sexta, 17 de julho de 2026
17/07/2026 07:00

Incerteza no Oriente Médio pode chegar ao bolso do brasileiro, avalia professor da Univali

Disputa pela principal rota marítima do petróleo pode influenciar combustíveis, fretes e preços no Brasil

A escalada das tensões no Oriente Médio voltou a pressionar o mercado internacional de petróleo e reacendeu o debate sobre os impactos da instabilidade geopolítica na economia global. Mesmo após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, recuar da proposta de cobrar uma taxa sobre embarcações que cruzam a principal rota marítima de escoamento de petróleo do mundo, o Estreito de Ormuz, a disputa pelo controle da região mantém o mercado em alerta.
 
Para o professor de Relações Internacionais da Univali, Ricardo Boff, os efeitos desse cenário podem chegar ao Brasil por meio dos combustíveis, transporte de cargas e preços ao consumidor.
 
Localizado entre o Irã e Omã, o Estreito de Ormuz liga o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e concentra cerca de um quinto do petróleo comercializado mundialmente. Qualquer ameaça ao fluxo de navios na região, que conta com cerca de 50 quilômetros de largura em seu ponto mais estreito, influencia imediatamente as cotações internacionais e aumenta a volatilidade do mercado energético.
 
Segundo Boff, esse movimento já começou a ser percebido. “O barril de petróleo subiu quase 10%. Isso cria uma tendência de aumento da gasolina, do diesel e de toda a cadeia produtiva que depende do petróleo”, diz.
O professor explica que os impactos não se restringem ao abastecimento dos veículos. O petróleo é matéria-prima para diferentes setores industriais e exerce influência direta sobre os custos do transporte de cargas.
 
“Quando o combustível sobe, o frete também tende a aumentar. Esse custo acaba sendo incorporado ao preço de diversos produtos consumidos pela população”, detalha.
Na avaliação do especialista, caso a valorização do petróleo se mantenha, o governo brasileiro poderá adotar medidas para reduzir os efeitos sobre consumidores e empresas.
 
“A tendência é buscar alternativas, como ajustes tributários, mudanças na composição dos combustíveis ou outros mecanismos para amenizar esse impacto”, observa.
Embora Trump tenha anunciado que pretende substituir a cobrança sobre embarcações por acordos comerciais com países do Golfo Pérsico, Boff destaca que a indefinição permanece porque o Irã continua exercendo pressão sobre a navegação na região.
 
“O anúncio não encerra o problema. Enquanto houver incerteza sobre o funcionamento dessa rota estratégica, o mercado continuará reagindo, e essa volatilidade pode repercutir na economia brasileira”, alerta.



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