segunda, 10 de agosto de 2026
27/01/2026

Economia & Negócios: Túnel Master


Por: Augusto César Diegoli (acdiegoli@gmail.com)

Túnel Master

Mais cedo ou mais tarde o escândalo do Banco Master e a CPI que vai ser criada para apurar suas bilionárias fraudes, chegará a SC por conta de ações quase sem valor nenhum que ficaram fora da encampação do então Banco do Estado de SC (Besc) pelo Banco do Brasil, em 2008. Ações que pouco valiam na época mas que, num passe de mágica, passaram a valer bilhões. Uma única pergunta que não quer calar: quem fez a venda delas?

Contradição italiana

A imensa comunidade italiana em SC (pelo menos 5 milhões dos 8 milhões de habitantes, dos quais cerca de 100 mil com dupla cidadania) acaba de ganhar uma representação diplomática (Sportello Consolare) em Florianópolis, aberta recentemente. É bom lembrar que nos anos oitenta SC teve um consulado, que foi sequestrado e levado para Curitiba. Ironicamente, isso acontece num momento de apreensão. No ano passado, justamente quando se festejavam os 150 anos da grande imigração italiana no Brasil, o Parlamento da Itália aprovou uma polêmica lei que impôs severas restrições à concessão da dupla cidadania, tanto para brasileiros como de outras nacionalidades, inclusive por laços sanguíneos. A Suprema Corte de lá decide se as medidas são constitucionais ou não no dia 11 de março. A expectativa é enorme, em todo o mundo.

Investimento bilionário

O ministro de Portos e Aeroportos anunciou durante visita a Navegantes, a aprovação de R$ 2,3 bilhões em recursos do Fundo da Marinha Mercante (FMM) para a construção de seis embarcações de apoio marítimo destinado às operações offshore de petróleo e gás, em Santa Catarina. As seis embarcações serão construídas no estaleiro Navship, em Navegantes, e serão do tipo Platform Supply Vessel voltadas ao suprimento de plataformas de petróleo. O investimento deve fortalecer a indústria naval do Estado e gerar mais de 1,2 mil empregos diretos. Do valor total aprovado, R$ 134 milhões já foram desembolsados para o início do projeto.

Balanço positivo

Após quatro dias de intensa movimentação, negociações e networking, a 73ª Pronegócio chegou ao fim sexta-feira 16, consolidando-se como um dos principais encontros de negócios do setor confeccionista do país. Promovida pela Associação das Micro e Pequenas Empresas de Brusque e Região (AmpeBr), com patrocínio do Sebrae-SC a rodada transformou o Pavilhão da Fenarreco em um grande ambiente de conexões comerciais. O evento reuniu mais de 750 lojistas de todo o Brasil, que adquiriram peças da coleção Inverno 2026. Nesta rodada, grandes compradores iniciaram negociações mais aprofundadas com os fabricantes e, por se tratar de uma coleção de inverno, esse processo continua após o evento. Nos próximos 15 dias, os resultados irão superar em 10% a 12% os números da edição de janeiro do ano passado. Outro fator positivo foi que esta rodada contou com um número expressivo de novos lojistas participantes, que tiveram uma experiência positiva no evento. Esse movimento positivo reflete fatores como um inverno mais longo e os investimentos estratégicos da entidade. Nesta edição, pelo menos 10% a 15% dos lojistas participaram pela primeira vez, a maioria saiu satisfeita com a logística, a organização e o modelo da Pronegócio, e muitos já sinalizaram presença na Rodada de Maio próximo.

Maré juvenil 1

A Polícia Militar de SC em Imbituba informa que em menos de 24 horas entre segunda e terça-feira, atendeu 30 ocorrências por perturbação do sossego na Praia do Rosa. Nenhuma das situações foi considerada grave e não houve prisões nem encaminhamento à delegacia. O elevado número de acionamentos envolveu, em sua maioria, jovens argentinos que, como se sabe aqui, agora formam uma maré que deixou de frequentar Balneário de Camboriú.

Maré juvenil 2

A notícia mais lida no portal do jornal O Globo no início desta semana foi sobre jovens argentinos que em grupo de 19 a 22 anos por anos preferiam Balneário Camboriú para passar o verão. Agora fazem seu paradeiro na Praia do Rosa, em Imbituba, não sem reclamações pelo barulho que fazem.

Reformas no STF

Comissões temáticas na OAB-SC começaram a debater e propor reformas estruturais no desacreditado STF. Formarão um estudo técnico, e entre as diretrizes estabelecidas está o fim da vitaliciedade dos ministros, a mudança na composição com participação de representantes da advocacia, da magistratura e do Ministério Público, de forma a se promover mais equilíbrio nas decisões, evitando a excessivo peso político no processo de escolha. Outra proposta envolve o fortalecimento do modelo de decisões colegiadas, como forma de assegurar mais estabilidade jurisprudencial, transparência  e previsibilidade, reduzindo a concentração de poder em decisões individuais. Ótimo.

Canetas emagrecedoras

A EMS, maior indústria farmacêutica do Brasil, encerrou 2025 com receita de R$ 106 milhões em vendas das duas principais canetas nacionais à base de liraglutida: a OLIRE para tratamento de Obesidade e a LIRUX, para controle do diabetes tipo 2. Com preços mais acessíveis que as importadas, a demanda acelerou. Para este ano, a companhia projeta vendas 150% maiores nesse segmento de produtos para terapias metabólicas, com receita estimada em R$ 250 milhões. O desempenho positivo vem da combinação de investimentos industriais, previsibilidade regulatória e expansão consistente do mercado desses produtos no Brasil, explica a EMS.

Universidades comunitárias

O presidente Lula assinou na última semana decreto que regulamenta a Lei das Universidades Comunitárias de Educação Superior. Em SC esse modelo é representado há mais de cinco décadas pelo Sistema Acafe, responsável pela interiorização do ensino superior, pela formação de milhares de profissionais e pelo fortalecimento das comunidades onde atua. A lei assegura prerrogativas fundamentais, como o acesso a editais públicos, a celebração de parcerias com entes governamentais e o recebimento de recursos públicos para o desenvolvimento de atividades de interesse coletivo, sempre sob critérios rigorosos de qualificação, monitoramento e transparência. A medida tem impacto especial para a Associação Catarinense das Fundações Educacionais, reconhecida como patrimônio educacional de SC, ao garantir segurança jurídica e reconhecimento formal ao modelo comunitário, que se destaca pela forte vinculação com os territórios onde está inserido e pelo compromisso permanente com a inclusão social e o desenvolvimento regional.

Sem cobrança

O Núcleo de Prática Jurídica da Unifebe não cobra pelos serviços que presta à comunidade. A assistência Judiciária oferecida à comunidade é realizada por acadêmicos a partir da sétima fase, sob orientação dos professores do curso de Direito. Em atividade há 30 anos, o núcleo é um dos principais pontos de apoio para cidadãos que não conseguem contratar serviços particulares. Só em 2025, foram realizados mais de 9 mil atendimentos, incluindo contatos iniciais e retornos, tanto nas cabines por agendamento quanto nos pedidos de informação jurídica. Considerando as tentativas de golpes comuns no meio jurídico, o Núcleo de Prática Jurídica reforça que os serviços são gratuitos. Não há cobranças de custas ou qualquer outro tipo de valor nas ações patrocinadas pelo NPJ, seja pela assistência judiciária ou pelo Juizado Especial Cível. A exceção é em caso de eventual condenação. Advogados e colaboradores do NPJ entram em contato com o cliente apenas pelo telefone (47) 00644-2969 e (47) 99241-5604. Nenhum deles solicita pagamentos. Para informações complementares e em casos de dúvidas, os clientes do NPJ podem entrar em contato por meio dos números citados acima ou pelo telefone fixo institucional: (47) 3211-7255.

Modelo de incubadoras

O modelo de incubadoras para empresas de tecnologia que faz sucesso em SC desde a criação dos primeiros polos tecnológicos de Florianópolis, da antiga rede MIDITEC hoje denominada Mi-DIHUB, começa a ser exportado pela Associação Catarinense de Tecnologia (Acate) e o Sebrae Startups. A primeira unidade chegou em Goiás neste mês de janeiro é o HUB Cerrado, em Goiânia. Em SC essa rede abriga 12 incubadoras conectadas com mais de 350 empresas apoiadas. Esse modelo já recebeu quatro vezes o prêmio de Melhor Incubadora do Brasil pela Aprotec e ficou três vezes entre os cinco melhores do mundo.

Inflação imobiliária

O índice FipeZap divulgou que em todo o ano passado o preço dos imóveis subiu 6,52%, encarecendo a casa própria. Como já é rotina, o litoral de SC continua sendo o mais valorizado, com o valor médio do metro quadrado em R$ 14.906 em Balneário Camboriú e R$ 14.843 na vizinha Itapema. Depois seguem Itajaí e Florianópolis na lista dos cinco municípios com os imóveis mais caros do Brasil.

Vítimas

O pior não é saber, pelo noticiário, que um ministro do STF viajou para Lima em jatinho de empresário para ver um jogo da Libertadores ao lado de pessoas ligadas ao caso Master; ou que outro ministro do STF tem familiares atuando na defesa do Banco Master por meio de um contrato milionário e nebuloso. Pior é ficar sabendo que ministros ali acham que o STF está “apanhando de graça”.

Vendas bilionárias

O acordo Mercosul – União Europeia, que pode demorar um pouco mais em função da análise jurídica solicitada pelo parlamento europeu, abre oportunidades para negócios bilionários a pequenos negócios catarinenses dispostos a avançar nas vendas externas. É isso que mostra estudo do Observatório de Negócios do Sebrae-SC. A análise destaca que o bloco europeu faz importações bilionárias de diversos setores em que pequenas empresas de SC poderiam participar mais. São empresas de setores como agronegócio, metalmecânico e automotivo. Mas para ocupar esses espaços, as pequenas empresas precisam estar preparadas, alerta o diretor do Sebrae-SC.

Devolução de dinheiro

Os aposentados e pensionistas que tiveram descontos indevidos do INSS tem até 14 de fevereiro para pedir o ressarcimento, anunciou o presidente do instituto. De acordo com ele, cerca de 6,2 milhões de beneficiários contestaram descontos indevidos do instituto, dos quais 4,1 milhões de beneficiários já foram ressarcidos, em valores que somam R$ 2,8 bilhões. O governo estima, no entanto, que ainda existam 3 milhões de aposentados e pensionistas aptos a solicitar a devolução.

União Europeia – Mercosul

A Federação das Indústrias de SC (Fiesc) avalia que a assinatura do acordo comercial Mercosul-União Europeia é um passo significativo para a inserção internacional do Brasil em um dos maiores mercados consumidores do mundo, com potencial de fortalecimento da indústria catarinense: o estado é um hub logístico, produtivo, turístico, de serviços e de integração física graças a sua posição geográfica e infraestrutura portuária, destaca seu presidente.  

Cigo bello

O governador de SC recebeu o embaixador da Itália no Brasil. O encontro ocorreu na Casa d’Agronômica, em Florianópolis. A pauta principal foi o fortalecimento das relações bilaterais entre o estado e o país europeu. Durante a reunião, as autoridades se comprometeram a iniciar tratativas para estabelecer um voo entre Florianópolis e a Itália. O objetivo é seguir o modelo de conexão internacional já existente com Portugal.

Times Square

Balneário Camboriú, Curitiba, Belo Horizonte e São Paulo estão disputando quem ganha primeiro o direito de criar a primeira Times Square brasileira, cópia do célebre cruzamento da região da Broadway, em Nova York. O pedido de Balneário Camboriú está sob análise do Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI). O empreendimento privado integra o York Food Lounge, em desenvolvimento na esquina das Avenidas Alvin Bauer e Brasil, no centro da cidade, conhecida pelos arranha-céus de sua orla. A veiculação de conteúdo luminoso deve começar ainda neste verão, em grande telão.

Levando embora

Só nos últimos cinco meses, sete cidades de SC decretaram situação de emergência, depois que suas praias foram tragadas pela erosão marinha causada pelas ressacas. São: Balneário Barra do Sul, Florianópolis, Itapema, Itapoá, Barra Velha, São Francisco do Sul e Garopaba. Os decretos permitem obras emergenciais, como construir muros de pedra e colocar areia para alargar a faixa de areia. Coincidentemente, SC foi o Estado que mais investiu em obras de alargamento de praias na tentativa de frear o avanço do mar.

Novos nomes

Com o acordo Mercosul-União Europeia, vários produtos vão mudar de nome no Brasil. Presunto Parma, mortadela Bolonha e queijo Feta, por exemplo, estão entre as denominações europeias que não poderão ser usadas por fabricantes brasileiros. Mas há algumas divergências a resolver de agora em diante. Uma delas envolve o “steinhaeger”, um destilado produzido na Alemanha, no século 15 e que chegou ao Brasil em 1958, através do engenheiro alemão Wenzel Rulf, que montou uma destilaria, a Doble W, em Porto União, no Planalto Norte de SC.

Destinos de Carnaval

Faltando poucas semanas para o Carnaval, a Booking.com, empresa de reservas de hotéis, aluguel de temporada, voos e outros serviços de turismo, analisou os destinos brasileiros mais buscados para o Carnaval deste ano. Entre os turistas estrangeiros a boa notícia para SC é que depois do Rio de Janeiro o segundo e o quarto destinos mais procurados são Florianópolis e Bombinhas.

Nudismo

Após habeas corpus da Federação Brasileira de Naturismo, o Tribunal de Justiça de SC concedeu um salvo-conduto coletivo para impedir prisões de praticantes de naturismo na faixa de areia e mar da praia de Pinho, em Balneário Camboriú. Um decreto municipal proibiu o nudismo no local desde 19 de dezembro. O salvo-conduto vale até que o mérito do habeas corpus seja analisado pelo colegiado do tribunal.

Recorde histórico

Santa Catarina encerrou o ano de 2025 com alta de 4,4% no faturamento com exportações, conforme dados do governo federal. O percentual representa um salto de US$ 11,67 bilhões registrados em 2024 para US$ 12,19 bilhões em 2025. Ou seja, um acréscimo de cerca de US$ 516 milhões. Com o aumento, SC alcançou o maior faturamento da história com exportações, mesmo com cenário adverso a nível internacional. Entre as exportações, o destaque é o setor do agronegócio. A carne de frango lidera com US$ 2,44 bilhões exportados entre janeiro e dezembro. Na sequência aparece a carne suína com US$ 1,85 bilhão faturado. Em seguida estão a soja, com US$ 659 milhões; motores e geradores elétricos com US$ 620 milhões e parte e peças de motores de pistão, com US$ 382 milhões.

Mais uma CPI

O Senado atingiu o número de assinaturas necessárias para instalar uma CPI para apurar crimes e fraudes cometidos pelos operadores do liquidado Banco Master. Dentre as 42 assinaturas estão as dos catarinenses Esperidião Amin e Jorge Seif.

Em queda

A 36ª edição do Índice do Varejo Stone (IVS) apontou queda de 2,8% nas vendas de SC em dezembro, na comparação anual. Foi o oitavo mês consecutivo de resultados negativos no Estado, o que vem causando impactos diversos, como o fechamento de negócios. Para especialistas o índice reflete a combinação entre renda pressionada e crédito mais restrito.

Em alta

SC concentra cerca de 1,3 milhão de empreendedores, o equivalente a 4,3% do total do país, com um perfil marcado por maior formalização, renda elevada e forte presença no setor de serviços. Os dados constam no levantamento Perfil do Empreendedor Catarinense, elaborado pelo Sebrae-SC. O estudo mostra que 4 em cada 10 empreendedores catarinenses atuam no setor de serviços, segmento concentra 42,1% das atividades, seguido pelo comércio (17,6%) e pela agropecuária (14,7%). O rendimento médio mensal é 38% superior à média nacional, alcançando R$ 4.194 entre os empreendedores que atuam por conta própria e R$ 9.672 entre os empregadores. A jornada média semanal é de 41,5 horas, cerca de três horas a mais do que a média brasileira.

Bolsa Família

A Secretaria de Comunicação da Presidência da República informou que neste mês 203,7 mil famílias em todos os 295 municípios de SC estão sendo contemplados com o Bolsa Família. O investimento é de R$ 144,6 milhões e o valor médio do benefício é de R$ 710,11.

Feminicídios

Dói publicar a informação que o Brasil bateu recorde de feminicídios em 2025: 1.470 mulheres foram mortas, ante 1.459 em 2024. É a maior quantidade registrada em 10 anos. Em SC foram 51.

Agora vai?

A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados tem atualmente 70 matérias prontas para votação neste ano. Entre elas a proposta de emenda constitucional da maioridade penal, aprovada em 2015 após intenso debate sobre o projeto de lei 3722/2012. Propunha reduzí-la dos atuais 18 anos para 16 ou até menos. Sem hipocrisias, por favor: com 16 anos o menor pode dirigir e votar, por que não assumir responsabilidades por seus atos?

Avanço estratégico

A assinatura do Acordo Interino de Comércio Mercosul-União Europeia, é avaliada pela Fiesc como um avanço estratégico para SC e para o Brasil. Para o presidente da entidade, o momento é especialmente oportuno diante das tensões geopolíticas que vêm reconfigurando as cadeias produtivas globais e exigem novas rotas comerciais mais estáveis e previsíveis. Destaca o presidente da entidade que acordos como esse são fundamentais para diversificar destinos de exportação e reduzir a dependência de mercados sujeitos a mudanças abruptas, como ficou evidente no recente tarifaço norte-americano. Nesse contexto, a UE surge como um parceiro confiável e de alto valor agregado, com o qual SC já mantém relação comercial sólida. Também ressalta a posição estratégica do estado no Mercosul. Com infraestrutura portuária robusta e localização privilegiada, Santa Catarina se consolida como hub logístico, produtivo e de integração regional.

Fila de espera

O governo de SC está esticando o olho sobre o sucesso das escolas cívico-militares no Paraná, que tem fila de espera de 11 mil alunos. Um dos principais motivos para tanta demanda no vizinho Estado, que já tem 300 escolas no modelo e que provavelmente se replica por aqui (faltam estudos para avaliação mais confiável) é que os pais procuram alguém que faça a disciplina dos filhos.

Gerando empregos

O Sebrae-SC divulgou um levantamento mostrando que as microempresas foram as responsáveis pela maior parte dos empregos gerados no Estado de janeiro a novembro de 2025, com 60,5% do total. Depois vem as médias e grandes, com 28,2%. O governo (5,9%) e as empresas de pequeno porte, organizações sem fins lucrativos e outros (5,4%), seguem representando uma porcentagem menos significativa. Resumindo: as microempresas têm um papel essencial na economia catarinense.

Cidades caras

Saiu o Índice FipeZAP, calculado pela Fipe, que acompanha o preço médio de aluguel de imóveis em 36 cidades brasileiras, incluindo capitais. Subiu 9,44% em 2025, quase o dobro da inflação de 4,26%. Com os dados foi possível montar o ranking nacional onde o aluguel mais subiu no ano passado. A liderança é de Teresina, 21,81%. A surpresa é Florianópolis, em 17º entre as capitais, com 9,35%. Manaus ficou na outra ponta, com 1,06%. O mesmo índice apurou onde o aluguel mais subiu, liderado por Campinas (SP) com 19,22%. De SC está Joinville, em 8º. E onde menos subiu, com presença de São José (-3,10%), na região metropolitana de Florianópolis.

SC na pauta

Está na pauta dos primeiros julgamentos do Ano Judiciário 2026 no STF se o processamento e julgamento de crimes contra espécies da Lista Nacional de Espécies Ameaçadas de Extinção compete à Justiça Federal. A decisão terá repercussão geral para todo o país. O STF determinou a suspensão de todos os processos penais sobre o tema até o julgamento final. A controvérsia, levada pelo Ministério Público de SC, questiona se a mera inclusão em lista nacional justifica o interesse da União no caso.

SC-Itália

Dois dias após o acordo, o governador de SC recebeu o embaixador da Itália no Brasil, que anunciou a abertura do escritório consular em Florianópolis. Conforme a Fiesc, em 2025, SC exportou para a Itália US$ 169,7 milhões, sobretudo motores elétricos e madeira. De lá vieram US$ 683,6 milhões em veículos e produtos farmacêuticos.

Abrigos para aves

A partir do reaproveitamento de madeira descartada, o artesão Saulo Deucher, morador do bairro Águas Claras, em Brusque, passou a produzir abrigos destinados à proteção de aves urbanas. A iniciativa alia sustentabilidade, cuidado ambiental e geração de renda. As estruturas são feitas de forma artesanal, utilizando resíduos que teriam como destino o descarte. Os abrigos são projetados para oferecer proteção e conforto aos pássaros, com intenção aos detalhes construtivos e à funcionalidade. A atividade teve início em 2020, após Saulo perder o emprego de motorista de ônibus em razão da pandemia da Covid-19. Diante da instabilidade econômica, o artesanato surgiu como alternativa para complementar a renda familiar. Com o tempo, a divulgação das casinhas nas redes sociais ampliou a procura e consolidou a produção como fonte de sustento. Mais de 700 unidades já foram produzidas desde o início do projeto.

Formação tecnológica

O Entra21, programa gratuito de capacitação profissional em tecnologia, abriu novas turmas em SC. O projeto, que iniciou há 20 anos, em Blumenau, e desde 2022 expandiu para todo o Estado catarinense, já formou mais de 9 mil pessoas. Na edição de 2026 são quase 500 vagas abertas para aulas com foco em diversas linguagens de programação, além do desenvolvimento de habilidades profissionais, as chamadas soft skilis. Todo o projeto é gratuito e as inscrições estão abertas no site: www.entra21.com.br. Serão 20 turmas para concorrer a uma vaga basta ter mais de 16 anos, sem idade máxima de idade, estar cursando ou ter concluído o ensino médio e interesse em tecnologia e realizar a inscrição dentro do prazo, que vai até 17 de fevereiro.



Blog

Missão ao Paraguai avança em parcerias para logística no comércio exterior

O aproveitamento da estrutura portuária de Santa Catarina para o comércio exterior do Paraguai e a formatação de uma parceria para viabilizar melhorias na logística para fornecimento de insumos para a agroindústria catarinense estão entre os principais destaque da missão oficial liderada pelo Governo do Estado e pela Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (FIESC) ao país vizinho.

“A aproximação estratégica traz benefícios tanto para SC como para o Paraguai. Existe um mercado com muito potencial para crescer no intercâmbio comercial com os catarinenses”, explicou o presidente da FIESC, Gilberto Seleme.

Logística em pauta
A Rota do Milho, iniciativa para garantir o abastecimento constante de milho ao polo agroindustrial de proteína animal no Oeste de Santa Catarina, foi um dos temas abordados. O milho lidera a pauta exportadora do Paraguai para SC e foi responsável por 15,2% do total vendido pelo país ao estado em 2025, com US$ 70,5 milhões.

Além do esforço para garantir o suprimento de grãos, a comitiva abriu frentes para a transferência de tecnologias catarinenses à agricultura paraguaia e para a criação de Zonas de Processamento de Exportação (ZPE) conectadas aos portos do estado.

"Nossos grandes portos são opções muito competitivas de conexão com a Ásia e outros países para as importações e exportações do Paraguai, e avançamos ao abrir frentes para solidificar novas parcerias”, afirmou Seleme.

Complementaridade econômica
Os resultados da missão estão sustentados na forte sinergia entre os parques industriais de Santa Catarina e do Paraguai. Dados do Observatório FIESC apontam que, entre 2015 e 2025, o comércio de Santa Catarina com o Paraguai cresceu em ritmo muito superior à média nacional. No período, as exportações catarinenses subiram 99,1%, alcançando US$ 445,1 milhões em 2025, impulsionadas por bens de maior valor agregado, como cerâmica não vitrificada, máquinas e aparelhos mecânicos e equipamentos de refrigeração.

Em contrapartida, as importações catarinenses vindas do Paraguai deram um salto de 390,5%, entre 2015 e 2025 e atingiram US$ 464 milhões no ano passado. O milho lidera as compras, seguido por carne bovina, óleo de soja, tecidos para o polo têxtil do Vale do Itajaí e insumos metálicos como chumbo e sucata de cobre para o setor metalmecânico.

No âmbito da construção civil, a missão abriu frentes para atrair investimentos paraguaios ao setor imobiliário do litoral de Santa Catarina e impulsionar a venda de materiais catarinenses ao país vizinho. A transferência de tecnologias e soluções em infraestrutura para apoiar o forte ciclo de obras em expansão no Paraguai também foi debatida.

Próximos passos
Como desdobramento imediato dos compromissos assumidos em Assunção, equipes técnicas do Governo de Santa Catarina e da FIESC aprofundarão os estudos logísticos e regulatórios ao longo dos próximos meses. Uma nova agenda de aproximação está prevista para novembro, quando Santa Catarina sediará um encontro e seminário empresarial focado na relação com o Paraguai.


Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina - FIESC
Gerência de Comunicação

Declaração do imposto sobre imóveis rurais pode ser feita por internet

A Receita Federal disponibiliza a partir desta segunda-feira (10) a versão web do serviço Minhas Declarações do ITR, que permite preencher, transmitir, retificar e consultar online a Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (DITR), sem necessidade de instalar programas no computador.
O acesso será feito pelo Portal de Serviços da Receita Federal com conta gov.br nível prata ou ouro.

O uso da plataforma será obrigatório para pessoas jurídicas e físicas proprietárias de imóveis rurais com área superior a 100 hectares. Proprietários de áreas de até 100 hectares também poderão apresentar a declaração por meio do Programa Gerador da Declaração (PGD ITR 2026).

A DITR é o documento usado para informar à Receita Federal os dados cadastrais do imóvel rural e de seu titular, as áreas do imóvel e outras informações necessárias para a apuração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR).

Devem apresentar a declaração os proprietários, usufrutuários, titulares do domínio útil ou detentores de imóveis rurais, pessoas físicas ou jurídicas. Em situações específicas, a obrigação também alcança condôminos, compossuidores e inventariantes.

Segundo a Receita Federal, o ambiente digital reúne, em um único local, declarações, recibos e documentos relacionados ao ITR, além de oferecer recursos como pré-preenchimento de dados cadastrais e acesso por dispositivos móveis.

A entrega da DITR fora do prazo está sujeita à Multa por Atraso na Entrega da Declaração (Maed).

Inadimplência cai em Santa Catarina, mas endividamento sobe

Em julho de 2026, a inadimplência das famílias catarinenses caiu para 23,6%, ante 25,4% registrados em junho. A redução de 1,8 ponto percentual também ficou evidente na comparação com o mesmo período do ano passado, quando o indicador era mais alto.

O resultado mantém Santa Catarina em patamar inferior ao índice nacional, que chegou a 29,8%. A média histórica do estado é de 22%, o que mostra que, apesar da melhora, o cenário ainda merece atenção.

Mesmo com a queda da inadimplência, o percentual de famílias endividadas aumentou para 76,9% em julho, alta de 0,6 ponto percentual em relação a junho. Esse foi o maior nível da série recente, embora o estado permaneça abaixo da média brasileira, de 82,0%.

Os dados fazem parte da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), realizada pela CNC em parceria com a Fecomércio SC. Para a entidade, o movimento indica melhora em alguns indicadores, mas ainda dentro de um ambiente de crédito pressionado.

A pesquisa também aponta avanço na capacidade de pagamento das famílias. A parcela que afirma não ter condições de quitar as dívidas em atraso caiu de 9,9% para 9,5%, permanecendo abaixo do percentual nacional.

Além disso, o comprometimento médio da renda com dívidas ficou em 29,9%, enquanto o tempo médio de atraso alcançou 62,6 dias. Os números reforçam a combinação de alívio pontual com persistência de compromissos financeiros elevados.

O cartão de crédito continua sendo a principal modalidade de dívida entre as famílias catarinenses, presente em 69,6% dos endividados. Ainda assim, houve recuo expressivo em relação ao ano anterior, sinalizando mudança no comportamento de consumo.

Em contrapartida, modalidades como crédito consignado e financiamento de veículos ganharam espaço. Segundo a análise, isso indica migração para linhas de crédito mais estruturadas e, em tese, com condições mais previsíveis para o orçamento doméstico.

Para o presidente da Fecomércio SC, Hélio Dagnoni, a queda da inadimplência é um sinal positivo para a economia catarinense. Ele avalia que a melhora demonstra maior organização financeira das famílias.

A entidade, porém, destaca que os juros ainda estão em nível considerado proibitivo para o consumo e para o crescimento econômico. A expectativa é de que a trajetória de queda continue nos próximos períodos.

Redução da taxa de juros ainda é insuficiente, avaliam entidades

O quarto corte consecutivo na Taxa Selic, definido nesta quarta-feira (5) pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC), foi bem recebido por agentes econômicos, mas ainda é considerado insuficiente e restritivo para a expansão do setor industrial.

Em nota, a Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) ressaltou que a continuidade do ciclo de redução da Selic representa um sinal positivo para a atividade econômica, mas que o nível ainda elevado da taxa mantém o crédito caro e atrasa investimentos.

"O elevado custo de capital posterga investimentos, dificulta a modernização produtiva e limita a capacidade das empresas brasileiras de ganhar produtividade e competir nos mercados interno e externo. Esse quadro se reflete no desempenho da indústria de transformação, que cresceu apenas 0,4% no primeiro semestre do ano, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)", disse a entidade.

Na mesma linha, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) lembrou que os juros estão em patamar restritivo há 55 meses, e que Selic está 3,6 pontos percentuais acima da taxa calculada com base na Regra de Taylor, estimada em 10,4%. Esta regra permite calcular uma taxa de juros que proporcione o controle da inflação sem desestimular o crescimento da economia.

"A taxa de juros real, aproximadamente de 10%, supera com folga a taxa de equilíbrio estimada pelo próprio Banco Central, de 5%, indicando que há espaço para cortes mais expressivos na Selic, sem prejuízos no combate à inflação".

Entre as organizações de trabalhadores, a Força Sindical também classificou como insuficiente a redução de 0,25 ponto percentual na Selic. Para a central sindical, juros elevados encarecem o crédito, reduzem investimentos, desestimulam o consumo e comprometem a geração de empregos.

"Perdemos uma excelente oportunidade de promover uma redução drástica da taxa de juros, dar uma injeção de ânimo no setor produtivo e alavancar mais a economia", disse a entidade, em nota.

Copom 
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) reduziu nesta quarta-feira (5) em 0,25 ponto percentual a Taxa Selic, a taxa básica de juros da economia brasileira, que passará de 14,25% para 14% ao ano.

Esta é a quarta vez consecutiva que o comitê reduz os juros. A decisão foi tomada em reunião na sede do BC, em Brasília.

Segundo a instituição, o novo ajuste gradual de menos 0,25 ponto é compatível com a estratégia de convergência da inflação para o redor da meta no próximo período.

Sobre o ambiente externo, o BC voltou a apontar o cenário de indefinição acerca dos conflitos armados no Oriente Médio e da incerteza sobre a política monetária em algumas economias avançadas.

Curso gratuito de Relacionamento Interpessoal e Trabalho em Equipe está com inscrições abertas em Itapema

A Prefeitura de Itapema, por meio da Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Habitação, segue com as inscrições abertas para mais uma capacitação gratuita do programa Itapema Qualifica, realizado em parceria com o SENAC/SC. Desta vez, a oportunidade é para o curso de Relacionamento Interpessoal e Trabalho em Equipe, voltado para quem deseja aprimorar competências comportamentais cada vez mais valorizadas pelo mercado de trabalho.

A formação tem como objetivo desenvolver habilidades essenciais para o ambiente profissional, como comunicação eficiente, cooperação, resolução de conflitos, inteligência emocional e convivência em equipe. O conteúdo também aborda princípios de etiqueta social e profissional, comunicação assertiva e técnicas para fortalecer o relacionamento interpessoal, contribuindo para um ambiente de trabalho mais produtivo, respeitoso e colaborativo.

Durante as aulas, os participantes aprenderão sobre os fundamentos do trabalho em equipe, compreendendo como a colaboração, a confiança e a união de diferentes habilidades podem potencializar resultados. O curso também apresenta estratégias para administrar conflitos de forma construtiva, além de explorar os principais elementos do processo de comunicação, identificando fatores que podem facilitar ou dificultar o entendimento entre as pessoas.

Outro destaque da capacitação é o desenvolvimento da comunicação assertiva, habilidade que permite expressar opiniões, necessidades e ideias com clareza, respeito e objetividade, fortalecendo as relações profissionais e pessoais.

O secretário de Desenvolvimento Econômico e Habitação, Nicko Silva, destacou a importância das capacitações para a formação profissional da população. " O Itapema Qualifica oferece oportunidades gratuitas para que a nossa população desenvolva essas competências e esteja cada vez mais preparada para conquistar uma vaga no mercado ou crescer na carreira", afirmou o secretário.

Inscrições e aulas
As inscrições podem ser realizadas presencialmente na Casa da Cidadania, localizada na Rua 216, nº 155, em Meia Praia, das 8h às 17h, ou de forma online pelo site qualifica.itapema.sc.gov.br. As vagas são gratuitas e serão preenchidas por ordem de inscrição. As aulas acontecerão nos dias 18, 20, 25 e 27 de agosto, além de 1º de setembro, na EMEB Bento Elói Garcia, localizada na Rua 402 B, nº 100, no bairro Morretes.

Juros altos agravam dificuldades da indústria, pondera CNI

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) considera acertada a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central de reduzir a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual, para 14% ao ano. No entanto, pondera que os juros altos agravam as dificuldades da indústria e seguirão asfixiando empresas e famílias. 

“Não há justificativa compreensível para a manutenção da taxa de juros em um nível tão alto. A decisão do Banco Central piora a perspectiva para a indústria, já tão prejudicada pelas incertezas no cenário externo. Além disso, o crédito caro compromete gravemente a renda das famílias, que já apresentam níveis recordes de endividamento e inadimplência”, afirma Ricardo Alban, presidente da CNI. 

Juros continuam desproporcionais à trajetória da inflação
As expectativas de inflação apuradas pelo Boletim Focus vêm melhorando. Embora a projeção para o IPCA de 2026 seja de alta de 5,03%, as perspectivas para o índice em 2027 e 2028 continuam dentro do intervalo de tolerância da meta. Ao mesmo tempo, a inflação corrente vem perdendo força, o que deve continuar a ocorrer em julho. O IPCA-15, por exemplo, acumula alta de 4,52% em 12 meses até julho, resultado abaixo do observado no mês anterior (4,8%). Esses indicadores reforçam a leitura de acomodação das pressões de oferta e de demanda verificadas nos últimos meses. 

Além disso, a média dos núcleos de inflação de junho ficaram em 4,44% e apontam uma trajetória mais consistente com a meta de 3% da inflação, apesar da continuidade das incertezas geopolíticas e dos riscos climáticos.

Selic está 3,6 pontos percentuais acima do ideal
A CNI lembra que os juros estão em patamar restritivo há 55 meses. A Selic está 3,6 pontos percentuais acima da taxa calculada com base na Regra de Taylor — estimada em 10,4%. Esta regra permite calcular uma taxa de juros que proporcione o controle da inflação sem desestimular o crescimento da economia. A taxa de juros real, aproximadamente de 10%, supera com folga a taxa de equilíbrio estimada pelo próprio Banco Central, de 5%, indicando que há espaço para cortes mais expressivos na Selic, sem prejuízos no combate à inflação. 

Real valorizado contribui para segurar a inflação 
Cabe destacar que, em um cenário marcado por tensões geopolíticas, o país segue atraindo investidores internacionais interessados no elevado diferencial de juros entre o Brasil e as economias desenvolvidas. O país continua oferecendo retorno atrativo para investidores internacionais, situação que contribui para a apreciação do real, que nos últimos doze meses se valorizou 8,6% frente ao dólar, o que ajudou a arrefecer o ímpeto inflacionário. 

Juros altos elevam endividamento e espremem margens
Consulta realizada pela CNI mostra que os juros devem trazer forte pressão financeira sobre o setor nos próximos três meses. Mais da metade das empresas (53%) prevê aumento na necessidade de financiamento para contas a pagar; 47% esperam pressão sobre contas a receber e 42% sobre estoques — sinais claros de elevação da necessidade de capital de giro. 

Entre as empresas que demandam mais capital, mais de 55% projetam encarecimento do crédito, e cerca de 39% devem ampliar o endividamento bancário. Como efeito direto do aperto, 58% antecipam redução das margens líquidas, comprometendo rentabilidade e capacidade de investimento. Para conter perdas, 51% tentarão manter preços para não perder competitividade frente a importados, enquanto 37% já planejam repassar custos ao valor final, o que pressiona a inflação. Segundo os empresários, os juros atuais funcionam como um “imposto invisível” que inviabiliza investimentos, freia contratações e desvia recursos para aplicações financeiras em vez da produção.

Taxas de juros e endividamento das famílias
O elevado nível de juros no crédito livre também encarece o refinanciamento das dívidas familiares. O resultado é o endividamento em patamar crítico e o comprometimento da renda, reduzindo recursos para consumo essencial e ampliando o risco de superendividamento. O "Desenrola 2.0" trata, sobretudo, o sintoma, sem atacar causas estruturais, como a baixa educação financeira e o elevado nível das taxas de juros. 

Aumento de etanol na gasolina divide opiniões sobre impacto em carros

Aprovado recentemente pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), o aumento da mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina de 30% para 32% (E32) reacendeu o debate sobre os efeitos da medida tanto para o bolso dos consumidores como para o funcionamento dos veículos.
Contrário à mudança, o Ministério Público Federal (MPF) ajuizou ação civil pública para suspender a decisão do CNPE até que estudos específicos comprovem a segurança da nova mistura para os motores da frota brasileira.

Já a União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica) afirma que a ampliação da mistura fortalece a segurança energética do país, reduz a dependência de gasolina importada e ajuda a conter preços ao consumidor.

MPF
De acordo com o MPF, os estudos que embasaram a nova configuração da gasolina (com 32% de etanol) não demonstraram, de forma conclusiva, os impactos do E32 sobre durabilidade de componentes, emissões, autonomia e compatibilidade com diferentes tipos de veículos.

Na ação, o MPF aponta riscos de corrosão de peças, desgaste de bombas de combustível e falhas em sistemas de injeção eletrônica, especialmente em motocicletas, veículos antigos e modelos importados.

Os procuradores argumentam, ainda, que os estudos usados foram elaborados para o E30 e não para validar especificamente a adoção permanente do E32.

Por fim, o MPF argumenta que faltam estudos sobre impactos ambientais indiretos e pede perícia técnica independente.

Unica
Para a União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica), o aumento do percentual de etanol na gasolina é algo positivo porque favorece a segurança energética do país, além de reduzir a necessidade de importação de gasolina.

Além disso, acrescenta a Unica, não há evidências, nos resultados obtidos, de impactos sobre desempenho, dirigibilidade, partida a frio, consumo, emissões ou funcionamento dos veículos em decorrência da adoção do E32.

A entidade lembra que o E32 foi avaliado em estudos coordenados pelo Ministério de Minas e Energia e realizados pelo Instituto Mauá de Tecnologia. Os testes foram feitos em veículos leves e motocicletas movidos a gasolina, fabricados entre 1994 e 2024.

Mesmo os veículos mais antigos avaliados não apresentaram impactos em partida, marcha lenta, aceleração ou dirigibilidade com a utilização do E32, acrescentou ao destacar que não foram identificados impactos relevantes em desempenho, consumo, dirigibilidade, partidas a frio ou funcionamento dos motores.

Além dos aspectos técnicos, a entidade sustenta que o aumento da participação do etanol pode beneficiar os consumidores ao reduzir a dependência de gasolina importada.

A estimativa é que o país deixe de importar cerca de 800 milhões de litros de gasolina por ano. Segundo a Unica, sem a presença do etanol no mercado nacional, o custo dos combustíveis teria aumentado em R$ 8 bilhões apenas nos últimos três meses.

Mais de 40% das indústrias migraram para o mercado livre de energia em 2 anos, aponta CNI

Pesquisa inédita da Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostra que 41% das indústrias brasileiras migraram para o mercado livre de energia desde 2024, quando entrou em vigor a norma do Ministério de Minas e Energia (MME) que ampliou o acesso dos consumidores ao ambiente de livre contratação. De acordo com os dados, 73% dos empresários que trocaram o mercado cativo pelo livre notaram redução dos custos com as tarifas de energia elétrica.

A Sondagem Especial Indústria e Energia 2026, divulgada nesta quinta-feira (30) pela CNI, revela que 30% das empresas consideram a migração para o mercado livre como a principal estratégia para reduzir o custo da conta de luz. Os dados apontam ainda que, em meio a um cenário de oscilações no setor elétrico impulsionado pela alta demanda global e por conflitos geopolíticos, o interesse das empresas pelo mercado livre de energia aumentou.

Apesar desse avanço, ainda há grande potencial para expansão desse mercado. Entre as empresas atendidas em baixa tensão que permanecem no mercado cativo, 37% demonstram interesse em migrar para o mercado livre. Os dados reforçam que a abertura gradual do setor tende a ampliar a competitividade das indústrias.

A pesquisa revela que, entre as grandes indústrias atendidas em alta tensão, 63% já compram energia no mercado livre. Entre as pequenas empresas, 22% informam atuar nesse ambiente de contratação, enquanto 45% permanecem no mercado cativo.

Os dados indicam também que 79% das indústrias utilizam a energia elétrica como principal insumo energético em seus processos produtivos. O custo da energia é apontado pelos industriais como um dos principais desafios do setor.

Confira a pesquisa: https://static.portaldaindustria.com.br/portaldaindustria/noticias/media/filer_public/43/8d/438d1f97-f43e-435f-83e2-f0a4118f1646/sondagem_cni_industria_e_energia_2026.pdf

Sondagem CNI Indústria e Energia 2026.pdf(6,1 MB)
“A pesquisa mostra a importância do custo da energia para a competitividade da indústria e que o caminho escolhido pelas empresas para diminuir as tarifas passa pela migração ao mercado livre”, destaca o gerente de Energia da CNI, Roberto Wagner Pereira.

“Além disso, precisamos melhorar o sinal de preços com a adoção de tarifas dinâmicas, que possam variar de acordo com a geração, o horário e a demanda dos consumidores. Associado a isso é imprescindível revisarmos a grande quantidade de subsídios que encarecem a conta de energia”, acrescenta o gerente da CNI.

83% das empresas dizem que custo da energia é importante para a competitividade
Segundo a sondagem, 62% dos industriais indicaram que houve algum impacto da variação dos preços de energia elétrica nos últimos 12 meses. Para 83% deles, a conta de luz é um fator imprescindível para a competitividade. Outros 67% consideram que o aumento das tarifas impacta diretamente os custos de produção.

O aumento da conta de luz foi apontado por 3% das empresas como alto (acima de 30% de reajuste). Para 20%, o impacto foi considerado médio (acima de 10% de aumento), enquanto para 39%, o impacto foi considerado baixo (abaixo de 10% de aumento).

Quase duas em cada três empresas (64%) investiram em alguma forma de economizar energia ou na diminuição dos custos tarifários. A principal opção apontada foi a migração para o mercado livre, apontada por 30% das indústrias.

Investimentos em autogeração e eficiência energética
Já os investimentos em autogeração e ações de eficiência energética foram elencados como alternativas para 13% das empresas respondentes. Outros 28% não tomaram nenhuma medida para otimização energética de seus processos produtivos.

O setor de produtos de borracha foi o que mais investiu na opção de autogeração (25% das empresas) e na migração para o mercado livre (38% das empresas). O setor que mais migrou para o mercado livre foi o calçadista (47% das empresas). O setor de equipamentos de informática e produtos eletrônicos, por sua vez, foi o que mais investiu em eficiência energética (25% das empresas).

A Sondagem Especial Indústria e Energia foi realizada em abril pela CNI, junto a 1.498 indústrias dos setores extrativo e de transformação, sendo 601 pequenas, 529 médias e 368 grandes empresas.

Energia cara: quem vai pagar essa conta?

A energia elétrica é o principal insumo da indústria brasileira e um fator decisivo para a competitividade da economia. O Brasil reúne condições privilegiadas: tem uma das matrizes elétricas mais limpas do mundo, com mais de 85% da geração proveniente de fontes renováveis, e vem ampliando rapidamente a participação da energia solar e eólica. Ainda assim, convivemos com um paradoxo difícil de justificar. Produzimos energia a baixo custo, mas pagamos uma das tarifas mais altas do mundo.

A principal explicação para essa distorção não está no custo de geração, transmissão ou distribuição, mas no crescimento contínuo dos encargos setoriais, subsídios e tributos embutidos na conta de luz. Hoje, cerca de 40% da tarifa corresponde a impostos e encargos setoriais, percentual que compromete a competitividade da indústria, reduz investimentos e encarece a produção nacional. A Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), principal mecanismo de financiamento de subsídios do setor, ilustra essa escalada: seu orçamento passou de R$ 14 bilhões em 2013 para mais de R$ 52 bilhões previstos para 2026.

O Brasil segue um caminho que vai na contramão da racionalidade e do razoável. Ao longo dos anos, diferentes políticas públicas foram incorporadas à tarifa de energia por meio de encargos criados, muitas vezes, com objetivos legítimos. O problema é que esses mecanismos se acumularam sem revisões periódicas, transformando-se em um conjunto de subsídios permanentes que pesa sobre consumidores e empresas. Criar encargos tornou-se politicamente mais fácil do que financiá-los pelo orçamento público, reduzindo a transparência e perpetuando distorções econômicas.

A facilidade política para criar encargos contrasta com a enorme dificuldade para sua revisão ou eliminação. Essa é a razão pela qual se prefere garantir subsídios via encargos, que não passam pelo escrutínio político na análise do orçamento público, em detrimento do uso de recursos orçamentários. Assim, os encargos setoriais acabam financiando políticas e subsídios que tendem a se perpetuar, mesmo quando perdem a eficiência econômica.

A redução desse peso sobre a conta de luz é uma das principais propostas da indústria brasileira para o próximo mandato presidencial. Este tópico está destacado como a prioridade no documento que a Confederação Nacional da Indústria (CNI) entregou aos pré-candidatos à Presidência da República, em evento realizado em junho.

No fim do século passado, nosso sistema elétrico era considerado um dos mais eficientes do mundo. Os grandes reservatórios hidrelétricos e um sistema interligado por uma ampla rede de transmissão garantiam a segurança e o baixo custo da eletricidade. Essa situação representava uma importante vantagem competitiva para a economia brasileira e para a indústria.

Infelizmente, esse tempo passou. A energia elétrica, agora, é cara. O recente histórico de intervenções no setor aliado às questões de gestão e de planejamento desestabilizaram o modelo, gerando complexidade, judicialização e enormes passivos financeiros. 

O PL 5017/2019 foi aprovado recentemente na Comissão de Serviços de Infraestrutura do Senado Federal, determinando a criação de mais subsídios e contratações compulsórias de geração que novamente irão aumentar a tarifa de energia, sem que critérios técnicos ou econômicos sejam considerados. 

O novo texto aprovado na Comissão de Serviços de Infraestrutura pegou o setor elétrico de surpresa. Estimativas da Associação Brasileira dos Grandes Consumidores de Energia apontam que o custo acumulado com esses novos penduricalhos da conta de luz chegará a R$ 1,5 trilhão no acumulado na conta de luz até 2057, caso o Congresso Nacional aprove o projeto que prevê a contratação obrigatória de termelétricas a gás e pequenas hidrelétricas, entre outros dispositivos.

Trata-se de um caminho incompatível com a necessidade urgente de reduzir o Custo Brasil. A indústria é o setor da economia mais sensível ao preço dos insumos energéticos, devido à elevada participação da energia no custo total de produção. A racionalização dos encargos, a redução gradual de subsídios que já não se justificam, o aperfeiçoamento da formação de preços e a ampliação da concorrência devem integrar uma agenda consistente de reformas.

O Brasil não pode desperdiçar a vantagem de ter uma das matrizes elétricas mais renováveis e competitivas do planeta. A energia precisa voltar a ser um diferencial para impulsionar a indústria, atrair investimentos e acelerar o crescimento econômico. Isso exige coragem para enfrentar privilégios, revisar subsídios e construir um setor elétrico mais transparente, eficiente e sustentável. Reduzir os penduricalhos da conta de luz não é apenas uma necessidade para os consumidores, mas uma condição indispensável para devolver competitividade à economia brasileira.

*Ricardo Alban é empresário e presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI).

O artigo foi publicado na Folha de S. Paulo, no dia 30 de julho de 2026.

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