
Augusto César Diegoli @ gmail.com
Show em Haddad
O discreto e dedicado secretário estadual da Fazenda de SC, está em altíssima cotação no meio empresarial catarinense. Ele foi o principal artífice do plano estadual de socorro às empresas atingidas pelo tarifaço de Donald Trump, lançado na sede da Fiesc. O pacote envolve ações emergenciais, todas definidas claramente, como postergação do pagamento do ICMS por dois meses e disponibilização de créditos e o financiamento do BRDE. Recebeu elogios para sua agilidade e firmeza. Alguns até ousaram dizer a ele que desse “uns conselhos” ao atrapalhado ministro da Fazenda, Fernando Haddad.
Roubo do INSS
O governo federal manda dizer que 40,7 mil aposentados e pensionistas de SC que foram vítimas de descontos indevidos em benefícios do INSS já receberam o ressarcimento, que supera R$ 24,3 milhões os valores são pagos de forma integral, com correção pela inflação diretamente na conta onde o segurado recebe o benefício. Nada informa sobre a investigação da fraude que, estima-se, supera a fábula de R$ 6 bilhões.
Desconfiança
A confiança do empresário industrial no futuro dos seus negócios voltou a cair em agosto, segundo pesquisa divulgada pela Confederação Nacional da Indústria. O Índice de Confiança do Empresário Industrial (Icei) registrou 46,1 pontos, recuo de 1,2 ponto em relação a julho, e permanece abaixo da linha de 50 pontos pelo oitavo mês seguido. O índice é apurado mensalmente pelo CNI e nesta edição ouviu 1.177 empresas, sendo 474 de pequeno porte, 425 de médio e 280 de grande porte, entre 1º e 7 deste mês.
Devolução de valores
Cerca de 1,6 milhão de aposentados e pensionistas que tiveram descontos ilegais em seus benefícios já receberam R$ 1,08 bilhão em ressarcimento do INSS, de acordo com informações divulgadas pelo instituto. Os débitos indevidos foram executados por associações entre março de 2020 e março de 2025. O dinheiro para reembolso vem da medida provisória assinada em julho que libera R$ 3,3 bilhões para o cumprimento dos acordos judiciais. Os ressarcimentos começaram em 24 de julho, em parcela única, com correção dos valores pelo IPCA. Cada aposentado ou pensionista recebe diretamente na conta onde o benefício cai mensalmente. Os pagamentos se dão por ordem de adesão ao acordo com o INSS. Quem aderir primeiro, vai receber primeiro. A contestação pode ser feita até 14 de novembro deste ano e a adesão continuará mesmo após essa data. A adesão não exige envio de documentos e o aposentado ou pensionista confirma o acordo que permite o ressarcimento por via administrativa, sem precisar entrar na Justiça. Podem aderir ao acordo os aposentados e pensionistas que contestarem os descontos indevidos e não receberam resposta da entidade ou associação após 15 dias úteis. A adesão é gratuita e, antes de assinar o acordo, os aposentados e pensionistas podem consultar o valor que têm a receber. A adesão é feita exclusivamente pelo aplicativo ou site Meu INSS ou agências dos Correios.
Importadora chinesa
Uma parceria entre a Prefeitura de Brusque e a importadora chinesa Ativa tem contribuído para fortalecer o setor têxtil do município e ampliar o fluxo de comércio na região. A empresa promoveu um showroom para apresentar a nova coleção de tecidos a empresários da indústria local. Instalada em SC desde 2019, a Ativa transferiu sua base do Espirito Santo para Brusque com o objetivo de se aproximar do polo têxtil e melhorar a logística de distribuição. O CEO da empresa explica que o mercado catarinense oferece mais oportunidades. O processo de nacionalização pelos portos de Itajaí e Navegantes são mais ágeis. Além disso, o transporte até São Paulo é mais próximo.
Fraude frustrada
SC, Paraná e Rio Grande do Sul lideraram no país, a frequência de tentativas de fraudes evitadas em abril. O Serasa Experian identificou uma tentativa a cada 48 segundos. Ao todo, foram 177,3 mil ataques identificados. O Paraná liderou em volume dentro da região, com 70,6 mil tentativas, seguido por Rio Grande do Sul (61,9 mil) e SC (44.6 mil).
Desigualdade
Divulgou-se que políticos e juízes federais no Brasil podem chegar a vencimentos 22 maiores que o salário médio dos brasileiros: R$ 44 mil contra R$ 2.069. Em SC, a diferença entre o salário do deputado federal é maior do que o da população do Estado em 16,9 vezes. No Maranhão 40,9 e no Distrito Federal 12,8.
Curso de Medicina
Diante de muita pressão, principalmente política, a Universidade do Estado (Udesc) veio a público pedir calma quanto aos prazos para implantação do curso de Medicina em Laguna, com 40 vagas e duração de seis anos a um custo de R$ 30 milhões até o dia da aula inaugural, que, se tudo andar nos conformes, chegará nos próximos 18 meses.
Triângulo do tarifaço
Jaraguá do Sul, Joinville e São Bento do Sul estão entre as cidades mais afetadas de SC pela tarifa de 50% imposta pelos Estados Unidos às exportações brasileiras. Não formam o Triângulo das Bermudas, mas nos prejuízos que estão tendo estão numa espécie de “Triângulo de Donald Trump”.
Justiça rápida: o que é Arbitragem?
É um método de solução de conflitos fora do Poder Judiciário em que um ou mais árbitros emitem decisões com força de sentença judicial. Caracterizada pela informalidade, a arbitragem é um método alternativo ao Poder Judiciário que oferece decisões ágeis e técnicas para a solução de controvérsias. Só pode ser usada por acordo espontâneo das pessoas envolvidas no conflito, que automaticamente abrem mão de discutir o assunto na Justiça. A escolha da arbitragem pode ser prevista em contrato (ou seja, antes de ocorrer o litígio ou realizada por acordo posterior ao surgimento da discussão. Como se trata de um método privado, são as partes envolvidas nos conflitos que elegem um ou mais árbitros, geralmente um ou três, imparciais e com experiência na área da disputa para analisar o caso. Os árbitros normalmente tentam ajudar as partes a entrar em acordo. Se não houver acordo, eles emitem a decisão, chamada laudo ou sentença arbitral, que tem força de sentença judicial. O prazo para a tomada de decisão é definido pelos próprios participantes do procedimento. Mas, caso isso não seja estabelecido de antemão, o prazo máximo será de seis meses conforme determina a Lei de Arbitragem (Lei nº 9.607/96). Ao contrário do processo judicial, o procedimento arbitral é sigiloso. Os custos dependem do tipo de conflito e da câmara de arbitragem escolhida. (Fonte: Câmara de Mediação e Arbitragem de Brusque).
Vergonha global
Que vergonha para todos nós, brasileiros. O presidente da Áustria anunciou que não virá ao Brasil para participação na Conferência Mundial do Clima (COP30), em Belém, em novembro, por restrições orçamentárias. Leia-se: preços escorchantes dos aluguéis na capital paraense.
Ambiente
Iniciativa da Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Alesc, a 1ª edição da Conferência Regional sobre Mudanças Climáticas em SC aconteceu em Lages. As próximas serão em Joinville (20/8), Criciúma (3/9), Florianópolis (25/9) e Chapecó (3/10).
Competitividade de SC
Santa Catarina continua mobilizada em busca da mitigação dos efeitos do tarifaço de 50% imposto pelo presidente dos Estados Unidos, sobre exportações de produtos brasileiros. O setor madeireiro, um dos mais atingidos, exige atenção especial, sobretudo no Planalto Norte, onde estão ao menos 398 empresas. Em Canoinhas e Três Barras, mais de 40% do que se embarca têm como destino o mercado americano. São quase 100% das vendas externas dessas cidades e a sobretaxa vai comprometer empregos, investimentos e competitividade.
Privilégio
Certamente incapaz de distinguir um parafuso de um prego, a ministra da Igualdade Racial, deixou o conselho de administração da Fundição Tupy, de Joinville, cujo mandato não foi renovado. Mas já tem outra colocação: vai integrar o conselho de administração da Alelo, da qual o governo tem participação, e embolsa uns R$ 10 mil a mais além de seus R$ 46 mil como ministra.
Brasil dominado
Um levantamento do jornal O Globo mostra que o Brasil tem 64 facções criminosas em atuação no país. Em SC são cinco: Comando Vermelho (CV), Primeiro Comando da Capital (PCC), Primeiro Grupo Catarinense (PGC), Bala na Cara (BNC) e os Manos. A Bahia é o Estado que mais abriga facções criminais (17), seguido de Pernambuco (12) e Mato Grosso do Sul (10).
Empregos
Dados do Caged apontam que Brusque encerrou o primeiro semestre de 2025 com saldo de 1.984 postos de trabalho. Trata-se da segunda pior marca dos últimos cinco anos. O levantamento é do Ministério do Trabalho e Emprego. Entre janeiro e junho, foram 19,5 mil admissões e 17,5 mil desligamentos. Os dados levam em conta vários setores: agropecuária, indústria, construção, comércio e serviços. O primeiro semestre de 2025 fica à frente somente do saldo de 2023, o pior dos últimos cinco anos. Foram 644 admissões a mais, em relação aos desligamentos, naquele ano. Além disso, o primeiro semestre deste ano também possui o segundo maior número de desligamentos. Foram encerrados 17,5 mil contratos de trabalho, atrás apenas dos 17,9 mil desligamentos de 2022. O Caged aponta ainda que no primeiro semestre de 2025, a indústria foi o setor da economia que mais contratou em Brusque. Foram 9,2 mil admissões, ante 8,1 mil desligamentos. O saldo é de 1,0 mil. Na sequência vem o comércio com 4,6 mil admissões e 4,3 mil desligamentos e saldo de 470.
Alerta de golpe
A Havan emitiu um alerta aos clientes sobre golpes que estão sendo praticados com o uso indevido do nome da empresa. Segundo o comunicado, criminosos estão enviando mensagens em nome da varejista, informando que o destinatário teria sido contemplado com prêmios em dinheiro por meio de promoções falsas, como a chamada “Roleta da Sorte”. Os golpistas utilizam dados como nome e até o CPF das vítimas para dar aparência de veracidade à comunicação. Em seguida, solicitam que a pessoa clique em um link e preencha um formulário com informações pessoais. Ao fazer isso, o consumidor corre o risco de ter seus dados roubados.
Made in Brazil
Apesar do tarifaço de Trump. SC registrou em julho alta de 3,06% na exportação de produtos, na comparação com o mesmo mês do ano passado, atingindo US$ 1.083 bilhão. Este movimento foi puxado por itens como tabaco não manufaturado, que subiu 279% e atingiu o quarto lugar na pauta e refrigeradores, que tiveram alta de 151% e fecharam o mês na 16ª posição. Já entre os produtos mais vendidos por SC para o exterior, o mês foi de recuo, com os embarques de carne de aves caindo 4,3%, de carnes suína 6,7% e motores elétricos 19,2%.
Cerveja
Dados do Anuário da Cerveja 2025, do Ministério da Agricultura e Pecuária, divulgado pelo Sindicato Nacional da Indústria da Cerveja, mostram que foi em SC que a indústria cervejeira mais cresceu no Brasil em 2024, com o surgimento de 25 novas empresas. Em todo o Brasil há cerca de 1.949, em 790 municípios.
Ninharia
No alvo de ataques de toda ordem e com sua imagem pública lá no chão, eis que o STF está para decidir se a imposição do corte de barba e cabelo viola o direito à liberdade de crença e religião dos presos.
SC fora
A Azul informou que encerrou as operações em 14 cidades em todas as regiões do país, dentre elas as que envolviam os aeroportos de Correia Pinto e Jaguaruna, em SC, para reavaliação, de forma a ajustar oferta e demanda.
Prêmio MEC
Foram divulgados os ganhadores do Prêmio MEC da Educação Brasileira, que valoriza as melhores práticas de inclusão e diversidade, qualidade da educação pública, desempenho no Ideb e acesso e permanência em tempo integral, dentre outros indicadores. Cinco prefeituras de SC receberam premiações: Bombinhas e Rio do Sul (tempo integral), Iporã do Oeste (anos finais), Peritiba (educação infantil) e Serra Alta (alfabetização).
A crise
O Brasil foi desorganizado e precisou do uma gota de Magnitsky pingada do Norte para acordar alguns que dormiam em berço esplêndido, como a OAB e parlamentares e até alguns do STF, para perceber que desandávamos por uma rampa escorregadia em direção a profundezas muito perigosas. Uma palestra de um brilhante constitucionalista fez nos lembrar de Luís XVI, reagindo ao que pensava ser apenas revoltas. Mas quando percebeu a realidade, era a Revolução, a cortar cabeças, inclusive do rei. A gota do norte talvez nos tenha agitado a tempo, evitando algo bem pior que tempos de tirania ainda nas preliminares. Fácil perceber que na base de tudo está o desrespeito à Constituição, dentro da qual há ordem, devido processo legal, democracia, respeito uns aos outros, separação de poderes, violação à censura, livre expressão, juiz natural, ampla defesa, inviolabilidade de mandados e, sobretudo, limites para o estado, para que a nação possa ser livre e progredir. Fora dela, selvageria e tirania.
Motivos religiosos
Depois de anos de tramitação, projeto de lei foi aprovado na Câmara dos Deputados. Permite a realização de provas vestibulares e de concursos públicos em horário especial por motivos religiosos. O texto será enviado ao Senado. O regramento contempla principalmente religiosos adventistas e judeus, que não atendem a compromissos desde a noite de sexta-feira até a noite de sábado. Conforme o texto, as provas poderão ser realizadas tanto por instituições públicas ou privadas, entre o domingo e a sexta-feira, das 8h às 18h.
O quarto corte consecutivo na Taxa Selic, definido nesta quarta-feira (5) pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC), foi bem recebido por agentes econômicos, mas ainda é considerado insuficiente e restritivo para a expansão do setor industrial.
Em nota, a Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) ressaltou que a continuidade do ciclo de redução da Selic representa um sinal positivo para a atividade econômica, mas que o nível ainda elevado da taxa mantém o crédito caro e atrasa investimentos.
"O elevado custo de capital posterga investimentos, dificulta a modernização produtiva e limita a capacidade das empresas brasileiras de ganhar produtividade e competir nos mercados interno e externo. Esse quadro se reflete no desempenho da indústria de transformação, que cresceu apenas 0,4% no primeiro semestre do ano, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)", disse a entidade.
Na mesma linha, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) lembrou que os juros estão em patamar restritivo há 55 meses, e que Selic está 3,6 pontos percentuais acima da taxa calculada com base na Regra de Taylor, estimada em 10,4%. Esta regra permite calcular uma taxa de juros que proporcione o controle da inflação sem desestimular o crescimento da economia.
"A taxa de juros real, aproximadamente de 10%, supera com folga a taxa de equilíbrio estimada pelo próprio Banco Central, de 5%, indicando que há espaço para cortes mais expressivos na Selic, sem prejuízos no combate à inflação".
Entre as organizações de trabalhadores, a Força Sindical também classificou como insuficiente a redução de 0,25 ponto percentual na Selic. Para a central sindical, juros elevados encarecem o crédito, reduzem investimentos, desestimulam o consumo e comprometem a geração de empregos.
"Perdemos uma excelente oportunidade de promover uma redução drástica da taxa de juros, dar uma injeção de ânimo no setor produtivo e alavancar mais a economia", disse a entidade, em nota.
Copom
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) reduziu nesta quarta-feira (5) em 0,25 ponto percentual a Taxa Selic, a taxa básica de juros da economia brasileira, que passará de 14,25% para 14% ao ano.
Esta é a quarta vez consecutiva que o comitê reduz os juros. A decisão foi tomada em reunião na sede do BC, em Brasília.
Segundo a instituição, o novo ajuste gradual de menos 0,25 ponto é compatível com a estratégia de convergência da inflação para o redor da meta no próximo período.
Sobre o ambiente externo, o BC voltou a apontar o cenário de indefinição acerca dos conflitos armados no Oriente Médio e da incerteza sobre a política monetária em algumas economias avançadas.


A Prefeitura de Itapema, por meio da Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Habitação, segue com as inscrições abertas para mais uma capacitação gratuita do programa Itapema Qualifica, realizado em parceria com o SENAC/SC. Desta vez, a oportunidade é para o curso de Relacionamento Interpessoal e Trabalho em Equipe, voltado para quem deseja aprimorar competências comportamentais cada vez mais valorizadas pelo mercado de trabalho.
A formação tem como objetivo desenvolver habilidades essenciais para o ambiente profissional, como comunicação eficiente, cooperação, resolução de conflitos, inteligência emocional e convivência em equipe. O conteúdo também aborda princípios de etiqueta social e profissional, comunicação assertiva e técnicas para fortalecer o relacionamento interpessoal, contribuindo para um ambiente de trabalho mais produtivo, respeitoso e colaborativo.
Durante as aulas, os participantes aprenderão sobre os fundamentos do trabalho em equipe, compreendendo como a colaboração, a confiança e a união de diferentes habilidades podem potencializar resultados. O curso também apresenta estratégias para administrar conflitos de forma construtiva, além de explorar os principais elementos do processo de comunicação, identificando fatores que podem facilitar ou dificultar o entendimento entre as pessoas.
Outro destaque da capacitação é o desenvolvimento da comunicação assertiva, habilidade que permite expressar opiniões, necessidades e ideias com clareza, respeito e objetividade, fortalecendo as relações profissionais e pessoais.
O secretário de Desenvolvimento Econômico e Habitação, Nicko Silva, destacou a importância das capacitações para a formação profissional da população. " O Itapema Qualifica oferece oportunidades gratuitas para que a nossa população desenvolva essas competências e esteja cada vez mais preparada para conquistar uma vaga no mercado ou crescer na carreira", afirmou o secretário.
Inscrições e aulas
As inscrições podem ser realizadas presencialmente na Casa da Cidadania, localizada na Rua 216, nº 155, em Meia Praia, das 8h às 17h, ou de forma online pelo site qualifica.itapema.sc.gov.br. As vagas são gratuitas e serão preenchidas por ordem de inscrição. As aulas acontecerão nos dias 18, 20, 25 e 27 de agosto, além de 1º de setembro, na EMEB Bento Elói Garcia, localizada na Rua 402 B, nº 100, no bairro Morretes.
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) considera acertada a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central de reduzir a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual, para 14% ao ano. No entanto, pondera que os juros altos agravam as dificuldades da indústria e seguirão asfixiando empresas e famílias.
“Não há justificativa compreensível para a manutenção da taxa de juros em um nível tão alto. A decisão do Banco Central piora a perspectiva para a indústria, já tão prejudicada pelas incertezas no cenário externo. Além disso, o crédito caro compromete gravemente a renda das famílias, que já apresentam níveis recordes de endividamento e inadimplência”, afirma Ricardo Alban, presidente da CNI.
Juros continuam desproporcionais à trajetória da inflação
As expectativas de inflação apuradas pelo Boletim Focus vêm melhorando. Embora a projeção para o IPCA de 2026 seja de alta de 5,03%, as perspectivas para o índice em 2027 e 2028 continuam dentro do intervalo de tolerância da meta. Ao mesmo tempo, a inflação corrente vem perdendo força, o que deve continuar a ocorrer em julho. O IPCA-15, por exemplo, acumula alta de 4,52% em 12 meses até julho, resultado abaixo do observado no mês anterior (4,8%). Esses indicadores reforçam a leitura de acomodação das pressões de oferta e de demanda verificadas nos últimos meses.
Além disso, a média dos núcleos de inflação de junho ficaram em 4,44% e apontam uma trajetória mais consistente com a meta de 3% da inflação, apesar da continuidade das incertezas geopolíticas e dos riscos climáticos.
Selic está 3,6 pontos percentuais acima do ideal
A CNI lembra que os juros estão em patamar restritivo há 55 meses. A Selic está 3,6 pontos percentuais acima da taxa calculada com base na Regra de Taylor — estimada em 10,4%. Esta regra permite calcular uma taxa de juros que proporcione o controle da inflação sem desestimular o crescimento da economia. A taxa de juros real, aproximadamente de 10%, supera com folga a taxa de equilíbrio estimada pelo próprio Banco Central, de 5%, indicando que há espaço para cortes mais expressivos na Selic, sem prejuízos no combate à inflação.
Real valorizado contribui para segurar a inflação
Cabe destacar que, em um cenário marcado por tensões geopolíticas, o país segue atraindo investidores internacionais interessados no elevado diferencial de juros entre o Brasil e as economias desenvolvidas. O país continua oferecendo retorno atrativo para investidores internacionais, situação que contribui para a apreciação do real, que nos últimos doze meses se valorizou 8,6% frente ao dólar, o que ajudou a arrefecer o ímpeto inflacionário.
Juros altos elevam endividamento e espremem margens
Consulta realizada pela CNI mostra que os juros devem trazer forte pressão financeira sobre o setor nos próximos três meses. Mais da metade das empresas (53%) prevê aumento na necessidade de financiamento para contas a pagar; 47% esperam pressão sobre contas a receber e 42% sobre estoques — sinais claros de elevação da necessidade de capital de giro.
Entre as empresas que demandam mais capital, mais de 55% projetam encarecimento do crédito, e cerca de 39% devem ampliar o endividamento bancário. Como efeito direto do aperto, 58% antecipam redução das margens líquidas, comprometendo rentabilidade e capacidade de investimento. Para conter perdas, 51% tentarão manter preços para não perder competitividade frente a importados, enquanto 37% já planejam repassar custos ao valor final, o que pressiona a inflação. Segundo os empresários, os juros atuais funcionam como um “imposto invisível” que inviabiliza investimentos, freia contratações e desvia recursos para aplicações financeiras em vez da produção.
Taxas de juros e endividamento das famílias
O elevado nível de juros no crédito livre também encarece o refinanciamento das dívidas familiares. O resultado é o endividamento em patamar crítico e o comprometimento da renda, reduzindo recursos para consumo essencial e ampliando o risco de superendividamento. O "Desenrola 2.0" trata, sobretudo, o sintoma, sem atacar causas estruturais, como a baixa educação financeira e o elevado nível das taxas de juros.


Aprovado recentemente pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), o aumento da mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina de 30% para 32% (E32) reacendeu o debate sobre os efeitos da medida tanto para o bolso dos consumidores como para o funcionamento dos veículos.
Contrário à mudança, o Ministério Público Federal (MPF) ajuizou ação civil pública para suspender a decisão do CNPE até que estudos específicos comprovem a segurança da nova mistura para os motores da frota brasileira.
Já a União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica) afirma que a ampliação da mistura fortalece a segurança energética do país, reduz a dependência de gasolina importada e ajuda a conter preços ao consumidor.
MPF
De acordo com o MPF, os estudos que embasaram a nova configuração da gasolina (com 32% de etanol) não demonstraram, de forma conclusiva, os impactos do E32 sobre durabilidade de componentes, emissões, autonomia e compatibilidade com diferentes tipos de veículos.
Na ação, o MPF aponta riscos de corrosão de peças, desgaste de bombas de combustível e falhas em sistemas de injeção eletrônica, especialmente em motocicletas, veículos antigos e modelos importados.
Os procuradores argumentam, ainda, que os estudos usados foram elaborados para o E30 e não para validar especificamente a adoção permanente do E32.
Por fim, o MPF argumenta que faltam estudos sobre impactos ambientais indiretos e pede perícia técnica independente.
Unica
Para a União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica), o aumento do percentual de etanol na gasolina é algo positivo porque favorece a segurança energética do país, além de reduzir a necessidade de importação de gasolina.
Além disso, acrescenta a Unica, não há evidências, nos resultados obtidos, de impactos sobre desempenho, dirigibilidade, partida a frio, consumo, emissões ou funcionamento dos veículos em decorrência da adoção do E32.
A entidade lembra que o E32 foi avaliado em estudos coordenados pelo Ministério de Minas e Energia e realizados pelo Instituto Mauá de Tecnologia. Os testes foram feitos em veículos leves e motocicletas movidos a gasolina, fabricados entre 1994 e 2024.
Mesmo os veículos mais antigos avaliados não apresentaram impactos em partida, marcha lenta, aceleração ou dirigibilidade com a utilização do E32, acrescentou ao destacar que não foram identificados impactos relevantes em desempenho, consumo, dirigibilidade, partidas a frio ou funcionamento dos motores.
Além dos aspectos técnicos, a entidade sustenta que o aumento da participação do etanol pode beneficiar os consumidores ao reduzir a dependência de gasolina importada.
A estimativa é que o país deixe de importar cerca de 800 milhões de litros de gasolina por ano. Segundo a Unica, sem a presença do etanol no mercado nacional, o custo dos combustíveis teria aumentado em R$ 8 bilhões apenas nos últimos três meses.
Pesquisa inédita da Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostra que 41% das indústrias brasileiras migraram para o mercado livre de energia desde 2024, quando entrou em vigor a norma do Ministério de Minas e Energia (MME) que ampliou o acesso dos consumidores ao ambiente de livre contratação. De acordo com os dados, 73% dos empresários que trocaram o mercado cativo pelo livre notaram redução dos custos com as tarifas de energia elétrica.
A Sondagem Especial Indústria e Energia 2026, divulgada nesta quinta-feira (30) pela CNI, revela que 30% das empresas consideram a migração para o mercado livre como a principal estratégia para reduzir o custo da conta de luz. Os dados apontam ainda que, em meio a um cenário de oscilações no setor elétrico impulsionado pela alta demanda global e por conflitos geopolíticos, o interesse das empresas pelo mercado livre de energia aumentou.
Apesar desse avanço, ainda há grande potencial para expansão desse mercado. Entre as empresas atendidas em baixa tensão que permanecem no mercado cativo, 37% demonstram interesse em migrar para o mercado livre. Os dados reforçam que a abertura gradual do setor tende a ampliar a competitividade das indústrias.
A pesquisa revela que, entre as grandes indústrias atendidas em alta tensão, 63% já compram energia no mercado livre. Entre as pequenas empresas, 22% informam atuar nesse ambiente de contratação, enquanto 45% permanecem no mercado cativo.
Os dados indicam também que 79% das indústrias utilizam a energia elétrica como principal insumo energético em seus processos produtivos. O custo da energia é apontado pelos industriais como um dos principais desafios do setor.
Confira a pesquisa: https://static.portaldaindustria.com.br/portaldaindustria/noticias/media/filer_public/43/8d/438d1f97-f43e-435f-83e2-f0a4118f1646/sondagem_cni_industria_e_energia_2026.pdf
Sondagem CNI Indústria e Energia 2026.pdf(6,1 MB)
“A pesquisa mostra a importância do custo da energia para a competitividade da indústria e que o caminho escolhido pelas empresas para diminuir as tarifas passa pela migração ao mercado livre”, destaca o gerente de Energia da CNI, Roberto Wagner Pereira.
“Além disso, precisamos melhorar o sinal de preços com a adoção de tarifas dinâmicas, que possam variar de acordo com a geração, o horário e a demanda dos consumidores. Associado a isso é imprescindível revisarmos a grande quantidade de subsídios que encarecem a conta de energia”, acrescenta o gerente da CNI.
83% das empresas dizem que custo da energia é importante para a competitividade
Segundo a sondagem, 62% dos industriais indicaram que houve algum impacto da variação dos preços de energia elétrica nos últimos 12 meses. Para 83% deles, a conta de luz é um fator imprescindível para a competitividade. Outros 67% consideram que o aumento das tarifas impacta diretamente os custos de produção.
O aumento da conta de luz foi apontado por 3% das empresas como alto (acima de 30% de reajuste). Para 20%, o impacto foi considerado médio (acima de 10% de aumento), enquanto para 39%, o impacto foi considerado baixo (abaixo de 10% de aumento).
Quase duas em cada três empresas (64%) investiram em alguma forma de economizar energia ou na diminuição dos custos tarifários. A principal opção apontada foi a migração para o mercado livre, apontada por 30% das indústrias.
Investimentos em autogeração e eficiência energética
Já os investimentos em autogeração e ações de eficiência energética foram elencados como alternativas para 13% das empresas respondentes. Outros 28% não tomaram nenhuma medida para otimização energética de seus processos produtivos.
O setor de produtos de borracha foi o que mais investiu na opção de autogeração (25% das empresas) e na migração para o mercado livre (38% das empresas). O setor que mais migrou para o mercado livre foi o calçadista (47% das empresas). O setor de equipamentos de informática e produtos eletrônicos, por sua vez, foi o que mais investiu em eficiência energética (25% das empresas).
A Sondagem Especial Indústria e Energia foi realizada em abril pela CNI, junto a 1.498 indústrias dos setores extrativo e de transformação, sendo 601 pequenas, 529 médias e 368 grandes empresas.


A energia elétrica é o principal insumo da indústria brasileira e um fator decisivo para a competitividade da economia. O Brasil reúne condições privilegiadas: tem uma das matrizes elétricas mais limpas do mundo, com mais de 85% da geração proveniente de fontes renováveis, e vem ampliando rapidamente a participação da energia solar e eólica. Ainda assim, convivemos com um paradoxo difícil de justificar. Produzimos energia a baixo custo, mas pagamos uma das tarifas mais altas do mundo.
A principal explicação para essa distorção não está no custo de geração, transmissão ou distribuição, mas no crescimento contínuo dos encargos setoriais, subsídios e tributos embutidos na conta de luz. Hoje, cerca de 40% da tarifa corresponde a impostos e encargos setoriais, percentual que compromete a competitividade da indústria, reduz investimentos e encarece a produção nacional. A Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), principal mecanismo de financiamento de subsídios do setor, ilustra essa escalada: seu orçamento passou de R$ 14 bilhões em 2013 para mais de R$ 52 bilhões previstos para 2026.
O Brasil segue um caminho que vai na contramão da racionalidade e do razoável. Ao longo dos anos, diferentes políticas públicas foram incorporadas à tarifa de energia por meio de encargos criados, muitas vezes, com objetivos legítimos. O problema é que esses mecanismos se acumularam sem revisões periódicas, transformando-se em um conjunto de subsídios permanentes que pesa sobre consumidores e empresas. Criar encargos tornou-se politicamente mais fácil do que financiá-los pelo orçamento público, reduzindo a transparência e perpetuando distorções econômicas.
A facilidade política para criar encargos contrasta com a enorme dificuldade para sua revisão ou eliminação. Essa é a razão pela qual se prefere garantir subsídios via encargos, que não passam pelo escrutínio político na análise do orçamento público, em detrimento do uso de recursos orçamentários. Assim, os encargos setoriais acabam financiando políticas e subsídios que tendem a se perpetuar, mesmo quando perdem a eficiência econômica.
A redução desse peso sobre a conta de luz é uma das principais propostas da indústria brasileira para o próximo mandato presidencial. Este tópico está destacado como a prioridade no documento que a Confederação Nacional da Indústria (CNI) entregou aos pré-candidatos à Presidência da República, em evento realizado em junho.
No fim do século passado, nosso sistema elétrico era considerado um dos mais eficientes do mundo. Os grandes reservatórios hidrelétricos e um sistema interligado por uma ampla rede de transmissão garantiam a segurança e o baixo custo da eletricidade. Essa situação representava uma importante vantagem competitiva para a economia brasileira e para a indústria.
Infelizmente, esse tempo passou. A energia elétrica, agora, é cara. O recente histórico de intervenções no setor aliado às questões de gestão e de planejamento desestabilizaram o modelo, gerando complexidade, judicialização e enormes passivos financeiros.
O PL 5017/2019 foi aprovado recentemente na Comissão de Serviços de Infraestrutura do Senado Federal, determinando a criação de mais subsídios e contratações compulsórias de geração que novamente irão aumentar a tarifa de energia, sem que critérios técnicos ou econômicos sejam considerados.
O novo texto aprovado na Comissão de Serviços de Infraestrutura pegou o setor elétrico de surpresa. Estimativas da Associação Brasileira dos Grandes Consumidores de Energia apontam que o custo acumulado com esses novos penduricalhos da conta de luz chegará a R$ 1,5 trilhão no acumulado na conta de luz até 2057, caso o Congresso Nacional aprove o projeto que prevê a contratação obrigatória de termelétricas a gás e pequenas hidrelétricas, entre outros dispositivos.
Trata-se de um caminho incompatível com a necessidade urgente de reduzir o Custo Brasil. A indústria é o setor da economia mais sensível ao preço dos insumos energéticos, devido à elevada participação da energia no custo total de produção. A racionalização dos encargos, a redução gradual de subsídios que já não se justificam, o aperfeiçoamento da formação de preços e a ampliação da concorrência devem integrar uma agenda consistente de reformas.
O Brasil não pode desperdiçar a vantagem de ter uma das matrizes elétricas mais renováveis e competitivas do planeta. A energia precisa voltar a ser um diferencial para impulsionar a indústria, atrair investimentos e acelerar o crescimento econômico. Isso exige coragem para enfrentar privilégios, revisar subsídios e construir um setor elétrico mais transparente, eficiente e sustentável. Reduzir os penduricalhos da conta de luz não é apenas uma necessidade para os consumidores, mas uma condição indispensável para devolver competitividade à economia brasileira.
*Ricardo Alban é empresário e presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI).
O artigo foi publicado na Folha de S. Paulo, no dia 30 de julho de 2026.