quinta, 23 de julho de 2026
31/12/2025 00:10

Ex-embaixador diz que Trump abandonou Bolsonaro por enxergá-lo como perdedor, não por mérito de Lula


O ex-embaixador dos Estados Unidos no Panamá, John Feeley, afirmou que a mudança de postura do presidente Donald Trump em relação ao Brasil e a Jair Bolsonaro não teve qualquer relação com habilidade diplomática do governo brasileiro, mas sim com a lógica pessoal, imprevisível e oportunista do líder americano.

Segundo Feeley, Trump passou a enxergar Bolsonaro como um “perdedor” após sua condenação e prisão, o que teria provocado o rompimento imediato da antiga aliança política. Para o diplomata, Trump não demonstra interesse real pelo Brasil e costuma descartar aliados no momento em que deixam de ser úteis ao seu cálculo pessoal de poder.

Na avaliação do ex-embaixador, Trump é errático, narcisista e difícil de negociar, tornando qualquer acordo instável e circunstancial. Ele afirma que o desfecho das recentes tensões entre Brasil e Estados Unidos foi muito mais fruto do acaso do que de uma estratégia bem-sucedida do governo Luiz Inácio Lula da Silva, dizendo que Lula “teve sorte” diante desse cenário.

Feeley também aponta que as tarifas de 40% sobre produtos brasileiros e as sanções contra autoridades do Judiciário tiveram forte influência do lobby feito por Eduardo Bolsonaro em Washington, e não de uma diretriz consistente do governo americano. Para ele, Trump é altamente suscetível a pressões políticas internas e pessoais.

Ao comentar a situação da Venezuela, o diplomata afirmou que o bloqueio a navios petroleiros se mostrou mais eficaz do que ações militares do passado, mas ressaltou que a crise humanitária no país não é causada principalmente por sanções externas, e sim pelo modelo econômico adotado por Nicolás Maduro ao longo dos últimos anos.

Na visão de Feeley, uma escalada militar dos Estados Unidos na região seria prejudicial para toda a América do Sul. Segundo ele, o papel mais relevante do Brasil hoje não é atuar como mediador direto entre Washington e regimes autoritários, mas sim servir de exemplo de resiliência institucional e respeito aos limites democráticos.




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