
Augusto César Diegoli (acdiegoli@gmail.com)
Fraudes no INSS
Até o dia 15, as agências dos Correios em Brusque, realizaram 589 atendimentos a aposentados e pensionistas do INSS que buscavam esclarecimentos sobre eventuais descontos não autorizados em seus benefícios. Em todo o Brasil, esse número já ultrapassa 2 milhões de atendimentos. A fase de adesão ao acordo de ressarcimento proposto pelo governo federal começou dia 11. A adesão é necessária para que os beneficiários recebam a devolução dos valores diretamente em suas contas bancárias, sem a necessidade de recorrer à Justiça. O plano de ressarcimento está disponível para beneficiários que contestaram os descontos e não obtiveram resposta das entidades envolvidas. A adesão é gratuita e não exige o envio de documentos adicionais.
Bairros caros
Saiu um ranking dos bairros brasileiros com as maiores altas no preço médio do aluguel, segundo estudo da plataforma Loft. Canasvieiras, bairro localizado no norte da Ilha de SC, vizinho ao badalado Jurerê, registrou o alto mais superlativo: 73,5%, apenas no segundo trimestre, na comparação com os três primeiros meses deste ano. Surpresa mesmo é a presença de Balneário, na parte continental de Florianópolis, bairro do distrito do Estreito, em terceiro lugar nacional, com avanço de 65% no trimestre. O ranking foi montado a partir de dados de 202 mil anúncios de aluguel residencial publicado entre abril e junho nas maiores plataformas digitais do país.
Educação financeira
Impressionantes 54% dos catarinenses, gaúchos e paranaenses sabe pouco ou quase nada de educação financeira, revela pesquisa da Febraban. Porém, 95% reconhecem que o tema é muito importante e 82% acreditam que o planejamento financeiro influencia na realização de sonhos e problemas pessoais. Mais: 38% afirmam estar endividados. Um assunto que há anos se tenta introduzir no currículo das escolas, em vão. Uma minoria estridente acha muito mais importante impor a história africana.
Cartéis
Em entrevista ao canal CNN Money, o novo presidente do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), vinculado ao Ministério da Justiça, disse que uma das suas prioridades é combater a formação e atuação de cartéis no mercado de combustíveis. Chamou a atenção ao dizer que SC terá atenção especial. O consumidor daqui é quem mais nota isso. Eles existem, às dezenas, de todos os tamanhos, no âmbito estadual, regional e municipal., combinando valores iguais pelo combustível.
Tarifaço tem impacto em 130 municípios
Em menor ou em maior proporção, o tarifaço sobre exportações brasileiras aos EUA anunciado há duas semanas pelo presidente Trump, tem impacto direto em quase metade dos municípios de SC. No primeiro semestre deste ano, 130 das 295 cidades catarinenses registraram envio de produtos ao mercado americano, maior parceiro do Estado no comércio exterior. Em 70 dessas cidades, as exportações entre janeiro e junho não superaram 1 milhão de dólares. Isso indica, em alguns casos, vendas mais pontuais aos Estados Unidos. Por outro lado, muitos desses municípios são de pequeno ou médio porte e o aumento das tarifas respinga na economia local e em alguns setores específicos. Alguns exemplos: com uma população de cerca de 75 mil habitantes, Araranguá, no Sul, exportou 15,6 milhões de dólares aos Estados Unidos no primeiro semestre deste ano. Dois terços desse valor, (10,6 milhões de dólares) foram representados pelo produto de mel. A Pequena Três Barras, no Planalto Norte, tem 20 mil moradores. De lá saíram, entre janeiro e junho, 15,7 milhões de dólares rumo ao mercado americano. A madeira respondeu por praticamente 100% desse montante.
Cidades que mais exportaram para os EUA
1) Joinville – US$ 123,3 milhões (parte de motor, bombas de ar e peças para veículos); 2) Jaraguá do Sul – US$ 112,9 milhões (motores e transformadores elétricos); 3) Caçador – US$ 101,7 milhões ( carpintaria para construção, madeira em forma e MDF); 4) Itajaí – US$ 57,2 milhões (carne suína e bovina, madeira e peixes congelados); 5) Lages – US$ 50,0 milhões (recipientes de papel e madeira); 6) Blumenau – US$ 45,9 milhões (transformadores elétricos, peças para veículos e caldeira a vapor; 7) São Francisco do Sul – US$ 41,3 milhões (madeira serrada); 8) Rio Negrinho – 31,6 milhões (móveis e madeiras); 9) São Bento do Sul – US$ 28,0 milhões (móveis e tubos de ferro e aço); 10) Salete – US$ 24,3 milhões (carpintaria para construções). Estes valores referem-se ao primeiro semestre deste ano.
Cobrança à Argentina
O empresário brusquense Luciano Hang, dono da Havan, publicou um vídeo nas redes sociais em que critica a lentidão no processo de entrada na Argentina pela aduana de Puerto Iguassu, fronteira com Foz do Iguaçu (PR). Segundo ele, a espera para cruzar de um país ao outro ultrapassou de duas a três horas, mesmo em um dia útil e com pouco movimento. Além disso, destacou o contraste com a agilidade do controle brasileiro, em que para atravessar da Argentina para o Brasil é muito mais rápido. A repercussão foi imediata. O próprio presidente Javier Milei curtiu o vídeo publicado por Luciano no Instagram e respondeu ao empresário por mensagem privada com um curto e direto: “Lo transmito”. A expressão foi utilizada como forma de dizer que Milei está ciente da reclamação. O vídeo gerou ampla repercussão nas redes sociais com milhares de interações e compartilhamento.
Conflitos sem judicializar
Sai de cena o advogado que só ajuíza causas, entre em cena o advogado capacitado e dotado de habilidades para gerar e resolver conflitos dos clientes. A Mediação é utilizada há décadas nos EUA e em diversos outros países com muito sucesso, onde se tem uma cultura de resolver conflitos em tempo recorde. Já no Brasil, ainda prevalece a cultura da judicialização, mesmo com a Lei de Mediação e o CPC (Código de Processo Civil) tendo-a instituído como etapa obrigatória no processo judicial. Por aqui, os cursos de Direito não preparam o advogado para essa nova cultura. Por isso, a proposta é justamente conferir novas habilidades ao advogado, capacitando-o para obtenção de resultados para o cliente, mediante a Mediação. É mais rápido e eficaz. (Fonte: Câmara de Mediação e Arbitragem de Brusque).
Milionários
O Tribunal de Contas do Estado identificou 19 alunos com renda superior a R$ 200 milhões no programa Universidade Gratuita, de bolsas no ensino superior catarinense. O mais rico dos universitários é de um grupo familiar cuja fortuna ultrapassa os R$ 855 milhões, conforme foi publicado no Diário Oficial do Estado. Nada os impediu de cursar gratuitamente a universidade usando o benefício. Se terão que devolver ao final da investigação da Polícia Civil, são outros quinhentos.
Dupla prata
Brusque conquista no maior Concurso de Destilados do Brasil (New Spirits – Expocachaça). A excelência da produção artesanal e o cuidado em cada detalhe foram reconhecidos nacionalmente. A Destilaria Getulians, orgulho da região, acaba de conquistar duas medalhas de prata no New Spirits, Concurso Nacional de Destilados, o mais respeitado e criterioso evento do setor no Brasil, além de ser a maior vitrine mundial da cachaça. Entre centenas de rótulos avaliados por especialistas de todo o país, os premiados foram Cachaça Extra Premium 5 anos - Envelhecida em barris de carvalho francês virgem, possui cor dourada com reflexos âmbar e exala aromas de baunilha, frutas secas e especiarias. No paladar, destaca-se pelo equilíbrio entre caramelo, mel e chocolate, apresentando textura suave e final prolongado. Gin Premium Getulians – elaborado com 12 botânicos naturais e álcool de cereais, revela uma presença marcante de zimbro e notas inconfundíveis. Essa conquista reafirma o compromisso da Getulians com a qualidade, tradição e inovação. Cada garrafa carrega o orgulho de uma destilaria que valoriza a terroir brasileiro e transforma ingredientes selecionados em experiências sensoriais de excelência. Brusque é o nosso lar e o mundo é o nosso brinde.
Luxo 100%
Quem paga dezenas de milhões para viver nos arranha-céus de grife que se multiplicam no Brasil, tem que subir e descer em um veículo à altura das cifras, literalmente. Em cidades como Balneário Camboriú, empresas de elevadores estão produzindo modelos exclusivos para o segmento, feitos de forma quase artesanal, como um produto de prateleira. Além de vidros inteligentes e acabamentos especiais de inoxidável dourado, incluem conectividade Bluetooth.
Prévia do PIB de SC
Com o alto impacto dos juros básicos altos e a instalação no mercado internacional, a expansão da economia de Santa Catarina está perdendo ritmo. Teve alta acumulada de 6,1% de janeiro a maio frente aos mesmos meses de 2024, mas em abril e maio já teve resultado negativo frente a meses anteriores. E é isso que mostra o Índice de Atividade Econômica Regional (IBCR-SC), apurado pelo Banco Central e considerado uma prévia do PIB.
Construção em Itajaí
Uma das maiores construtoras da Região Sul do Brasil, a Rôgga Empreendimentos, de Joinville, estreia em Itajaí, município com o maior PIB de SC e um dos que mais oferecem novos empregos. O primeiro empreendimento da empresa, lançado dia 24 é o Itajaí Urban Club, um residencial com duas torres e 192 apartamentos, no Cordeiros. A Rôgga Empreendimentos destaca diversas características positivas de Itajaí para investir no setor imobiliário local. Nos últimos três anos, o valor do metro quadrado residencial da cidade teve crescimento acumulado de 49,1%. De acordo com o diretor da Rôgga, Itajaí é uma cidade estratégica, com forte potencial de valorização e qualidade de vida.
Sistema prisional
O Tribunal de Contas de Santa Catarina (TCE-SC) irá acompanhar, durante os anos de 2025 e 2026, a execução financeira e orçamentária da Secretaria de Estado de Justiça e Reintegração Social voltada à ampliação do número de vagas no sistema prisional catarinense. O motivo é a constatação de fragilidades na gestão dos recursos do Fundo Penitenciário de SC (Fupesc) e de superlotação de estabelecimentos prisionais. O tribunal apontou uma população carcerária de 30 mil detentos e um déficit de 6,9 mil vagas, em junho deste ano, conforme dados disponibilizados pelo Conselho Nacional de Justiça na plataforma Geopresídios. A medida busca promover o controle externo concomitante das ações promovidas pela administração pública, em busca de soluções duradouras e eficazes para o problema apontado.
Investimento milionário
O empresário Luciano Hang esteve em Barra Velha na semana passada para anunciar um investimento de R$ 250 milhões no Centro de Distribuição da Havan. Ao lado do prefeito, Luciano visitou o terreno adquirido recentemente pela empresa e será incorporado à estrutura atual. Com isso, a área total passará de 200 mil m2 para 250 mil m2. O investimento inclui a aquisição de um moderno transelevador, no valor de R$ 150 milhões, além de mais R$ 100 milhões destinados à ampliação do complexo logístico. Além do impacto econômico para a cidade, o investimento deve gerar novas oportunidades de emprego e renda., tanto durante a execução das obras quanto na ocupação da área ampliada. Atualmente, a Havan tem mais de 2,5 mil colaboradores diretos no Centro de Distribuição e vamos precisar ainda de mais pessoas com essa nova fase do projeto, destacou Luciano Hang,
Espigão
Itapema vai entrar no ranking das cidades com os edifícios residenciais mais altos do Brasil. A construtora Gessele, em parceria com o estaleiro Okean Yachts, está anunciando o projeto do Charles II Yacht Royal Home, com 252 metros de altura e 70 pavimentos. Entre as novidades está uma garagem náutica para mais de 100 jets e atracadouro para embarcações de grande porte, recurso ainda pouco explorado entre os arranha-céus brasileiros. O lançamento oficial está previsto para o primeiro semestre de 2026. As obras devem começar em outubro de 2026, com entrega estimada para 2033.
Contra
Já se afirmou, aqui, que há interessados para que nunca se resolva o problema da população de rua em SC porque, se resolvesse mesmo, acabaria com bandeiras de políticos e partidos. Na semana passada foi aprovado na Assembleia Legislativa projeto de lei que cria o Cadastro Estadual de Pessoas em Situação de Rua. A finalidade é subsidiar a formulação, a execução e o monitoramento de políticas públicas voltadas a esse público, além de apoiar ações de atendimento, acolhimento, encaminhamento e reinserção social. O único voto contrário foi do representante do Psol.
Diminuição
Finalmente a corrupção está diminuindo. Saem as cuecas, com espaço maior, e entram os sapatos, com espaço menor. Já é um começo.
Sonegação
Criado no ano passado para prevenir, identificar e reprimir ilícitos contra a ordem tributária praticados mediante fraudes estruturados de alta complexidade e elevado potencial lesivo aos cofres públicos de SC, o Grupo de Atuação Especial de Combate à Sonegação Fiscal e Recuperação de Ativos, definiu estratégias de atuação. São reservadas, por enquanto.
Escolas militares
Na fila de municípios catarinenses onde seus prefeitos pediram ao governo do Estado, via Secretaria de Educação, encaminhamento para que sejam contemplados com escolas cívico-militares os que estão mais próximos de conseguir são Bom Retiro, Correia Pinto e Lages.
Índice de transparência
O município de Brusque registrou avanço na avaliação preliminar do Programa Nacional de Transparência, iniciativa conjunta da Associação dos Membros dos Tribunais de Contas do Brasil (Atricon) e dos Tribunais de Contas do País. O município saltou de 77,07% com certificado Prata, para 98,28% no índice, alcançando a certificação Diamante, registrando um crescimento de 21,21% em relação ao último ciclo de avaliação. O índice nacional é o mais respeitado do país no tema da transparência pública e avalia critérios como a disponibilidade de dados nos portais oficiais, atualização das informações, facilidade de navegação e cumprimento da Lei de Acesso à Informações, entre outros.
Alternativa para litígios jurídicos
Quando um cidadão ou empresa precisa resolver uma pendência na Justiça, lá se vai muito tempo de espera. Sabe-se que o Judiciário é lento e que um processo não é julgado em menos de quatro anos. Não raro, o litígio pode levar 10 ou 20 anos para ser concluído, já que sempre cabem recursos e as brechas na lei muitas vezes dão margem a interpretações diferentes. Além da morosidade, o Judiciário está abarrotado de processos e seus profissionais não são suficientes para dar andamento a todos os casos. Na tentativa de minimizar alguns desses problemas, foi criada a Lei Federal 9.307 de 23 de setembro de 1996, instituindo a Arbitragem no Brasil, através de Tribunais ou Câmaras de Mediação e Arbitragem. (Fonte: Câmara de Mediação e Arbitragem de Brusque).
Gestão de pessoas
A Unimed de Brusque marcou presença no CONCART 2025 – Congresso Catarinense de recursos Humanos, realizado de 9 a 11 de julho em Florianópolis. O evento promovido pela ABRH-SC reuniu os principais nomes da gestão de pessoas no Brasil em uma programação voltada à inovação, liderança e cultura organizacional. “Estar no CONCARH é estar em sintonia com o que há de mais atual em gestão de pessoas. Quem participa desse evento compartilha da mesma visão que temos: reconhecer, cuidar e investir no potencial dos colaboradores”.
Clube Filatélico de Brusque: 90 anos
Para marcar os 90 anos de fundação, o Clube Filatélico Brusquense realizou uma cerimônia comemorativa na Sociedade Esportiva Bandeirante onde foi feito o lançamento oficial de um selo personalizado e de um carimbo comemorativo, ambos emitidos pelos Correios do Brasil. A programação foi conduzida pelo presidente do clube, Jorge Paulo Krieger Filho e reuniu filatelistas, autoridades locais e convidados. O superintendente estadual dos Correios marcou presença.
População de SC
Em uma página, a Folha de São Paulo (FSP) publicou reportagem dizendo que o Estado de SC, impulsionado pela migração, deve chegar ao ano 2070 com 2,3 milhões a mais de habitantes. Conforme projeção do IBGE, SC pode ser o sexto mais populoso do país. Uma reclamação comum entre os novos catarinenses ouvidos pelo jornal, está o custo de vida, cada vez mais alto, especialmente em Florianópolis.
Diferença
Para esclarecer o modelo de escola cívico-militar adotada pelo governo estadual é diferente de colégio policial militar. Estes, com estrutura e recursos, tem gestão e funcionamento ligados diretamente à Polícia Militar de SC e historicamente mantém rendimento maior do que as demais escolas públicas. Para ingresso há um processo seletivo com critérios estabelecidos em edital. Normalmente, 50% das vagas são destinadas a filhos ou dependentes de militares.
Reconhecimento facial
O governo estadual aproveitou a festa de 61 anos de emancipação política de Balneário Camboriú, para fazer os primeiros testes com três drones interligados à inteligência artificial no processo de reconhecimento facial. Os equipamentos foram utilizados durante o show nacional da banda Jota Quest, na Praia Central.
Rota turística
O Diário Oficial da União publicou norma sancionada pelo presidente da república, que cria a Rota Turística Imperial Caminhada dos Príncipes, em SC. Abrange os municípios de Araquari, Balneário Barra do Sul, Campo Alegre, Corupá, Guaramirim, Jaraguá do Sul, Joinville, Rio negrinho, São Bento do Sul e São Francisco do Sul. Outra rota turística oficialmente criada é a Costa Azul, integrada pelos municípios de Barra Velha, Balneário Piçarras, Penha e Navegantes. O ato foi publicado também no Diário Oficial da União.
Preconceito
Ao publicar um vídeo em rede social, ao lado do marido, ditando normas de comportamento e tecendo críticas às pessoas que decidem vir morar em SC sem que tenham o perfil que considera adequado, a influenciadora Jenifer Stainzack, de Pomerode, atiçou ainda mais um preconceito que muitos brasileiros, de forma crescente, tem com relação aos catarinenses. Em um trecho o casal diz que quem vir para cá “com agenda woke e ideologia de gênero, fique onde está”. Nos comentários de leitores da Folha de SP, que repercutiu a postagem, o preconceito contra SC se exteriorizou. O leitor Daniel Bradão escreveu: “Por um lado SC de fato tem condutas nazistas: por exemplo, foi o único estado do Brasil em que integrantes do MP, do Judiciário e da Polícia se uniram para obrigar pais a injetarem em seu filho aquela substância experimental contra a covid (que nenhum país do mundo obriga em relação a crianças e outros até desaconselham).
Capacitação para migrantes
Um programa de capacitação para migrantes será realizado em Brusque. A ação é promovida pelo Sebrae, por meio do TraPOW e está com as inscrições abertas. As atividades serão realizadas de forma presencial, em datas e horários definidos com a organização. O programa é voltado especialmente para migrantes e imigrantes. Ele oferece trilhas práticas com especialistas, conteúdos acessíveis e uma rede de apoio para quem está começando uma nova vida na cidade. As vagas são limitadas e os cadastros podem ser feitos clicando aqui. Mais informações podem ser obtidas com o Sebrae Brusque, pelo telefone (47) 3351-3701.
Gigante anão
Uma senhora libanesa de 95 anos que emigrou para o Brasil, já com filhos há 70 anos, deixou profundamente impressionado: “só quem imigrou para o Brasil sabe avaliar a maravilha que é este país, o melhor do mundo. Mas agora, que pena, não tem democracia no Brasil. Conhecedora do mundo e lúcida, ela sacudiu com o tamanho da gravidade do que estamos vivendo. A corte constitucional encarregada pela Lei Maior, de guardar a Constituição não está guardando, ao desrespeitar o juiz natural, o amplo direito de defesa, o devido processo legal, a inviolabilidade dos parlamentares, por quaisquer palavras, a vedação à censura, a liberdade de expressão, entre outros.
O quarto corte consecutivo na Taxa Selic, definido nesta quarta-feira (5) pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC), foi bem recebido por agentes econômicos, mas ainda é considerado insuficiente e restritivo para a expansão do setor industrial.
Em nota, a Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) ressaltou que a continuidade do ciclo de redução da Selic representa um sinal positivo para a atividade econômica, mas que o nível ainda elevado da taxa mantém o crédito caro e atrasa investimentos.
"O elevado custo de capital posterga investimentos, dificulta a modernização produtiva e limita a capacidade das empresas brasileiras de ganhar produtividade e competir nos mercados interno e externo. Esse quadro se reflete no desempenho da indústria de transformação, que cresceu apenas 0,4% no primeiro semestre do ano, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)", disse a entidade.
Na mesma linha, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) lembrou que os juros estão em patamar restritivo há 55 meses, e que Selic está 3,6 pontos percentuais acima da taxa calculada com base na Regra de Taylor, estimada em 10,4%. Esta regra permite calcular uma taxa de juros que proporcione o controle da inflação sem desestimular o crescimento da economia.
"A taxa de juros real, aproximadamente de 10%, supera com folga a taxa de equilíbrio estimada pelo próprio Banco Central, de 5%, indicando que há espaço para cortes mais expressivos na Selic, sem prejuízos no combate à inflação".
Entre as organizações de trabalhadores, a Força Sindical também classificou como insuficiente a redução de 0,25 ponto percentual na Selic. Para a central sindical, juros elevados encarecem o crédito, reduzem investimentos, desestimulam o consumo e comprometem a geração de empregos.
"Perdemos uma excelente oportunidade de promover uma redução drástica da taxa de juros, dar uma injeção de ânimo no setor produtivo e alavancar mais a economia", disse a entidade, em nota.
Copom
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) reduziu nesta quarta-feira (5) em 0,25 ponto percentual a Taxa Selic, a taxa básica de juros da economia brasileira, que passará de 14,25% para 14% ao ano.
Esta é a quarta vez consecutiva que o comitê reduz os juros. A decisão foi tomada em reunião na sede do BC, em Brasília.
Segundo a instituição, o novo ajuste gradual de menos 0,25 ponto é compatível com a estratégia de convergência da inflação para o redor da meta no próximo período.
Sobre o ambiente externo, o BC voltou a apontar o cenário de indefinição acerca dos conflitos armados no Oriente Médio e da incerteza sobre a política monetária em algumas economias avançadas.


A Prefeitura de Itapema, por meio da Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Habitação, segue com as inscrições abertas para mais uma capacitação gratuita do programa Itapema Qualifica, realizado em parceria com o SENAC/SC. Desta vez, a oportunidade é para o curso de Relacionamento Interpessoal e Trabalho em Equipe, voltado para quem deseja aprimorar competências comportamentais cada vez mais valorizadas pelo mercado de trabalho.
A formação tem como objetivo desenvolver habilidades essenciais para o ambiente profissional, como comunicação eficiente, cooperação, resolução de conflitos, inteligência emocional e convivência em equipe. O conteúdo também aborda princípios de etiqueta social e profissional, comunicação assertiva e técnicas para fortalecer o relacionamento interpessoal, contribuindo para um ambiente de trabalho mais produtivo, respeitoso e colaborativo.
Durante as aulas, os participantes aprenderão sobre os fundamentos do trabalho em equipe, compreendendo como a colaboração, a confiança e a união de diferentes habilidades podem potencializar resultados. O curso também apresenta estratégias para administrar conflitos de forma construtiva, além de explorar os principais elementos do processo de comunicação, identificando fatores que podem facilitar ou dificultar o entendimento entre as pessoas.
Outro destaque da capacitação é o desenvolvimento da comunicação assertiva, habilidade que permite expressar opiniões, necessidades e ideias com clareza, respeito e objetividade, fortalecendo as relações profissionais e pessoais.
O secretário de Desenvolvimento Econômico e Habitação, Nicko Silva, destacou a importância das capacitações para a formação profissional da população. " O Itapema Qualifica oferece oportunidades gratuitas para que a nossa população desenvolva essas competências e esteja cada vez mais preparada para conquistar uma vaga no mercado ou crescer na carreira", afirmou o secretário.
Inscrições e aulas
As inscrições podem ser realizadas presencialmente na Casa da Cidadania, localizada na Rua 216, nº 155, em Meia Praia, das 8h às 17h, ou de forma online pelo site qualifica.itapema.sc.gov.br. As vagas são gratuitas e serão preenchidas por ordem de inscrição. As aulas acontecerão nos dias 18, 20, 25 e 27 de agosto, além de 1º de setembro, na EMEB Bento Elói Garcia, localizada na Rua 402 B, nº 100, no bairro Morretes.
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) considera acertada a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central de reduzir a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual, para 14% ao ano. No entanto, pondera que os juros altos agravam as dificuldades da indústria e seguirão asfixiando empresas e famílias.
“Não há justificativa compreensível para a manutenção da taxa de juros em um nível tão alto. A decisão do Banco Central piora a perspectiva para a indústria, já tão prejudicada pelas incertezas no cenário externo. Além disso, o crédito caro compromete gravemente a renda das famílias, que já apresentam níveis recordes de endividamento e inadimplência”, afirma Ricardo Alban, presidente da CNI.
Juros continuam desproporcionais à trajetória da inflação
As expectativas de inflação apuradas pelo Boletim Focus vêm melhorando. Embora a projeção para o IPCA de 2026 seja de alta de 5,03%, as perspectivas para o índice em 2027 e 2028 continuam dentro do intervalo de tolerância da meta. Ao mesmo tempo, a inflação corrente vem perdendo força, o que deve continuar a ocorrer em julho. O IPCA-15, por exemplo, acumula alta de 4,52% em 12 meses até julho, resultado abaixo do observado no mês anterior (4,8%). Esses indicadores reforçam a leitura de acomodação das pressões de oferta e de demanda verificadas nos últimos meses.
Além disso, a média dos núcleos de inflação de junho ficaram em 4,44% e apontam uma trajetória mais consistente com a meta de 3% da inflação, apesar da continuidade das incertezas geopolíticas e dos riscos climáticos.
Selic está 3,6 pontos percentuais acima do ideal
A CNI lembra que os juros estão em patamar restritivo há 55 meses. A Selic está 3,6 pontos percentuais acima da taxa calculada com base na Regra de Taylor — estimada em 10,4%. Esta regra permite calcular uma taxa de juros que proporcione o controle da inflação sem desestimular o crescimento da economia. A taxa de juros real, aproximadamente de 10%, supera com folga a taxa de equilíbrio estimada pelo próprio Banco Central, de 5%, indicando que há espaço para cortes mais expressivos na Selic, sem prejuízos no combate à inflação.
Real valorizado contribui para segurar a inflação
Cabe destacar que, em um cenário marcado por tensões geopolíticas, o país segue atraindo investidores internacionais interessados no elevado diferencial de juros entre o Brasil e as economias desenvolvidas. O país continua oferecendo retorno atrativo para investidores internacionais, situação que contribui para a apreciação do real, que nos últimos doze meses se valorizou 8,6% frente ao dólar, o que ajudou a arrefecer o ímpeto inflacionário.
Juros altos elevam endividamento e espremem margens
Consulta realizada pela CNI mostra que os juros devem trazer forte pressão financeira sobre o setor nos próximos três meses. Mais da metade das empresas (53%) prevê aumento na necessidade de financiamento para contas a pagar; 47% esperam pressão sobre contas a receber e 42% sobre estoques — sinais claros de elevação da necessidade de capital de giro.
Entre as empresas que demandam mais capital, mais de 55% projetam encarecimento do crédito, e cerca de 39% devem ampliar o endividamento bancário. Como efeito direto do aperto, 58% antecipam redução das margens líquidas, comprometendo rentabilidade e capacidade de investimento. Para conter perdas, 51% tentarão manter preços para não perder competitividade frente a importados, enquanto 37% já planejam repassar custos ao valor final, o que pressiona a inflação. Segundo os empresários, os juros atuais funcionam como um “imposto invisível” que inviabiliza investimentos, freia contratações e desvia recursos para aplicações financeiras em vez da produção.
Taxas de juros e endividamento das famílias
O elevado nível de juros no crédito livre também encarece o refinanciamento das dívidas familiares. O resultado é o endividamento em patamar crítico e o comprometimento da renda, reduzindo recursos para consumo essencial e ampliando o risco de superendividamento. O "Desenrola 2.0" trata, sobretudo, o sintoma, sem atacar causas estruturais, como a baixa educação financeira e o elevado nível das taxas de juros.


Aprovado recentemente pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), o aumento da mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina de 30% para 32% (E32) reacendeu o debate sobre os efeitos da medida tanto para o bolso dos consumidores como para o funcionamento dos veículos.
Contrário à mudança, o Ministério Público Federal (MPF) ajuizou ação civil pública para suspender a decisão do CNPE até que estudos específicos comprovem a segurança da nova mistura para os motores da frota brasileira.
Já a União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica) afirma que a ampliação da mistura fortalece a segurança energética do país, reduz a dependência de gasolina importada e ajuda a conter preços ao consumidor.
MPF
De acordo com o MPF, os estudos que embasaram a nova configuração da gasolina (com 32% de etanol) não demonstraram, de forma conclusiva, os impactos do E32 sobre durabilidade de componentes, emissões, autonomia e compatibilidade com diferentes tipos de veículos.
Na ação, o MPF aponta riscos de corrosão de peças, desgaste de bombas de combustível e falhas em sistemas de injeção eletrônica, especialmente em motocicletas, veículos antigos e modelos importados.
Os procuradores argumentam, ainda, que os estudos usados foram elaborados para o E30 e não para validar especificamente a adoção permanente do E32.
Por fim, o MPF argumenta que faltam estudos sobre impactos ambientais indiretos e pede perícia técnica independente.
Unica
Para a União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica), o aumento do percentual de etanol na gasolina é algo positivo porque favorece a segurança energética do país, além de reduzir a necessidade de importação de gasolina.
Além disso, acrescenta a Unica, não há evidências, nos resultados obtidos, de impactos sobre desempenho, dirigibilidade, partida a frio, consumo, emissões ou funcionamento dos veículos em decorrência da adoção do E32.
A entidade lembra que o E32 foi avaliado em estudos coordenados pelo Ministério de Minas e Energia e realizados pelo Instituto Mauá de Tecnologia. Os testes foram feitos em veículos leves e motocicletas movidos a gasolina, fabricados entre 1994 e 2024.
Mesmo os veículos mais antigos avaliados não apresentaram impactos em partida, marcha lenta, aceleração ou dirigibilidade com a utilização do E32, acrescentou ao destacar que não foram identificados impactos relevantes em desempenho, consumo, dirigibilidade, partidas a frio ou funcionamento dos motores.
Além dos aspectos técnicos, a entidade sustenta que o aumento da participação do etanol pode beneficiar os consumidores ao reduzir a dependência de gasolina importada.
A estimativa é que o país deixe de importar cerca de 800 milhões de litros de gasolina por ano. Segundo a Unica, sem a presença do etanol no mercado nacional, o custo dos combustíveis teria aumentado em R$ 8 bilhões apenas nos últimos três meses.
Pesquisa inédita da Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostra que 41% das indústrias brasileiras migraram para o mercado livre de energia desde 2024, quando entrou em vigor a norma do Ministério de Minas e Energia (MME) que ampliou o acesso dos consumidores ao ambiente de livre contratação. De acordo com os dados, 73% dos empresários que trocaram o mercado cativo pelo livre notaram redução dos custos com as tarifas de energia elétrica.
A Sondagem Especial Indústria e Energia 2026, divulgada nesta quinta-feira (30) pela CNI, revela que 30% das empresas consideram a migração para o mercado livre como a principal estratégia para reduzir o custo da conta de luz. Os dados apontam ainda que, em meio a um cenário de oscilações no setor elétrico impulsionado pela alta demanda global e por conflitos geopolíticos, o interesse das empresas pelo mercado livre de energia aumentou.
Apesar desse avanço, ainda há grande potencial para expansão desse mercado. Entre as empresas atendidas em baixa tensão que permanecem no mercado cativo, 37% demonstram interesse em migrar para o mercado livre. Os dados reforçam que a abertura gradual do setor tende a ampliar a competitividade das indústrias.
A pesquisa revela que, entre as grandes indústrias atendidas em alta tensão, 63% já compram energia no mercado livre. Entre as pequenas empresas, 22% informam atuar nesse ambiente de contratação, enquanto 45% permanecem no mercado cativo.
Os dados indicam também que 79% das indústrias utilizam a energia elétrica como principal insumo energético em seus processos produtivos. O custo da energia é apontado pelos industriais como um dos principais desafios do setor.
Confira a pesquisa: https://static.portaldaindustria.com.br/portaldaindustria/noticias/media/filer_public/43/8d/438d1f97-f43e-435f-83e2-f0a4118f1646/sondagem_cni_industria_e_energia_2026.pdf
Sondagem CNI Indústria e Energia 2026.pdf(6,1 MB)
“A pesquisa mostra a importância do custo da energia para a competitividade da indústria e que o caminho escolhido pelas empresas para diminuir as tarifas passa pela migração ao mercado livre”, destaca o gerente de Energia da CNI, Roberto Wagner Pereira.
“Além disso, precisamos melhorar o sinal de preços com a adoção de tarifas dinâmicas, que possam variar de acordo com a geração, o horário e a demanda dos consumidores. Associado a isso é imprescindível revisarmos a grande quantidade de subsídios que encarecem a conta de energia”, acrescenta o gerente da CNI.
83% das empresas dizem que custo da energia é importante para a competitividade
Segundo a sondagem, 62% dos industriais indicaram que houve algum impacto da variação dos preços de energia elétrica nos últimos 12 meses. Para 83% deles, a conta de luz é um fator imprescindível para a competitividade. Outros 67% consideram que o aumento das tarifas impacta diretamente os custos de produção.
O aumento da conta de luz foi apontado por 3% das empresas como alto (acima de 30% de reajuste). Para 20%, o impacto foi considerado médio (acima de 10% de aumento), enquanto para 39%, o impacto foi considerado baixo (abaixo de 10% de aumento).
Quase duas em cada três empresas (64%) investiram em alguma forma de economizar energia ou na diminuição dos custos tarifários. A principal opção apontada foi a migração para o mercado livre, apontada por 30% das indústrias.
Investimentos em autogeração e eficiência energética
Já os investimentos em autogeração e ações de eficiência energética foram elencados como alternativas para 13% das empresas respondentes. Outros 28% não tomaram nenhuma medida para otimização energética de seus processos produtivos.
O setor de produtos de borracha foi o que mais investiu na opção de autogeração (25% das empresas) e na migração para o mercado livre (38% das empresas). O setor que mais migrou para o mercado livre foi o calçadista (47% das empresas). O setor de equipamentos de informática e produtos eletrônicos, por sua vez, foi o que mais investiu em eficiência energética (25% das empresas).
A Sondagem Especial Indústria e Energia foi realizada em abril pela CNI, junto a 1.498 indústrias dos setores extrativo e de transformação, sendo 601 pequenas, 529 médias e 368 grandes empresas.


A energia elétrica é o principal insumo da indústria brasileira e um fator decisivo para a competitividade da economia. O Brasil reúne condições privilegiadas: tem uma das matrizes elétricas mais limpas do mundo, com mais de 85% da geração proveniente de fontes renováveis, e vem ampliando rapidamente a participação da energia solar e eólica. Ainda assim, convivemos com um paradoxo difícil de justificar. Produzimos energia a baixo custo, mas pagamos uma das tarifas mais altas do mundo.
A principal explicação para essa distorção não está no custo de geração, transmissão ou distribuição, mas no crescimento contínuo dos encargos setoriais, subsídios e tributos embutidos na conta de luz. Hoje, cerca de 40% da tarifa corresponde a impostos e encargos setoriais, percentual que compromete a competitividade da indústria, reduz investimentos e encarece a produção nacional. A Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), principal mecanismo de financiamento de subsídios do setor, ilustra essa escalada: seu orçamento passou de R$ 14 bilhões em 2013 para mais de R$ 52 bilhões previstos para 2026.
O Brasil segue um caminho que vai na contramão da racionalidade e do razoável. Ao longo dos anos, diferentes políticas públicas foram incorporadas à tarifa de energia por meio de encargos criados, muitas vezes, com objetivos legítimos. O problema é que esses mecanismos se acumularam sem revisões periódicas, transformando-se em um conjunto de subsídios permanentes que pesa sobre consumidores e empresas. Criar encargos tornou-se politicamente mais fácil do que financiá-los pelo orçamento público, reduzindo a transparência e perpetuando distorções econômicas.
A facilidade política para criar encargos contrasta com a enorme dificuldade para sua revisão ou eliminação. Essa é a razão pela qual se prefere garantir subsídios via encargos, que não passam pelo escrutínio político na análise do orçamento público, em detrimento do uso de recursos orçamentários. Assim, os encargos setoriais acabam financiando políticas e subsídios que tendem a se perpetuar, mesmo quando perdem a eficiência econômica.
A redução desse peso sobre a conta de luz é uma das principais propostas da indústria brasileira para o próximo mandato presidencial. Este tópico está destacado como a prioridade no documento que a Confederação Nacional da Indústria (CNI) entregou aos pré-candidatos à Presidência da República, em evento realizado em junho.
No fim do século passado, nosso sistema elétrico era considerado um dos mais eficientes do mundo. Os grandes reservatórios hidrelétricos e um sistema interligado por uma ampla rede de transmissão garantiam a segurança e o baixo custo da eletricidade. Essa situação representava uma importante vantagem competitiva para a economia brasileira e para a indústria.
Infelizmente, esse tempo passou. A energia elétrica, agora, é cara. O recente histórico de intervenções no setor aliado às questões de gestão e de planejamento desestabilizaram o modelo, gerando complexidade, judicialização e enormes passivos financeiros.
O PL 5017/2019 foi aprovado recentemente na Comissão de Serviços de Infraestrutura do Senado Federal, determinando a criação de mais subsídios e contratações compulsórias de geração que novamente irão aumentar a tarifa de energia, sem que critérios técnicos ou econômicos sejam considerados.
O novo texto aprovado na Comissão de Serviços de Infraestrutura pegou o setor elétrico de surpresa. Estimativas da Associação Brasileira dos Grandes Consumidores de Energia apontam que o custo acumulado com esses novos penduricalhos da conta de luz chegará a R$ 1,5 trilhão no acumulado na conta de luz até 2057, caso o Congresso Nacional aprove o projeto que prevê a contratação obrigatória de termelétricas a gás e pequenas hidrelétricas, entre outros dispositivos.
Trata-se de um caminho incompatível com a necessidade urgente de reduzir o Custo Brasil. A indústria é o setor da economia mais sensível ao preço dos insumos energéticos, devido à elevada participação da energia no custo total de produção. A racionalização dos encargos, a redução gradual de subsídios que já não se justificam, o aperfeiçoamento da formação de preços e a ampliação da concorrência devem integrar uma agenda consistente de reformas.
O Brasil não pode desperdiçar a vantagem de ter uma das matrizes elétricas mais renováveis e competitivas do planeta. A energia precisa voltar a ser um diferencial para impulsionar a indústria, atrair investimentos e acelerar o crescimento econômico. Isso exige coragem para enfrentar privilégios, revisar subsídios e construir um setor elétrico mais transparente, eficiente e sustentável. Reduzir os penduricalhos da conta de luz não é apenas uma necessidade para os consumidores, mas uma condição indispensável para devolver competitividade à economia brasileira.
*Ricardo Alban é empresário e presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI).
O artigo foi publicado na Folha de S. Paulo, no dia 30 de julho de 2026.