
O Chile volta às urnas neste domingo (16) para o primeiro turno das eleições presidenciais que irão definir o sucessor de Gabriel Boric, atual presidente e líder da Frente Ampla (esquerda). A votação acontece em um cenário de acentuada polarização política — agora refletida entre uma candidata comunista considerada moderada e dois nomes fortes da direita.
Segundo a mais recente pesquisa Atlas/Intel, divulgada no fim de outubro, Jeannette Jara (Partido Comunista) aparece na liderança, com 33,2% das intenções de voto. Logo atrás, empatados com 16,8%, estão José Antonio Kast (Partido Republicano) e Johannes Kaiser (Partido Nacional Libertário), ambos representantes do campo conservador.
Mas o elemento que mais pesa nesta eleição não é apenas ideológico: é o medo. O Chile, historicamente visto como um dos países mais seguros da América Latina, vive uma transformação profunda. A criminalidade se tornou a principal preocupação da população — superando temas como economia, saúde e educação.
📊 Dados recentes mostram esse cenário:
• 63% dos chilenos apontam a segurança pública como o maior problema do país (Ipsos)
• A taxa de homicídios mais que dobrou: de 2,32 por 100 mil habitantes (2015) para 6,0 em 2024
• Os sequestros atingiram um número recorde: 868 casos em 2024
• Cerca de 40% deles são atribuídos ao crime organizado
• Tiroteios, esquartejamentos e execuções — antes raros — passaram a frequentar o noticiário policial
Esta eleição pode definir não apenas o novo presidente, mas o futuro social de um país que enfrenta, ao mesmo tempo, crise de segurança, reorganização política e o desafio de retomar a confiança popular.
📌 A disputa promete ser apertada — e carregada de tensão.