segunda, 24 de agosto de 2026
26/11/2007 00:00

BID financia construção do primeiro porto privado do País: Itapoá


Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) aprovou US$ 144 milhões em financiamento para a Itapoá Terminais Portuários S.A. para a construção do primeiro porto inteiramente privado do Brasil, localizado no litoral norte do estado de Santa Catarina. O montante representa 70% do total do empreendimento, conhecido como "Tecon Santa Catarina" e orçado em R$ 350 milhões. O restante dos recursos será dos acionistas do empreendimento, a Portinvest Participações (Conglomerado Battistella e Logística Brasil - Fundo de Investimento e Participações) e a Aliança Navegação e Logística (Hamburg Süd). O financiamento do BID segue a modalidade project finance, que considera os recebíveis gerados pelo próprio negócio como garantia ao pagamento e é considerado adequado para projetos intensivos em capital. Em fase de instalação em Itapoá (SC), o Tecon será um terminal portuário privativo de uso misto (carga própria e de terceiros) exclusivo para a movimentação de contêineres. Com operação programada para o primeiro trimestre de 2009, terá capacidade instalada inicial para 300 mil contêineres/ano e foi projetado para ser referência em produtividade e segurança entre os portos brasileiros. A obra, realizada pela Construtora Andrade Gutierrez, vai gerar mais de 700 postos de trabalho. Com o início da operação, vai criar 500 empregos diretos e outros 2.500 indiretos na operação, suporte no retroporto e prestação de serviços no município. O diretor presidente da Itapoá Terminais Portuários, Nivaldo Almeida Neto, afirma que a escolha de Itapoá foi motivada pelo calado natural de 16 metros existente na Baía da Babitonga. Esta região dá acesso marítimo ao empreendimento, está estrategicamente localizada entre as regiões de maior movimentação econômica do Brasil (Sul e Sudeste) e alguns dos principais mercados da América do Sul. "O calado profundo possibilitará ao Tecon receber adequadamente navios de grande porte, melhorando o fluxo das embarcações", diz Almeida Neto. Segundo ele, o terminal deve caracterizar-se como um porto de concentração de cargas de importação e exportação, que receberá grandes navios do exterior para redistribuir a carga por cabotagem para outros portos do Brasil e da América do Sul, especialmente Argentina e Uruguai. O Tecon Santa Catarina segue a tendência dos portos mais modernos do mundo, com mínima interferência no meio ambiente. Duas pontes sairão do pátio de contêineres avançando cerca de 230 metros no mar até o píer, onde ficarão os três berços de atracação. Desta forma, será mantida intacta a praia da Figueira do Pontal, com sua fauna, flora e balneabilidade. Os contêineres serão monitorados em todas as fases da operação. O porto será equipado com quatro portêineres, 11 transtêineres e 26 terminal tractors. O chefe da equipe do BID, John Graham, afirmou em nota na imprensa que "o projeto ajudará a aliviar o problema dos crescentes tempos de espera, incentivará a concorrência no que diz respeito às tarifas de manejo e armazenamento e permitirá maior especialização entre os portos existentes para lidar com o tipo de carga mais adequado para cada um deles". O financiamento compreende um empréstimo do BID de até US$ 57,6 milhões do capital ordinário do Banco e US$ 86,4 milhões em co-financiamento de bancos comerciais. Com a entrada em operação do Tecon SC e do recém inaugurado Porto de Navegantes, Santa Catarina vai se tornar o maior operador de contêineres do País. Os dois vão acrescer uma capacidade inicial de movimentação de 550 mil contêineres/ano. Com o crescimento na demanda das operações portuárias de 15% ao ano, o estado catarinense vinha enfrentando dificuldades no escoamento das exportações das indústrias da região. O foco dos novos portos está nos grandes navios, que passam direto por Santa Catarina. Fonte: Gazeta Mercantil



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