domingo, 19 de julho de 2026
29/12/2025 11:30

Correios anunciam reestruturação e preveem fechamento de mil agências no país


Os Correios apresentaram nesta segunda-feira (29) um amplo plano de reestruturação para tentar estancar os prejuízos acumulados nos últimos anos. A proposta prevê o fechamento de cerca de mil agências próprias, o equivalente a aproximadamente 16% das unidades da estatal, além da realização de dois Programas de Demissão Voluntária (PDV) que podem resultar na saída de até 15 mil funcionários até 2027.

Segundo a direção da empresa, a medida busca reduzir os déficits registrados desde 2022. Apenas com o encerramento das agências, a expectativa é gerar uma economia de R$ 2,1 bilhões. Atualmente, os Correios contam com cerca de 6 mil unidades próprias e outros 10 mil pontos de atendimento parceiros em todo o Brasil. O presidente da estatal, Emmanoel Rondon, garantiu que o processo será feito sem comprometer a obrigação legal de atendimento em todo o território nacional.

“A ponderação será feita entre o resultado financeiro das agências e o cumprimento da universalização do serviço, para que o fechamento não prejudique a população”, afirmou Rondon durante coletiva em Brasília.

Além disso, o plano projeta um corte total de R$ 5 bilhões em despesas até 2028, incluindo a venda de imóveis, redução de custos com pessoal e revisão dos planos de saúde e previdência dos empregados. Somente com os PDVs e ajustes nos benefícios, a estatal estima uma economia anual de R$ 2,1 bilhões. A venda de patrimônios imobiliários pode gerar ainda R$ 1,5 bilhão em receita.

Os números da empresa refletem a gravidade da situação. Em 2025, os Correios acumulam um prejuízo de R$ 6 bilhões nos nove primeiros meses do ano e um patrimônio líquido negativo de R$ 10,4 bilhões. Para reforçar o caixa, a estatal contratou recentemente um empréstimo de R$ 12 bilhões, mas ainda busca outras fontes para levantar mais R$ 8 bilhões e equilibrar as contas em 2026.

A direção também estuda mudanças no modelo societário a partir de 2027, com a possibilidade de abertura de capital e transformação da empresa em uma companhia de economia mista, a exemplo de estatais como Petrobras e Banco do Brasil.

De acordo com a empresa, a crise no setor postal é resultado direto da digitalização das comunicações, que reduziu drasticamente o envio de cartas, além do aumento da concorrência no comércio eletrônico. “É um movimento mundial. Empresas postais em vários países enfrentam dificuldades semelhantes”, ressaltou o presidente.




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