domingo, 09 de agosto de 2026
21/07/2025

Economia & Negócios: 71ª Pronegócio


Augusto César Diegoli (acdiegoli@gmail.com)

 

71ª Pronegócio

De 12 a 15 de agosto, a Associação das Micro e Pequenas Empresas de Brusque e Região (AmpeBr) com patrocínio do Sebrae, realiza a 71ª edição da Pronegócio, a maior rodada de confecção do Brasil. O evento deve reunir no Pavilhão da Fenarreco, em Brusque, cerca de 150 fabricantes de SC e mais de 600 lojistas de todas as regiões do país, para conferir as novidades da coleção Alto Verão 2025/2026. A direção da AmpeBR afirma que a expectativa para esta edição da Pronegócio é bastante positiva. Um fator importante é o frio intenso deste inverno, que impulsionou as vendas da estação.

Agricultura sustentável

SC tem um contexto que dificulta o cultivo de monoculturas em larga escala, como vemos no Centro Oeste , por exemplo, com hectares infindáveis de soja, de milho. Esse cenário de clima e relevo  peculiares força os agricultores a buscar soluções para suprir a uma demanda por produtos do campo, que existe e sempre existirá. Apesar de que o Estado é, sim, protagoniza na produção de itens como cebola e maçã em nível nacional, a diversificação como modelo de negócio na agricultura familiar ganha cada vez mais espaço, alavancado por siglas como ESG (Ambiental , Social e Governança) e ODS  (Objetivo de Desenvolvimento Sustentável). E é justamente aí que entram a tais agroflorestas.

Saneamento

Saiu mais um ranking do saneamento básico, envolvendo os 100 municípios mais populosos do país, com listas dos 20 com os melhores e piores resultados no tratamento de água e esgoto. De SC não há nenhuma, nas duas categorias.

Exuberância

A consultoria JLL está divulgando que SC vai ganhar mais 500 mil m2, o equivalente a mais de 60 campos de futebol, em novos condomínios logísticos de alto padrão até o fim do ano, desempenho que permitirá ao Estado ultrapassar Pernambuco em área total e se tornar o quarto maior mercado de galpões do país, atrás apenas de São Paulo, Minas e Rio. Em um ano, a área total de galpões no Estado avançou cerca de 200 mil m2, para mais de 1,7 milhão de m2. Mais: a taxa de vacância (espaço vazio) nos galpões de SC está em 4,5%, contra 7,7% da média nacional.

Berço

É em situações do tipo que o jaraguaense Felipe Luís, técnico do Flamengo, mostra a educação de berço que recebeu. Está movendo mundos e fundos para tirar sua foto, não autorizada, de um site de apostas esportivas por quem não nutre simpatia nenhuma.

Arrecadação de SC

O Estado de SC encerrou o primeiro semestre com receita tributária de R$ 28,7 bilhões. Esse montante consiste num crescimento nominal de 8,2%, frente aos mesmos meses de 2024 e, descontada a inflação (IPCA de 5,4% no período), corresponde a crescimento real de 2,8%, segundo dados da Secretaria de Estado da Fazenda (SEF-SC). Em junho, a receita alcançou R$ 4,8 bilhões, com alta real de 5,1% frente ao mesmo mês do ano passado. Desse total, R$ 3,6 bilhões tiveram origem no ICMS. A Fazenda destacou que o resultado do semestre ficou alinhado com as projeções da pasta para o período.

Censura

A Folha de São Paulo exteriorizou em editorial “a velha censura da nova direita”. Cita como um dos dois exemplos o caso da vereadora Jéssica Lemonie, de Itapoá, no litoral norte catarinense, que pediu a retirada do livro “Capitães de Areia”, de Jorge Amado, das escolas da rede municipal por “romantizar o estupro” e representar “infiltração da esquerda” na educação.

Cesta básica

O valor da cesta básica em Brusque foi de 695,14 em junho, com alta de 1,93% em relação ao mês anterior. Os dados são da Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos, realizada pelo Dieese em parceria com o Fórum de Entidades Sindicais de Trabalhadores de Brusque e Região (Fórum Sindical) e o Sindicato dos Trabalhadores Têxteis de Brusque, e região (Sintrafite). Brusque é a única cidade do Brasil fora das capitais, incluída na pesquisa mensal do Dieese, o que permite acompanhar de forma contínua o custo de vida no município, com dados coletados diretamente no comércio local.

Ferrovias

Foi aprovado, no pacote de projetos apreciados na Assembleia Legislativa de SC, o PL 474/2025, sobre o Sistema Ferroviário do Estado de Santa Catarina (SFE-SC). A proposta regulamenta a exploração do transporte ferroviário de cargas e passageiros, tanto por meio de concessão pública quanto por autorizações privadas. A meta é reduzir custos e tornar a matriz mais eficiente e segura.

Em Balneário Camboriú

Uma vitória da prefeita de Balneário Camboriú foi o aceite na Assembleia Legislativa do PL 484/2025, que autoriza o governo do estado a receber, por doação, o Hospital Municipal Ruth Cardoso. Projetado para atender entre 130 e 140 mil habitantes, a estrutura hoje chega a receber quase 1 milhão de pessoas. A estadualização é vista como sobrevivência da instituição.

Resposta

Para quem se opõe às escolas militares, dentre eles a maioria dos integrantes do Conselho Estadual de Educação, o governo tem agora uma resposta contundente: seu desempenho no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) ficou na dianteira, em SC, entre as públicas, em 2024. A melhor classificação foi o Colégio Militar Feliciano Nunes Pires/Unidade Pedro II, de Blumenau.

Bandeira Azul

Com 31 quilômetros de orla, Penha, 33 mil habitantes, no litoral norte de SC, lidera as indicações nacionais ao selo no Brasil para receber a Bandeira Azul na temporada 2025/2026: tem quatro pré-aprovações. A certificação reconhece destinos costeiros que atendem a critérios de qualidade da água, segurança, infraestrutura e gestão ambiental. As praias são Bacia da Vivó, da Saudade, Grande e Vermelho. A confirmação oficial sai em setembro.

Fomento ao empreendedorismo

O Grupo Boticário inaugurou o novo centro logístico da empresa que atenderá mais de dois mil revendedores da região, em Brusque. O espaço com 1.160 m2, abriga loja, setor administrativo, centro de capacitação e área logística. A nova estrutura também marca o início de um plano de expansão da marca no estado., com a chancela de marcas como Out, Quem Disse Berenice?, Eudora e O Boticário. A história do O Boticário em Brusque começou em 1983, com a abertura da primeira loja da marca na cidade e desde então tem desempenhado papel fundamental no fortalecimento do comércio regional. Este foi o primeiro negócio no modelo de franquia estabelecido na cidade. Agora, o plano de crescimento da marca na região inclui ainda a abertura de uma nova franquia em Guabiruba, prevista para o primeiro semestre de 2026.

Negócio de Moda

Na última semana, a feira ONDM – O Negócio da Moda realizou a sua primeira edição em Caruaru (Pernambuco). O evento que já passou por Santa Cruz do Capibaribe em 2023, consolidou sua presença no Agreste Pernambucano reunindo mais de 3 mil pessoas. Com uma programação focando nas tendências do mercado de confecção, o ONDM Agreste atraiu empreendedores, confeccionistas, lojistas e profissionais de toda a cadeia têxtil da região. Além da feira de negócios, ofereceu conteúdo de alto nível com palestras e painéis sobre vendas online, marketing, tecnologia e gestão de negócios.  

Novos colonos

Um documento de 31.8.1869 (Museu Cada de Brusque) solicitando orçamento a fazer com 94 colonos novos, de nação polacos. Essa foi a segunda menção à presença de imigrantes poloneses na Colônia Itajahy. Na primeira, o registro de batizado de Estevão Sienovki. Por que? Estevão nasceu em o mar, a borda do navio Victório, em 3.7.1869. Foi batizado pelo Padre Gattone, a 25.8.1869. Então, tomou-se essa data como referência para as comemorações do Dia da Imigração Polonesa. Ou Dia Estadual da Imigração Polonesa em Santa Catarina.

Muito aquém

Sim, SC está perdendo sua fama de outros como de altos níveis, quase sempre os primeiros do país, em sua educação. Na lista das 150 escolas brasileiras, e privadas, com melhor públicas e privadas, com melhor pontuação no Exame Nacional de Ensino Médio (Enem), há apenas uma catarinense.: o Colégio Energia, de Chapecó, na 147ª posição.

Problemão

Além dos moradores de rua, outro problema vem mobilizando o Parlamento estadual, pressionado pela opinião pública, o abandono de cães da raça pitbul em muitas cidades. Em Itapema, por exemplo, onde a Alesc promoveu uma audiência pública semana passada, o Grupo de Operações e Resgate da Costa Esmeralda abriga no momento 40 daqueles animais em seu canil, sem interessados na adoção, pela idade e porte. Já foram realizadas seis audiências sobre o tema. Em Joaçaba, Alfredo Wagner, São Joaquim, Rio do Sul e em Concórdia. A próxima será em Timbó, dia 25 de agosto. Os encaminhamentos e sugestões apresentados serão debatidos no Fórum Estadual de Ativistas e Protetores de Animais de SC, dia 22 de outubro.

Ação popular

Foi ajuizada na subseção judiciária de Florianópolis da Justiça Federal ação civil pública que vai dar o que falar: o advogado Christian Martins questiona atos da direção da OAB-SC na gestão 2010-2012, então presidida pelo atual desembargador Paulo Roberto de Borba. O objetivo da demanda: anular e apurar irregularidades apontadas na prestação de contas da seccional de 2012, na qual auditoria externa realizada em 2013 constatou prejuízo de R$ 7 milhões.

Fuzis

De causar arrepios o número de apreensões de fuzis no Brasil entre 2015 e 2024: foram 10.248, dos quais 4.714 no Rio de Janeiro e 570 em São Paulo. Em SC foram 113, contra 748 no Rio Grande do Sul e 375 no Paraná.

Fim de uma novela

Após quase quatro décadas de impasse, um gesto político institucional maduro finalmente dá fim à longa disputa entre Santa Catarina e Paraná sobre os royalties do petróleo. A divergência teve início com um erro técnico do IBGE, que atribuiu no território paranaense compos petrolíferos que por direito, pertencem aos catarinenses. O STF reconheceu essa injustiça em 2020, mas só agora, com o avanço da negociação entre os dois estados, se desenha uma reparação concreta. Santa Catarina não verá o dinheiro diretamente, mas ganhará infraestrutura cerca de R$ 300 milhões em obras no Norte do estado, com a duplicação da SC-416, em Garuva. Um acordo que transforma conflito em progresso. A solução, articulada no âmbito do Cosud no final de 2024, mostra que a cooperação federativa e o diálogo político ainda são caminhos possíveis e desejáveis para resolver velhos embates. Mais que uma vitória jurídica, trata-se de um marco civilizatório: a força da negociação prevaleceu sobre o litígio eterno.

Ferrovias

Hoje lideranças empresariais e políticas choram a ausência de mais ferrovias em SC diante dos notáveis gargalos logísticos ocasionados pela concentração no modelo rodoviário. Então vale lembrar que até o início da década de 70 existia a Estrada de Ferro Santa Catarina, que unia Rio do Sul a Itajaí, um importante corredor de desenvolvimento, e que permaneceu ativa por 62 anos. Construída com terminologia alemã, a única no Brasil nesse modelo, a estrutura chegou a ter 180 quilômetros de extensão e operou até 1971, quando as estradas enterraram a linha férrea. Tivesse sido preservada em seu roteiro original hoje teríamos outra realidade nos transportes.

Conquista

Ameaçados por resolução do Conselho Nacional de Justiça, o direito das partes de solicitarem julgamento presencial e de o advogado falar em tempo real durante as sessões de julgamento virtuais, foram assegurados pela OAB-SC no Tribunal de Justiça de SC, que regulamentou a matéria. É uma das conquistas mais relevantes para a cidadania, pois garante o contraditório, a ampla defesa e a participação democrática no processo judicial, destaca o presidente da seccional catarinense, Juliano Mandelli.

Uma dentro

Nas rodas que mais se ouve nas últimas horas é a frase “deu uma dentro”, referindo-se à decisão do presidente vetar o aumento do número de deputados federais. Uma nova pesquisa nacional mostrou que apenas 10% são favoráveis a que se aumente a representação parlamentar federal.

Aviação regional

Conectar cidades de SC através de aeroportos com aeronaves modernas e preços competitivos. A partir deste objetivo, o governo do Estado estuda dois projetos, feitos por duas empresas do ramo para o desenvolvimento da aviação regional no território catarinense. Em ambas as ideias que são analisadas é usar aeronaves menores, de oito a 18 lugares, um modelo feito na China foi visto em uma viagem feita por uma comitiva catarinense ao país asiático no final de junho. A ideia é, até o final do ano, apresentar o plano à população, acredita o secretário de Portos, Aeroportos e Ferrovias de SC. Com a aviação regional o Estado quer reduzir o tempo de viagem, já que o território catarinense é formado por muitos planaltos, que formam a jornada nas rodovias mais longas. O secretário deu o exemplo de uma viagem de Caçador, no Oeste até Florianópolis. As duas cidades ficam distantes cerca de 350 quilômetros uma da outra. Leva seis horas de viagem de carro e isso poderá ser feito em 45 minutos de avião, argumenta o secretário.

Devo, não nego

A inadimplência das empresas voltou a bater recorde em maio, pelo quinto mês consecutivo. Ao todo, 7,7 milhões encerraram o período com contas em atraso, representando 32,8% do total de ativas no Brasil e superando os 7,5 milhões registrados em abril. As informações são da Serasa Experian. De SC são 335,1 mil ante 2,6 milhões do Estado de São Paulo.

 

 



Blog

Redução da taxa de juros ainda é insuficiente, avaliam entidades

O quarto corte consecutivo na Taxa Selic, definido nesta quarta-feira (5) pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC), foi bem recebido por agentes econômicos, mas ainda é considerado insuficiente e restritivo para a expansão do setor industrial.

Em nota, a Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) ressaltou que a continuidade do ciclo de redução da Selic representa um sinal positivo para a atividade econômica, mas que o nível ainda elevado da taxa mantém o crédito caro e atrasa investimentos.

"O elevado custo de capital posterga investimentos, dificulta a modernização produtiva e limita a capacidade das empresas brasileiras de ganhar produtividade e competir nos mercados interno e externo. Esse quadro se reflete no desempenho da indústria de transformação, que cresceu apenas 0,4% no primeiro semestre do ano, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)", disse a entidade.

Na mesma linha, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) lembrou que os juros estão em patamar restritivo há 55 meses, e que Selic está 3,6 pontos percentuais acima da taxa calculada com base na Regra de Taylor, estimada em 10,4%. Esta regra permite calcular uma taxa de juros que proporcione o controle da inflação sem desestimular o crescimento da economia.

"A taxa de juros real, aproximadamente de 10%, supera com folga a taxa de equilíbrio estimada pelo próprio Banco Central, de 5%, indicando que há espaço para cortes mais expressivos na Selic, sem prejuízos no combate à inflação".

Entre as organizações de trabalhadores, a Força Sindical também classificou como insuficiente a redução de 0,25 ponto percentual na Selic. Para a central sindical, juros elevados encarecem o crédito, reduzem investimentos, desestimulam o consumo e comprometem a geração de empregos.

"Perdemos uma excelente oportunidade de promover uma redução drástica da taxa de juros, dar uma injeção de ânimo no setor produtivo e alavancar mais a economia", disse a entidade, em nota.

Copom 
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) reduziu nesta quarta-feira (5) em 0,25 ponto percentual a Taxa Selic, a taxa básica de juros da economia brasileira, que passará de 14,25% para 14% ao ano.

Esta é a quarta vez consecutiva que o comitê reduz os juros. A decisão foi tomada em reunião na sede do BC, em Brasília.

Segundo a instituição, o novo ajuste gradual de menos 0,25 ponto é compatível com a estratégia de convergência da inflação para o redor da meta no próximo período.

Sobre o ambiente externo, o BC voltou a apontar o cenário de indefinição acerca dos conflitos armados no Oriente Médio e da incerteza sobre a política monetária em algumas economias avançadas.

Curso gratuito de Relacionamento Interpessoal e Trabalho em Equipe está com inscrições abertas em Itapema

A Prefeitura de Itapema, por meio da Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Habitação, segue com as inscrições abertas para mais uma capacitação gratuita do programa Itapema Qualifica, realizado em parceria com o SENAC/SC. Desta vez, a oportunidade é para o curso de Relacionamento Interpessoal e Trabalho em Equipe, voltado para quem deseja aprimorar competências comportamentais cada vez mais valorizadas pelo mercado de trabalho.

A formação tem como objetivo desenvolver habilidades essenciais para o ambiente profissional, como comunicação eficiente, cooperação, resolução de conflitos, inteligência emocional e convivência em equipe. O conteúdo também aborda princípios de etiqueta social e profissional, comunicação assertiva e técnicas para fortalecer o relacionamento interpessoal, contribuindo para um ambiente de trabalho mais produtivo, respeitoso e colaborativo.

Durante as aulas, os participantes aprenderão sobre os fundamentos do trabalho em equipe, compreendendo como a colaboração, a confiança e a união de diferentes habilidades podem potencializar resultados. O curso também apresenta estratégias para administrar conflitos de forma construtiva, além de explorar os principais elementos do processo de comunicação, identificando fatores que podem facilitar ou dificultar o entendimento entre as pessoas.

Outro destaque da capacitação é o desenvolvimento da comunicação assertiva, habilidade que permite expressar opiniões, necessidades e ideias com clareza, respeito e objetividade, fortalecendo as relações profissionais e pessoais.

O secretário de Desenvolvimento Econômico e Habitação, Nicko Silva, destacou a importância das capacitações para a formação profissional da população. " O Itapema Qualifica oferece oportunidades gratuitas para que a nossa população desenvolva essas competências e esteja cada vez mais preparada para conquistar uma vaga no mercado ou crescer na carreira", afirmou o secretário.

Inscrições e aulas
As inscrições podem ser realizadas presencialmente na Casa da Cidadania, localizada na Rua 216, nº 155, em Meia Praia, das 8h às 17h, ou de forma online pelo site qualifica.itapema.sc.gov.br. As vagas são gratuitas e serão preenchidas por ordem de inscrição. As aulas acontecerão nos dias 18, 20, 25 e 27 de agosto, além de 1º de setembro, na EMEB Bento Elói Garcia, localizada na Rua 402 B, nº 100, no bairro Morretes.

Juros altos agravam dificuldades da indústria, pondera CNI

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) considera acertada a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central de reduzir a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual, para 14% ao ano. No entanto, pondera que os juros altos agravam as dificuldades da indústria e seguirão asfixiando empresas e famílias. 

“Não há justificativa compreensível para a manutenção da taxa de juros em um nível tão alto. A decisão do Banco Central piora a perspectiva para a indústria, já tão prejudicada pelas incertezas no cenário externo. Além disso, o crédito caro compromete gravemente a renda das famílias, que já apresentam níveis recordes de endividamento e inadimplência”, afirma Ricardo Alban, presidente da CNI. 

Juros continuam desproporcionais à trajetória da inflação
As expectativas de inflação apuradas pelo Boletim Focus vêm melhorando. Embora a projeção para o IPCA de 2026 seja de alta de 5,03%, as perspectivas para o índice em 2027 e 2028 continuam dentro do intervalo de tolerância da meta. Ao mesmo tempo, a inflação corrente vem perdendo força, o que deve continuar a ocorrer em julho. O IPCA-15, por exemplo, acumula alta de 4,52% em 12 meses até julho, resultado abaixo do observado no mês anterior (4,8%). Esses indicadores reforçam a leitura de acomodação das pressões de oferta e de demanda verificadas nos últimos meses. 

Além disso, a média dos núcleos de inflação de junho ficaram em 4,44% e apontam uma trajetória mais consistente com a meta de 3% da inflação, apesar da continuidade das incertezas geopolíticas e dos riscos climáticos.

Selic está 3,6 pontos percentuais acima do ideal
A CNI lembra que os juros estão em patamar restritivo há 55 meses. A Selic está 3,6 pontos percentuais acima da taxa calculada com base na Regra de Taylor — estimada em 10,4%. Esta regra permite calcular uma taxa de juros que proporcione o controle da inflação sem desestimular o crescimento da economia. A taxa de juros real, aproximadamente de 10%, supera com folga a taxa de equilíbrio estimada pelo próprio Banco Central, de 5%, indicando que há espaço para cortes mais expressivos na Selic, sem prejuízos no combate à inflação. 

Real valorizado contribui para segurar a inflação 
Cabe destacar que, em um cenário marcado por tensões geopolíticas, o país segue atraindo investidores internacionais interessados no elevado diferencial de juros entre o Brasil e as economias desenvolvidas. O país continua oferecendo retorno atrativo para investidores internacionais, situação que contribui para a apreciação do real, que nos últimos doze meses se valorizou 8,6% frente ao dólar, o que ajudou a arrefecer o ímpeto inflacionário. 

Juros altos elevam endividamento e espremem margens
Consulta realizada pela CNI mostra que os juros devem trazer forte pressão financeira sobre o setor nos próximos três meses. Mais da metade das empresas (53%) prevê aumento na necessidade de financiamento para contas a pagar; 47% esperam pressão sobre contas a receber e 42% sobre estoques — sinais claros de elevação da necessidade de capital de giro. 

Entre as empresas que demandam mais capital, mais de 55% projetam encarecimento do crédito, e cerca de 39% devem ampliar o endividamento bancário. Como efeito direto do aperto, 58% antecipam redução das margens líquidas, comprometendo rentabilidade e capacidade de investimento. Para conter perdas, 51% tentarão manter preços para não perder competitividade frente a importados, enquanto 37% já planejam repassar custos ao valor final, o que pressiona a inflação. Segundo os empresários, os juros atuais funcionam como um “imposto invisível” que inviabiliza investimentos, freia contratações e desvia recursos para aplicações financeiras em vez da produção.

Taxas de juros e endividamento das famílias
O elevado nível de juros no crédito livre também encarece o refinanciamento das dívidas familiares. O resultado é o endividamento em patamar crítico e o comprometimento da renda, reduzindo recursos para consumo essencial e ampliando o risco de superendividamento. O "Desenrola 2.0" trata, sobretudo, o sintoma, sem atacar causas estruturais, como a baixa educação financeira e o elevado nível das taxas de juros. 

Aumento de etanol na gasolina divide opiniões sobre impacto em carros

Aprovado recentemente pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), o aumento da mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina de 30% para 32% (E32) reacendeu o debate sobre os efeitos da medida tanto para o bolso dos consumidores como para o funcionamento dos veículos.
Contrário à mudança, o Ministério Público Federal (MPF) ajuizou ação civil pública para suspender a decisão do CNPE até que estudos específicos comprovem a segurança da nova mistura para os motores da frota brasileira.

Já a União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica) afirma que a ampliação da mistura fortalece a segurança energética do país, reduz a dependência de gasolina importada e ajuda a conter preços ao consumidor.

MPF
De acordo com o MPF, os estudos que embasaram a nova configuração da gasolina (com 32% de etanol) não demonstraram, de forma conclusiva, os impactos do E32 sobre durabilidade de componentes, emissões, autonomia e compatibilidade com diferentes tipos de veículos.

Na ação, o MPF aponta riscos de corrosão de peças, desgaste de bombas de combustível e falhas em sistemas de injeção eletrônica, especialmente em motocicletas, veículos antigos e modelos importados.

Os procuradores argumentam, ainda, que os estudos usados foram elaborados para o E30 e não para validar especificamente a adoção permanente do E32.

Por fim, o MPF argumenta que faltam estudos sobre impactos ambientais indiretos e pede perícia técnica independente.

Unica
Para a União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica), o aumento do percentual de etanol na gasolina é algo positivo porque favorece a segurança energética do país, além de reduzir a necessidade de importação de gasolina.

Além disso, acrescenta a Unica, não há evidências, nos resultados obtidos, de impactos sobre desempenho, dirigibilidade, partida a frio, consumo, emissões ou funcionamento dos veículos em decorrência da adoção do E32.

A entidade lembra que o E32 foi avaliado em estudos coordenados pelo Ministério de Minas e Energia e realizados pelo Instituto Mauá de Tecnologia. Os testes foram feitos em veículos leves e motocicletas movidos a gasolina, fabricados entre 1994 e 2024.

Mesmo os veículos mais antigos avaliados não apresentaram impactos em partida, marcha lenta, aceleração ou dirigibilidade com a utilização do E32, acrescentou ao destacar que não foram identificados impactos relevantes em desempenho, consumo, dirigibilidade, partidas a frio ou funcionamento dos motores.

Além dos aspectos técnicos, a entidade sustenta que o aumento da participação do etanol pode beneficiar os consumidores ao reduzir a dependência de gasolina importada.

A estimativa é que o país deixe de importar cerca de 800 milhões de litros de gasolina por ano. Segundo a Unica, sem a presença do etanol no mercado nacional, o custo dos combustíveis teria aumentado em R$ 8 bilhões apenas nos últimos três meses.

Mais de 40% das indústrias migraram para o mercado livre de energia em 2 anos, aponta CNI

Pesquisa inédita da Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostra que 41% das indústrias brasileiras migraram para o mercado livre de energia desde 2024, quando entrou em vigor a norma do Ministério de Minas e Energia (MME) que ampliou o acesso dos consumidores ao ambiente de livre contratação. De acordo com os dados, 73% dos empresários que trocaram o mercado cativo pelo livre notaram redução dos custos com as tarifas de energia elétrica.

A Sondagem Especial Indústria e Energia 2026, divulgada nesta quinta-feira (30) pela CNI, revela que 30% das empresas consideram a migração para o mercado livre como a principal estratégia para reduzir o custo da conta de luz. Os dados apontam ainda que, em meio a um cenário de oscilações no setor elétrico impulsionado pela alta demanda global e por conflitos geopolíticos, o interesse das empresas pelo mercado livre de energia aumentou.

Apesar desse avanço, ainda há grande potencial para expansão desse mercado. Entre as empresas atendidas em baixa tensão que permanecem no mercado cativo, 37% demonstram interesse em migrar para o mercado livre. Os dados reforçam que a abertura gradual do setor tende a ampliar a competitividade das indústrias.

A pesquisa revela que, entre as grandes indústrias atendidas em alta tensão, 63% já compram energia no mercado livre. Entre as pequenas empresas, 22% informam atuar nesse ambiente de contratação, enquanto 45% permanecem no mercado cativo.

Os dados indicam também que 79% das indústrias utilizam a energia elétrica como principal insumo energético em seus processos produtivos. O custo da energia é apontado pelos industriais como um dos principais desafios do setor.

Confira a pesquisa: https://static.portaldaindustria.com.br/portaldaindustria/noticias/media/filer_public/43/8d/438d1f97-f43e-435f-83e2-f0a4118f1646/sondagem_cni_industria_e_energia_2026.pdf

Sondagem CNI Indústria e Energia 2026.pdf(6,1 MB)
“A pesquisa mostra a importância do custo da energia para a competitividade da indústria e que o caminho escolhido pelas empresas para diminuir as tarifas passa pela migração ao mercado livre”, destaca o gerente de Energia da CNI, Roberto Wagner Pereira.

“Além disso, precisamos melhorar o sinal de preços com a adoção de tarifas dinâmicas, que possam variar de acordo com a geração, o horário e a demanda dos consumidores. Associado a isso é imprescindível revisarmos a grande quantidade de subsídios que encarecem a conta de energia”, acrescenta o gerente da CNI.

83% das empresas dizem que custo da energia é importante para a competitividade
Segundo a sondagem, 62% dos industriais indicaram que houve algum impacto da variação dos preços de energia elétrica nos últimos 12 meses. Para 83% deles, a conta de luz é um fator imprescindível para a competitividade. Outros 67% consideram que o aumento das tarifas impacta diretamente os custos de produção.

O aumento da conta de luz foi apontado por 3% das empresas como alto (acima de 30% de reajuste). Para 20%, o impacto foi considerado médio (acima de 10% de aumento), enquanto para 39%, o impacto foi considerado baixo (abaixo de 10% de aumento).

Quase duas em cada três empresas (64%) investiram em alguma forma de economizar energia ou na diminuição dos custos tarifários. A principal opção apontada foi a migração para o mercado livre, apontada por 30% das indústrias.

Investimentos em autogeração e eficiência energética
Já os investimentos em autogeração e ações de eficiência energética foram elencados como alternativas para 13% das empresas respondentes. Outros 28% não tomaram nenhuma medida para otimização energética de seus processos produtivos.

O setor de produtos de borracha foi o que mais investiu na opção de autogeração (25% das empresas) e na migração para o mercado livre (38% das empresas). O setor que mais migrou para o mercado livre foi o calçadista (47% das empresas). O setor de equipamentos de informática e produtos eletrônicos, por sua vez, foi o que mais investiu em eficiência energética (25% das empresas).

A Sondagem Especial Indústria e Energia foi realizada em abril pela CNI, junto a 1.498 indústrias dos setores extrativo e de transformação, sendo 601 pequenas, 529 médias e 368 grandes empresas.

Energia cara: quem vai pagar essa conta?

A energia elétrica é o principal insumo da indústria brasileira e um fator decisivo para a competitividade da economia. O Brasil reúne condições privilegiadas: tem uma das matrizes elétricas mais limpas do mundo, com mais de 85% da geração proveniente de fontes renováveis, e vem ampliando rapidamente a participação da energia solar e eólica. Ainda assim, convivemos com um paradoxo difícil de justificar. Produzimos energia a baixo custo, mas pagamos uma das tarifas mais altas do mundo.

A principal explicação para essa distorção não está no custo de geração, transmissão ou distribuição, mas no crescimento contínuo dos encargos setoriais, subsídios e tributos embutidos na conta de luz. Hoje, cerca de 40% da tarifa corresponde a impostos e encargos setoriais, percentual que compromete a competitividade da indústria, reduz investimentos e encarece a produção nacional. A Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), principal mecanismo de financiamento de subsídios do setor, ilustra essa escalada: seu orçamento passou de R$ 14 bilhões em 2013 para mais de R$ 52 bilhões previstos para 2026.

O Brasil segue um caminho que vai na contramão da racionalidade e do razoável. Ao longo dos anos, diferentes políticas públicas foram incorporadas à tarifa de energia por meio de encargos criados, muitas vezes, com objetivos legítimos. O problema é que esses mecanismos se acumularam sem revisões periódicas, transformando-se em um conjunto de subsídios permanentes que pesa sobre consumidores e empresas. Criar encargos tornou-se politicamente mais fácil do que financiá-los pelo orçamento público, reduzindo a transparência e perpetuando distorções econômicas.

A facilidade política para criar encargos contrasta com a enorme dificuldade para sua revisão ou eliminação. Essa é a razão pela qual se prefere garantir subsídios via encargos, que não passam pelo escrutínio político na análise do orçamento público, em detrimento do uso de recursos orçamentários. Assim, os encargos setoriais acabam financiando políticas e subsídios que tendem a se perpetuar, mesmo quando perdem a eficiência econômica.

A redução desse peso sobre a conta de luz é uma das principais propostas da indústria brasileira para o próximo mandato presidencial. Este tópico está destacado como a prioridade no documento que a Confederação Nacional da Indústria (CNI) entregou aos pré-candidatos à Presidência da República, em evento realizado em junho.

No fim do século passado, nosso sistema elétrico era considerado um dos mais eficientes do mundo. Os grandes reservatórios hidrelétricos e um sistema interligado por uma ampla rede de transmissão garantiam a segurança e o baixo custo da eletricidade. Essa situação representava uma importante vantagem competitiva para a economia brasileira e para a indústria.

Infelizmente, esse tempo passou. A energia elétrica, agora, é cara. O recente histórico de intervenções no setor aliado às questões de gestão e de planejamento desestabilizaram o modelo, gerando complexidade, judicialização e enormes passivos financeiros. 

O PL 5017/2019 foi aprovado recentemente na Comissão de Serviços de Infraestrutura do Senado Federal, determinando a criação de mais subsídios e contratações compulsórias de geração que novamente irão aumentar a tarifa de energia, sem que critérios técnicos ou econômicos sejam considerados. 

O novo texto aprovado na Comissão de Serviços de Infraestrutura pegou o setor elétrico de surpresa. Estimativas da Associação Brasileira dos Grandes Consumidores de Energia apontam que o custo acumulado com esses novos penduricalhos da conta de luz chegará a R$ 1,5 trilhão no acumulado na conta de luz até 2057, caso o Congresso Nacional aprove o projeto que prevê a contratação obrigatória de termelétricas a gás e pequenas hidrelétricas, entre outros dispositivos.

Trata-se de um caminho incompatível com a necessidade urgente de reduzir o Custo Brasil. A indústria é o setor da economia mais sensível ao preço dos insumos energéticos, devido à elevada participação da energia no custo total de produção. A racionalização dos encargos, a redução gradual de subsídios que já não se justificam, o aperfeiçoamento da formação de preços e a ampliação da concorrência devem integrar uma agenda consistente de reformas.

O Brasil não pode desperdiçar a vantagem de ter uma das matrizes elétricas mais renováveis e competitivas do planeta. A energia precisa voltar a ser um diferencial para impulsionar a indústria, atrair investimentos e acelerar o crescimento econômico. Isso exige coragem para enfrentar privilégios, revisar subsídios e construir um setor elétrico mais transparente, eficiente e sustentável. Reduzir os penduricalhos da conta de luz não é apenas uma necessidade para os consumidores, mas uma condição indispensável para devolver competitividade à economia brasileira.

*Ricardo Alban é empresário e presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI).

O artigo foi publicado na Folha de S. Paulo, no dia 30 de julho de 2026.

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