A falta de confiança, vale lembrar, faz com que os empresários deixem de investir, produzir e contratar, prejudicando o crescimento da indústria em 2026 e, consequentemente, da economia brasileira.
As vendas de veículos novos no Brasil caíram 0,38% em janeiro, na comparação com o mesmo mês do ano anterior. Segundo balanço divulgado nesta terça-feira (3) pela Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), que representa as concessionárias, em janeiro foram comercializadas 170,5 mil unidades de veículos, entre automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus. Em relação a dezembro, a queda foi de 38,96%.
Considerando-se o emplacamento de todos os segmentos somados (automóveis, comerciais leves, caminhões, ônibus, motocicletas, implementos rodoviários e outros veículos), o mercado de veículos começou o ano em trajetória positiva, com crescimento de 7,42% na comparação com o mesmo mês do ano passado, mesmo contando com um dia útil a menos. No total foram emplacados 366.713 veículos.
Na comparação com dezembro de 2025 houve retração de 25,54%, considerada típica do primeiro mês do ano por causa do período de férias e do menor ritmo da atividade econômica.
Para o presidente da Fenabrave, Arcelio Junior, o desempenho do setor em janeiro demonstra a resiliência da demanda brasileira por veículos novos, embora o ambiente de crédito ainda permaneça enfrentando dificuldades em função das taxas de juros elevadas.
O resultado confirma que o setor inicia 2026 com bases consistentes. Mesmo com menos dias úteis na comparação anual, observamos crescimento real do mercado, o que demonstra manutenção da demanda, disse, em nota.
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Motocicletas
O melhor desempenho entre os veículos continua sendo observado no segmento de motocicletas, que apresentou crescimento de 17,49% em janeiro na comparação a janeiro do ano passado e queda de 7,57% em relação a dezembro. O crescimento na comparação anual, informou a Fenabrave, se deve principalmente ao fato de que as motocicletas estão sendo procuradas para serviços de entrega e também como alternativa de mobilidade individual.
Outro fator que contribui para o aumento de vendas das motocicletas é a ampliação do uso do consórcio como modalidade de aquisição. O segmento de motocicletas mantém trajetória consistente de expansão. Trata-se de um movimento ligado a mudanças no perfil de mobilidade e no comportamento do consumidor, disse Arcelio Junior.
Caminhões
Já o mercado de caminhões iniciou o ano em retração de 34,67% (em relação a janeiro), ainda sem refletir o impacto do Programa Move Brasil, que oferece crédito para a compra de caminhões. Segundo a Fenabrave, o resultado desse programa só deverá começar a ser observado nos próximos meses.
O desempenho do segmento está diretamente ligado ao nível de atividade econômica, ao comportamento do agronegócio e ao custo do crédito para aquisição de veículos pesados e, com o Move Brasil, esperamos uma retomada nos emplacamentos, principalmente, entre os caminhões pesados, que representam 45% do mercado, disse Arcelio Junior.
Estabilidade
Em relação aos automóveis e veículos leves o desempenho foi considerado estável, com aumento de 1,64% em relação a janeiro de 2025 e queda de 39,17% em relação a dezembro.
Os veículos leves iniciam 2026 mantendo o nível de atividade. O mercado segue sensível às condições de financiamento, mas demonstra capacidade de sustentação do volume, disse o presidente da entidade.




Com a liquidação de instituições financeiras pelo Banco Central (BC) desde o fim de 2025, notícias e rumores sobre a saúde de bancos passaram a circular com mais frequência, nem sempre com informações corretas. Para o consumidor e o investidor, saber diferenciar alertas reais de fake news é essencial para proteger seu dinheiro e tomar decisões seguras.
Existem ferramentas oficiais, indicadores públicos e sinais objetivos que permitem avaliar a situação financeira de um banco em funcionamento no Brasil. Nem toda notícia alarmista sobre instituições financeiras é verdadeira.
Antes de agir por medo, o consumidor deve consultar fontes oficiais, analisar indicadores e desconfiar de promessas exageradas. A informação de qualidade continua sendo a melhor defesa contra boatos e prejuízos.
Confira o passo a passo para conferir se uma notícia negativa procede ou se é apenas desinformação.
1. Consulte se o banco é autorizado pelo Banco Central
O primeiro passo é verificar se a instituição é autorizada e supervisionada pelo Banco Central do Brasil.
Isso pode ser feito no site do BC, no caminho: Meu BC Serviços Encontre uma instituição.
Bancos não autorizados não podem operar no sistema financeiro nacional.
2. Use bases oficiais de dados
Três tipos de plataforma concentram informações confiáveis:
Central de Demonstrações Financeiras (CDSFN), do Banco Central: na mesma página do serviço Encontre uma Instituição, com o seguinte caminho: digitar o nome da instituição clicar no resultado clicar em Central de Demonstrações Financeiras;
Site Banco Data: organiza dados financeiros de forma acessível, com esquemas visuais e cores (verde, laranja e vermelho) para indicar o risco de cada indicador;
Site de Relações com Investidores (RI) de cada instituição: cada instituição autorizada pelo BC é obrigada a manter uma página de relação com investidores, com todas as informações financeiras e com resumos de fácil leitura. Caminho: digitar em qualquer site de busca o nome da instituição + RI.
Esses sistemas permitem analisar balanços, resultados e indicadores de risco.
3. Avalie os principais indicadores de solidez
Índice de Basileia: mede a relação entre capital próprio e riscos assumidos.
>> Mínimo exigido no Brasil: 11% para instituições em geral, 13% para bancos cooperativos;
>> Índice confortável: acima de 15%;
>> Um índice de Basileia 11% significa que, para cada R$ 100 emprestados, a instituição tem 11% de recursos próprios (dos sócios e dos acionistas);
>> Quanto maior, mais capacidade o banco tem de absorver perdas.
Lucro líquido recorrente: lucros consistentes ao longo do tempo indicam boa gestão.
Inadimplência da carteira de crédito: percentual de empréstimos vencidos há mais de 90 dias. Índices elevados são sinal de risco.
Índice de imobilização: mostra quanto do capital está preso em ativos fixos (como imóveis que não podem ser vendidos em momentos de crise); valores altos reduzem a liquidez.
Rating de crédito: notas atribuídas por agências como Moodys, S&P e Fitch. Rebaixamentos sucessivos acendem o alerta. No caso do Banco Master, no entanto, várias agências atribuíam nota alta e risco baixo à instituição.
4. Verifique a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos
Para quem investe, é fundamental confirmar se o banco é coberto pelo FGC, que garante até R$ 250 mil por Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) ou Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), com teto global de R$ 1 milhão pago a cada quatro anos.
O FGC cobre os seguintes recursos e investimentos:
Contas correntes e poupança;
CDB e RDB;
Letras financeiras dos seguintes tipos: LCI, LCA, LC, LH, LCD;
Depósitos a prazo;
Operações compromissadas com títulos elegíveis.
Em caso de liquidação, o FGC é o caminho para recuperar os valores dentro do limite.
Recursos e investimentos não cobertos pelo FGC:
CRI e CRA;
Debêntures;
Letras financeiras dos seguintes tipos: LF, LI, LIG;
Títulos públicos, porque esses papéis são cobertos pelo Tesouro Nacional;
Títulos de capitalização;
Fundos de renda fixa: em caso de quebra, têm CNPJ separado da instituição e podem ir para outro gestor;
Depósitos no exterior;
Depósitos judiciais.
O correntista deve estar ciente de que perderá esses valores em caso de quebra da instituição.
5. Desconfie de rentabilidade fora do padrão
Bancos pequenos oferecem taxas maiores que bancos grandes e de baixo risco;
Bancos em dificuldade podem oferecer taxas muito acima da média do mercado para captar recursos rapidamente;
Retornos extraordinários quase sempre vêm acompanhados de maior risco;
No caso de CDBs, a taxa máxima recomendada está em 115% do Certificado de Depósito Interbancário (CDI). O Banco Master oferecia taxas de 140% do CDI.
6. Fique atento aos sinais de alerta
Não é possível prever com exatidão se um banco será liquidado, mas alguns indícios ajudam:
Queda contínua do Índice de Basileia;
Prejuízos recorrentes nos balanços;
Rebaixamento de rating;
Notícias sobre investigações ou intervenção;
Ofertas agressivas de captação;
Entrada em regimes especiais do Banco Central, como o Regime de Administração Especial Temporária (RAET).
No caso do Will Bank, liquidado recentemente, o Índice de Basileia estava negativo em 5,3% em junho de 2024. O Índice de Imobilização estava negativo em 1,9% na mesma data, mesmo com lucro líquido de R$ 55,5 bilhões.
7. Compare com investimentos mais seguros
Para reduzir riscos, especialistas destacam:
Tesouro Direto: risco de crédito considerado o menor do país;
CDBs, LCIs e LCAs de grandes bancos, com alta solidez e proteção do FGC.


O reajuste de 6,79%, equivalente a R$ 103, foi oficializado pelo Decreto 12.797/2025. O aumento segue a política de valorização do salário mínimo, que combina inflação (INPC) e crescimento do Produto In terno Bruto (PIB), respeitando os limites do arcabouço fiscal, que restringe o reajuste a 2,5% acima da inflação do ano anterior.
Os aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) começaram a receber o novo salário mínimo no último dia 26. O pagamento segue até sexta-feira (6), conforme o número final do cartão, sem considerar o dígito verificador.
Quanto vale o mínimo em 2026
Mensal: R$ 1.621;
Diário: R$ 54,04;
Hora: R$ 7,37.
Como foi calculado
Inflação pelo INPC: 4,18%;
Somada ao crescimento real do PIB: 3,4%;
Adicional de 3,4% limitado a 2,5% pelo arcabouço fiscal;
Reajuste total: 6,79%.
Impactos
Segundo o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), o novo salário mínimo impacta 61,9 milhões de brasileiros. O aumento deve injetar R$ 81,7 bilhões na economia em 2026.
O reajuste tem efeitos amplos tanto sobre a renda das famílias quanto sobre as contas públicas. O governo estima impacto combinado de R$ 110 bilhões na economia, ao considerar o reajuste e a isenção do IR. No entanto, haverá custo adicional para a Previdência Social estimado em R$ 39,1 bilhões.
Além de afetar diretamente trabalhadores que recebem o piso nacional, o novo valor serve como referência para uma série de benefícios previdenciários, assistenciais e trabalhistas, como aposentadorias do INSS, pensões, seguro-desemprego e salário-família.
Confira como ficam os benefícios e as contribuições atreladas ao salário-mínimo:
INSS
Benefícios no piso (1 salário mínimo): reajuste integral de 6,79%, para R$ 1.621
Acima do piso: reajuste de 3,90% (INPC de 2025)
Teto do INSS: R$ 8.475,55
Contribuições ao INSS (CLT)
Até R$ 1.621: 7,5%
De R$ 1.621,01 a R$ 2.902,84: 9%
De R$ 2.902,85 a R$ 4.354,27: 12%
De R$ 4.354,28 a R$ 8.475,55: 14%
Autônomos, facultativos e MEI
Plano normal (20%): R$ 324,20
Plano simplificado (11%): R$ 178,31
Baixa renda (5%): R$ 81,05
MEI (5%): R$ 81,05
Seguro-desemprego
Reajustado pelo INPC (3,90%), com vigência desde 11 de janeiro
Parcela mínima: R$ 1.621
Parcela máxima: R$ 2.518,65
Valor varia conforme salário médio dos últimos meses.
Salário-família
Salário-família: R$ 67,54 por dependente
Pago a quem recebe até R$ 1.980,38 mensais
Os impactos da nova tabela do Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) 2026 começam a ser percebidos nesta semana, no contracheque dos assalariados que ganham até R$ 5 mil brutos por mês. Eles estarão totalmente isentos do IR, e aqueles com renda de até R$ 7.350 terão redução gradual do imposto retido na fonte.
As alterações começaram a valem para os salários pagos a partir de janeiro, com reflexo a partir do pagamento de fevereiro.
De acordo com estimativas do Ministério da Fazenda, 16 milhões de pessoas deverão ser beneficiadas pela medida.
Um deles é o pedreiro do Distrito Federal, Genival Gil, de 49 anos, que ficou sabendo da medida pelo telejornal. Há três meses, ele está fichado (com a carteira de trabalho assinada) com salário de pouco mais de R$ 2,7 mil.
O pedreiro Genival Gil fala sobre a isenção no Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil - Foto Marcelo Camargo/Agência Brasil
Agora, Genival aguarda o contracheque para conferir o valor - que antes ia para os cofres da União e que agora vai ficar na conta. A sobra terá destino certo.
Vai ajudar a pagar umas contas a mais da casa, programa o pedreiro que mora de aluguel no Paranoá, a 20 quilômetros do centro de Brasília.
Com a nova regra, passam a ficar totalmente isentos do IRPF, desde que a renda mensal total não ultrapasse R$ 5 mil:
- trabalhadores com carteira assinada;
- servidores públicos;
- aposentados e pensionistas do INSS ou de regimes próprios.
A regra também se aplica ao décimo terceiro salário.
Os rendimentos acima de R$ 7.350 continuam seguindo a tabela progressiva de descontos do IR atual (até 27,5%).
O jardineiro de um shopping de Brasília, Arnaldo Manuel Nunes, de 55 anos, também sabe que a partir deste mês uma fatia considerável do seu trabalho que ficava retida na fonte, agora não vai ser mais descontada de sua remuneração. Ganhando o salário do piso da categoria, R$ 2.574, Arnaldo considera a medida boa para o orçamento doméstico. Mal dá para o cara se manter. Mas vou gastar com [as contas de] água e luz, que estão um absurdo.
Para o jardineiro Arnaldo Manoel Nunes, a isenção do IR é medida boa para o orçamento doméstico - Foto Marcelo Camargo/Agência Brasil
Desconhecimento
Nas ruas, a reportagem da Agência Brasil também entrevistou vários trabalhadores formais que desconhecem a nova tabela do imposto de renda e as principais alterações de isenção e redução da cobrança do tributo.
É o caso da atendente de caixa de uma rede nacional de farmácias, Renata Correa, que se surpreendeu com a notícia de que não terá que pagar mais imposto de renda com o atual salário de R$ 1.620. Os planos dela são de economizar o valor inesperado. Vou fazer uma rendinha extra e deixá-la guardadinha para poder chegar ao fim do ano ou usar em datas especiais. Até mesmo usar em uma emergência.
A atendente de farmácia Renata Correa recebeu com surpresa a notícia da isenção do IR para quem ganha até R$ 5 mil - Foto Marcelo Camargo/Agência Brasil
Ao chegar ao local de trabalho, Renata prometeu avisar os colegas sobre a boa nova para que fiquem atentos. Agora, vou vigiar o contracheque e correr atrás para não ter problemas e saber se está tudo certinho mesmo. Renata mora em casa própria em Santo Antônio do Descoberto (GO) com as três filhas.
O integrante do Conselho Federal de Contabilidade (CFC) Adriano Marrocos tranquiliza os trabalhadores com carteira assinada, pois a isenção para quem recebe até R$ 5 mil e os descontos graduais, para quem tem renda de R$ 5.001 a R$ 7.350, serão automáticos.
Quem tem emprego, não precisa se preocupar, pois os cálculos são automáticos nos programas que geram as folhas de pagamento. O que a pessoa deve observar é que há o cálculo combinado com o redutor adicional e o desconto simplificado.
Comunicação mais eficaz
A notícia encheu os olhos da cozinheira Elisabete Silva Ribeiro dos Santos, de 48 anos. Há um ano e meio, ela trabalha em um restaurante localizado em área popular, no centro de Brasília, e ganha cerca de R$ 1,7 mil por mês. Se sobrar dinheiro, quero juntar para comprar um carro porque venho de ônibus todos os dias do Recanto das Emas.
A cozinheira Elisabete dos Santos sente falta de maior comunicação do empregador com os empregados -Foto Marcelo Camargo/Agência Brasil
No entanto, Elisabete sentiu a falta de uma comunicação do empregador aos funcionários. Nem ela, nem o churrasqueiro sabiam da isenção do imposto de renda. Por isso, ainda demorou a confiar na veracidade da notícia.
Eu acho excelente, mas vamos ver se vai valer mesmo!
Para acabar com as dúvidas, o contador Adriano Marrocos sugere a melhoria da comunicação com os trabalhadores.
Em relação aos empregados, a sugestão é o envio de um texto explicando as mudanças e que não se trata de aumento de salário, mas de redução de imposto.
Na sexta-feira (30), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva publicou em suas redes sociais a notícia de que a isenção do IR começa a ser percebida no salário recebido neste mês.
Está valendo: quem ganha até R$ 5 mil agora tem Imposto de Renda ZERO. E quem ganha entre R$ 5 mil e R$ 7.350 está pagando menos imposto. É mais dinheiro para cuidar da família, organizar a vida e viver melhor. Isso é justiça tributária, e ela está chegando para milhões de brasileiros e brasileiras, disse o presidente Lula.
De onde vem o dinheiro?
A conta da renúncia fiscal estimada em R$ 25,4 bilhões será paga por quem está no topo da pirâmide econômica. Para compensar a perda de arrecadação, foi criado o Imposto de Renda da Pessoa Física Mínimo (IRPFM).
Entram no cálculo os salários recebidos; lucros e dividendos; e rendimentos de aplicações financeiras tributáveis.
A estimativa do governo é de que cerca de 141 mil contribuintes serão afetados. Desde 1º de janeiro, a regra é válida para quem tem:
- renda mensal de acima de R$ 50 mil (R$ 600 mil/ano), alíquota progressiva de até 10%;
- renda acima de R$ 1,2 milhão/ano, os chamados super-ricos: alíquota mínima efetiva de 10%.
Com o do novo imposto voltado à alta renda, o contador Adriano Marrocos acredita que o impacto na arrecadação federal de tributos deve ser mínimo.
Já havia benefício de isenção para quem recebia até dois salários-mínimos (R$ 3.036). Então, a renúncia só tem a margem de R$ 3.036,01 a R$ 5 mil. De outro lado, o governo federal sancionou a cobrança de imposto de renda de parcelas que eram isentas, como a distribuição de lucros.
Para o gerente de loja de roupas Pedro Henrique Mendonça Marques, de 23 anos, a medida federal faz justiça tributária do Brasil.
O gerente de loja Pedro Henrique Mendonça Marques diz que isenção do IR para quem ganha até R$ 5 mil faz justiça tributária - Foto Marcelo Camargo/Agência Brasil
É legal porque, nesses casos, vai taxar os que recebem mais. Eles pagam mais, E quem recebe menos, paga menos. Essa é a lógica.
Ele recebe cerca de R$2,3 mil por mês e pretende contribuir mais nas despesas da casa que divide com a mãe, na cidade de São Sebastião. Nesta matemática financeira, ele até pensa no futuro. Eu acho que vou sair da casa da minha mãe, por exemplo.
Na hora de declarar o IR
De acordo com o Ministério da Fazenda, a correção da tabela do Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) vai se refletir apenas na declaração de 2027, que considera os rendimentos de 2026.
O conselheiro Adriano Marrocos explica que para a Declaração do Imposto Renda Pessoa Física anual, a ser entregue em maio deste ano, nada muda. Esses trabalhadores ainda terão que entregá-la normalmente. O benefício teve início apenas em janeiro de 2026, ou seja, qualquer reflexo da redução do IR deverá ser percebido somente em maio de 2027.
O Ministério da Fazenda explica que nada muda nas principais deduções do IR, no momento da declaração:
- dependentes: R$ 189,59 por mês;
- desconto simplificado mensal: até R$ 607,20;
- despesas com educação: até R$ 3.561,50 por pessoa ao ano;
- declaração anual: desconto simplificado de até R$ 17.640.
Marrocos esclarece ainda que a dispensa da entrega da declaração para quem ganha menos de R$ 5 mil em 2026 não toma por base apenas o rendimento tributável, mas os rendimentos isentos e não tributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte, além dos bens.
Quem tem mais de uma fonte de renda precisará complementar o imposto na declaração anual, mesmo que cada rendimento isolado seja inferior a R$ 5 mil.
Para os contribuintes que temem errar o preenchimento da declaração do imposto de renda em 2026 e 2027, a dica é observar o que está detalhado no informe disponibilizado pelas empresas obrigatoriamente no primeiro trimestre de cada ano.
Os dados gerados pelas empresas são enviados para a Receita Federal, por meio de declarações eletrônicas mensais e trimestrais. Assim, a ocorrência de erro é baixa.
Além da necessidade de o contribuinte declarar da mesma forma que está descrito no Informe de Rendimentos, é importante conferir os dados na declaração pré-preenchida pela Receita Federal antes de confirmar o envio, lembra o contador.
Confira aqui a nova tabela do IRPF divulgada pela Receita Federal com as mudanças após isenção para quem ganha até R$ 5 mil e que entraram em vigor em 1º de janeiro deste ano.
