domingo, 09 de agosto de 2026
21/07/2025

Economia & Negócios: Tarifaço e as narrativas


Por: Augusto César Diegoli (acdiegoli@gmail.com)

 

PIB de SC

SC ganhou destaque no estudo especial do Departamento Econômico do Banco Santander ao registrar as taxas mais elevadas de crescimento do PIB da Região Sul, com 2,2% em 2026 e 1,8% em 2027. Apesar da desaceleração, o Estado mantém sua relevância, superando inclusive a média nacional de 1,8% e 1%, respectivamente. Conforme o estudo, tal desempenho será impulsionado pela dinâmica do setor de serviços, que tem se mostrado resiliente e que atua como um diferencial de crescimento regional frente à média do país. Para 2026, a projeção de crescimento é de 2,8%, já para 2027 é de 2,2%, enquanto a média nacional é de 2% e 1%, respectivamente. Já o agronegócio, após a expressiva expansão de 2025, apresenta um arrefecimento em 2026 e 2027, acompanhando a maior volatilidade em toda a região Sul, em grande parte em função de impactos crescentes das crises climáticas. Na indústria, após um ano de expansão forte em 2024, o setor deve ter crescimento de 1,5% em 2026 e 1,4%, bem próximo da média nacional.

Bandas e fanfarras

Projeto que começou a tramitar na Alesc institui a Política Estadual de Bandas e Fanfarras Escolares. Busca criar condições para que o Estado possa apoiá-las estruturalmente, por meio de capacitação, aquisição de instrumentos, organização de festivais e estímulo às escolas interessadas em desenvolver projeto musicais. Velhos e bons tempos aqueles em que as fanfarras escolares eram verdadeiras atrações artísticas-culturais, depois inexplicavelmente desprezadas. Outro projeto estabelece que as escolas públicas e privadas de SC deverão oferecer, no mínimo, três aulas semanais de Educação Física para os estudantes de todas as etapas da educação básica. Um terceiro, também louvável, prevê uma carga mínima de 12 aulas anuais de noções práticas de educação financeira no ensino médio. E, por favor, parem de querer impor bobagens, como História da África.

Futebol e inglês

Mais de 1,4 mil jogadores brasileiros atuam hoje em 135 ligas estrangeiras, segundo levantamento oficial. O dado reforça como a formação de atletas passou a exigir preparo também fora de campo, especialmente em habilidades que podem abrir portas em estudos, viagens, entrevistas, testes em clubes do exterior e experiências internacionais. Em Itajaí, atletas de 11 a 15 anos das categorias de base do Clube Marcílio Dias, um dos times tradicionais de SC, passaram a ter aulas de inglês uma vez por semana, em uma iniciativa realizada em parceria com a KNN, uma das principais escolas de idiomas do país.

Tarifaço e as narrativas

A decisão do governo dos Estados Unidos de impor novas tarifas sobre produtos brasileiros, anunciada a menos de três meses das eleições presidenciais no país, inaugura um novo um novo momento de tensão em uma relação bilateral historicamente marcada pela estabilidade institucional, mesmo em períodos de divergências comerciais e diplomáticas. O governo Trump, que costuma se pautar pelo nacionalismo econômico, volta a usar deste artifício contra o Brasil com justificativas de questões comerciais, regulatórias, ambientais e institucionais. Entre os argumentos apresentados estão críticas ao PIX, ao tratamento conferido a casos de corrupção, às decisões do STF envolvendo plataformas digitais, à política tarifária nacional, à proteção da propriedade intelectual, às tarifas aplicadas ao etanol e ao combate ao desmatamento. São temas completamente distintos, muitos sequer ter relação entre si, e que dizem mais respeito à soberania brasileira do que à própria relação diplomática. Economias de grande porte têm e sempre terão divergências.

Transtornos mentais

Em 2025, Santa Catarina liderou no país com a maior taxa de afastamentos do trabalho por transtornos mentais e comportamentais, considerando o tamanho da população. Ao longo do ano, a Previdência Social concedeu 40.280 benefícios por incapacidade relacionados a esses diagnósticos, o equivalente a aproximadamente um benefício para cada 203 habitantes do Estado. Além disso, só entre os anos de 2021 e 2025, foram concedidos 129.315 benefícios relacionados a transtornos mentais e comportamentais no estado catarinense. Em todo o Brasil, a Previdência Social concedeu 559.983 benefícios por incapacidade relacionados a transtornos mentais e comportamentais em 2025, o maior volume já registrado no país.

Saúde judicializada

Um entendimento entre o Judiciário e Tribunal de Contas está qualificando as decisões judiciais em ações pedindo que o Estado forneça medicamentos ou tratamentos não previstos pelos sistemas públicos. O índice de convergência entre ambos tem sido tão alto que a redução das despesas relacionadas à judicialização da saúde alcançou aproximadamente R$ 300 milhões em 2025. E apenas no primeiro semestre desse ano a economia chegou a cerca de R$ 78 milhões.  

Linguiça Blumenau

A famosa linguiça Blumenau vai ganhar uma nova valorização: há um projeto de lei em tramitação para que sua consagrada e única receita, que uns burocratas sem noção estão querendo mudar, seja incluída na legislação sobre Patrimônio Cultural do Estado de SC.

Dívida do campeão

No plano de recuperação judicial do Metropolitano, atualmente na segunda divisão do futebol de SC, está uma dívida com o falecido técnico Valdir Espinosa, campeão mundial pelo Grêmio Portoalegrense em 1983, morto aos 72 anos em 2020, que  passou pelo clube em 2016 e demitido após sete jogos com apenas duas vitórias. A dívida era de R$ 162,6 mil, mas com o deságio de 88%, ficou em R$ 19,1 mil, que serão pagos à sua família.

Apego à lei

Se fossemos civilizados, seria dispensável um projeto em tramitação no legislativo estadual para que meios de transporte e estabelecimentos comerciais reconheçam e permitam o acesso de animais de suporte emocional, como cães de busca e resgate dos Corpos de Bombeiros e os animais utilizados em intervenções assistidas em locais públicos. Bom senso, gente! E menos leis inúteis!

Fiesc incentiva diversificar mercado

Enquanto as decisões são políticas, o setor produtivo precisa de resultados, independente de governo. Por isso, a Federação das Indústrias do Estado (Fiesc) vem incentivando a diversificação de mercado desde o primeiro tarifaço de Donald Trump adotado em agosto de 2025 e muitas empresas estão alcançando resultados, como mostrou a balança comercial do primeiro semestre, O presidente da entidade esteve liderando missão na Argentina e na Espanha com esse objetivo. Os resultados estão positivos, como mostraram os números da balança comercial catarinense do primeiro semestre. O Estado alcançou vendas externas superiores a US$ 6 bilhões, com alta de 4,3% e avanço maior no mercado da União Europeia, que acaba de firmar acordo comercial com o Mercosul. Outro mercado potencial é o do Oriente Médio, atualmente afetado pela guerra. 

Desafio do reitor

A UFSC, em cuja área de graduação mais de 50% dos seus alunos não concluem os cursos, conforme revelação da própria instituição, tem um novo reitor há uma semana. O engenheiro e professor Amir Antônio Martins de Oliveira Júnior elegeu como uma de suas principais prioridades ter a Polícia Militar do Estado como sua aliada contra a criminalidade dentro do campus da Trindade, em Florianópolis. Não há um estudo que o diga, mas a espantosa degradação, depredação e vandalismo de instituições nos últimos tempos, devem ter sido um dos motivos para muitos alunos concluírem que ali não é o melhor lugar para estudar. Outro desafio é recuperar a nada boa imagem da UFSC diante da comunidade florianopolitana e catarinense.

Política de Trump

O setor empresarial brasileiro critica a decisão do presidente Trump, dos Estados Unidos, de impor barreiras tarifárias com insistência e maior penalidades ao Brasil, que não é o único atingido. A presidente do Conselho de Comércio Exterior da Fiesc, destaca que ele se elegeu com a promessa de aplicar tarifas para o mundo todo e reindustrializar os Estados Unidos. Então, o que ele está fazendo não é nada mais do que prometeu para se eleger. Está mais conseguindo impor tarifas do que impulsionar a indústria. O Brasil não é o único. Atualmente, o escritório comercial do governo americano está fazendo estudos de negócios com mais de 80 países, também visando a aplicação de tarifas.

Importabando

A Polícia Federal deflagrou mais uma operação em SC, para desarticular um esquema milionário de contrabando e lavagem de dinheiro. O que chama atenção é quanto o paradeiro dos criminosos, parte deles encontrados na pacata São José do Cerrito, no Planalto Serrano, de 9.300 habitantes.

Café e história

O Complexo Têxtil Renaux ganhará um novo atrativo a partir do fim de agosto. O local será transformado na Vigolana Café e Gelato, empreendimento que promete unir gastronomia, arquitetura e memória em uma experiência inspirada nas tradicionais cafeterias e gelaterias europeias. A frente do projeto está o empresário Emilio Gabriel Bonecher Masera, proprietário da Vigolana de Nova Trento, que a convite de Luciano Hang, trará para Brusque sabores artesanais e a atmosfera de regiões alpinas do Tirol italiano e da cultura europeia. O espaço preservará elementos históricos do imóvel e terá um ambiente acolhedor, com cafés especiais, gelatos artesanais, doces e receitas exclusivas. Entre as novidades do cardápio está o Bolo do Cônsul, uma releitura da Floresta Negra criada em homenagem a Carlos Renaux e à história da cidade. A chegada da Vigolana ao Complexo Têxtil Renaux também representa um novo atrativo turístico para Brusque, valorizando um patrimônio que faz parte da memória da comunidade.

Tentativas

O Procon de Brusque alerta a população para golpes que vêm sendo aplicados utilizando indevidamente o nome do órgão. Nos últimos dias, consumidores e empresários relataram o recebimento de mensagens e e-mails falsos com links fraudulentos e solicitações de pagamento. Entre as situações registradas, consumidores informaram ter recebido mensagens por WhatsApp enviadas por perfis falsos, nas quais os criminosos alegam que uma reclamação contra um fornecedor teve resultado favorável. Na sequência, solicitam um pagamento antecipado para supostamente liberar o valor ao consumidor. O Procon Brusque não solicita qualquer tipo de pagamento para dar andamento a processos, reclamações ou liberações de valores. Além disso possui apenas um número oficial de atendimento via WhatsApp (47) 99128-0676.

Mais postos de combustíveis

Um dos focos do crescimento é no segmento de postos de combustíveis com a Rede Mime. Atualmente, ela conta com 65 postos em 30 cidades catarinenses, com atendimento a mais de 17 milhões de clientes por ano. Neste ano, foram abertos novos postos em Florianópolis, Palhoça e Criciúma. Em 2025 a expansão foi mais em Blumenau, com a aquisição de sete postos. Esse é um negócio que segue crescendo em Santa Catarina.

Roubalheira

No Rio de Janeiro há atualmente inacreditáveis R$ 71,8 bilhões em contratos e recursos públicos sob investigação por corrupção. Só para efeitos de comparação, para o próximo ano, o governo de SC projeta um orçamento de R$ 64 bilhões.

Emplacamentos

A Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores de SC, entidade que representa 562 concessionárias nos segmentos de automóveis, comerciais leves, caminhões, ônibus, tratores, máquinas agrícolas, motocicletas e implementos rodoviários, divulgou o desempenho do setor automotivo no Estado referente a junho: 19,7 mil unidades foram emplacadas, frente a 19,1 mil em maio, um crescimento de 3,29% no comparativo mensal. No acumulado de janeiro a junho a soma chega a 113,5 mil veículos, avanço de 8,7% em relação ao mesmo período de 2025.

Bioar avança

A Agricopel acelera crescimento no Brasil com a Bioar, indústria de Arla 32, o lubrificante para motores a diesel no qual alcançou a liderança nacional. De acordo com o CEO, a empresa está investindo numa unidade de distribuição no Sul de Minas Gerais, onde está concentrada uma das maiores frotas de veículos pesados, por ser um polo logístico ligado à indústria e ao agro. Com fábrica em Jaraguá do Sul, a Bioar   tem distribuidoras em Gravataí (RS), Cascavel (PR) e Araguari (MG).

Arranha-céu

A mídia paulista está dando destaque à conclusão do edifício comercial Torre Alto das Nações, com 219 metros de altura, o sexto do país no quesito e o maior arranha-céu da capital paulista, com 39 pavimentos. Logicamente, sempre há comparações com Balneário Camboriú, que no ranking geral ocupa as cinco primeiras posições como principal polo de arranha-céus no Brasil. O recordista é a torre 2 do Yachthouse by Pininfarina, com 294,1 metros e 80 andares, inaugurados em 2023.

Prédio do Neymar

O chamado “Prédio do Neymar”, o Edify One, que já está no roteiro de excursões de visitantes que passam por Itapema e que tem entre os sócios a NR Sports, empresa do pai do futebolista, já ultrapassou o 40º andar dos 45 previstos.  Unidades que chegam a R$ 52 milhões, o projeto reúne estacas de até 45 metros, ensaios em túnel de vento realizados na Europa e mais de 14 mil m3 de concreto aplicados. A entrega está prevista para dezembro de 2028.

Novo marco

O curso de Medicina do campus da UFSC em Araranguá faz história: formou os primeiros estudantes indígenas e quilombolas, oriundos das políticas de ações afirmativas da instituição. Quatro profissionais do povo kaingang e um do povo macuxi, além dos primeiros médicos quilombolas, da comunidade quilombola Invernada dos Negros, de Campos Novos, receberam o diploma no dia 3 deste mês.

Cohab

O governo de SC deu início à etapa final para a extinção da Companhia de Habitação do Estado de Santa Catarina (Cohab-SC). Projeto enviado à Alesc define que o Estado assumirá os direitos, as obrigações e o patrimônio. Para as pessoas vinculadas aos programas da companhia, as atribuições de regularização fundiária, atendimento e quitações passarão a ser geridas pela Secretaria da Assistência Social, Mulher e Família. A medida visa finalizar o processo de liquidação da Cohab autorizado em 2017 e concede prazo de até 120 dias, após a aprovação e a publicação da lei, para a realização da Assembleia Geral de Acionistas e a baixa do ato na Junta Comercial do Estado (Jucesc). Com a extinção, o acervo de bens móveis e imóveis integrarão o patrimônio do Estado, sob a gestão da Secretaria de Estado da Administração.

Fim do ICMS

Outro projeto encaminhado à Alesc regulamenta a distribuição, aos municípios, dos 25% da arrecadação do novo Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), criado pela Reforma Tributária e que entra em vigor em 2027. O projeto institui o Índice de Participação dos Municípios, mecanismo que definirá quanto cada prefeitura receberá. Como as regras precisa ser aplicada e os cálculos realizados ainda em 2026, o Estado tem até setembro deste ano para enviar os índices validados ao Comitê Gestor do IBS.

Super El Niño

Possibilidade de que o fenômeno atinja categoria mais grave e seja um dos piores da história chega a 81%, aponta projeção internacional. Santa Catarina teme impactos na agricultura e no aumento dos preços dos alimentos.

Invasor entre nós

Pinus foi introduzido para reflorestamento e produção de madeira nas décadas de 1950 e 1960, mas hoje invade áreas naturais, reduz a biodiversidade e ameaça ecossistema como restingas e campos de altitude. Quem vê um pinus crescendo no alto da serra de Santa Catarina ou espalhado pelas dunas do litoral catarinense dificilmente imagina que aquela árvore não pertence à paisagem. Introduzido no Estado há cerca de 70 anos para atender à produção florestal e recuperar áreas degradadas, o gênero Pinus se tornou uma das espécies exóticas invasoras mais problemáticas do Estado.

Guabiruba do futuro

Novo Plano Estratégico de Desenvolvimento Econômico do município estabelece metas para fortalecer indústria, turismo e geração de empregos até 2036. O município quer consolidar polo têxtil e diversificar economia nos próximos 10 anos.

Balonismo

Após o acidente ocorrido em 21 de junho de 2025, em Praia Grande (SC), que resultou na morte de oito pessoas, a Comissão de Turismo da Câmara dos Deputados está discutindo a regulamentação do balonismo turístico no Brasil.

Danos morais

O governador de SC que se prepare. Ouvem-se articulações de organizações não-governamentais dispostas a levar até as últimas consequências seus xingamentos conta uma cacique indígena em José Boiteux, no Vale do Itajaí. ONGS que sonham engordar seus caixas por conta dos tais “danos morais coletivos”.

Clube de Caça e Tiro: 160 anos

Era um sábado, 14 de julho de 1866, data histórica que pode ser comprovada pela cópia original do Estatuto, em língua alemã, que se encontra guardada na sede da entidade. Seguindo os costumes e as tradições da terra natal que atravessaram o Atlântico sem pagar passagem nem ocupar espaço na escassa bagagem emigratória de poucas roupas, ferramentas e algumas tralhas, sete imigrantes reuniram-se na casa de um deles para fundar um clube de caça e tiro, o Schutzenverein. O clube de Caça e Tiro Araujo Brusque tem 160 anos, quase a mesma idade da cidade de Brusque (166 anos) que serão comemorados em 4 de agosto próximo.

Dólares

Pelo menos 20% das vendas de lotes do Rioparque, um bairro planejado em Tijucas, foram brasileiros que vivem nos Estados Unidos, diz a incorporadora do projeto, o Novo Ambiente Urbanismo. Com área equivalente a 56 campos de futebol e com obras já iniciadas, incluindo um acesso direto à BR-101, o projeto inclui um parque linear de 2 quilômetros ao longo dos rios Tijucas e Oliveira, shopping, marina e áreas esportivas.

Corrupção desmedida

A corrupção parece infiltrada e sedimentada firmemente em muitas prefeituras de SC. Em tempos recentes foram presos 30 prefeitos e vices. Isso, aparentemente, pouco intimidou os que seguem nos seus mandatos. Em duas operações somente neste mês detectaram-se desvios milionários em 25 prefeituras.

Forno e fogão

Seguiu para sanção do governador projeto de lei aprovado na Alesc que reconhece a relevância social, cultural e econômica das atividades exercidas por profissionais de cozinha em SC. Este relevante reconhecimento envolve cozinheiras, cozinheiros, gastrônomas, gastrônomos, chefs, assistentes e auxiliares e demais profissionais da cozinha.

Quarto lugar

No mapa da carestia nacional, Florianópolis, que vinha ganhando seguidamente medalha de ouro, prata e bronze no custo da cesta básica, agora está na quarta posição entre 17 capitais, em junho. A mais cara foi São Paulo (R$ 965,47), seguida por Cuiabá (R$ 937,93), Rio de Janeiro (R$ 920,94) e Florianópolis (R$ 918,42). A mais baixa é a de Natal (R$ 686,07).



Blog

Redução da taxa de juros ainda é insuficiente, avaliam entidades

O quarto corte consecutivo na Taxa Selic, definido nesta quarta-feira (5) pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC), foi bem recebido por agentes econômicos, mas ainda é considerado insuficiente e restritivo para a expansão do setor industrial.

Em nota, a Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) ressaltou que a continuidade do ciclo de redução da Selic representa um sinal positivo para a atividade econômica, mas que o nível ainda elevado da taxa mantém o crédito caro e atrasa investimentos.

"O elevado custo de capital posterga investimentos, dificulta a modernização produtiva e limita a capacidade das empresas brasileiras de ganhar produtividade e competir nos mercados interno e externo. Esse quadro se reflete no desempenho da indústria de transformação, que cresceu apenas 0,4% no primeiro semestre do ano, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)", disse a entidade.

Na mesma linha, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) lembrou que os juros estão em patamar restritivo há 55 meses, e que Selic está 3,6 pontos percentuais acima da taxa calculada com base na Regra de Taylor, estimada em 10,4%. Esta regra permite calcular uma taxa de juros que proporcione o controle da inflação sem desestimular o crescimento da economia.

"A taxa de juros real, aproximadamente de 10%, supera com folga a taxa de equilíbrio estimada pelo próprio Banco Central, de 5%, indicando que há espaço para cortes mais expressivos na Selic, sem prejuízos no combate à inflação".

Entre as organizações de trabalhadores, a Força Sindical também classificou como insuficiente a redução de 0,25 ponto percentual na Selic. Para a central sindical, juros elevados encarecem o crédito, reduzem investimentos, desestimulam o consumo e comprometem a geração de empregos.

"Perdemos uma excelente oportunidade de promover uma redução drástica da taxa de juros, dar uma injeção de ânimo no setor produtivo e alavancar mais a economia", disse a entidade, em nota.

Copom 
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) reduziu nesta quarta-feira (5) em 0,25 ponto percentual a Taxa Selic, a taxa básica de juros da economia brasileira, que passará de 14,25% para 14% ao ano.

Esta é a quarta vez consecutiva que o comitê reduz os juros. A decisão foi tomada em reunião na sede do BC, em Brasília.

Segundo a instituição, o novo ajuste gradual de menos 0,25 ponto é compatível com a estratégia de convergência da inflação para o redor da meta no próximo período.

Sobre o ambiente externo, o BC voltou a apontar o cenário de indefinição acerca dos conflitos armados no Oriente Médio e da incerteza sobre a política monetária em algumas economias avançadas.

Curso gratuito de Relacionamento Interpessoal e Trabalho em Equipe está com inscrições abertas em Itapema

A Prefeitura de Itapema, por meio da Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Habitação, segue com as inscrições abertas para mais uma capacitação gratuita do programa Itapema Qualifica, realizado em parceria com o SENAC/SC. Desta vez, a oportunidade é para o curso de Relacionamento Interpessoal e Trabalho em Equipe, voltado para quem deseja aprimorar competências comportamentais cada vez mais valorizadas pelo mercado de trabalho.

A formação tem como objetivo desenvolver habilidades essenciais para o ambiente profissional, como comunicação eficiente, cooperação, resolução de conflitos, inteligência emocional e convivência em equipe. O conteúdo também aborda princípios de etiqueta social e profissional, comunicação assertiva e técnicas para fortalecer o relacionamento interpessoal, contribuindo para um ambiente de trabalho mais produtivo, respeitoso e colaborativo.

Durante as aulas, os participantes aprenderão sobre os fundamentos do trabalho em equipe, compreendendo como a colaboração, a confiança e a união de diferentes habilidades podem potencializar resultados. O curso também apresenta estratégias para administrar conflitos de forma construtiva, além de explorar os principais elementos do processo de comunicação, identificando fatores que podem facilitar ou dificultar o entendimento entre as pessoas.

Outro destaque da capacitação é o desenvolvimento da comunicação assertiva, habilidade que permite expressar opiniões, necessidades e ideias com clareza, respeito e objetividade, fortalecendo as relações profissionais e pessoais.

O secretário de Desenvolvimento Econômico e Habitação, Nicko Silva, destacou a importância das capacitações para a formação profissional da população. " O Itapema Qualifica oferece oportunidades gratuitas para que a nossa população desenvolva essas competências e esteja cada vez mais preparada para conquistar uma vaga no mercado ou crescer na carreira", afirmou o secretário.

Inscrições e aulas
As inscrições podem ser realizadas presencialmente na Casa da Cidadania, localizada na Rua 216, nº 155, em Meia Praia, das 8h às 17h, ou de forma online pelo site qualifica.itapema.sc.gov.br. As vagas são gratuitas e serão preenchidas por ordem de inscrição. As aulas acontecerão nos dias 18, 20, 25 e 27 de agosto, além de 1º de setembro, na EMEB Bento Elói Garcia, localizada na Rua 402 B, nº 100, no bairro Morretes.

Juros altos agravam dificuldades da indústria, pondera CNI

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) considera acertada a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central de reduzir a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual, para 14% ao ano. No entanto, pondera que os juros altos agravam as dificuldades da indústria e seguirão asfixiando empresas e famílias. 

“Não há justificativa compreensível para a manutenção da taxa de juros em um nível tão alto. A decisão do Banco Central piora a perspectiva para a indústria, já tão prejudicada pelas incertezas no cenário externo. Além disso, o crédito caro compromete gravemente a renda das famílias, que já apresentam níveis recordes de endividamento e inadimplência”, afirma Ricardo Alban, presidente da CNI. 

Juros continuam desproporcionais à trajetória da inflação
As expectativas de inflação apuradas pelo Boletim Focus vêm melhorando. Embora a projeção para o IPCA de 2026 seja de alta de 5,03%, as perspectivas para o índice em 2027 e 2028 continuam dentro do intervalo de tolerância da meta. Ao mesmo tempo, a inflação corrente vem perdendo força, o que deve continuar a ocorrer em julho. O IPCA-15, por exemplo, acumula alta de 4,52% em 12 meses até julho, resultado abaixo do observado no mês anterior (4,8%). Esses indicadores reforçam a leitura de acomodação das pressões de oferta e de demanda verificadas nos últimos meses. 

Além disso, a média dos núcleos de inflação de junho ficaram em 4,44% e apontam uma trajetória mais consistente com a meta de 3% da inflação, apesar da continuidade das incertezas geopolíticas e dos riscos climáticos.

Selic está 3,6 pontos percentuais acima do ideal
A CNI lembra que os juros estão em patamar restritivo há 55 meses. A Selic está 3,6 pontos percentuais acima da taxa calculada com base na Regra de Taylor — estimada em 10,4%. Esta regra permite calcular uma taxa de juros que proporcione o controle da inflação sem desestimular o crescimento da economia. A taxa de juros real, aproximadamente de 10%, supera com folga a taxa de equilíbrio estimada pelo próprio Banco Central, de 5%, indicando que há espaço para cortes mais expressivos na Selic, sem prejuízos no combate à inflação. 

Real valorizado contribui para segurar a inflação 
Cabe destacar que, em um cenário marcado por tensões geopolíticas, o país segue atraindo investidores internacionais interessados no elevado diferencial de juros entre o Brasil e as economias desenvolvidas. O país continua oferecendo retorno atrativo para investidores internacionais, situação que contribui para a apreciação do real, que nos últimos doze meses se valorizou 8,6% frente ao dólar, o que ajudou a arrefecer o ímpeto inflacionário. 

Juros altos elevam endividamento e espremem margens
Consulta realizada pela CNI mostra que os juros devem trazer forte pressão financeira sobre o setor nos próximos três meses. Mais da metade das empresas (53%) prevê aumento na necessidade de financiamento para contas a pagar; 47% esperam pressão sobre contas a receber e 42% sobre estoques — sinais claros de elevação da necessidade de capital de giro. 

Entre as empresas que demandam mais capital, mais de 55% projetam encarecimento do crédito, e cerca de 39% devem ampliar o endividamento bancário. Como efeito direto do aperto, 58% antecipam redução das margens líquidas, comprometendo rentabilidade e capacidade de investimento. Para conter perdas, 51% tentarão manter preços para não perder competitividade frente a importados, enquanto 37% já planejam repassar custos ao valor final, o que pressiona a inflação. Segundo os empresários, os juros atuais funcionam como um “imposto invisível” que inviabiliza investimentos, freia contratações e desvia recursos para aplicações financeiras em vez da produção.

Taxas de juros e endividamento das famílias
O elevado nível de juros no crédito livre também encarece o refinanciamento das dívidas familiares. O resultado é o endividamento em patamar crítico e o comprometimento da renda, reduzindo recursos para consumo essencial e ampliando o risco de superendividamento. O "Desenrola 2.0" trata, sobretudo, o sintoma, sem atacar causas estruturais, como a baixa educação financeira e o elevado nível das taxas de juros. 

Aumento de etanol na gasolina divide opiniões sobre impacto em carros

Aprovado recentemente pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), o aumento da mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina de 30% para 32% (E32) reacendeu o debate sobre os efeitos da medida tanto para o bolso dos consumidores como para o funcionamento dos veículos.
Contrário à mudança, o Ministério Público Federal (MPF) ajuizou ação civil pública para suspender a decisão do CNPE até que estudos específicos comprovem a segurança da nova mistura para os motores da frota brasileira.

Já a União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica) afirma que a ampliação da mistura fortalece a segurança energética do país, reduz a dependência de gasolina importada e ajuda a conter preços ao consumidor.

MPF
De acordo com o MPF, os estudos que embasaram a nova configuração da gasolina (com 32% de etanol) não demonstraram, de forma conclusiva, os impactos do E32 sobre durabilidade de componentes, emissões, autonomia e compatibilidade com diferentes tipos de veículos.

Na ação, o MPF aponta riscos de corrosão de peças, desgaste de bombas de combustível e falhas em sistemas de injeção eletrônica, especialmente em motocicletas, veículos antigos e modelos importados.

Os procuradores argumentam, ainda, que os estudos usados foram elaborados para o E30 e não para validar especificamente a adoção permanente do E32.

Por fim, o MPF argumenta que faltam estudos sobre impactos ambientais indiretos e pede perícia técnica independente.

Unica
Para a União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica), o aumento do percentual de etanol na gasolina é algo positivo porque favorece a segurança energética do país, além de reduzir a necessidade de importação de gasolina.

Além disso, acrescenta a Unica, não há evidências, nos resultados obtidos, de impactos sobre desempenho, dirigibilidade, partida a frio, consumo, emissões ou funcionamento dos veículos em decorrência da adoção do E32.

A entidade lembra que o E32 foi avaliado em estudos coordenados pelo Ministério de Minas e Energia e realizados pelo Instituto Mauá de Tecnologia. Os testes foram feitos em veículos leves e motocicletas movidos a gasolina, fabricados entre 1994 e 2024.

Mesmo os veículos mais antigos avaliados não apresentaram impactos em partida, marcha lenta, aceleração ou dirigibilidade com a utilização do E32, acrescentou ao destacar que não foram identificados impactos relevantes em desempenho, consumo, dirigibilidade, partidas a frio ou funcionamento dos motores.

Além dos aspectos técnicos, a entidade sustenta que o aumento da participação do etanol pode beneficiar os consumidores ao reduzir a dependência de gasolina importada.

A estimativa é que o país deixe de importar cerca de 800 milhões de litros de gasolina por ano. Segundo a Unica, sem a presença do etanol no mercado nacional, o custo dos combustíveis teria aumentado em R$ 8 bilhões apenas nos últimos três meses.

Mais de 40% das indústrias migraram para o mercado livre de energia em 2 anos, aponta CNI

Pesquisa inédita da Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostra que 41% das indústrias brasileiras migraram para o mercado livre de energia desde 2024, quando entrou em vigor a norma do Ministério de Minas e Energia (MME) que ampliou o acesso dos consumidores ao ambiente de livre contratação. De acordo com os dados, 73% dos empresários que trocaram o mercado cativo pelo livre notaram redução dos custos com as tarifas de energia elétrica.

A Sondagem Especial Indústria e Energia 2026, divulgada nesta quinta-feira (30) pela CNI, revela que 30% das empresas consideram a migração para o mercado livre como a principal estratégia para reduzir o custo da conta de luz. Os dados apontam ainda que, em meio a um cenário de oscilações no setor elétrico impulsionado pela alta demanda global e por conflitos geopolíticos, o interesse das empresas pelo mercado livre de energia aumentou.

Apesar desse avanço, ainda há grande potencial para expansão desse mercado. Entre as empresas atendidas em baixa tensão que permanecem no mercado cativo, 37% demonstram interesse em migrar para o mercado livre. Os dados reforçam que a abertura gradual do setor tende a ampliar a competitividade das indústrias.

A pesquisa revela que, entre as grandes indústrias atendidas em alta tensão, 63% já compram energia no mercado livre. Entre as pequenas empresas, 22% informam atuar nesse ambiente de contratação, enquanto 45% permanecem no mercado cativo.

Os dados indicam também que 79% das indústrias utilizam a energia elétrica como principal insumo energético em seus processos produtivos. O custo da energia é apontado pelos industriais como um dos principais desafios do setor.

Confira a pesquisa: https://static.portaldaindustria.com.br/portaldaindustria/noticias/media/filer_public/43/8d/438d1f97-f43e-435f-83e2-f0a4118f1646/sondagem_cni_industria_e_energia_2026.pdf

Sondagem CNI Indústria e Energia 2026.pdf(6,1 MB)
“A pesquisa mostra a importância do custo da energia para a competitividade da indústria e que o caminho escolhido pelas empresas para diminuir as tarifas passa pela migração ao mercado livre”, destaca o gerente de Energia da CNI, Roberto Wagner Pereira.

“Além disso, precisamos melhorar o sinal de preços com a adoção de tarifas dinâmicas, que possam variar de acordo com a geração, o horário e a demanda dos consumidores. Associado a isso é imprescindível revisarmos a grande quantidade de subsídios que encarecem a conta de energia”, acrescenta o gerente da CNI.

83% das empresas dizem que custo da energia é importante para a competitividade
Segundo a sondagem, 62% dos industriais indicaram que houve algum impacto da variação dos preços de energia elétrica nos últimos 12 meses. Para 83% deles, a conta de luz é um fator imprescindível para a competitividade. Outros 67% consideram que o aumento das tarifas impacta diretamente os custos de produção.

O aumento da conta de luz foi apontado por 3% das empresas como alto (acima de 30% de reajuste). Para 20%, o impacto foi considerado médio (acima de 10% de aumento), enquanto para 39%, o impacto foi considerado baixo (abaixo de 10% de aumento).

Quase duas em cada três empresas (64%) investiram em alguma forma de economizar energia ou na diminuição dos custos tarifários. A principal opção apontada foi a migração para o mercado livre, apontada por 30% das indústrias.

Investimentos em autogeração e eficiência energética
Já os investimentos em autogeração e ações de eficiência energética foram elencados como alternativas para 13% das empresas respondentes. Outros 28% não tomaram nenhuma medida para otimização energética de seus processos produtivos.

O setor de produtos de borracha foi o que mais investiu na opção de autogeração (25% das empresas) e na migração para o mercado livre (38% das empresas). O setor que mais migrou para o mercado livre foi o calçadista (47% das empresas). O setor de equipamentos de informática e produtos eletrônicos, por sua vez, foi o que mais investiu em eficiência energética (25% das empresas).

A Sondagem Especial Indústria e Energia foi realizada em abril pela CNI, junto a 1.498 indústrias dos setores extrativo e de transformação, sendo 601 pequenas, 529 médias e 368 grandes empresas.

Energia cara: quem vai pagar essa conta?

A energia elétrica é o principal insumo da indústria brasileira e um fator decisivo para a competitividade da economia. O Brasil reúne condições privilegiadas: tem uma das matrizes elétricas mais limpas do mundo, com mais de 85% da geração proveniente de fontes renováveis, e vem ampliando rapidamente a participação da energia solar e eólica. Ainda assim, convivemos com um paradoxo difícil de justificar. Produzimos energia a baixo custo, mas pagamos uma das tarifas mais altas do mundo.

A principal explicação para essa distorção não está no custo de geração, transmissão ou distribuição, mas no crescimento contínuo dos encargos setoriais, subsídios e tributos embutidos na conta de luz. Hoje, cerca de 40% da tarifa corresponde a impostos e encargos setoriais, percentual que compromete a competitividade da indústria, reduz investimentos e encarece a produção nacional. A Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), principal mecanismo de financiamento de subsídios do setor, ilustra essa escalada: seu orçamento passou de R$ 14 bilhões em 2013 para mais de R$ 52 bilhões previstos para 2026.

O Brasil segue um caminho que vai na contramão da racionalidade e do razoável. Ao longo dos anos, diferentes políticas públicas foram incorporadas à tarifa de energia por meio de encargos criados, muitas vezes, com objetivos legítimos. O problema é que esses mecanismos se acumularam sem revisões periódicas, transformando-se em um conjunto de subsídios permanentes que pesa sobre consumidores e empresas. Criar encargos tornou-se politicamente mais fácil do que financiá-los pelo orçamento público, reduzindo a transparência e perpetuando distorções econômicas.

A facilidade política para criar encargos contrasta com a enorme dificuldade para sua revisão ou eliminação. Essa é a razão pela qual se prefere garantir subsídios via encargos, que não passam pelo escrutínio político na análise do orçamento público, em detrimento do uso de recursos orçamentários. Assim, os encargos setoriais acabam financiando políticas e subsídios que tendem a se perpetuar, mesmo quando perdem a eficiência econômica.

A redução desse peso sobre a conta de luz é uma das principais propostas da indústria brasileira para o próximo mandato presidencial. Este tópico está destacado como a prioridade no documento que a Confederação Nacional da Indústria (CNI) entregou aos pré-candidatos à Presidência da República, em evento realizado em junho.

No fim do século passado, nosso sistema elétrico era considerado um dos mais eficientes do mundo. Os grandes reservatórios hidrelétricos e um sistema interligado por uma ampla rede de transmissão garantiam a segurança e o baixo custo da eletricidade. Essa situação representava uma importante vantagem competitiva para a economia brasileira e para a indústria.

Infelizmente, esse tempo passou. A energia elétrica, agora, é cara. O recente histórico de intervenções no setor aliado às questões de gestão e de planejamento desestabilizaram o modelo, gerando complexidade, judicialização e enormes passivos financeiros. 

O PL 5017/2019 foi aprovado recentemente na Comissão de Serviços de Infraestrutura do Senado Federal, determinando a criação de mais subsídios e contratações compulsórias de geração que novamente irão aumentar a tarifa de energia, sem que critérios técnicos ou econômicos sejam considerados. 

O novo texto aprovado na Comissão de Serviços de Infraestrutura pegou o setor elétrico de surpresa. Estimativas da Associação Brasileira dos Grandes Consumidores de Energia apontam que o custo acumulado com esses novos penduricalhos da conta de luz chegará a R$ 1,5 trilhão no acumulado na conta de luz até 2057, caso o Congresso Nacional aprove o projeto que prevê a contratação obrigatória de termelétricas a gás e pequenas hidrelétricas, entre outros dispositivos.

Trata-se de um caminho incompatível com a necessidade urgente de reduzir o Custo Brasil. A indústria é o setor da economia mais sensível ao preço dos insumos energéticos, devido à elevada participação da energia no custo total de produção. A racionalização dos encargos, a redução gradual de subsídios que já não se justificam, o aperfeiçoamento da formação de preços e a ampliação da concorrência devem integrar uma agenda consistente de reformas.

O Brasil não pode desperdiçar a vantagem de ter uma das matrizes elétricas mais renováveis e competitivas do planeta. A energia precisa voltar a ser um diferencial para impulsionar a indústria, atrair investimentos e acelerar o crescimento econômico. Isso exige coragem para enfrentar privilégios, revisar subsídios e construir um setor elétrico mais transparente, eficiente e sustentável. Reduzir os penduricalhos da conta de luz não é apenas uma necessidade para os consumidores, mas uma condição indispensável para devolver competitividade à economia brasileira.

*Ricardo Alban é empresário e presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI).

O artigo foi publicado na Folha de S. Paulo, no dia 30 de julho de 2026.

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