terça, 10 de fevereiro de 2026
16/01/2026 07:00

JBS Terminais e o futuro de Itajaí: Leilão de 35 anos e a luta contra o caos logístico


O futuro do Complexo Portuário de Itajaí, um dos principais motores econômicos do Sul do Brasil, está em um momento de encruzilhada. A JBS Terminais, que assumiu provisoriamente a operação do Tecon em outubro de 2024, não apenas retomou o volume operacional pré-paralisação, movimentando quase 390 mil TEUs em 2025, mas também se posiciona como um player fundamental para o leilão de concessão de 35 anos que se aproxima.

A empresa, que investiu cerca de R$ 220 milhões em modernização e infraestrutura, como a aquisição de guindastes de última geração e a instalação de 1.708 tomadas para contêineres refrigerados (reefers), obteve uma prorrogação de mais dois anos em seu contrato provisório. Essa extensão garante a continuidade das operações até a realização
do leilão, um sinal de confiança no ativo, mas também uma necessidade para oferecer estabilidade na movimentação de cargas, já que dois anos seriam insuficientes para tal.
O leilão e a "Caixa-Preta" do Edital
O Governo Federal planeja leiloar a concessão do terminal por um prazo de 35 anos, prorrogável por mais 35. O presidente da JBS Terminais, Aristides Russi Junior, confirmou o interesse da empresa em permanecer na operação, mas com cautela.
"Estamos aguardando, obviamente, os papéis do edital. Estamos trabalhando na modelagem. Temos expectativas, mas precisamos entender qual será o formato do leilão, quão aderente ele está à nossa estratégia de futuro, para nós entendermos se nós somos o player ideal para manter as operações. Gostaríamos de permanecer aqui, mas precisamos entender se é aderente ao nosso modelo", afirmou o executivo.

A declaração revela a incerteza do mercado diante das exigências do futuro edital, que ainda não são conhecidas, mas que serão cruciais para definir o próximo operador do porto.
A Dragagem: “calcanhar de Aquiles” da competitividade
Além do leilão, a outra grande expectativa que paira sobre o Complexo Portuário é o projeto de dragagem do canal, que também beneficia a Portonave, em Navegantes, e outros terminais privados. A previsão é de que um edital definitivo para a concessão da dragagem seja lançado nos próximos meses.

O objetivo é aprofundar o calado para 16 metros, uma medida vital para permitir a entrada de navios maiores, de 366 metros de comprimento e a retirada do navio Pallas, um casco centenário que se encontra submerso há 130 anos. Sem essa dragagem, a competitividade do porto fica comprometida, limitando o potencial de crescimento e a capacidade de atender às demandas do comércio global.
O caos rodoviário e o custo Brasil
Aristides Russi Junior também levantou um ponto crucial que afeta toda a cadeia logística: a insuficiência do sistema rodoviário para a chegada de caminhões ao porto.
Apesar dos esforços do Governo do Estado, como o lançamento da nova rodovia Via Mar, o executivo reconheceu que as empresas enfrentam custos maiores devido aos engarrafamentos que chegam a durar até seis horas na BR-101. Embora o porto não tenha perdido cargas por falta de logística adequada, o custo operacional é elevado, um fator que impacta diretamente o "Custo Brasil" e a eficiência da região.

JBS Terminais em Itajaí
A infraestrutura atual compreende uma área operacional de 180 mil metros quadrados, com 1.030 metros de cais e quatro berços que oferecem 14 metros de profundidade. Essa robustez física permite ao terminal operar hoje com 10 linhas de navegação regulares e sete escalas semanais, conectando Santa Catarina diretamente a mercados essenciais na Ásia, Europa, Américas, Oriente Médio e África. Ao longo de 2025, o terminal recebeu 384 embarcações, com forte atuação nos segmentos de Full Conteiner LC e Full Conteiner CB. Neste mês, a JBS Terminais adicionará mais um serviço ao seu portfólio, o LUX, que conectará o Brasil ao Norte da Europa com escalas semanais em Itajaí.

A diversidade das mercadorias movimentadas reflete a força econômica do estado e a capacidade de operar múltiplos tipos de carga do terminal. No acumulado do ano, as carnes lideram a pauta exportadora, seguidas pela madeira. O porto também se destaca na importação e exportação de plásticos, alimentos preparados para animais e máquinas de alto valor agregado. Para o executivo, a JBS Terminais atua como um facilitador do desenvolvimento econômico, não apenas ao prover infraestrutura, mas ao garantir que a indústria regional tenha um canal de escoamento ágil e previsível.

O impacto social da operação também é um pilar central na estratégia da companhia. Atualmente, a JBS Terminais sustenta 345 colaboradores diretos e mobiliza diariamente cerca de 600 Trabalhadores Portuários Avulsos (TPAs). O presidente da empresa reforça que a operação em Itajaí foi estruturada para ser um modelo de excelência em gestão portuária, onde a conectividade global se traduz em desenvolvimento local sustentável, garantindo que o Porto de Itajaí siga como um dos principais motores de riqueza do Sul do Brasil.




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