
Concessão prometida para este ano sofre novo adiamento e aumenta a cobrança sobre Brasília. Enquanto isso, uma nova draga é esperada para sábado (7), na tentativa de recuperar as profundidades do canal e reduzir as restrições operacionais.
O complexo portuário de Itajaí e Navegantes continua enfrentando dificuldades operacionais enquanto aguarda uma definição do governo federal sobre a concessão do canal de acesso. O leilão, inicialmente previsto para 2026, agora deverá ocorrer somente no primeiro trimestre de 2027.
Segundo o portal BE News, a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (ANTAQ) deverá deliberar sobre o projeto em 12 de novembro, permitindo a publicação do edital ainda neste ano.
O adiamento levanta questionamentos sobre a condução do processo em Brasília. O Tribunal de Contas da União concluiu sua análise em maio e, em junho, o Ministério de Portos e Aeroportos anunciava a expectativa de realizar o leilão antes do encerramento de 2026.
A pergunta é inevitável: haverá vontade política para cumprir o novo prazo ou o complexo continuará sujeito a decisões administrativas e novos adiamentos?
Não há evidências de interferência política para impedir a concessão, mas o governo federal precisa explicar os atrasos e garantir transparência sobre as próximas etapas.
Terminais e armadores não aguentam mais as restrições
Enquanto Brasília discute o futuro da concessão, o setor portuário enfrenta problemas imediatos. O assoreamento do canal e as restrições de calado têm provocado dificuldades na movimentação de contêineres, redução de cargas embarcadas e relatos de cancelamento de escalas.
Os impactos atingem terminais, armadores, transportadoras, importadores e exportadores. A falta de previsibilidade aumenta custos e compromete o planejamento das operações.
Não basta manter o canal aberto. É preciso garantir profundidade suficiente para que os navios possam operar com segurança e transportar as cargas programadas.
Nova draga chega sábado, mas serviços não têm prazo para terminar
A Superintendência do Porto de Itajaí anunciou a previsão de chegada da draga HAM316 para sábado, 7 de novembro. A embarcação substituirá a Utrecht, que precisou passar por manutenção.
A draga Njord permanece em operação, utilizando a tecnologia de injeção de água para auxiliar na manutenção do canal.
Segundo a SPI, os trabalhos terão como objetivo recuperar as profundidades de referência: 14 metros no canal externo e 13,5 metros no canal interno e nas bacias de evolução 1 e 2.
A nova draga deverá permanecer na região até que essas profundidades sejam recuperadas. Entretanto, não existe prazo definitivo para a conclusão dos serviços, e os resultados dependerão das batimetrias realizadas após a dragagem.
O setor precisa de soluções, não de novas promessas
A concessão prevê investimentos em dragagem, manutenção permanente, melhorias na segurança da navegação e adequações para receber navios de até 400 metros.
Mas essas obras ainda dependem do leilão, da contratação da futura concessionária e do cumprimento do cronograma estabelecido.
Até lá, a responsabilidade pela manutenção das condições operacionais continua sendo uma questão urgente.
Itajaí e Navegantes não podem permanecer indefinidamente à espera de decisões tomadas em Brasília enquanto empresas acumulam custos, cargas são prejudicadas e a competitividade regional fica ameaçada.
A cobrança é objetiva: recuperar imediatamente as profundidades do canal, assegurar condições confiáveis de navegação e realizar o leilão sem novos adiamentos. O complexo portuário não pode continuar pagando a conta da demora.