
Por Augusto César Diegoli (acdiegoli@gmail.com)
Sem receita
Pelo menos 1.282 municípios brasileiros não conseguiram gerar receitas suficientes para custear as despesas administrativas da prefeitura e da câmara de vereadores em 2024, conforme o Índice Firjan de Gestão Fiscal, divulgado pela Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro. Daqueles todos, que dependem de transferências do governo federal, felizmente não há nenhum catarinense.
Ações e reações ao tarifaço
Empresas de Santa Catarina, de vários portes, começam a sentir aos efeitos tarifários impostos pelos Estados Unidos com antecipação de férias e até mesmo demissões em massa. O setor moveleiro é mais atingido, mas outras atividades também sofrem os efeitos da redução nas exportações. Empresários refazem as contas e começam a buscar outros mercados, manobra nem tão simples assim e muito menos rápida. A expectativa é de que ações dos governos federal e estadual ajudem a aliviar os impactos, como por exemplo, redução de taxas. Por outro lado, bancos de fomento apresentam linhas de crédito como forma de minimizar o drama. Como foi o caso do BNDES, em parceria com a Fiesc, que liberou R$ 40 bilhões no âmbito do Plano Brasil Soberano, dos quais R$ 30 bilhões do Fundo Garantidor de Exportações.
Conta própria
Divulgou-se interessante estudo sobre o percentual de trabalhadores brasileiros por conta própria no segundo trimestre deste ano. O maior de autônomos fica em Rondônia (283 mil), ou 35% da população ocupada com algum tipo de atividade formal ou informal. Na outra ponta está SC, com 2,2% e com milhares de empregos sobrando, por falta de qualificação.
Rio desprezado
Acerca de informação de que o Aeroporto Internacional de Navegantes terá 1.531 voos de chegada e partida movimentando 252 mil passageiros somente de 1º a 31 de outubro, o jornalista Juca Deschamps se diz estar sempre inconformado de olhar o Rio Itajaí e não constatar nenhum aproveitamento turístico nele. Verdade. Se fosse a Europa ...
Amicus curiae
A Fiesc foi aceita pelo STF como terceiro interessado (amicus curiae) na ação que lá tramita, movida pela Procuradoria Geral da República, que questiona a validade do Código Ambiental de SC. Aquela lunática, que quer proibir atividades agrossilvipastoris em áreas entre 400 e 1.500 metros de altitude. Esse espaço corresponde entre 76% a 80% do território catarinense. No que depender do histérico ambientalismo-caviar, pouco importa os 244 mil empregos que poderiam ser extintos e a redução do PIB estadual em R$ 17 bilhões.
Lavagem de dinheiro
Importante autoridade do meio policial catarinense confirma um fato cada vez mais concreto no Estado, principalmente no litoral, desde Garopaba, ao sul, até Balneário Piçarras, ao norte: salões de beleza e barbearias lideram a lista de “investimentos” do crime organizado para lavagem de dinheiro resultante do tráfico de drogas e de armas. E, em seguida, literalmente, lavanderias.
Argumento
A Ordem dos Economistas de SC, que está fazendo um lobby pela aprovação de projeto que institui a Semana Estadual da Educação Financeira, tem um argumento forte quando divulgou que 43% dos adultos brasileiros, o equivalente a impressionantes 72 milhões de pessoas, estão inadimplentes. Salvo exceções, são brasileiros que não tem a cultura do planejamento financeiro.
Efeitos do tarifaço em SC
O bullying oficial e internacional praticado pelos Estados Unidos contra o Brasil trouxe impactos práticos para SC. As demissões anunciadas pela indústria moveleira são a ponta de um iceberg iniciado em julho, depois que Trump anunciou a taxação de 50% sobre as exportações do país. Pouco mais de um mês após o tarifaço entrar em vigor, efeitos desse terremoto econômico já são sentidos no estado, e provocaram entidades de classe e governos a tomarem medidas de curto prazo para tentar salvar negócios e, acima de tudo, evitar o desemprego.
Indústrias se reinventam
O ano de 2025 entrou para a história como o que impôs o pior e mais inimaginável desafio aos exportadores de SC e do Brasil: enfrentar um tarifaço de 50% para vender aos Estados Unidos, o maior mercado externo catarinense e o segundo brasileiro, por um motivo de polarização política. Os negócios começaram a derreter com o anúncio da taxação para o Brasil, feito no dia 9 de julho, e seguiram com a entrada em vigor da mesma em 6 de agosto. Apesar de o governo americano ter anunciado uma lista de isenções de aproximadamente 700 produtos, quase nenhum deles é exportado por SC ao país. A economia do estado está tendo que enfrentar o problema em cheio. A lista de setores afetados inclui madeira, móveis, veículos, autopeças, máquinas e equipamentos, além de alimento, produtos químicos, materiais de construção, papel e equipamentos de transporte, entre outros.
Exibicionismo
Em Balneário Camboriú e Itapema, o dinheiro de alguns nem sempre compra civilidade, bons modos e boa convivência. É o que se pode dizer de um grupo de donos de Porsches que se unem para desfilar pela Avenida Atlântica, preferencialmente nos sábados à tarde e noite e nos domingos, evidentemente fazendo questão de parar o trânsito e disparar o maior barulho possível com suas aceleradas, com direito a estouros, como se fossem tiros.
Cesta básica de Brusque
A cesta básica de Brusque registrou queda de 2,43% em agosto de 2025 frente a julho, passando a custar R$ 675,13. Apesar da retração, no acumulado de 2025 o valor ainda apresenta alta de 2,60% em comparação com agosto de 2024, a elevação chega a 7,20%. Em comparação com as capitais pesquisadas, Brusque ocupa a 17ª posição no ranking das cestas mais caras do país. Na análise do mês, a carne teve o maior custo da cesta básica. Mesmo sem registrar a maior variação em agosto, o produto continua sendo o que mais pesa no bolso do trabalhador: sozinho, ele representa 40,8% de todo o gasto mensal com alimentação, custando R$ 275,52 para a quantidade prevista na cesta.
Avanço na Justiça
Com DNA catarinense, a recomendação para a gravação de todos os atos processuais no Brasil virou regra. O Conselho Nacional de Justiça aprovou resolução que torna a gravação integral obrigatória em todos os tribunais e no Ministério Público. A mudança foi defendida na tribuna do CNJ pelo coordenador nacional das Comissões da OAB nacional, o catarinense Rafael Horn, e se aplica a audiência, depoimentos, sessões de julgamento e plenários do júri. A norma é resultado da atuação da OAB-SC, que há cinco anos requereu a gravação.
Processos digitalizados
Brusque será reconhecida, em breve, como a primeira cidade do Brasil a realizar a digitalização integral dos processos administrativos na administração pública. A prefeitura formalizou adesão ao Programa de Fortalecimento das Atividades de Corregedoria (Procor), iniciativa da Controladoria Geral da União (CGU) que busca modernizar e ampliar a eficiência das atividades de correição em todo o país.
Carros elétricos
Uma discussão que logo chegará em todo lugar: a Justiça de Florianópolis suspendeu o uso e a instalação de carregadores de carros elétricos em um condomínio residencial após laudos técnicos apontarem risco de sobrecarga elétrica e incêndio em garagem subterrânea sem ventilação.
Água gratuitamente
Chegou ao STF, que acaba de decidir sobre ação de 2019, originária de SC: um parque temático do litoral norte agora é obrigado a disponibilizar bebedouros em número suficiente para atender à demanda diária de visitantes. Cabe recurso.
Russos chegando
Interessante reportagem da Folha de São Paulo mostra que SC, que tem registrado o maior saldo migratório do Brasil nos últimos anos, tem atraído famílias russas, que para cá vem se mudando para ter filhos e garantir o passaporte nacional e, assim, conseguir maior liberdade de circulação internacional. Florianópolis é a cidade com mais registros de residência de imigrantes russos no Brasil, conforme o Observatório das Migrações Internacionais, ligado ao Ministério da Justiça. Desde 2021, foram emitidos 1.050 vistos na capital de SC. Migrantes ouvidos dizem, em sua maioria, ter escolhido Florianópolis por oferecer segurança semelhante à de seu país de origem. A opção natural seria o Rio de Janeiro, que tem sido descartada por ser uma cidade perigosa. Dizem ainda que boa parte trabalha remotamente para empresas russas ou vive de investimentos.
Escolas militares
O STF formou maioria para autorizar, de forma provisória, a implementação do modelo de escolas cívico-militares no Estado de São Paulo. Ainda não analisou o mérito da ação e deverá decidir futuramente sobre a constitucionalidade do formato educacional. O curioso é que uma lei estadual que instituiu o modelo também em SC não é motivo de questionamento.
Rádios
O Ministério das Comunicações deve lançar um edital para contemplar 1.266 municípios de todo o país com rádios comunitárias. Em SC serão 91.
De volta
A Fenachopp, que foi uma tradicional festa de Joinville, está de volta. Será celebrada entre 25 deste mês a 5 de outubro, nas dependências da Sociedade Rio da Prata. Além de bandas típicas e culinária oferecida por restaurantes, estarão presentes 30 cervejarias artesanais.
Tatuagem
Que sirva de alerta o julgamento, pelo TJ-SC, de um tatuador do Vale do Itajaí, condenado por lesão corporal gravíssima depois de tatuar um adolescente de 16 anos sem o consentimento dos pais. O juiz responsável pelo caso considerou que a tatuagem feita no pescoço configurou deformidade permanente.
Bolacha decorada
A Câmara dos Deputados deu os primeiros encaminhamentos a projeto de lei para reconhecer o município sulino catarinense de São Martinho como Capital Nacional da Bolacha Decorada Artesanalmente. O município produz anualmente cerca de 200 toneladas do produto e gera 400 empregos diretos.
Inadimplência recorde
Pelo sétimo mês consecutivo, a inadimplência das empresas bateu o recorde da série histórica e chegou, em julho, aos impressionante 8 milhões de CNPJs nesta situação, um aumento de mais de 200 mil negócios desde junho e de 1,1 milhão na comparação com julho de 2024, segundo dados do Indicador de Inadimplência das Empresas, elaborado pela Serasa Experian. Em SC estavam naquela preocupante situação 352,2 mil CNPJs.
Suco de verdade
Uma das medidas analisadas pelo governo para absorver internamente frutas que eventualmente deixarão de ser exportadas devido ao tarifaço dos Estados Unidos, é estipular um percentual obrigatório mínimo de adição de sucos nas bebidas no mercado interno, e não só “néctar” açucarado com essências aromáticas. Foi constatado em um supermercado dois sucos, de manga e uva, produzidos com marca afamada do Rio Grande do Sul, informando em letras miúdas, ter apenas 3% do produto original.
Arbitragem tributária
O Brasil trilha um caminho rumo à junção da arbitragem privada com o contencioso tributário, com a tramitação do Projeto de Lei 4257/2019. Se criado, o instituo será uma ferramenta inovadora para a solução rápida dos inúmeros litígios entre Fisco e contribuintes, seguramente útil para acelerar a arrecadação tributária da União, Estados e municípios e, ao mesmo tempo, para encerrar pendências fiscais dos contribuintes que travam o crédito e os investimentos (Fonte: Câmara de Mediação e Arbitragem de Brusque).
Fazendo diferença
O projeto SC+Eficiente, da Celesc, entregou desde o final de junho deste ano, em Joinville, mais de 800 geladeiras novas e eficientes, em substituição a equipamentos antigos e de alto consumo. O programa também contabiliza a troca de 4.439 lâmpadas incandescentes e fluorescentes por LED e a substituição de 2.271 chuveiros por modelos modernos e econômicos, com trocadores de calor.
Simplificação
A Secretaria da Fazenda de Brusque realizou uma reunião com o Sebrae para discutir ações do programa Cidades Empreendedoras, com foco na desburocratização da abertura de empresas no município. O encontro contou com a participação da Secretaria de Planejamento e da Vigilância Sanitária, resultando na criação de um grupo de trabalho e na apresentação de um diagnóstico do cenário atual. Entre os próximos passos estão a revisão de leis municipais e a automação de processos, visando melhorar ainda mais o ambiente de negócios, já considerado ágil em comparação ao restante de Santa Catarina.
Imposto sobre veículos e cães
Enquanto foi uma Colônia criada pelo governo imperial, os brusquenses, quase todos imigrantes alemães e italianos, não pagavam impostos. O próprio governo financiava as despesas da administração, pagava-lhes subsídios e mais salários pelo trabalho nas obras públicas. Mas depois da emancipação da Colônia e criação do município em 1881, que ainda não se chamaria Brusque e sim São Luiz Gonzaga, foi preciso instituir impostos para fazer face às despesas. No começo do século passado, carroças, canoas, bicicletas e até cachorros pagavam imposto. Só caro de boi escapava das garras do fisco. Afinal, além de outros encargos, a Superintendência municipal precisava construir escolas, estradas, pontes, prestar assistência à saúde dos mais pobres e, claro, também pagar os salários dos seus funcionários. Dessa forma, a Gazeta Brusquense de 8 de janeiro de 1916 noticiou que a Superintendência municipal estava advertindo que os moradores da sede da vila deveriam cadastrar a posse de veículos de qualquer natureza e cães atados ou soltos, para regularização do pagamento dos impostos, sob pena de multa de cinco a 20 mil reis.
Atividade em menor ritmo
Pesquisas do IBGE mostraram que as principais atividades econômicas de Santa Catarina fecharam com crescimento ou estabilidade no mês de julho. A indústria e os serviços cresceram frente ao mês anterior, na série com ajustes sazonais e o comércio ampliado ficou estável. Mas os dados mostram uma redução da atividade econômica no estado em função da taxa básica de juros Selic em 15%, definida pelo Banco Central com o objetivo de diminuir atividades para reduzir a inflação. Além disso, já surgem impactos do tarifaço dos Estados Unidos, que afeta diversas e a produção industrial catarinense, segundo o IBGE, cresceu 1,1% em julho na comparação com o mês anterior, na série de ajustes sazonais. O setor de serviços encerrou julho com crescimento de 0,9% frente ao mês anterior e o varejo ampliado fechou julho com estabilidade frente a junho.
Entre as mil maiores
Santa Catarina tem 53 empresas na lista das mil maiores do Brasil, mostra a edição 2025 do Anuário Valor 1000, publicado pelo jornal Valor Econômico. O ranking divulgado usa como principal critério de classificação a receita líquida das empresas em 2024, apurada a partir de demonstrações contábeis. A liderança geral do ranking brasileiro é da Petrobrás (receita líquida de R$ 490,8 bilhões em 2024), seguida por JBS (R$ 416,9 bilhões). A catarinense mais bem colocada é a Bunge, na 15ª posição. Na comparação com a edição anterior, houve um crescimento no número de representantes catarinenses no ranking de 44 para 53. O levantamento feito pela coluna considera o estado sede das empresas informado pelo anuário, com duas exceções: entraram nesse recorte o Grupo Pereira, dono dos supermercados Fort Atacadista e Comper e a Whirlpool. Embora tenham matriz administrativa em São Paulo, são companhias que mantêm em SC maior parte de suas operações. Grandes nomes da indústria do Estado, como Hering, Hemmer e Cremer, entre outras, que foram compradas no passado e hoje integram grupos econômicos sediados em outros estados.
Universidade Gratuita
A Polícia Civil de SC indiciou 43 candidatos do programa Universidade Gratuita por não cumprirem requisitos do processo. Inicialmente eram investigados 335 candidatos, chegando a 119 suspeitos e restando, ao final da investigação, os alunos indiciados. Os suspeitos não cumpriram os critérios de naturalidade ou residência mínima no estado. O procedimento foi encaminhado ao Ministério Público de SC (MP-SC) e ao Poder Judiciário para as medidas cabíveis.
O quarto corte consecutivo na Taxa Selic, definido nesta quarta-feira (5) pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC), foi bem recebido por agentes econômicos, mas ainda é considerado insuficiente e restritivo para a expansão do setor industrial.
Em nota, a Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) ressaltou que a continuidade do ciclo de redução da Selic representa um sinal positivo para a atividade econômica, mas que o nível ainda elevado da taxa mantém o crédito caro e atrasa investimentos.
"O elevado custo de capital posterga investimentos, dificulta a modernização produtiva e limita a capacidade das empresas brasileiras de ganhar produtividade e competir nos mercados interno e externo. Esse quadro se reflete no desempenho da indústria de transformação, que cresceu apenas 0,4% no primeiro semestre do ano, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)", disse a entidade.
Na mesma linha, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) lembrou que os juros estão em patamar restritivo há 55 meses, e que Selic está 3,6 pontos percentuais acima da taxa calculada com base na Regra de Taylor, estimada em 10,4%. Esta regra permite calcular uma taxa de juros que proporcione o controle da inflação sem desestimular o crescimento da economia.
"A taxa de juros real, aproximadamente de 10%, supera com folga a taxa de equilíbrio estimada pelo próprio Banco Central, de 5%, indicando que há espaço para cortes mais expressivos na Selic, sem prejuízos no combate à inflação".
Entre as organizações de trabalhadores, a Força Sindical também classificou como insuficiente a redução de 0,25 ponto percentual na Selic. Para a central sindical, juros elevados encarecem o crédito, reduzem investimentos, desestimulam o consumo e comprometem a geração de empregos.
"Perdemos uma excelente oportunidade de promover uma redução drástica da taxa de juros, dar uma injeção de ânimo no setor produtivo e alavancar mais a economia", disse a entidade, em nota.
Copom
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) reduziu nesta quarta-feira (5) em 0,25 ponto percentual a Taxa Selic, a taxa básica de juros da economia brasileira, que passará de 14,25% para 14% ao ano.
Esta é a quarta vez consecutiva que o comitê reduz os juros. A decisão foi tomada em reunião na sede do BC, em Brasília.
Segundo a instituição, o novo ajuste gradual de menos 0,25 ponto é compatível com a estratégia de convergência da inflação para o redor da meta no próximo período.
Sobre o ambiente externo, o BC voltou a apontar o cenário de indefinição acerca dos conflitos armados no Oriente Médio e da incerteza sobre a política monetária em algumas economias avançadas.


A Prefeitura de Itapema, por meio da Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Habitação, segue com as inscrições abertas para mais uma capacitação gratuita do programa Itapema Qualifica, realizado em parceria com o SENAC/SC. Desta vez, a oportunidade é para o curso de Relacionamento Interpessoal e Trabalho em Equipe, voltado para quem deseja aprimorar competências comportamentais cada vez mais valorizadas pelo mercado de trabalho.
A formação tem como objetivo desenvolver habilidades essenciais para o ambiente profissional, como comunicação eficiente, cooperação, resolução de conflitos, inteligência emocional e convivência em equipe. O conteúdo também aborda princípios de etiqueta social e profissional, comunicação assertiva e técnicas para fortalecer o relacionamento interpessoal, contribuindo para um ambiente de trabalho mais produtivo, respeitoso e colaborativo.
Durante as aulas, os participantes aprenderão sobre os fundamentos do trabalho em equipe, compreendendo como a colaboração, a confiança e a união de diferentes habilidades podem potencializar resultados. O curso também apresenta estratégias para administrar conflitos de forma construtiva, além de explorar os principais elementos do processo de comunicação, identificando fatores que podem facilitar ou dificultar o entendimento entre as pessoas.
Outro destaque da capacitação é o desenvolvimento da comunicação assertiva, habilidade que permite expressar opiniões, necessidades e ideias com clareza, respeito e objetividade, fortalecendo as relações profissionais e pessoais.
O secretário de Desenvolvimento Econômico e Habitação, Nicko Silva, destacou a importância das capacitações para a formação profissional da população. " O Itapema Qualifica oferece oportunidades gratuitas para que a nossa população desenvolva essas competências e esteja cada vez mais preparada para conquistar uma vaga no mercado ou crescer na carreira", afirmou o secretário.
Inscrições e aulas
As inscrições podem ser realizadas presencialmente na Casa da Cidadania, localizada na Rua 216, nº 155, em Meia Praia, das 8h às 17h, ou de forma online pelo site qualifica.itapema.sc.gov.br. As vagas são gratuitas e serão preenchidas por ordem de inscrição. As aulas acontecerão nos dias 18, 20, 25 e 27 de agosto, além de 1º de setembro, na EMEB Bento Elói Garcia, localizada na Rua 402 B, nº 100, no bairro Morretes.
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) considera acertada a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central de reduzir a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual, para 14% ao ano. No entanto, pondera que os juros altos agravam as dificuldades da indústria e seguirão asfixiando empresas e famílias.
“Não há justificativa compreensível para a manutenção da taxa de juros em um nível tão alto. A decisão do Banco Central piora a perspectiva para a indústria, já tão prejudicada pelas incertezas no cenário externo. Além disso, o crédito caro compromete gravemente a renda das famílias, que já apresentam níveis recordes de endividamento e inadimplência”, afirma Ricardo Alban, presidente da CNI.
Juros continuam desproporcionais à trajetória da inflação
As expectativas de inflação apuradas pelo Boletim Focus vêm melhorando. Embora a projeção para o IPCA de 2026 seja de alta de 5,03%, as perspectivas para o índice em 2027 e 2028 continuam dentro do intervalo de tolerância da meta. Ao mesmo tempo, a inflação corrente vem perdendo força, o que deve continuar a ocorrer em julho. O IPCA-15, por exemplo, acumula alta de 4,52% em 12 meses até julho, resultado abaixo do observado no mês anterior (4,8%). Esses indicadores reforçam a leitura de acomodação das pressões de oferta e de demanda verificadas nos últimos meses.
Além disso, a média dos núcleos de inflação de junho ficaram em 4,44% e apontam uma trajetória mais consistente com a meta de 3% da inflação, apesar da continuidade das incertezas geopolíticas e dos riscos climáticos.
Selic está 3,6 pontos percentuais acima do ideal
A CNI lembra que os juros estão em patamar restritivo há 55 meses. A Selic está 3,6 pontos percentuais acima da taxa calculada com base na Regra de Taylor — estimada em 10,4%. Esta regra permite calcular uma taxa de juros que proporcione o controle da inflação sem desestimular o crescimento da economia. A taxa de juros real, aproximadamente de 10%, supera com folga a taxa de equilíbrio estimada pelo próprio Banco Central, de 5%, indicando que há espaço para cortes mais expressivos na Selic, sem prejuízos no combate à inflação.
Real valorizado contribui para segurar a inflação
Cabe destacar que, em um cenário marcado por tensões geopolíticas, o país segue atraindo investidores internacionais interessados no elevado diferencial de juros entre o Brasil e as economias desenvolvidas. O país continua oferecendo retorno atrativo para investidores internacionais, situação que contribui para a apreciação do real, que nos últimos doze meses se valorizou 8,6% frente ao dólar, o que ajudou a arrefecer o ímpeto inflacionário.
Juros altos elevam endividamento e espremem margens
Consulta realizada pela CNI mostra que os juros devem trazer forte pressão financeira sobre o setor nos próximos três meses. Mais da metade das empresas (53%) prevê aumento na necessidade de financiamento para contas a pagar; 47% esperam pressão sobre contas a receber e 42% sobre estoques — sinais claros de elevação da necessidade de capital de giro.
Entre as empresas que demandam mais capital, mais de 55% projetam encarecimento do crédito, e cerca de 39% devem ampliar o endividamento bancário. Como efeito direto do aperto, 58% antecipam redução das margens líquidas, comprometendo rentabilidade e capacidade de investimento. Para conter perdas, 51% tentarão manter preços para não perder competitividade frente a importados, enquanto 37% já planejam repassar custos ao valor final, o que pressiona a inflação. Segundo os empresários, os juros atuais funcionam como um “imposto invisível” que inviabiliza investimentos, freia contratações e desvia recursos para aplicações financeiras em vez da produção.
Taxas de juros e endividamento das famílias
O elevado nível de juros no crédito livre também encarece o refinanciamento das dívidas familiares. O resultado é o endividamento em patamar crítico e o comprometimento da renda, reduzindo recursos para consumo essencial e ampliando o risco de superendividamento. O "Desenrola 2.0" trata, sobretudo, o sintoma, sem atacar causas estruturais, como a baixa educação financeira e o elevado nível das taxas de juros.


Aprovado recentemente pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), o aumento da mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina de 30% para 32% (E32) reacendeu o debate sobre os efeitos da medida tanto para o bolso dos consumidores como para o funcionamento dos veículos.
Contrário à mudança, o Ministério Público Federal (MPF) ajuizou ação civil pública para suspender a decisão do CNPE até que estudos específicos comprovem a segurança da nova mistura para os motores da frota brasileira.
Já a União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica) afirma que a ampliação da mistura fortalece a segurança energética do país, reduz a dependência de gasolina importada e ajuda a conter preços ao consumidor.
MPF
De acordo com o MPF, os estudos que embasaram a nova configuração da gasolina (com 32% de etanol) não demonstraram, de forma conclusiva, os impactos do E32 sobre durabilidade de componentes, emissões, autonomia e compatibilidade com diferentes tipos de veículos.
Na ação, o MPF aponta riscos de corrosão de peças, desgaste de bombas de combustível e falhas em sistemas de injeção eletrônica, especialmente em motocicletas, veículos antigos e modelos importados.
Os procuradores argumentam, ainda, que os estudos usados foram elaborados para o E30 e não para validar especificamente a adoção permanente do E32.
Por fim, o MPF argumenta que faltam estudos sobre impactos ambientais indiretos e pede perícia técnica independente.
Unica
Para a União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica), o aumento do percentual de etanol na gasolina é algo positivo porque favorece a segurança energética do país, além de reduzir a necessidade de importação de gasolina.
Além disso, acrescenta a Unica, não há evidências, nos resultados obtidos, de impactos sobre desempenho, dirigibilidade, partida a frio, consumo, emissões ou funcionamento dos veículos em decorrência da adoção do E32.
A entidade lembra que o E32 foi avaliado em estudos coordenados pelo Ministério de Minas e Energia e realizados pelo Instituto Mauá de Tecnologia. Os testes foram feitos em veículos leves e motocicletas movidos a gasolina, fabricados entre 1994 e 2024.
Mesmo os veículos mais antigos avaliados não apresentaram impactos em partida, marcha lenta, aceleração ou dirigibilidade com a utilização do E32, acrescentou ao destacar que não foram identificados impactos relevantes em desempenho, consumo, dirigibilidade, partidas a frio ou funcionamento dos motores.
Além dos aspectos técnicos, a entidade sustenta que o aumento da participação do etanol pode beneficiar os consumidores ao reduzir a dependência de gasolina importada.
A estimativa é que o país deixe de importar cerca de 800 milhões de litros de gasolina por ano. Segundo a Unica, sem a presença do etanol no mercado nacional, o custo dos combustíveis teria aumentado em R$ 8 bilhões apenas nos últimos três meses.
Pesquisa inédita da Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostra que 41% das indústrias brasileiras migraram para o mercado livre de energia desde 2024, quando entrou em vigor a norma do Ministério de Minas e Energia (MME) que ampliou o acesso dos consumidores ao ambiente de livre contratação. De acordo com os dados, 73% dos empresários que trocaram o mercado cativo pelo livre notaram redução dos custos com as tarifas de energia elétrica.
A Sondagem Especial Indústria e Energia 2026, divulgada nesta quinta-feira (30) pela CNI, revela que 30% das empresas consideram a migração para o mercado livre como a principal estratégia para reduzir o custo da conta de luz. Os dados apontam ainda que, em meio a um cenário de oscilações no setor elétrico impulsionado pela alta demanda global e por conflitos geopolíticos, o interesse das empresas pelo mercado livre de energia aumentou.
Apesar desse avanço, ainda há grande potencial para expansão desse mercado. Entre as empresas atendidas em baixa tensão que permanecem no mercado cativo, 37% demonstram interesse em migrar para o mercado livre. Os dados reforçam que a abertura gradual do setor tende a ampliar a competitividade das indústrias.
A pesquisa revela que, entre as grandes indústrias atendidas em alta tensão, 63% já compram energia no mercado livre. Entre as pequenas empresas, 22% informam atuar nesse ambiente de contratação, enquanto 45% permanecem no mercado cativo.
Os dados indicam também que 79% das indústrias utilizam a energia elétrica como principal insumo energético em seus processos produtivos. O custo da energia é apontado pelos industriais como um dos principais desafios do setor.
Confira a pesquisa: https://static.portaldaindustria.com.br/portaldaindustria/noticias/media/filer_public/43/8d/438d1f97-f43e-435f-83e2-f0a4118f1646/sondagem_cni_industria_e_energia_2026.pdf
Sondagem CNI Indústria e Energia 2026.pdf(6,1 MB)
“A pesquisa mostra a importância do custo da energia para a competitividade da indústria e que o caminho escolhido pelas empresas para diminuir as tarifas passa pela migração ao mercado livre”, destaca o gerente de Energia da CNI, Roberto Wagner Pereira.
“Além disso, precisamos melhorar o sinal de preços com a adoção de tarifas dinâmicas, que possam variar de acordo com a geração, o horário e a demanda dos consumidores. Associado a isso é imprescindível revisarmos a grande quantidade de subsídios que encarecem a conta de energia”, acrescenta o gerente da CNI.
83% das empresas dizem que custo da energia é importante para a competitividade
Segundo a sondagem, 62% dos industriais indicaram que houve algum impacto da variação dos preços de energia elétrica nos últimos 12 meses. Para 83% deles, a conta de luz é um fator imprescindível para a competitividade. Outros 67% consideram que o aumento das tarifas impacta diretamente os custos de produção.
O aumento da conta de luz foi apontado por 3% das empresas como alto (acima de 30% de reajuste). Para 20%, o impacto foi considerado médio (acima de 10% de aumento), enquanto para 39%, o impacto foi considerado baixo (abaixo de 10% de aumento).
Quase duas em cada três empresas (64%) investiram em alguma forma de economizar energia ou na diminuição dos custos tarifários. A principal opção apontada foi a migração para o mercado livre, apontada por 30% das indústrias.
Investimentos em autogeração e eficiência energética
Já os investimentos em autogeração e ações de eficiência energética foram elencados como alternativas para 13% das empresas respondentes. Outros 28% não tomaram nenhuma medida para otimização energética de seus processos produtivos.
O setor de produtos de borracha foi o que mais investiu na opção de autogeração (25% das empresas) e na migração para o mercado livre (38% das empresas). O setor que mais migrou para o mercado livre foi o calçadista (47% das empresas). O setor de equipamentos de informática e produtos eletrônicos, por sua vez, foi o que mais investiu em eficiência energética (25% das empresas).
A Sondagem Especial Indústria e Energia foi realizada em abril pela CNI, junto a 1.498 indústrias dos setores extrativo e de transformação, sendo 601 pequenas, 529 médias e 368 grandes empresas.


A energia elétrica é o principal insumo da indústria brasileira e um fator decisivo para a competitividade da economia. O Brasil reúne condições privilegiadas: tem uma das matrizes elétricas mais limpas do mundo, com mais de 85% da geração proveniente de fontes renováveis, e vem ampliando rapidamente a participação da energia solar e eólica. Ainda assim, convivemos com um paradoxo difícil de justificar. Produzimos energia a baixo custo, mas pagamos uma das tarifas mais altas do mundo.
A principal explicação para essa distorção não está no custo de geração, transmissão ou distribuição, mas no crescimento contínuo dos encargos setoriais, subsídios e tributos embutidos na conta de luz. Hoje, cerca de 40% da tarifa corresponde a impostos e encargos setoriais, percentual que compromete a competitividade da indústria, reduz investimentos e encarece a produção nacional. A Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), principal mecanismo de financiamento de subsídios do setor, ilustra essa escalada: seu orçamento passou de R$ 14 bilhões em 2013 para mais de R$ 52 bilhões previstos para 2026.
O Brasil segue um caminho que vai na contramão da racionalidade e do razoável. Ao longo dos anos, diferentes políticas públicas foram incorporadas à tarifa de energia por meio de encargos criados, muitas vezes, com objetivos legítimos. O problema é que esses mecanismos se acumularam sem revisões periódicas, transformando-se em um conjunto de subsídios permanentes que pesa sobre consumidores e empresas. Criar encargos tornou-se politicamente mais fácil do que financiá-los pelo orçamento público, reduzindo a transparência e perpetuando distorções econômicas.
A facilidade política para criar encargos contrasta com a enorme dificuldade para sua revisão ou eliminação. Essa é a razão pela qual se prefere garantir subsídios via encargos, que não passam pelo escrutínio político na análise do orçamento público, em detrimento do uso de recursos orçamentários. Assim, os encargos setoriais acabam financiando políticas e subsídios que tendem a se perpetuar, mesmo quando perdem a eficiência econômica.
A redução desse peso sobre a conta de luz é uma das principais propostas da indústria brasileira para o próximo mandato presidencial. Este tópico está destacado como a prioridade no documento que a Confederação Nacional da Indústria (CNI) entregou aos pré-candidatos à Presidência da República, em evento realizado em junho.
No fim do século passado, nosso sistema elétrico era considerado um dos mais eficientes do mundo. Os grandes reservatórios hidrelétricos e um sistema interligado por uma ampla rede de transmissão garantiam a segurança e o baixo custo da eletricidade. Essa situação representava uma importante vantagem competitiva para a economia brasileira e para a indústria.
Infelizmente, esse tempo passou. A energia elétrica, agora, é cara. O recente histórico de intervenções no setor aliado às questões de gestão e de planejamento desestabilizaram o modelo, gerando complexidade, judicialização e enormes passivos financeiros.
O PL 5017/2019 foi aprovado recentemente na Comissão de Serviços de Infraestrutura do Senado Federal, determinando a criação de mais subsídios e contratações compulsórias de geração que novamente irão aumentar a tarifa de energia, sem que critérios técnicos ou econômicos sejam considerados.
O novo texto aprovado na Comissão de Serviços de Infraestrutura pegou o setor elétrico de surpresa. Estimativas da Associação Brasileira dos Grandes Consumidores de Energia apontam que o custo acumulado com esses novos penduricalhos da conta de luz chegará a R$ 1,5 trilhão no acumulado na conta de luz até 2057, caso o Congresso Nacional aprove o projeto que prevê a contratação obrigatória de termelétricas a gás e pequenas hidrelétricas, entre outros dispositivos.
Trata-se de um caminho incompatível com a necessidade urgente de reduzir o Custo Brasil. A indústria é o setor da economia mais sensível ao preço dos insumos energéticos, devido à elevada participação da energia no custo total de produção. A racionalização dos encargos, a redução gradual de subsídios que já não se justificam, o aperfeiçoamento da formação de preços e a ampliação da concorrência devem integrar uma agenda consistente de reformas.
O Brasil não pode desperdiçar a vantagem de ter uma das matrizes elétricas mais renováveis e competitivas do planeta. A energia precisa voltar a ser um diferencial para impulsionar a indústria, atrair investimentos e acelerar o crescimento econômico. Isso exige coragem para enfrentar privilégios, revisar subsídios e construir um setor elétrico mais transparente, eficiente e sustentável. Reduzir os penduricalhos da conta de luz não é apenas uma necessidade para os consumidores, mas uma condição indispensável para devolver competitividade à economia brasileira.
*Ricardo Alban é empresário e presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI).
O artigo foi publicado na Folha de S. Paulo, no dia 30 de julho de 2026.