02/08/2011 00:00
Exportadores brasileiros de commodities necessitam adotar medidas para redução do impacto do frete marítimo
Análise recente da Europraxis avalia como os grandes exportadores podem se tornar mais competitivos operando com diferentes modalidades de fretes, como spot, CoA, time sharter ou owns ships, para garantir previsibilidade, disponibilidade e flexibilidade
São Paulo, 03 de junho – Diante do atual panorama do comércio internacional, caracterizado pela elevação do preço das commodities e valorização do Real, é fundamental que o importante tema da logística marítima seja pensado de forma estruturada pelas empresas brasileiras exportadoras e que estas encontrem alternativas de frete mais competitivas. O Brasil possui uma costa litorânea de mais de 7,4 mil km e seus portos são a principal porta de entrada e saída de produtos do país, responsáveis por 95% da movimentação de importação e exportação. Isso equivale a cerca de 700 milhões de toneladas por ano ou 75% do volume total do comércio exterior brasileiro.
“Com o crescimento contínuo das exportações brasileiras e o ganho de importância de economias mais distantes, como a chinesa, a economia do país passa a ser cada vez mais sensível às oscilações relacionadas ao comércio internacional e aos preços dos fretes marítimos. Este impacto atingiu o seu ponto máximo na pré-crise de 2009 e agora volta a exercer pressão sobre as exportações”, diz Philip So, consultor da Europraxis, uma das mais importantes consultorias em operação na Europa e América Latina, responsável pelo levantamento.
O novo cenário afetou o Brasil de forma expressiva, dada sua posição como importante exportador mundial de commodities, principalmente minério de ferro, petróleo e grãos, cargas escoadas por meio de navios. Além disso, o fato de estar longe da China, maior parceiro internacional de mercadorias do Brasil e maior consumidor de minério do mundo, superando até mesmo os Estados Unidos, torna o frete marítimo um fator crítico de competitividade para as commodities brasileiras. Segundo o consultor da Europraxis, o transporte marítimo até a China demora cerca de 45 dias incluindo o tempo de porto, o que acaba impactando toda a cadeia. Este também é um dos motivos pelos quais o Brasil acaba ficando atrás dos outros países em termos de competitividade comercial.
Muitas empresas brasileiras operam com vendas FOB (Free on Board), no qual o vendedor da carga é responsável por entregar a mercadoria pelo preço estabelecido no porto de origem e as despesas decorrentes do transporte marítimo, como o frete e o seguro, e os riscos sofridos pela carga são de responsabilidade do comprador. Isso aconteceu historicamente por uma série de fatores combinados, como desconhecimento sobre operação de fretes marítimos de granéis, atividade não core, pouca escala para obter condições melhores que o comprador (principalmente quando se trata de grandes clientes em países mais avançados no comércio internacional).
O ganho de competitividade no comércio internacional de commodities passa pela conversão da modalidade de vendas tradicional para o modelo CIF (Cost, Insurance and Freight) ou CFR (Cost and Freight), onde o vendedor se responsabiliza pelo transporte até o porto de destino e obtém preços mais atrativos. “Entretanto, esse movimento deve ser avaliado no contexto operacional e comercial de cada empresa para que traga vantagens competitivas e melhoria de margens”, alerta So.
“A operação de fretes marítimos exige que as empresas avaliem as diversas alternativas de contratação para planejar a modalidade do frete, já que este terá efeito direto no custo do embarque”, enfatiza o consultor da Europraxis. “E ainda garanta que o navio esteja disponível no porto de acordo com a demanda e no momento certo".
Na modalidade “Spot”, o afretador cota preços a cada embarque e fica sujeito às oscilações do mercado. O frete “Spot” pode trazer vantagens em momentos de baixa de fretes, entretanto, é necessário se proteger para os casos de inversão da tendência.
Uma forma de reduzir a exposição às oscilações do mercado de fretes são os Contratos de Afretamento (CoA), que podem ser negociados segundo um número de viagens definido ou um volume de carga a ser entregue durante um período estabelecido. “A contratação de um CoA exige que o afretador tenha volume de carga suficiente e previsibilidade de rota (ex. contrato de fornecimento com um cliente definido)”, explica So.
O afretador também pode optar por alugar um navio por tempo determinado, o chamado Timer Charter, ou ainda pode ser o proprietário de uma embarcação. É o caso da Vale, a gigante brasileira de mineração, que optou por operar seus próprios navios para transportar seu minério até a China. Dentre suas compras mais recentes estão 20 navios com capacidade de 400 mil toneladas de minério de ferro, que serão entregues até 2013 e vão superar a capacidade do maior navio cargueiro atualmente em operação, o MS Berge Stahl, que tem capacidade para 365 mil toneladas (também à serviço da Vale).
“Não existe uma alternativa ideal. Em geral, aconselhamos as empresas a ter um mix de soluções e dependendo do planejamento de entregas e das rotas, avaliar qual é a melhor opção. Com isso, é possível evitar prejuízos devido à alta volatilidade de fretes, minimizar o valor do frete, garantir a disponibilidade de navios e permitir flexibilidade à área comercial para atendimento de clientes em necessidades extraordinárias”, ressalta o analista.
Sobre a Europraxis
Fundada em 1994 como uma alternativa às empresas de consultoria de gestão tradicionais, a Europraxis pertence a uma das principais multinacionais espanholas, a Indra, presente no Brasil desde 1996. Reconhecida como uma das principais consultorias estratégicas e de gerenciamento na Europa e América Latina, a Europraxis é composta por cinco divisões: Europraxis Consulting, Europraxis ALG, Europraxis Turismo e Lazer, Europraxis Opteam e Europraxis Curious.
Com cerca de 400 profissionais ao redor do mundo, a Europraxis possui escritórios na Venezuela, França, Itália, Alemanha, Portugal, México, Argentina, Estados Unidos, Equador, Dubai, China, Marrocos e no Brasil.
No Brasil, a Europraxis possui em sua carteira de clientes empresas como: Vivo, Telefônica, Dedic, CSN, Grupo Votorantim, Samarco, LDC, Seara, Coca-Cola, WalMart, Cemig, CPFL e Fidelity.
Para saber mais sobre a Europraxis, acesse: http://www.europraxis.com
