sábado, 05 de setembro de 2026
02/02/2026

IR zero para quem ganha até R$ 5 mil vale a partir deste mês


Os impactos da nova tabela do Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) 2026 começam a ser percebidos nesta semana, no contracheque dos assalariados que ganham até R$ 5 mil brutos por mês. Eles estarão totalmente isentos do IR, e aqueles com renda de até R$ 7.350 terão redução gradual do imposto retido na fonte.
As alterações começaram a valem para os salários pagos a partir de janeiro, com reflexo a partir do pagamento de fevereiro.

De acordo com estimativas do Ministério da Fazenda, 16 milhões de pessoas deverão ser beneficiadas pela medida.

Um deles é o pedreiro do Distrito Federal, Genival Gil, de 49 anos, que ficou sabendo da medida pelo telejornal. Há três meses, ele está fichado (com a carteira de trabalho assinada) com salário de pouco mais de R$ 2,7 mil.

O pedreiro Genival Gil fala sobre a isenção no Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil - Foto Marcelo Camargo/Agência Brasil
Agora, Genival aguarda o contracheque para conferir o valor - que antes ia para os cofres da União e que agora vai ficar na conta. A sobra terá destino certo.

Vai ajudar a pagar umas contas a mais da casa, programa o pedreiro que mora de aluguel no Paranoá, a 20 quilômetros do centro de Brasília.

Com a nova regra, passam a ficar totalmente isentos do IRPF, desde que a renda mensal total não ultrapasse R$ 5 mil:

- trabalhadores com carteira assinada;

- servidores públicos;

- aposentados e pensionistas do INSS ou de regimes próprios.

A regra também se aplica ao décimo terceiro salário.

Os rendimentos acima de R$ 7.350 continuam seguindo a tabela progressiva de descontos do IR atual (até 27,5%).

O jardineiro de um shopping de Brasília, Arnaldo Manuel Nunes, de 55 anos, também sabe que a partir deste mês uma fatia considerável do seu trabalho que ficava retida na fonte, agora não vai ser mais descontada de sua remuneração. Ganhando o salário do piso da categoria, R$ 2.574, Arnaldo considera a medida boa para o orçamento doméstico. Mal dá para o cara se manter. Mas vou gastar com [as contas de] água e luz, que estão um absurdo.

Para o jardineiro Arnaldo Manoel Nunes,  a isenção do IR é medida boa para o orçamento doméstico - Foto Marcelo Camargo/Agência Brasil
Desconhecimento
Nas ruas, a reportagem da Agência Brasil também entrevistou vários trabalhadores formais que desconhecem a nova tabela do imposto de renda e as principais alterações de isenção e redução da cobrança do tributo.

 É o caso da atendente de caixa de uma rede nacional de farmácias, Renata Correa, que se surpreendeu com a notícia de que não terá que pagar mais imposto de renda com o atual salário de R$ 1.620. Os planos dela são de economizar o valor inesperado. Vou fazer uma rendinha extra e deixá-la guardadinha para poder chegar ao fim do ano ou usar em datas especiais. Até mesmo usar em uma emergência.

A atendente de farmácia Renata Correa recebeu com surpresa a notícia da isenção do IR para quem ganha até R$ 5 mil - Foto Marcelo Camargo/Agência Brasil
Ao chegar ao local de trabalho, Renata prometeu avisar os colegas sobre a boa nova para que fiquem atentos. Agora, vou vigiar o contracheque e correr atrás para não ter problemas e saber se está tudo certinho mesmo. Renata mora em casa própria em Santo Antônio do Descoberto (GO) com as três filhas.

O integrante do Conselho Federal de Contabilidade (CFC) Adriano Marrocos tranquiliza os trabalhadores com carteira assinada, pois a isenção para quem recebe até R$ 5 mil e os descontos graduais, para quem tem renda de R$ 5.001 a R$ 7.350, serão automáticos.

Quem tem emprego, não precisa se preocupar, pois os cálculos são automáticos nos programas que geram as folhas de pagamento. O que a pessoa deve observar é que há o cálculo combinado com o redutor adicional e o desconto simplificado.

Comunicação mais eficaz
 A notícia encheu os olhos da cozinheira Elisabete Silva Ribeiro dos Santos, de 48 anos. Há um ano e meio, ela trabalha em um restaurante localizado em área popular, no centro de Brasília, e ganha cerca de R$ 1,7 mil por mês. Se sobrar dinheiro, quero juntar para comprar um carro porque venho de ônibus todos os dias do Recanto das Emas.

 A cozinheira Elisabete dos Santos sente falta de maior comunicação do empregador com os empregados -Foto Marcelo Camargo/Agência Brasil
No entanto, Elisabete sentiu a falta de uma comunicação do empregador aos funcionários. Nem ela, nem o churrasqueiro sabiam da isenção do imposto de renda. Por isso, ainda demorou a confiar na veracidade da notícia.

Eu acho excelente, mas vamos ver se vai valer mesmo!

Para acabar com as dúvidas, o contador Adriano Marrocos sugere a melhoria da comunicação com os trabalhadores.

Em relação aos empregados, a sugestão é o envio de um texto explicando as mudanças e que não se trata de aumento de salário, mas de redução de imposto.

Na sexta-feira (30), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva publicou em suas redes sociais a notícia de que a isenção do IR começa a ser percebida no salário recebido neste mês.

Está valendo: quem ganha até R$ 5 mil agora tem Imposto de Renda ZERO. E quem ganha entre R$ 5 mil e R$ 7.350 está pagando menos imposto. É mais dinheiro para cuidar da família, organizar a vida e viver melhor. Isso é justiça tributária, e ela está chegando para milhões de brasileiros e brasileiras, disse o presidente Lula.

De onde vem o dinheiro?
A conta da renúncia fiscal estimada em R$ 25,4 bilhões  será paga por quem está no topo da pirâmide econômica. Para compensar a perda de arrecadação, foi criado o Imposto de Renda da Pessoa Física Mínimo (IRPFM).

Entram no cálculo os salários recebidos; lucros e dividendos; e rendimentos de aplicações financeiras tributáveis.

A estimativa do governo é de que cerca de 141 mil contribuintes serão afetados. Desde 1º de janeiro, a regra é válida para quem tem:

- renda mensal de acima de R$ 50 mil (R$ 600 mil/ano), alíquota progressiva de até 10%;

- renda acima de R$ 1,2 milhão/ano, os chamados super-ricos: alíquota mínima efetiva de 10%.

Com o do novo imposto voltado à alta renda, o contador Adriano Marrocos acredita que o impacto na arrecadação federal de tributos deve ser mínimo.

Já havia benefício de isenção para quem recebia até dois salários-mínimos (R$ 3.036). Então, a renúncia só tem a margem de R$ 3.036,01 a R$ 5 mil. De outro lado, o governo federal sancionou a cobrança de imposto de renda de parcelas que eram isentas, como a distribuição de lucros.

Para o gerente de loja de roupas Pedro Henrique Mendonça Marques, de 23 anos, a medida federal faz justiça tributária do Brasil.

O gerente de loja Pedro Henrique Mendonça Marques diz que isenção do IR para quem ganha até R$ 5 mil faz justiça tributária - Foto Marcelo Camargo/Agência Brasil
É legal porque, nesses casos, vai taxar os que recebem mais. Eles pagam mais, E quem recebe menos, paga menos. Essa é a lógica.

Ele recebe cerca de R$2,3 mil por mês e pretende contribuir mais nas despesas da casa que divide com a mãe, na cidade de São Sebastião. Nesta matemática financeira, ele até pensa no futuro. Eu acho que vou sair da casa da minha mãe, por exemplo.

Na hora de declarar o IR
De acordo com o Ministério da Fazenda, a correção da tabela do Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) vai se refletir apenas na declaração de 2027, que considera os rendimentos de 2026.

O conselheiro Adriano Marrocos explica que para a Declaração do Imposto Renda Pessoa Física anual, a ser entregue em maio deste ano, nada muda. Esses trabalhadores ainda terão que entregá-la normalmente. O benefício teve início apenas em janeiro de 2026, ou seja, qualquer reflexo da redução do IR deverá ser percebido somente em maio de 2027.

O Ministério da Fazenda explica que nada muda nas principais deduções do IR, no momento da declaração:

- dependentes: R$ 189,59 por mês;

- desconto simplificado mensal: até R$ 607,20;

- despesas com educação: até R$ 3.561,50 por pessoa ao ano;

- declaração anual: desconto simplificado de até R$ 17.640.

Marrocos esclarece ainda que a dispensa da entrega da declaração para quem ganha menos de R$ 5 mil em 2026 não toma por base apenas o rendimento tributável, mas os rendimentos isentos e não tributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte, além dos bens.

Quem tem mais de uma fonte de renda precisará complementar o imposto na declaração anual, mesmo que cada rendimento isolado seja inferior a R$ 5 mil.

Para os contribuintes que temem errar o preenchimento da declaração do imposto de renda em 2026 e 2027, a dica é observar o que está detalhado no informe disponibilizado pelas empresas obrigatoriamente no primeiro trimestre de cada ano.

Os dados gerados pelas empresas são enviados para a Receita Federal, por meio de declarações eletrônicas mensais e trimestrais. Assim, a ocorrência de erro é baixa.

Além da necessidade de o contribuinte declarar da mesma forma que está descrito no Informe de Rendimentos, é importante conferir os dados na declaração pré-preenchida pela Receita Federal antes de confirmar o envio, lembra o contador.

Confira aqui a nova tabela do IRPF divulgada pela Receita Federal com as mudanças após isenção para quem ganha até R$ 5 mil e que entraram em vigor em 1º de janeiro deste ano.



Blog

Indústria de transformação recua e acende alerta para 2026

O desempenho da indústria de transformação no segundo trimestre de 2026 reforça o cenário de perda de espaço da indústria na economia brasileira e acende um alerta para

os próximos meses. A avaliação é da Confederação Nacional da Indústria (CNI), que aponta os juros elevados e o avanço das importações como alguns dos principais fatores por trás do resultado.

De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Produto Interno Bruto (PIB) da indústria de transformação recuou 0,4% no segundo trimestre. Considerando os quatro trimestres encerrados no período, a queda chega a 1,1%. Em 2025, o setor já havia registrado retração de 0,2%.

Para a CNI, o desempenho negativo reflete principalmente o impacto das taxas de juros ainda elevadas, mesmo diante do processo de flexibilização da Selic, e a entrada crescente de produtos importados no mercado brasileiro.

O volume de importações de bens de consumo aumentou 16% no primeiro semestre de 2026, na comparação com o mesmo período do ano anterior.

“Os juros altos desestimularam os investimentos, encareceram o crédito aos consumidores, aumentando o endividamento e a inadimplência das pessoas e, consequentemente, restringiram a demanda por bens industriais. Esse quadro se agrava com a forte entrada das importações, que acabam por capturar grande parte dessa demanda em queda”, avalia Mario Sergio Telles, diretor de Desenvolvimento Industrial da CNI.

Indústria extrativa evita resultado ainda pior


O desempenho negativo não ficou restrito à indústria de transformação. No segundo trimestre, a indústria da construção também recuou 0,4%, enquanto o segmento de eletricidade e gás, água e esgoto registrou queda de 1,1%.

O resultado geral da indústria só não foi negativo devido ao desempenho da indústria extrativa, único segmento a apresentar crescimento no período, com alta de 3,4%. O avanço da atividade extrativa, porém, não foi suficiente para compensar as perdas dos demais segmentos e mudar o cenário de enfraquecimento da indústria de transformação.

Outro ponto de preocupação para a CNI é a perda de competitividade dos produtos nacionais diante do avanço das importações. Segundo o Indicador Ipea de Consumo Aparente, a demanda por bens produzidos no Brasil caiu 1,2% em 12 meses até maio de 2026. No mesmo período, a procura por produtos importados aumentou 2,6%.

O movimento ocorre em um momento de retração do consumo das famílias. De acordo com o IBGE, o consumo das famílias caiu 0,4% no segundo trimestre. Para a CNI, a combinação entre menor demanda e aumento da participação dos produtos estrangeiros amplia a pressão sobre a indústria brasileira.

A retração do consumo também chama atenção porque ocorre apesar do crescimento contínuo da massa de rendimento das famílias. Para a entidade, o comportamento indica que parte da renda disponível está sendo comprometida com outras despesas, especialmente com o pagamento de dívidas.

CNI vê cenário de maior incerteza para o restante do ano


As perspectivas para a indústria de transformação são consideradas preocupantes pela CNI. Além dos juros e da concorrência com produtos importados, a entidade cita medidas que, em sua avaliação, podem ampliar as incertezas para o setor produtivo.

Entre elas estão a redução da jornada de trabalho, a eliminação do Imposto de Importação sobre compras de até US$ 50 e o tabelamento do frete. Diante desse cenário, a CNI avalia que poderá revisar a projeção de crescimento de 0,5% para a indústria de transformação em 2026, estimativa feita no final do ano passado.

A eventual revisão para baixo refletiria a combinação de demanda mais fraca, custos elevados de financiamento, menor competitividade e aumento da participação dos produtos importados no mercado brasileiro.

Na avaliação da CNI, a flexibilização da taxa de juros é uma medida correta, mas ainda insuficiente diante do elevado nível das taxas praticadas no país. A entidade também defende uma agenda estrutural de competitividade como forma de recuperar espaço para a indústria nacional.

Nesse sentido, a redução do chamado Custo Brasil e a criação de condições mais equilibradas de competição com produtos estrangeiros são apontadas como medidas essenciais para fortalecer a produção brasileira.

Para a CNI, a recuperação da indústria depende não apenas de condições financeiras mais favoráveis, mas também de mudanças estruturais capazes de reduzir custos, estimular investimentos e melhorar a capacidade de competição das empresas brasileiras.

O desempenho do segundo trimestre, portanto, reforça o desafio de evitar que a perda de participação da indústria na economia brasileira se aprofunde ao longo de 2026.

Aproveite: Bombinhas reduz temporariamente ITBI para 2%
A Prefeitura de Bombinhas, por meio da Secretaria de Finanças, informa que está vigente a redução temporária da alíquota do Imposto sobre a Transmissão de Bens Imóveis (ITBI) para 2%. O benefício é válido para pagamento em parcela única, conforme os prazos estabelecidos pela legislação municipal.
 
Para aproveitar a alíquota reduzida, o contribuinte deverá requerer a Declaração de Informações do Imposto sobre Transmissão de Bens Imóveis (DITBI) juntamente com a guia de recolhimento até o dia 19 de novembro de 2026. A partir do lançamento tributário, a guia terá vencimento de até 10 dias, respeitando o prazo máximo definido pela legislação.
 
Dessa forma, o pagamento deverá ser realizado até 23 de novembro de 2026, data limite para a utilização da alíquota de 2%. O não cumprimento dos prazos estabelecidos resulta na perda definitiva do benefício.
 
Se necessário, a guia poderá ser reemitida, desde que a solicitação seja feita antes do pagamento e dentro do prazo do benefício.
 
A alíquota reduzida de 2% é válida até 23 de novembro de 2026. Fique atento aos prazos para garantir o benefício.
 
ATENÇÃO AOS PRAZOS
 
DITBI e guia de recolhimento: até 19 de novembro de 2026
Pagamento do ITBI: até 23 de novembro de 2026
Alíquota reduzida: 2%
Ambiental lança campanha para facilitar consulta à Tarifa de Coleta de Lixo em Itajaí
Ambiental lança campanha “Itajaí bem cuidada dá gosto de ver!”. O objetivo é orientar a população sobre a Tarifa de Coleta de Lixo. Moradores que mudaram de endereço, proprietários de imóveis que estão com novos inquilinos ou pessoas que não receberam a Tarifa de Coleta de Lixo neste ano devem verificar e, se necessário, atualizar os dados cadastrais. O procedimento pode ser realizado pelo site da ambiental, telefone 0800 000 2675 ou Whats App: (47) 99963-5900.
 
Manter o cadastro atualizado é importante para que as informações relacionadas à tarifa cheguem corretamente ao responsável pelo imóvel. Também é possível consultar débitos, emitir a segunda via e buscar orientações sobre a cobrança. O não pagamento dentro do prazo pode gerar juros e deixar débitos vinculados ao imóvel. Em caso de dúvidas, a população pode entrar em contato gratuitamente pelo telefone 0800 000 2675.
Arrecadação com imposto do pecado deve chegar a R$ 41,9 bi em 2027

Criado pela reforma tributária, o Imposto Seletivo (IS), apelidado como "imposto do pecado", deverá arrecadar R$ 41,9 bilhões em 2027. A previsão foi incluída no Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA), enviado nesta segunda-feira (31) ao Congresso Nacional.
O tributo será aplicado a produtos e atividades considerados prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente. Entre eles estão cigarros, bebidas alcoólicas, refrigerantes, alguns tipos de veículos, além da extração de bens minerais, loterias, apostas e jogos de fantasy sports.

A cobrança começa em 2027, mas a regulamentação do imposto ainda precisa ser aprovada pelo Congresso. O governo ainda não enviou a proposta específica que definirá as regras de funcionamento do tributo.

Produtos taxados
A lista prevista para o Imposto Seletivo inclui:

    Cigarros e outros produtos de tabaco;

    Bebidas alcoólicas;

    Refrigerantes e outras bebidas açucaradas;

    Veículos, conforme características e nível de emissão de poluentes;

    Extração de bens minerais;

    Loterias e apostas;

    Bets e fantasy sports.

Segundo o Ministério da Fazenda, a estratégia inicial é preservar, durante o período de transição, uma carga tributária semelhante à atualmente aplicada aos produtos. Em uma etapa posterior, as alíquotas poderão ser elevadas pelo chamado efeito regulatório, com o objetivo de desestimular o consumo de produtos considerados nocivos.

Em entrevista coletiva para explicar o PLOA de 2027, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que a estimativa de arrecadação busca preservar a carga atual incidente sobre setores que são tributados pelo Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI).

No caso das apostas, a tributação será uma novidade, porque as chamadas bets não estão sujeitas ao IPI. Segundo Durigan, o governo pretende evitar uma alíquota tão baixa que seja irrelevante ou tão alta que estimule a migração das plataformas para a ilegalidade.

Impacto na saúde
O governo utiliza também argumentos relacionados aos custos provocados pelo consumo desses produtos para justificar a tributação.

Segundo o Ministério da Saúde, um estudo da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) estimou que o consumo de álcool gerou, em 2019, R$ 18,8 bilhões em custos. Desse total, R$ 1,1 bilhão correspondeu a despesas federais diretas com hospitalizações e procedimentos ambulatoriais no SUS.

No caso do tabagismo, as doenças relacionadas ao consumo de cigarros geram R$ 153,5 bilhões em custos anuais, segundo estimativa do Ministério da Saúde. O valor inclui despesas diretas e perdas de produtividade.

Os números apresentados pelo Ministério da Saúde mostram ainda que:

    R$ 86,3 bilhões são custos indiretos associados ao tabagismo;

    R$ 8 bilhões são arrecadados anualmente em tributos federais sobre cigarros;

    R$ 3 bilhões são os custos estimados ao SUS com doenças relacionadas ao consumo de bebidas ultraprocessadas, como refrigerantes.

Reforma tributária
O Imposto Seletivo integra o novo sistema de tributação sobre o consumo aprovado pelo Congresso em 2023 e regulamentado posteriormente. A implementação ocorrerá de forma gradual, com transição prevista até 2033.

A partir de 2027, o IS passará a coexistir com a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), que substituirá o Programa de Integração Social (PIS) e a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e parte do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI).

No Orçamento de 2027, o governo estima R$ 636 bilhões de arrecadação com a CBS. Somados aos R$ 41,9 bilhões previstos para o Imposto Seletivo, os dois novos tributos devem gerar R$ 677,9 bilhões no próximo ano.

A previsão de receitas com os novos tributos é considerada importante para o equilíbrio das contas públicas durante a transição para o novo modelo tributário.

Críticas do setor
Produtores dos segmentos atingidos pelo Imposto Seletivo alegam que cigarros, bebidas alcoólicas e outros produtos têm elevada carga tributária no Brasil.

Representantes do setor avaliam que aumentos adicionais podem reduzir margens de lucro e provocar repasses aos preços. Também apontam riscos de demissões e crescimento do mercado ilegal caso a tributação seja considerada excessiva.

O governo, por outro lado, sustenta que o Imposto Seletivo terá não apenas função arrecadatória, mas também regulatória, justamente para reduzir o consumo de produtos com impactos negativos sobre a saúde e o meio ambiente.

Nova regra do Pix amplia prazo para contestar golpe

Uma nova regra do Pix amplia, a partir desta terça-feira (1º), de 30 para 80 dias o prazo para contestar uma devolução realizada pelo Mecanismo Especial de Devolução (MED) quando houver suspeita de fraude. A mudança foi estabelecida pelo Banco Central e busca proteger principalmente comerciantes, prestadores de serviço e pequenos negócios vítimas de golpes que usam o próprio sistema de segurança do Pix.
O novo prazo vale para quem recebeu um Pix de forma legítima, mas teve o dinheiro devolvido posteriormente por causa de uma contestação considerada fraudulenta. A contagem começa na data da devolução feita pelo MED.

O prazo para quem enviou um Pix e foi vítima de fraude continua sendo de 80 dias, contados a partir da transação original.

Dois prazos
Com a mudança, há duas situações distintas em que o prazo é de 80 dias:

    Vítima que enviou o Pix: tem até 80 dias a partir da transferência para pedir o MED;

    Recebedor que sofreu devolução indevida: tem até 80 dias a partir da devolução para contestá-la.

A alteração está prevista na Instrução Normativa BCB 766, que atualizou o Manual Operacional do Diretório de Identificadores de Contas Transacionais (DICT), integrante das regras do Pix.

Golpe contra lojistas
A mudança mira uma fraude que explora o mecanismo de proteção do Pix.

O golpista pode fazer um pagamento para uma loja ou prestador de serviço e, depois, alegar que transferiu o dinheiro por engano. Ele pede que o comerciante devolva o valor por uma nova transferência, muitas vezes para uma chave diferente.

Depois, o criminoso aciona o MED no próprio banco e afirma que o pagamento original foi resultado de fraude. Se a contestação for aceita e houver saldo disponível, o valor pode ser devolvido pelo banco.

Nesse cenário, o comerciante pode acabar perdendo dinheiro duas vezes: primeiro ao fazer uma nova transferência e depois com a devolução do Pix original.

Por isso, a recomendação é utilizar a função de devolução vinculada à própria transação no aplicativo do banco, em vez de fazer um novo Pix para uma chave informada pela outra pessoa.

Como funciona
O MED foi criado para facilitar a recuperação de valores em casos de fraude, golpe, crime ou falha operacional. O mecanismo, porém, não serve para cancelar qualquer Pix.

Não estão incluídos casos como:

    arrependimento de uma compra;

    erro de valor cometido pelo próprio usuário;

    erro na escolha da chave Pix;

    simples desacordo comercial sem indício de fraude.

Ao identificar uma fraude, o usuário deve procurar o banco e solicitar a abertura do MED. As instituições analisam o caso e, no fluxo de fraude, têm até sete dias para verificar se há indícios de irregularidade.

Se a fraude for confirmada, a devolução depende da existência de recursos disponíveis nas contas envolvidas e pode ser total ou parcial.

MED 2.0
A ampliação do prazo ocorre em meio à implantação do chamado MED 2.0, versão mais robusta do mecanismo de devolução.

Desde fevereiro de 2026, o sistema permite rastrear o caminho percorrido pelo dinheiro depois que ele é transferido para outras contas. Antes, a recuperação ficava mais concentrada na conta que havia recebido originalmente os recursos.

O novo modelo pode aumentar as chances de bloqueio e recuperação mesmo quando o dinheiro é movimentado entre diferentes contas. A devolução, entretanto, não é garantida: se os recursos já tiverem sido sacados, transferidos novamente ou não houver saldo disponível, a recuperação pode ser prejudicada.

Uma etapa adicional de comunicação entre as instituições, inicialmente prevista para agosto, foi adiada para 26 de outubro. Segundo o Banco Central, a alteração não muda o funcionamento do rastreamento já disponível.

Se cair no golpe
Quem perceber que foi vítima de fraude deve procurar o banco o mais rápido possível, mesmo que ainda esteja dentro do prazo de 80 dias. A rapidez aumenta a possibilidade de encontrar recursos disponíveis para bloqueio.

Também é importante guardar:

    comprovante da transferência;

    conversas e mensagens;

    anúncios ou documentos relacionados à negociação;

    dados da conta que recebeu o dinheiro;

    outros registros que possam comprovar a fraude.

Dependendo do caso, também é recomendável registrar um boletim de ocorrência.

Quais são os benefícios do uso do gás natural em indústrias?

O gás natural pode contribuir para diferentes etapas da operação industrial, desde o fornecimento de energia para processos térmicos até a gestão de espaços, logística e manutenção. Distribuído por meio de uma rede canalizada, é fornecido de forma contínua, sem a necessidade de armazenamento de combustível no local de consumo.

Uma das principais características do gás natural é a possibilidade de fornecimento contínuo. Diferentemente de combustíveis que precisam ser transportados e armazenados na indústria, o gás natural chega diretamente aos equipamentos por meio das tubulações que compõem a rede de distribuição, permitindo abastecimento contínuo durante a operação. O modelo também elimina a necessidade de controlar estoques e programar entregas de combustível.

A distribuição canalizada contribui ainda para a segurança e a praticidade da operação. Com a redução da necessidade de tanques, centrais de gás e áreas destinadas ao armazenamento de combustíveis, o espaço fabril pode ser utilizado para outras finalidades. A ausência de operações frequentes de abastecimento também reduz a circulação de veículos dentro e no entorno das unidades industriais.

Eficiência e controle nos processos

A composição do gás natural permite regulagens mais estáveis nos queimadores, facilitando o controle da combustão e a automação dos processos. O combustível apresenta alto rendimento térmico e permite alcançar curvas de temperatura com rapidez e estabilidade, características relevantes para atividades industriais que dependem de controle preciso da temperatura.

A combustão também pode contribuir para a redução da necessidade de manutenção dos equipamentos e para a diminuição do tempo de parada das máquinas. Como o fornecimento é contínuo, a operação não depende de entregas periódicas de combustível, o que favorece a continuidade dos processos produtivos.

Em segmentos como cerâmica, vidro, metalomecânica e alimentos, o controle das condições de combustão pode contribuir para a padronização do processo e para a qualidade do produto final. Por apresentar uma combustão mais limpa e praticamente não gerar cinzas ou resíduos sólidos, o gás natural também pode contribuir para reduzir depósitos e incrustações nos equipamentos, diminuindo determinadas necessidades de limpeza e manutenção.

Mais espaço e menos logística

Outro benefício está relacionado à logística. Como o gás natural é transportado por uma rede subterrânea, a indústria não precisa manter áreas destinadas ao armazenamento de combustíveis, como lenha, GLP, óleo combustível ou outros. Também são reduzidas as operações relacionadas ao recebimento e reabastecimento desses produtos.

A liberação de áreas antes ocupadas por tanques e estoques pode permitir uma utilização mais eficiente do espaço fabril. Ao mesmo tempo, a redução do transporte rodoviário de combustíveis reduz a circulação de veículos associados ao abastecimento dentro e no entorno das unidades industriais.

Segurança e meio ambiente

O fornecimento canalizado reduz a necessidade de armazenamento de grandes volumes de combustível na indústria. Assim, como o gás natural é mais leve que o ar e, em ambientes adequadamente ventilados, tende a se dispersar em caso de vazamento. Como qualquer combustível, seu uso exige instalações projetadas, equipamentos adequados e procedimentos de segurança.

Do ponto de vista ambiental, a combustão do gás natural apresenta menores emissões de material particulado, óxidos de enxofre e outros poluentes atmosféricos em comparação com combustíveis mais intensivos em impurezas, como alguns combustíveis sólidos e líquidos. O gás natural também apresenta menor intensidade de emissões de CO2 por unidade de energia em comparação com demais combustíveis intensivos em carbono.

Um modelo de fornecimento contínuo

Além dos aspectos operacionais, o modelo de fornecimento permite maior previsibilidade na gestão energética da indústria, em que a indústria paga pelo volume efetivamente consumido, sem a necessidade de manter estoques de combustível. Em Santa Catarina, a distribuição é realizada pela SCGÁS por meio de uma rede canalizada, com atendimento aos clientes e suporte operacional. Assim, facilita o acompanhamento do consumo e o planejamento energético da unidade, permitindo que a indústria concentre seus esforços em sua atividade principal e reduza a complexidade associada à gestão de combustíveis.

Com fornecimento contínuo, controle dos processos térmicos, menor necessidade de armazenamento, redução de operações logísticas e maior previsibilidade operacional, o gás natural é uma alternativa para indústrias que buscam maior eficiência, estabilidade e praticidade na gestão energética.

Editora Bittencourt