
Augusto César Diegoli (acdiegoli.gmail.com)
Bancos
Uma audiência pública na Alesc discutiu o fechamento de agências bancárias em SC. Se propôs criar uma comissão para elaborar leis que exijam manutenção de atendimento presencial, em especial nos municípios de menor porte, onde há impactos negativos para suas economias. O argumento dos bancos é o avanço da digitalização dos serviços bancários. Em 10 anos houve uma redução de 40% no número de agências em SC, com a consequente redução de 30% de postos de trabalho. O negativo nisso é a estratégia de precarização no atendimento da população de baixa renda por parte de algumas instituições financeiras, inclusive as do governo. Enquanto o atendimento presencial está restrito à alta renda, a população mais carente fica limitada aos chamados correspondentes bancários, que só em SC são 12,3 mil, 21 vezes o número de agências bancárias.
Representação desigual
O portal Brasil 61 fez interessante levantamento apontando a absurda representatividade desigual do eleitorado por Estado no Congresso Nacional. O exemplo de SC: dividindo-se o total do eleitorado pelos dados oficiais de 2002 pelo número de deputados federais (16), cada um corresponde a 357.859 eleitores, número só superado por São Paulo (487.203) e Pará (368.500). Na outra ponta está Roraima, com apenas 50.187 eleitores para cada um dos seus oito deputados federais. Alguns deles foram eleitos com pouco mais de 5 mil votos.
Por que o Paraguai?
País vizinho se tornou um dos principais destinos de investimentos industriais, inclusive de empresas catarinenses, ao oferecer incentivos para a instalação de fábricas. Marcas tradicionais do Estado apostam na produção em solo paraguaio para ganhar competitividade global. Por trás desse movimento, se discute até que ponto a migração econômica pode impactar a desindustrialização regional.
Paraguai abre as portas para SC
O que Altenburg, Dohler e Karsten têm em comum? Existe uma primeira resposta óbvia para essa pergunta: são empresas catarinenses que se destacam na produção têxtil e concorrem entre si. O trio de gigantes centenárias, porém, compartilha outra semelhança que agora começa a ser mais percebidas pelo mercado: todas enxergaram no Paraguai uma alternativa para reduzir custos operacionais e diversificar a estratégia industrial. E elas estão longe de serem casos isolados. Buddemeyer e Lunelli são outras companhias do ramo em SC que também já fizeram apostas por lá. Nos últimos anos, o país vizinho estendeu um tapete vermelho para atrair investimentos, boa parte deles estrangeiros. Estabilidade econômica e política – o Partido Colorado encabeça o governo de forma praticamente ininterruptas há quase 80 anos, alíquotas de importação e exportação mais atrativas, simplificação tributária e uma folha salarial com menos encargos trabalhistas são frequentemente apontados por empresários e especialistas como motivos que justificam a migração de ao menos parte da cadeia produtiva de alguns setores para o território paraguaio.
Pronegócio chega a 75ª edição
Brusque volta a ser o centro das atenções do setor de confecção entre os dias 11 e 14 de agosto, com a realização da 75ª Pronegócio, promovida pela Associação das Micro e Pequenas Empresas de Brusque e Região (AmpeBr). A rodada de negócios, que acontece no Pavilhão de Eventos, reunirá cerca de 140 indústrias catarinenses para apresentar a coleção Alto Verão 2027 a mais de 600 compradores de todo o país. Por ser uma rodada voltada às entregas dos meses de outubro, novembro e dezembro, a expectativa é de bons resultados, especialmente diante da importância das vendas de fim de ano para o varejo.
Ideb
O Ministério da Educação divulgou o novo resultado do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) referente 2025 e o destaque para SC é o desempenho das escolas particulares. O Estado ficou em primeiro no ranking nacional quanto aos anos iniciais, 2º nos anos finais e 7º no ensino médio. Nada mal. No desempenho geral, incluindo as redes pública e privada, SC ficou em 3º nos anos iniciais, 6º nos anos finais e 10º no ensino médio. A registrar que SC, junto com outros 10 estados, conseguiu evoluir comparativamente a 2023. Naquele ano sua nota geral no ensino médio foi 3,8, posicionando-se na 16ª colocação nacional. Em 2025 a nota subiu para 4,3 e no ranking nacional evoluiu para o 10º lugar. Nacionalmente, no ensino médio, o Paraná lidera, com nota 5,1.
Ferrovias em SC
A Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (Fiesc) recebeu audiência pública da Agência Nacional de Transportes Terrestres para debater o modelo de concessão ferroviária da Malha Sul. Durante o evento, a Fiesc defendeu a ampliação do prazo de discussão e a revisão do modelo. O posicionamento foi apresentado pelo presidente do Conselho para Assuntos de Transporte e Logística da entidade. Segundo a Fiesc, a proposta não contempla adequadamente a realidade logística de SC, especialmente em relação aos portos, aos corredores de exportação e à expansão da malha ferroviária. A Fiesc também demonstrou preocupação com a divisão da estrutura em três corredores e com a ausência de investimentos em trechos estratégicos para a indústria catarinense. O material apresentado não considerou os portos de SC, com exceção de São Francisco do Sul. Santa Catarina é hoje o segundo maior movimentador de contêineres do Brasil, e os planos apresentados não refletem essa realidade. A federação, em conjunto com outras entidades, defende a reformulação do projeto e a ampliação da participação dos estados e do setor produtivo nas discussões, incluindo a revisão do modelo de divisão dos lotes, a ampliação dos investimentos e o fortalecimento da conexão ferroviária com os portos catarinenses.
Para vender
Embora faça (tem feito muito mais até um passado recente) críticas à linha editorial da Globo, o empresário brusquense Luciano Hang agora é o maior anunciante nela, através de sua rede de lojas Havan, de suas afiliadas pelo Brasil. Só de janeiro a junho deste ano a Havan apareceu 2.132 vezes em programas ou telejornais locais.
Lista
O Tribunal de Contas do Estado aprovou a relação de mais de 200 responsáveis com contas rejeitadas no exercício de funções públicas, por decisão irrecorrível, que irá para a Justiça Eleitoral. Esta instância decidirá, após análise e se for o caso de haver nomes de candidatos às eleições deste ano, pela sua inelegibilidade ou não. A relação aprovada pelo TCE será disponibilizada em seu portal institucional. Não diz quando, mas é aguardada com muita expectativa, tanto para quem milita na política partidária como fora dela.
Jornada de 40 horas
A Portallar anunciou a adoção de uma jornada de 40 horas semanais, de segunda a sexta-feira, para os colaboradores da empresa. A mudança ainda será submetida à aprovação em assembleias sindicais e, se receber o aval dos trabalhadores, deverá entrar em vigor na segunda quimzena de agosto. Conforme informado pela empresa nas redes sociais, a iniciativa representa uma mudança na organização da jornada de trabalho e faz parte de um conjunto de ações voltadas à valorização dos colaboradores. Segundo o presidente do Sindmestre, a Portallar será a primeira indústria têxtil de Brusque a implantar esse modelo de carga horária.
Mobilidade social
Conforme dados divulgados, extraídos do Atlas da Mobilidade Social de 2026, plataforma pública e interativa desenvolvida pelo Instituto Mobilidade e Desenvolvimento Social, o Estado brasileiro com mais chances de nascidos na classe média chegarem ao grupo dos mais ricos é SC. Essa probabilidade varia de 7,99% no Amazonas, a 27,15% em SC. Brasis, afinal, com suas diferenças abissais.
Preferência do crime
Sem fornecer mais dados, o Conselho Nacional de Justiça divulgou um estudo apontando que o mercado imobiliário tem a maior preferência do crime organizado para lavagem de dinheiro. Só não diz onde. Alguma dúvida de que Balneário Camboriú e Itapema estejam neste mapa? O que dizer de algumas centenas de apartamentos, em ambas, nunca ocupados, há meses e até anos?
Appel Home
A Appel Home concluiu a construção de um novo galpão logístico, que representa um salto na capacidade de armazenamento e organização de estoques da marca. Atualmente, a operação depende de galpões situados em endereços distintos, para suprir a demanda. Com 1.465 m2 de área construída e altura útil de 14,5m, o novo galpão foi projetado para consolidar em um único espaço o que hoje está pulverizado em estruturas diferentes. Ao todo, serão 3.200 endereços/pallet disponíveis, o que deve otimizar significativamente o trabalho logístico da empresa, eliminando a necessidade de deslocamento entre unidades e reduzindo o tempo de resposta em toda a cadeia, desde o recebimento à expedição.
Brasis
O Atlas da Mobilidade Social, plataforma pública desenvolvida pelo Instituto Mobilidade e Desenvolvimento Social detectou que municípios que registram melhores indicadores educacionais tendem a reduzir as desigualdades de oportunidades. Um exemplo: enquanto em Assis Brasil, no Acre, 84,4% dos jovens oriundos de famílias que pertenciam aos 25% mais pobres permanecem nesse mesmo grupo de renda quando adultos, em Ponte Serrada, município catarinense de 10.650 habitantes, no Oeste do Estado, apenas 2,13% dos jovens permanecem nesse extrato de renda. O município acreano possui um dos piores resultados do país, já o catarinense evidencia um ambiente mais favorável à ascensão socioeconômica.
Convencidos?
Mais que jornalistas e alguns curiosos, ao abrir, pela primeira vez em SC, como fez recentemente, para quem quisesse ter a certeza (ou não) de que ela é confiável, a Justiça Eleitoral deveria ter convidado, também, experts em sistemas eletrônicos. Estes sim poderiam atestar tudo com mais credibilidade; não para leigos, ou um pouco mais que isso.
Ambiente escolar
O Programa Vida na Escola, desenvolvido pela Univali e prefeitura de Itajaí, está sendo visto como um modelo a ser replicado em outras regiões de SC. Com atendimento psicológico e serviço social no ambiente escolar, foi criado em 2025 e atualmente desenvolvido em 41 escolas de ensino fundamental, atendendo diretamente mais de 26,5 mil estudantes e aproximadamente 1,5 mil professores da rede, além de suas famílias.
Taxa de juros
O mercado financeiro reduziu as expectativas para os índices de inflação e, pela primeira vez desde março, da taxa básica de juros. Segundo o Boletim Focus, divulgado pelo Banco Central, a Selic deve fechar 2026 em 13,75%. As projeções para a economia (PIB) e o câmbio (dólar) neste ano vêm se mantendo estáveis há pelo menos cinco semanas, em 1,99% e R$ 5,20, respectivamente. Na semana passada, as expectativas do mercado eram que a Selic terminaria o ano em 14%, projeção 0,25 ponto percentual acima da apresentada pela autoridade monetária. A última vez em que as projeções do boletim indicaram queda foi em março de 2026. Quando a mediana caiu de 12,13% para 12%. As previsões da Selic para 2027 e 2028 se mantiveram estáveis, em 12% e 10,5%, respectivamente.
Primeiro cinema
Cidade que em futuro próximo estará entre as mais populosas de SC, Itapema vai ganhar seu primeiro cinema. Com capacidade para 200 lugares em duas salas, ficará no Garden Open Mall, que já está em construção, com investimento de R$ 80 milhões em 50 operações comerciais.
Impacto das telas
Para muitos pais que por demais preocupados com o assunto, uma boa notícia: o debate sobre os impactos das tecnologias digitais na saúde mental dos estudantes já faz parte da agenda de oito em cada 10 escolas brasileiras, revela a nova edição da pesquisa TIC Educação, do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br), entidade ligada ao Comitê Gestor da Internet no Brasil. Segundo o levantamento, lançado recentemente, a proporção de instituições de ensino fundamental e médio, públicas e privadas, que discutiram o tema em 2025 cresceu 18 pontos percentuais na comparação com 2024, passando de 62% para 80%.
“Made in Brazil”
Um novo levantamento, agora feito pela Folha de São Paulo a partir de dados de 2025, mostra que Ceará, Espirito Santo e SC são os entes da federação com exportações totais mais afetadas pelas tarifas de Donald Trump. SC exporta 12,1% dos seus produtos para os EUA e tem 80,7% das exportações tarifadas. Assim, 9,7% das vendas totais são impactadas. Detalhe: o grau de abertura da economia catarinense é de expressivos 45,3%.
Praias gordas
O engordamento de várias praias em SC tem sido notícia nacional de forma constante, uma vez que viraram moda. Mas nem tudo vem dando certo. Piçarras, por exemplo, fez quatro alargamentos desde 1998 e o último, a um custo de R$ 53 milhões, concluído em abril deste ano, causa apreensão porque o mar já cavou um paredão de areia de quase dois metros. Num levantamento nacional, o Estadão diz que nas praias de Canasvieiras, Ingleses e Jurerê, na Ilha de SC, estudos da UFSC do ano passado apontou piora na balneabilidade e mais risco de afogamentos. Conclui, ainda, que nenhuma das obras atingiu, de fato, os objetivos de proteção da costa, recreação e restauração ambiental. Quanto a Praia Central de Balneário Camboriú, cuja faixa de areia passou de 25 para 70 metros, houve redução com o movimento das marés e no ano passado foi necessária a construção de um muro subterrâneo de 6 mil metros de extensão para conter a erosão marinha e segurar a areia. Na vizinha Itapema a engorda envolve uma acalorada discussão porque ela será financiada pela outorga onerosa (taxa paga pelo construtor para aumentar em até 30% o tamanho do prédio).
O desempenho da indústria de transformação no segundo trimestre de 2026 reforça o cenário de perda de espaço da indústria na economia brasileira e acende um alerta para
os próximos meses. A avaliação é da Confederação Nacional da Indústria (CNI), que aponta os juros elevados e o avanço das importações como alguns dos principais fatores por trás do resultado.
De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Produto Interno Bruto (PIB) da indústria de transformação recuou 0,4% no segundo trimestre. Considerando os quatro trimestres encerrados no período, a queda chega a 1,1%. Em 2025, o setor já havia registrado retração de 0,2%.
Para a CNI, o desempenho negativo reflete principalmente o impacto das taxas de juros ainda elevadas, mesmo diante do processo de flexibilização da Selic, e a entrada crescente de produtos importados no mercado brasileiro.
O volume de importações de bens de consumo aumentou 16% no primeiro semestre de 2026, na comparação com o mesmo período do ano anterior.
“Os juros altos desestimularam os investimentos, encareceram o crédito aos consumidores, aumentando o endividamento e a inadimplência das pessoas e, consequentemente, restringiram a demanda por bens industriais. Esse quadro se agrava com a forte entrada das importações, que acabam por capturar grande parte dessa demanda em queda”, avalia Mario Sergio Telles, diretor de Desenvolvimento Industrial da CNI.
Indústria extrativa evita resultado ainda pior
O desempenho negativo não ficou restrito à indústria de transformação. No segundo trimestre, a indústria da construção também recuou 0,4%, enquanto o segmento de eletricidade e gás, água e esgoto registrou queda de 1,1%.
O resultado geral da indústria só não foi negativo devido ao desempenho da indústria extrativa, único segmento a apresentar crescimento no período, com alta de 3,4%. O avanço da atividade extrativa, porém, não foi suficiente para compensar as perdas dos demais segmentos e mudar o cenário de enfraquecimento da indústria de transformação.
Outro ponto de preocupação para a CNI é a perda de competitividade dos produtos nacionais diante do avanço das importações. Segundo o Indicador Ipea de Consumo Aparente, a demanda por bens produzidos no Brasil caiu 1,2% em 12 meses até maio de 2026. No mesmo período, a procura por produtos importados aumentou 2,6%.
O movimento ocorre em um momento de retração do consumo das famílias. De acordo com o IBGE, o consumo das famílias caiu 0,4% no segundo trimestre. Para a CNI, a combinação entre menor demanda e aumento da participação dos produtos estrangeiros amplia a pressão sobre a indústria brasileira.
A retração do consumo também chama atenção porque ocorre apesar do crescimento contínuo da massa de rendimento das famílias. Para a entidade, o comportamento indica que parte da renda disponível está sendo comprometida com outras despesas, especialmente com o pagamento de dívidas.
CNI vê cenário de maior incerteza para o restante do ano
As perspectivas para a indústria de transformação são consideradas preocupantes pela CNI. Além dos juros e da concorrência com produtos importados, a entidade cita medidas que, em sua avaliação, podem ampliar as incertezas para o setor produtivo.
Entre elas estão a redução da jornada de trabalho, a eliminação do Imposto de Importação sobre compras de até US$ 50 e o tabelamento do frete. Diante desse cenário, a CNI avalia que poderá revisar a projeção de crescimento de 0,5% para a indústria de transformação em 2026, estimativa feita no final do ano passado.
A eventual revisão para baixo refletiria a combinação de demanda mais fraca, custos elevados de financiamento, menor competitividade e aumento da participação dos produtos importados no mercado brasileiro.
Na avaliação da CNI, a flexibilização da taxa de juros é uma medida correta, mas ainda insuficiente diante do elevado nível das taxas praticadas no país. A entidade também defende uma agenda estrutural de competitividade como forma de recuperar espaço para a indústria nacional.
Nesse sentido, a redução do chamado Custo Brasil e a criação de condições mais equilibradas de competição com produtos estrangeiros são apontadas como medidas essenciais para fortalecer a produção brasileira.
Para a CNI, a recuperação da indústria depende não apenas de condições financeiras mais favoráveis, mas também de mudanças estruturais capazes de reduzir custos, estimular investimentos e melhorar a capacidade de competição das empresas brasileiras.
O desempenho do segundo trimestre, portanto, reforça o desafio de evitar que a perda de participação da indústria na economia brasileira se aprofunde ao longo de 2026.




Criado pela reforma tributária, o Imposto Seletivo (IS), apelidado como "imposto do pecado", deverá arrecadar R$ 41,9 bilhões em 2027. A previsão foi incluída no Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA), enviado nesta segunda-feira (31) ao Congresso Nacional.
O tributo será aplicado a produtos e atividades considerados prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente. Entre eles estão cigarros, bebidas alcoólicas, refrigerantes, alguns tipos de veículos, além da extração de bens minerais, loterias, apostas e jogos de fantasy sports.
A cobrança começa em 2027, mas a regulamentação do imposto ainda precisa ser aprovada pelo Congresso. O governo ainda não enviou a proposta específica que definirá as regras de funcionamento do tributo.
Produtos taxados
A lista prevista para o Imposto Seletivo inclui:
Cigarros e outros produtos de tabaco;
Bebidas alcoólicas;
Refrigerantes e outras bebidas açucaradas;
Veículos, conforme características e nível de emissão de poluentes;
Extração de bens minerais;
Loterias e apostas;
Bets e fantasy sports.
Segundo o Ministério da Fazenda, a estratégia inicial é preservar, durante o período de transição, uma carga tributária semelhante à atualmente aplicada aos produtos. Em uma etapa posterior, as alíquotas poderão ser elevadas pelo chamado efeito regulatório, com o objetivo de desestimular o consumo de produtos considerados nocivos.
Em entrevista coletiva para explicar o PLOA de 2027, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que a estimativa de arrecadação busca preservar a carga atual incidente sobre setores que são tributados pelo Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI).
No caso das apostas, a tributação será uma novidade, porque as chamadas bets não estão sujeitas ao IPI. Segundo Durigan, o governo pretende evitar uma alíquota tão baixa que seja irrelevante ou tão alta que estimule a migração das plataformas para a ilegalidade.
Impacto na saúde
O governo utiliza também argumentos relacionados aos custos provocados pelo consumo desses produtos para justificar a tributação.
Segundo o Ministério da Saúde, um estudo da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) estimou que o consumo de álcool gerou, em 2019, R$ 18,8 bilhões em custos. Desse total, R$ 1,1 bilhão correspondeu a despesas federais diretas com hospitalizações e procedimentos ambulatoriais no SUS.
No caso do tabagismo, as doenças relacionadas ao consumo de cigarros geram R$ 153,5 bilhões em custos anuais, segundo estimativa do Ministério da Saúde. O valor inclui despesas diretas e perdas de produtividade.
Os números apresentados pelo Ministério da Saúde mostram ainda que:
R$ 86,3 bilhões são custos indiretos associados ao tabagismo;
R$ 8 bilhões são arrecadados anualmente em tributos federais sobre cigarros;
R$ 3 bilhões são os custos estimados ao SUS com doenças relacionadas ao consumo de bebidas ultraprocessadas, como refrigerantes.
Reforma tributária
O Imposto Seletivo integra o novo sistema de tributação sobre o consumo aprovado pelo Congresso em 2023 e regulamentado posteriormente. A implementação ocorrerá de forma gradual, com transição prevista até 2033.
A partir de 2027, o IS passará a coexistir com a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), que substituirá o Programa de Integração Social (PIS) e a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e parte do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI).
No Orçamento de 2027, o governo estima R$ 636 bilhões de arrecadação com a CBS. Somados aos R$ 41,9 bilhões previstos para o Imposto Seletivo, os dois novos tributos devem gerar R$ 677,9 bilhões no próximo ano.
A previsão de receitas com os novos tributos é considerada importante para o equilíbrio das contas públicas durante a transição para o novo modelo tributário.
Críticas do setor
Produtores dos segmentos atingidos pelo Imposto Seletivo alegam que cigarros, bebidas alcoólicas e outros produtos têm elevada carga tributária no Brasil.
Representantes do setor avaliam que aumentos adicionais podem reduzir margens de lucro e provocar repasses aos preços. Também apontam riscos de demissões e crescimento do mercado ilegal caso a tributação seja considerada excessiva.
O governo, por outro lado, sustenta que o Imposto Seletivo terá não apenas função arrecadatória, mas também regulatória, justamente para reduzir o consumo de produtos com impactos negativos sobre a saúde e o meio ambiente.
Uma nova regra do Pix amplia, a partir desta terça-feira (1º), de 30 para 80 dias o prazo para contestar uma devolução realizada pelo Mecanismo Especial de Devolução (MED) quando houver suspeita de fraude. A mudança foi estabelecida pelo Banco Central e busca proteger principalmente comerciantes, prestadores de serviço e pequenos negócios vítimas de golpes que usam o próprio sistema de segurança do Pix.
O novo prazo vale para quem recebeu um Pix de forma legítima, mas teve o dinheiro devolvido posteriormente por causa de uma contestação considerada fraudulenta. A contagem começa na data da devolução feita pelo MED.
O prazo para quem enviou um Pix e foi vítima de fraude continua sendo de 80 dias, contados a partir da transação original.
Dois prazos
Com a mudança, há duas situações distintas em que o prazo é de 80 dias:
Vítima que enviou o Pix: tem até 80 dias a partir da transferência para pedir o MED;
Recebedor que sofreu devolução indevida: tem até 80 dias a partir da devolução para contestá-la.
A alteração está prevista na Instrução Normativa BCB 766, que atualizou o Manual Operacional do Diretório de Identificadores de Contas Transacionais (DICT), integrante das regras do Pix.
Golpe contra lojistas
A mudança mira uma fraude que explora o mecanismo de proteção do Pix.
O golpista pode fazer um pagamento para uma loja ou prestador de serviço e, depois, alegar que transferiu o dinheiro por engano. Ele pede que o comerciante devolva o valor por uma nova transferência, muitas vezes para uma chave diferente.
Depois, o criminoso aciona o MED no próprio banco e afirma que o pagamento original foi resultado de fraude. Se a contestação for aceita e houver saldo disponível, o valor pode ser devolvido pelo banco.
Nesse cenário, o comerciante pode acabar perdendo dinheiro duas vezes: primeiro ao fazer uma nova transferência e depois com a devolução do Pix original.
Por isso, a recomendação é utilizar a função de devolução vinculada à própria transação no aplicativo do banco, em vez de fazer um novo Pix para uma chave informada pela outra pessoa.
Como funciona
O MED foi criado para facilitar a recuperação de valores em casos de fraude, golpe, crime ou falha operacional. O mecanismo, porém, não serve para cancelar qualquer Pix.
Não estão incluídos casos como:
arrependimento de uma compra;
erro de valor cometido pelo próprio usuário;
erro na escolha da chave Pix;
simples desacordo comercial sem indício de fraude.
Ao identificar uma fraude, o usuário deve procurar o banco e solicitar a abertura do MED. As instituições analisam o caso e, no fluxo de fraude, têm até sete dias para verificar se há indícios de irregularidade.
Se a fraude for confirmada, a devolução depende da existência de recursos disponíveis nas contas envolvidas e pode ser total ou parcial.
MED 2.0
A ampliação do prazo ocorre em meio à implantação do chamado MED 2.0, versão mais robusta do mecanismo de devolução.
Desde fevereiro de 2026, o sistema permite rastrear o caminho percorrido pelo dinheiro depois que ele é transferido para outras contas. Antes, a recuperação ficava mais concentrada na conta que havia recebido originalmente os recursos.
O novo modelo pode aumentar as chances de bloqueio e recuperação mesmo quando o dinheiro é movimentado entre diferentes contas. A devolução, entretanto, não é garantida: se os recursos já tiverem sido sacados, transferidos novamente ou não houver saldo disponível, a recuperação pode ser prejudicada.
Uma etapa adicional de comunicação entre as instituições, inicialmente prevista para agosto, foi adiada para 26 de outubro. Segundo o Banco Central, a alteração não muda o funcionamento do rastreamento já disponível.
Se cair no golpe
Quem perceber que foi vítima de fraude deve procurar o banco o mais rápido possível, mesmo que ainda esteja dentro do prazo de 80 dias. A rapidez aumenta a possibilidade de encontrar recursos disponíveis para bloqueio.
Também é importante guardar:
comprovante da transferência;
conversas e mensagens;
anúncios ou documentos relacionados à negociação;
dados da conta que recebeu o dinheiro;
outros registros que possam comprovar a fraude.
Dependendo do caso, também é recomendável registrar um boletim de ocorrência.


O gás natural pode contribuir para diferentes etapas da operação industrial, desde o fornecimento de energia para processos térmicos até a gestão de espaços, logística e manutenção. Distribuído por meio de uma rede canalizada, é fornecido de forma contínua, sem a necessidade de armazenamento de combustível no local de consumo.
Uma das principais características do gás natural é a possibilidade de fornecimento contínuo. Diferentemente de combustíveis que precisam ser transportados e armazenados na indústria, o gás natural chega diretamente aos equipamentos por meio das tubulações que compõem a rede de distribuição, permitindo abastecimento contínuo durante a operação. O modelo também elimina a necessidade de controlar estoques e programar entregas de combustível.
A distribuição canalizada contribui ainda para a segurança e a praticidade da operação. Com a redução da necessidade de tanques, centrais de gás e áreas destinadas ao armazenamento de combustíveis, o espaço fabril pode ser utilizado para outras finalidades. A ausência de operações frequentes de abastecimento também reduz a circulação de veículos dentro e no entorno das unidades industriais.
Eficiência e controle nos processos
A composição do gás natural permite regulagens mais estáveis nos queimadores, facilitando o controle da combustão e a automação dos processos. O combustível apresenta alto rendimento térmico e permite alcançar curvas de temperatura com rapidez e estabilidade, características relevantes para atividades industriais que dependem de controle preciso da temperatura.
A combustão também pode contribuir para a redução da necessidade de manutenção dos equipamentos e para a diminuição do tempo de parada das máquinas. Como o fornecimento é contínuo, a operação não depende de entregas periódicas de combustível, o que favorece a continuidade dos processos produtivos.
Em segmentos como cerâmica, vidro, metalomecânica e alimentos, o controle das condições de combustão pode contribuir para a padronização do processo e para a qualidade do produto final. Por apresentar uma combustão mais limpa e praticamente não gerar cinzas ou resíduos sólidos, o gás natural também pode contribuir para reduzir depósitos e incrustações nos equipamentos, diminuindo determinadas necessidades de limpeza e manutenção.
Mais espaço e menos logística
Outro benefício está relacionado à logística. Como o gás natural é transportado por uma rede subterrânea, a indústria não precisa manter áreas destinadas ao armazenamento de combustíveis, como lenha, GLP, óleo combustível ou outros. Também são reduzidas as operações relacionadas ao recebimento e reabastecimento desses produtos.
A liberação de áreas antes ocupadas por tanques e estoques pode permitir uma utilização mais eficiente do espaço fabril. Ao mesmo tempo, a redução do transporte rodoviário de combustíveis reduz a circulação de veículos associados ao abastecimento dentro e no entorno das unidades industriais.
Segurança e meio ambiente
O fornecimento canalizado reduz a necessidade de armazenamento de grandes volumes de combustível na indústria. Assim, como o gás natural é mais leve que o ar e, em ambientes adequadamente ventilados, tende a se dispersar em caso de vazamento. Como qualquer combustível, seu uso exige instalações projetadas, equipamentos adequados e procedimentos de segurança.
Do ponto de vista ambiental, a combustão do gás natural apresenta menores emissões de material particulado, óxidos de enxofre e outros poluentes atmosféricos em comparação com combustíveis mais intensivos em impurezas, como alguns combustíveis sólidos e líquidos. O gás natural também apresenta menor intensidade de emissões de CO2 por unidade de energia em comparação com demais combustíveis intensivos em carbono.
Um modelo de fornecimento contínuo
Além dos aspectos operacionais, o modelo de fornecimento permite maior previsibilidade na gestão energética da indústria, em que a indústria paga pelo volume efetivamente consumido, sem a necessidade de manter estoques de combustível. Em Santa Catarina, a distribuição é realizada pela SCGÁS por meio de uma rede canalizada, com atendimento aos clientes e suporte operacional. Assim, facilita o acompanhamento do consumo e o planejamento energético da unidade, permitindo que a indústria concentre seus esforços em sua atividade principal e reduza a complexidade associada à gestão de combustíveis.
Com fornecimento contínuo, controle dos processos térmicos, menor necessidade de armazenamento, redução de operações logísticas e maior previsibilidade operacional, o gás natural é uma alternativa para indústrias que buscam maior eficiência, estabilidade e praticidade na gestão energética.