A produção industrial brasileira registrou um avanço de apenas 0,1% em outubro na comparação com o mês anterior, um resultado que ficou abaixo da expectativa do mercado (que projetava alta de 0,4%). Os dados, divulgados nesta terça-feira (2) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), confirmam que o setor caminha para o fim do ano sem ganhar ritmo em um cenário de restrições internas e incertezas externas.
Na comparação com o mesmo mês do ano anterior, o desempenho foi ainda mais fraco, com uma queda de 0,5% — contra a expectativa de alta de 0,2%. Com isso, a produção industrial permanece 14,8% abaixo do nível recorde atingido em maio de 2011.
Cenário Adverso: Juros e Tarifas Americanas
O setor industrial enfrenta uma pressão dupla que limita sua recuperação:
Política Monetária Restritiva: A taxa básica de juros (Selic) a 15% encarece o crédito e afeta as decisões de investimento e produção. O Banco Central deve manter a Selic no mesmo patamar na última reunião do ano, marcada para a próxima semana. O gerente da pesquisa, André Macedo, destacou que, apesar da pressão dos juros, fatores como o mercado de trabalho aquecido, o aumento da renda e o crescimento das exportações para a Argentina atuam como contraponto.
Incertezas Externas: O setor foi penalizado pelo “tarifaço” dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, que entrou em vigor em agosto. O economista André Valério, do Inter, avalia que o resultado de outubro reforça a “acomodação do crescimento”, já que o mercado americano é de grande relevância e os produtos industriais brasileiros não foram contemplados com amenizações das tarifas.
Apesar da alta de 0,1% marcar um retorno ao campo positivo, André Macedo ressalta que a indústria tem “girado perto de zero para cima ou baixo e num mesmo patamar” por meses.
Destaques Positivos e Recuos por Setor
Em outubro, 12 dos 25 ramos industriais pesquisados apresentaram expansão na produção em relação a setembro.
Destaques de Crescimento Recuos Mais Significativos
Indústrias Extrativas (+3,6%) – Impulsionada por petróleo, minério de ferro e gás natural. Produtos Farmoquímicos e Farmacêuticos (-10,8%) – Devido à menor fabricação de medicamentos.
Veículos Automotores, Reboques e Carrocerias (+2,0%) Coque, Produtos Derivados do Petróleo e Biocombustíveis (-3,9%) – Pressionada por paralisações em unidades produtivas.
Produtos Alimentícios (+0,9%)
Produtos Químicos (+1,3%)
Entre as categorias econômicas, a produção de bens de consumo duráveis avançou 2,7%, enquanto os bens de capital e de bens de consumo semi e não duráveis subiram 1,0% cada. Por outro lado, o segmento de bens intermediários teve uma retração de 0,8%.