
A transformação digital vem alterando a forma como destinos são planejados, serviços são oferecidos e viajantes se relacionam com as experiências turísticas. No contexto da agenda elaborada pelo Conselho Empresarial de Turismo e Hospitalidade (Cetur), da CNC, a tecnologia passa a ser vista como componente estratégico para aumentar a competitividade dos destinos brasileiros e apoiar o desenvolvimento econômico e social.
As recomendações reunidas no documento defendem o uso de inteligência artificial, análise de dados e plataformas digitais para melhorar a tomada de decisão. A proposta é transformar o grande volume de informações geradas pela atividade turística em conhecimento estratégico, com impacto direto na gestão pública, nas empresas do setor e na experiência do visitante.
Entre as prioridades apontadas pelas federações está o fortalecimento da inteligência de dados na gestão turística. A criação de observatórios e sistemas de inteligência turística apareceu em 23 unidades da Federação, com a meta de reunir dados de forma contínua, padronizar metodologias e aplicar as informações no planejamento dos destinos.
Essa estrutura permitiria antecipar tendências, orientar investimentos e apoiar gestores e empreendedores na definição de ações mais eficientes. A agenda também propõe sistemas integrados de monitoramento da oferta turística e da experiência do visitante, com uso de avaliações, ouvidorias e formulários para gerar indicadores e recomendações personalizadas.
Outro eixo importante é a transformação digital dos serviços turísticos, com plataformas interoperáveis, padrões tecnológicos e digitalização de reservas, autorizações e ingressos. A integração dessas soluções pode ampliar a eficiência operacional, aproximar os diferentes atores da cadeia produtiva e qualificar a jornada do turista.
O avanço da inteligência artificial também amplia as possibilidades de personalização, automação de processos e desenvolvimento de competências profissionais ligadas ao Turismo 5.0. Nesse cenário, a tecnologia deixa de ser apenas uma ferramenta de apoio e passa a integrar a estratégia de desenvolvimento dos destinos.
O novo ciclo do Vai Turismo, voltado ao período 2027-2030, amplia a mobilização iniciada entre 2022 e 2026 e reúne propostas elaboradas com base em oficinas estaduais, painel de dados e banco de boas práticas. O processo considerou os nove eixos dos Destinos Turísticos Inteligentes, além das prioridades definidas por lideranças do setor em âmbito nacional e regional.
A agenda chega em um momento de expansão da atividade turística no Brasil. Em 2025, o setor alcançou seu melhor desempenho em 14 anos, com cerca de 8,1% do PIB e recorde de 9,3 milhões de turistas internacionais. O documento defende que investir em tecnologia é essencial para responder às mudanças do mercado, integrar processos e fortalecer a competitividade dos destinos brasileiros.