terça, 10 de fevereiro de 2026
04/02/2026 07:00

Porto Itapoá projeta novo ciclo de crescimento com acordo Mercosul - União Europeia


O Porto Itapoá inicia 2026 consolidado como um dos principais vetores do comércio exterior brasileiro, impulsionado por um desempenho expressivo em 2025 e por uma agenda contínua de investimentos em inovação, expansão operacional e modernização logística.
Esse ambiente favorável ganha ainda mais relevância com a recente assinatura do acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia, um marco histórico que promete redesenhar os fluxos globais de exportação e importação e criar uma das maiores zonas de livre comércio do planeta.
Fruto de negociações iniciadas ainda em 1991, com a criação do Mercosul, o acordo simboliza a maturação de mais de duas décadas de diálogos diplomáticos e econômicos. Ao conectar dois grandes blocos comerciais, que juntos somam cerca de 700 milhões de consumidores e elevado poder de compra, o tratado amplia o acesso de produtos brasileiros ao mercado europeu e fortalece a integração do Brasil às cadeias globais de valor, em um momento de reconfiguração do comércio internacional.
Para Santa Catarina, estado com forte vocação exportadora e elevada densidade industrial, os impactos tendem a ser ainda mais significativos.
O Porto Itapoá surge como peça-chave nesse novo tabuleiro, especialmente por atravessar sua quinta fase de expansão, que envolve aumento de capacidade, incorporação de novos equipamentos, obras de dragagem e melhorias estruturais nos acessos rodoviários. Atualmente, cerca de 12% das exportações do terminal têm como destino a União Europeia, o equivalente a aproximadamente 180 mil TEUs, número que evidencia o amplo potencial de crescimento a partir da redução gradual das tarifas.
O acordo abre oportunidades concretas para setores que enfrentaram, nos últimos anos, maiores restrições tarifárias e pressões geopolíticas em outros mercados. Produtos florestais, por exemplo, já têm presença relevante nas exportações via Porto Itapoá rumo à União Europeia, respondendo por cerca de 19% desse fluxo. Com o novo cenário, há expectativa de diversificação de destinos e fortalecimento de segmentos como eletrodomésticos, eletroeletrônicos, máquinas, equipamentos industriais e produtos químicos, ampliando a competitividade da indústria brasileira no mercado europeu.
Do lado das importações, o impacto também tende a ser expressivo. Hoje, aproximadamente 19% do volume importado pelo Porto Itapoá, cerca de 285 mil TEUs, tem origem na União Europeia, com destaque para bebidas, alimentos, insumos químicos e maquinário. O avanço do acordo deve intensificar esse intercâmbio, fortalecendo o papel do terminal como um dos principais canais de entrada de produtos europeus no Brasil e contribuindo para maior dinamismo das cadeias produtivas nacionais.
A capacidade de resposta do Porto Itapoá a esse crescimento está diretamente ligada aos investimentos estruturantes em curso. Até 2029, o terminal deverá dobrar sua capacidade anual, passando de 1,6 milhão para 3,2 milhões de TEUs. Paralelamente, a dragagem da Baía da Babitonga elevará o calado de 14 metros para até 16,5 metros, permitindo a operação inédita no país de navios de até 366 metros com carga máxima, um ganho significativo de escala para os armadores e um fator relevante de redução de custos logísticos para importadores e exportadores.
Cada metro adicional de calado representa um salto operacional expressivo. Estima-se que, a cada metro de profundidade, um navio desse porte possa transportar cerca de mil contêineres a mais por viagem. Com o aprofundamento previsto, o Porto Itapoá poderá disponibilizar ao mercado algo em torno de 1,5 milhão de contêineres adicionais por ano, equilibrando a capacidade marítima com a infraestrutura do terminal e ampliando significativamente a oferta logística no Sul do Brasil.
Esse avanço, no entanto, depende também da evolução dos projetos de acesso terrestre. As duplicações das rodovias SC-416 e SC-417 são consideradas obras estratégicas para garantir fluidez no escoamento de cargas e acompanhar o crescimento do terminal. Com projetos executivos finalizados e expectativa pela publicação dos editais, o entendimento do poder público é de que não há desenvolvimento sustentável sem investimentos consistentes em infraestrutura.
Diante desse cenário, o Porto Itapoá se posiciona de forma estratégica para absorver o aumento potencial de volumes gerado pelo acordo Mercosul - União Europeia.
Com localização privilegiada no Norte de Santa Catarina, integração logística nacional, infraestrutura moderna e capacidade de expansão planejada, o terminal reforça seu protagonismo no comércio exterior brasileiro e se prepara para liderar um novo ciclo de crescimento, competitividade e inserção internacional da economia nacional.

Dragagem da Baía da Babitonga é referência nacional
A assinatura do contrato de mútuo entre os portos de São Francisco do Sul e Itapoá para a realização da obra de dragagem do canal de acesso à Baía da Babitonga, no ano de 2025, representa um marco histórico para a infraestrutura portuária brasileira. O projeto reúne características inéditas no país e reforça o protagonismo de Santa Catarina em soluções inovadoras para o desenvolvimento logístico, econômico e ambiental.
Pela primeira vez no Brasil, um porto público e um porto privado firmam uma parceria para a execução conjunta de uma obra de dragagem dessa magnitude. A iniciativa consolida um novo modelo de cooperação entre os setores público e privado, voltado à ampliação da competitividade portuária e à modernização da infraestrutura marítima nacional.
Outro aspecto inovador do projeto está no reaproveitamento ambientalmente responsável dos sedimentos retirados do fundo do mar. Cerca de 12,5 milhões de metros cúbicos de material serão dragados, sendo aproximadamente 7 milhões destinados ao alargamento da faixa de areia da orla do município de Itapoá, que enfrenta problemas recorrentes de erosão costeira. Trata-se da primeira experiência do país em que sedimentos de dragagem portuária são utilizados para recuperação e ampliação de praias, com potencial para se tornar referência nacional.
Com investimento de R$ 333 milhões, sendo R$ 300 milhões do Porto Itapoá e R$ 33 milhões do Porto de São Francisco do Sul (pertencente ao Governo do Estado), a dragagem está permitindo o alargamento e aprofundamento do canal de acesso, viabilizando a atracação e operação de navios de até 366 metros de comprimento, com carga máxima. Com isso, o complexo portuário formado pelos portos de Itapoá e São Francisco do Sul se tornará o primeiro do Brasil com capacidade plena para receber embarcações desse porte, ampliando significativamente os ganhos de escala e eficiência logística.
A obra é viabilizada por meio de uma Parceria Público-Privada (PPP). O Porto Itapoá realizará o aporte financeiro necessário e o investimento será amortizado ao longo de 12 anos, por meio das tarifas portuárias geradas pelo aumento da movimentação de cargas decorrente da ampliação da capacidade operacional dos terminais.
A expectativa é que as obras sejam concluídas em 2026, consolidando a Baía da Babitonga como um dos principais corredores logísticos do país e posicionando Santa Catarina na vanguarda da infraestrutura portuária brasileira.

 




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