
Por: Augusto César Diegoli (acdiegoli@gmail.com)
Cidades áridas
Antes tarde do que nunca. Um projeto de lei na Alesc cria a Política Estadual de Estímulo à Arborização Urbana, para diminuir as ilhas de calor ao mesmo tempo que servem para ampliar a contenção, escoamento e drenagem de águas de chuvas torrenciais. São incontáveis as cidades de SC cuja aridez urbana é espantosa. Entre elas Brusque. Em pesquisa do IBGE, de 2025, sobre a arborização das cidades brasileiras, de acordo com o Censo 2022, ela compareceu como cidade com menos árvores do país nas ruas de seu perímetro urbano. Só 22% dos seus habitantes moram em ruas com árvores. Depois vem Laguna e Tubarão, em 3º, e Florianópolis em 8º. No Brasil, 66% vivem em ruas arborizadas.
Capital da banana
A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania da Câmara dos Deputados aprovou uma série de propostas que criam datas comemorativas e homenageiam cidades, eventos e figuras históricas. Dentre elas o projeto de lei 3119/24, que dá ao município de Corupá, em SC, o título de Capital Nacional da Banana.
Miopia
A miopia já afeta uma em cada três crianças e adolescentes no mundo e pode atingir mais de 740 milhões de jovens até 2050, segundo estudos recentes. Para o presidente da Sociedade Catarinense de Oftalmologia, o diagnóstico precoce é essencial para conter a progressão da doença e reduzir riscos futuros. O tema é destaque no II World Congress on Myopia Control, em julho, em Curitiba, reunindo especialistas internacionais e brasileiros para debater estratégias de prevenção e tratamento.
Funcionários públicos
Agora falta o governador catarinense transformar em lei projeto aprovado na Alesc que proíbe, em repartições públicas estaduais, a fixação daqueles arrogantes e petulantes cartazes de cunho intimidatório fazendo advertência ao público sobre os crimes cometidos contra eles, servidores, com base em três artigos do Código Penal, se forem desacatados. Até poderiam ficar, mas se também incluíssem artigos sobre seus deveres.
Banalização do mal em SC
A banalidade do mal é um conceito da filosofia alemã Hannah Arendt. Parte do conceito de que atrocidades não exigem monstros, mas sim pessoas comuns que deixam de pensar criticamente e passam a obedecer cegamente a regras. Forçando a barra para o nosso quintal, conclui-se que a sociedade está anestesiada e pusilânime diante do que lê, vê e ouve todos os dias no noticiário: vivemos uma epidemia de furtos e isso impacta desde o pequeno comerciante, morador e até o túnel da BR-101. E não acontece nada. Absolutamente nada.
Tarifaço: maioria sofre impacto
Mais um estudo sobre impactos do Segundo Tarifaço na economia catarinense confirma perdas relevantes. O levantamento feito pela empresa de consultoria Bateleur. Ela apurou que o novo tarifaço de 25% pode afetar 72% das exportações catarinenses aos Estados Unidos. O setor madeireiro deverá ser o mais impactado. Mas na lista dos cinco setores mais atingidos estão também os de máquinas e equipamentos mecânicos, máquinas e material elétrico, móveis e iluminação e veículos. O Ceo da Bateleur afirma que a menor incidência de produtos contemplados pelas exceções previstas na medida contribui para que SC apresente uma exposição proporcionalmente superior à média nacional.
Novos mercados
Diante das novas disputas geopolíticas pelo mundo, com as grandes economias limitando espaços nos seus mercados, a Federação das Indústrias (Fiesc), por meio de iniciativas lideradas pelo presidente da entidade, com a participação da presidente do Conselho de Comércio Exterior, busca alternativas para novas vendas. Uma delas foi a missão à Argentina no final do ano passado. Outra, foi a visita oficial à Espanha e Norte da África este ano. Uma das iniciativas será um webinar sobre o acordo Mercosul-Singapura. Outro acordo em negociação é Mercosul e Canadá. Além disso, tem apoio a mais negócios com a União Europeia.
Made in SC
As exportações brasileiras para a União Europeia cresceram US$ 2 bilhões (R$ 10 bilhões) em maio e junho, os dois primeiros meses do acordo comercial entre Mercosul e o bloco europeu que entrou em vigor de forma provisória, segundo levantamento da ApexBrasil. Em um recorte que concentra somente as principais potencialidades, São Paulo soma 127 oportunidades comerciais para produtos do Estado entrarem no mercado europeu, o segundo maior número do país, atrás apenas de Santa Catarina, com 167.
Brasil na final
Quando o mundo viu Ronaldo Fenômeno e Ronaldinho Gaúcho entrando com a cantora Madonna no show do intervalo da decisão da Copa do Mundo, entre Espanha e Argentina, muitos brasileiros pensaram que só assim mesmo para o Brasil estar na final. Pura verdade.
Delírios ambientais
Finalmente, com caçambas despejando pedras, começaram as tão esperadas obras da marina da Avenida Beira Mar Norte, em Florianópolis, com investimento de mais de R$ 300 milhões. Como não mais se questiona o fim de uma floresta urbana que havia ali, impossível de ser reconstituída, nada surpreenderá se o ambientalismo-caviar conseguir novamente (foram tantas vezes) parar o projeto por qualquer outro motivo. Quem sabe o próximo seja o comprometimento do habitat dos baiacus que sempre estiveram por ali? Tudo é possível.
Briga médica
Criada no ano passado com a promessa de emitir títulos de especialista por um caminho não reconhecido pela legislação, a Ordem Médica Brasileira (OMB) protagoniza uma briga judicial contra o Conselho Federal de Medicina (CFM) e a Associação Médica Brasileira (AMB) pelo direito de emitir as certificações. No meio da polêmica está o presidente da OMB que chegou a ter o seu direito de exercer a Medicina suspenso por 30 dias em janeiro, após ser considerado culpado em um processo ético aberto pelo Conselho Regional de Medicina de SC.
Número de taxistas
Com o crescimento dos aplicativos de transporte, o número de taxistas em Brusque diminuiu consideravelmente nos últimos anos. Atualmente, a cidade conta com 18 autorizações ativas, número 65% menor que o registrado em 2019, quando havia 52. Dados do cadastro municipal apontam que o serviço de táxi em Brusque reúne atualmente 72 registros. Desse total, 18 estão ativos, 43 aparecem como inativos, cinco pertencem a permissionários falecidos e seis foram excluídos do cadastro. A redução acompanha a popularização dos aplicativos de transporte, como Uber e 9% que passaram a fazer parte da rotina de moradores e mudam o cenário da modalidade urbana do município. Apesar disso, os dados também indicam que a diminuição no número de taxistas não está ligada a um único fator. Aposentadorias, falecimentos e desligamentos do cadastro também ajudam a explicar a transformação vivida pela categoria nos últimos anos.
Emprego aquecido
Santa Catarina registrou nos primeiros cinco meses de 2026 crescimento econômico de 1% frente aos mesmos meses do ano anterior. É isso que mostra o Índice de Atividade Econômica Regional (ICBR-SC), considerado uma prévia do PIB divulgado pelo Banco Central. O resultado ficou abaixo da média nacional, que alcançou alta de 1,2% no mesmo período. No mês de maio, o desempenho de SC foi um pouco melhor. A atividade cresceu 1,5% na comparação com o mesmo período do ano anterior e foi melhor que a brasileira, que cresceu 0,8%, segundo o índice nacional. Esse indicador é acompanhado mensalmente pela Federação das Indústrias de SC (Fiesc).
Voos cargueiros
O Floripa Airport Cargo, braço direito de logística aérea do Aeroporto Internacional de Florianópolis, que tem como concessionária a Zurich Airport, acaba de alcançar a marca de mil voos internacionais. A viagem número 1000 foi realizada pela Avianca Cargo vinda de Miami (EUA). Os serviços incluem seis rotas exclusivas semanais. Quatro são Miami-Florianópolis e duas Florianópolis-Frankfurt. Os voos para os EUA são operados pela Avianca Cargo e Latam Cargo. E para Frankfurt, são feitos pela Latam Cargo. Um dos diferenciais do Floripa Airport é a agilidade: 80% são cargas liberadas em menos de 24 horas.
JBS investe em SC
A gigante global de alimentos JBS decidiu captar recursos no mercado para ampliar atividades em logística e biodiesel. Obteve, via debêntures, R$ 400 milhões. Desse total, R$ 216,7 milhões virão para Santa Catarina. A companhia informou que R$ 150,9 milhões serão destinados para sua controlada JBS Terminais, operadora do terminal de contêineres do Porto de Itajaí. Os recursos serão utilizados para ampliação e modernização da estrutura do terminal. Além disso, vai destinar R$ 65,8 milhões para ampliar a produção de biodiesel na unidade produtora sediada em Mafra. Esse projeto será executado em 2036.
Olho do furacão
O Pix brasileiro, que movimentou só ano passado R$ 35,4 trilhões, virou um dos alvos do governo do Estados Unidos, entre outros motivos, por desafiar o controle financeiro de Washington sobre a infraestrutura brasileira de pagamentos eletrônicos. A avaliação é de especialistas em economia e relações internacionais consultadas pela Agência Brasil. A razão do governo Trump para incluir o Pix entre as justificativas para o tarifaço de 25% seria, em primeiro lugar, geopolítica, e não estritamente econômica motivada pela concorrência com empresas dos EUA como Visa, MasterCard ou Whatsapp Pay. O ataque ao Pix tem relação direta com a perda de poder e controle dos EUA sobre o sistema financeiro brasileiro.
Nova fase da Fakini
A moderna e importante loja recém-instalada em frente à fábrica é um dos símbolos de uma nova fase da Fakini, indústria têxtil de Pomerode que é uma das referências em moda infantil em SC. Inaugurada na última semana, a estrutura de 1,1 mil metros quadrados é cinco vezes maior que a anterior, tem playground para crianças, vai receber um café com produtos típicos da cidade mais alemã do Brasil e servirá de vitrine para as três marcas da companhia: Fakini, Angel e Aurus, as duas últimas voltadas, respectivamente, aos públicos feminino e masculino adulto.
Megaobra em Balneário Piçarras
A megaobra de alargamento de praia realizada em Balneário Piçarras, que foi concluída em abril deste ano, pode valorizar os imóveis da região em quase 40%. É o que indica um estudo internacional da Appraisal Institute aplicado ao cenário da cidade do Litoral Norte catarinense e divulgado pela incorporadora Vetter. De acordo com o estudo da Appraisal Institute, maior associação de avaliadores imobiliários dos Estados Unidos, a projeção é de um ciclo forte de valorização imobiliária com a entrega da nova faixa de areia. A mesma metodologia já havia embasado as projeções de valorização em Balneário Camboriú e Itapema também em SC, que passaram por obras semelhantes. O modelo matemático baseado no estudo projeta que os imóveis locais, especialmente os situados próximos à orla, podem registrar valorização de quase 40% decorrente da ampliação da faixa de areia. O estudo norte-americano relaciona a largura da praia ao preço dos imóveis.
Resolvendo conflitos sem judicializar
Sai de cena o advogado que só ajuíza, entra em cena o advogado capacitado e dotado de habilidades para gerir e resolver conflitos dos clientes. A Mediação é utilizada há décadas nos Estados Unidos e em diversos outros países com muito sucesso, onde se tem a cultura de resolver conflitos em tempo recorde. Já no Brasil, ainda prevalece a cultura da judicialização, mesmo com a Lei da Mediação em vigor e o CPC tendo a instituído como etapa obrigatória no processo judicial. Por aqui, os cursos de Direito não preparam o advogado para essa nova cultura. Por isso, a nossa proposta é justamente conferir novas habilidades ao advogado, capacitando-o para a obtenção de resultados para o cliente mediante a Mediação. É mais rápido e eficaz.
Qualidade de vida x impactos econômicos
O debate sobre o fim da escala 6x1 mobiliza entidades de Brusque e região e reúne posições distintas entre representantes dos trabalhadores e do setor produtivo. Das 13 entidades, sete sindicatos manifestaram apoio à redução da jornada sem diminuição salarial. Outras cinco entidades empresariais apontaram preocupações com os impactos econômicos e operacionais da proposta, enquanto um sindicato defendeu a construção de soluções para adaptar a mudança à realidade dos setores produtivos. As manifestações abordam possíveis reflexos em áreas como indústria, comércio, construção civil e serviços. As avaliações apresentadas vão desde benefícios relacionados à saúde e à qualidade de vida dos trabalhadores até desafios ligados à organização das empresas, aos custos operacionais e à manutenção da competitividade.
Tempo no trânsito
Saiu um ranking das capitais brasileiras com mais tempo perdido no trânsito. A grande surpresa é que este título pertence a Curitiba, sempre vista como exemplo em mobilidade no país. O ranking Tom Tom Traffic Index de 2025, organizado pela empresa holandesa Tom Tom, aponta que o motorista curitibano perde 135 horas por ano em congestionamentos. Seguem São Paulo (132), Recife (130), Belo Horizonte (130) e Porto Alegre (125). Outra surpresa é a ausência de Florianópolis entre os 10 piores. Até 2020 era tida como a capital com pior mobilidade.
Proteção às vítimas
Não há hoje, em SC, nenhum levantamento consolidado sobre quantos filhos ficaram órfãos após feminicídios no Estado. O MP-SC e a Polícia Científica estão se entendendo para que, juntos, se faça a devida identificação, em seguida, se viabilize o acesso deles à rede de proteção. O que se sabe é que 45,9% das mulheres vítimas de feminicídio em 2025 tinham filhos em comum com o agressor, mas sem detalhamento sobre quantos são ou em que situação se encontram.
Memória
Luciano Hang tem uma percepção que faltou e está faltando aos grandes empresários de SC: preservar a memória de suas organizações. Para comemorar os 40 anos da rede varejista, foi inaugurado o Museu Havan, em seu centro administrativo, em Brusque. Enquanto isso, algumas notáveis empresas, algumas mais que centenárias, jogam sua história para o limbo do esquecimento. Lamentável.
Brusque poderá ter 250 mil habitantes até 2050
Um diagnóstico sobre Habitação para o Desenvolvimento Econômico de Brusque foi apresentado pelo Instituto de Desenvolvimento Econômico Local, a Federação das Associações Empresariais de SC (Facisc) e a Prefeitura de Brusque. A proposta foi discutir como o planejamento urbano e as políticas habitacionais podem impactar diretamente o crescimento econômico do município. O estudo apresentou dados sobre o crescimento populacional, o déficit habitacional, a expansão da construção civil e a necessidade de integração entre a oferta de moradias e as demandas do setor produtivo. De acordo com o diagnóstico, Brusque poderá ultrapassar 250 mil habitantes até 2050. Atualmente, o município possui um déficit habitacional estimado de 4,6 mil moradias. Esse número poderá chegar até 7,8 mil domicílios em déficit nas próximas décadas.
Água mineral de SC
A história de uma das maiores empresas brasileiras do setor de água mineral, que tem marca inspirada em visita imperial, começou com uma mudança de carreira. Após encerrar sua trajetória como jogador de futebol, com passagem pelo Coritiba, Santos e Grêmio, o catarinense Oberdan Vilain identificou no início dos anos 1980, uma oportunidade em um mercado ainda pouco explorado: a distribuição de água mineral. Essa decisão resultou na empresa que cresceu e se tornou o Grupo JAN, dono das marcas Água Mineral Imperatriz, Da Guarda, Água Pura e JAN Distribuidora. A marca Imperatriz foi inspirada na visita da Imperatriz Teresa Cristina e do Imperador Dom Pedro II em 1845, que se hospedaram no Hotel Caldas da Imperatriz. Depois deu nome ao município e a água mineral.
Projetos imobiliários
Maior edifício residencial do mundo em construção com 157 andares e 550 metros de altura, o Senna Tower não deve ser o único empreendimento imobiliário a carregar o nome de Ayrton Senna. A Senna Brands, empresa que gerencia a marca do lendário ex-piloto, considera replicar o mesmo tipo de parceria feita com a FG Empreendimentos, responsável pelo prédio em Balneário Camboriú, em outros projetos, até mesmo no exterior. O Senna Tower não será o único, mas é o primeiro. Era fundamental começar pelo Brasil, pelo simbolismo. Ainda não há outros projetos na mira ou engatilhados por enquanto. Mas, Balneário Camboriú deve funcionar na prática como um cartão de visitas neste sentido.
Menos vagas
O projeto de revitalização do Centro de Florianópolis prevê a redução de 2,5% das vagas de estacionamento por ano. O documento, divulgado pela Prefeitura, fruto do projeto realizado pelo escritório do dinamarquês Jan Gehl, aponta que a resistência à retirada de vagas exige dados e estratégias que desincentivem trazer o carro para o centro e demonstrem benefícios. A aposta é caminhada, bicicleta e, principalmente, no transporte coletivo com o BRT em corredores exclusivos de ônibus.
O total de dinheiro esquecido em bancos e outras instituições financeiras chegou a R$ 5,65 bilhões em julho, segundo dados divulgados pelo Banco Central (BC) nesta terça-feira (8). O valor representa alta em relação aos R$ 5,12 bilhões registrados em junho.
Do montante disponível, R$ 4,25 bilhões pertencem a 23,57 milhões de pessoas físicas. Outros R$ 1,40 bilhão podem ser resgatados por aproximadamente 2,19 milhões de empresas.
Os recursos podem ser consultados gratuitamente pelo Sistema de Valores a Receber (SVR), serviço do Banco Central que permite localizar valores deixados em bancos, administradoras de consórcios, cooperativas, instituições de pagamento e outras empresas do sistema financeiro.
Maioria recebe pouco
Apesar do volume bilionário disponível, a maior parte dos beneficiários tem valores relativamente baixos para resgatar.
Segundo o Banco Central:
69,45% têm entre R$ 0,01 e R$ 10;
18,97% têm entre R$ 10,01 e R$ 100;
9,35% têm entre R$ 100,01 e R$ 1 mil;
apenas 2,22% têm mais de R$ 1 mil.
Os valores podem ter diferentes origens, como contas encerradas com saldo, tarifas cobradas indevidamente, recursos de consórcios encerrados e cotas de cooperativas de crédito.
Onde estão
Os bancos concentram a maior parcela dos recursos ainda disponíveis. Administradoras de consórcios e cooperativas aparecem na sequência.
O dinheiro está distribuído da seguinte forma:
Bancos: R$ 2,38 bilhões;
Administradoras de consórcio: R$ 1,96 bilhão;
Cooperativas: R$ 762,7 milhões;
Instituições de pagamento: R$ 353,4 milhões;
Financeiras: R$ 114,6 milhões;
Corretoras e distribuidoras: R$ 69,4 milhões;
Outras instituições: R$ 4,5 milhões.
Total devolvido
Desde a criação do Sistema de Valores a Receber, o Banco Central já devolveu mais de R$ 16 bilhões aos titulares.
Até julho, cerca de R$ 11,9 bilhões haviam sido destinados a pessoas físicas e aproximadamente R$ 4,2 bilhões, a empresas.
Somando os valores já devolvidos ao estoque que continua disponível, o sistema identificou cerca de R$ 21,8 bilhões em recursos a receber.
Em julho, aproximadamente R$ 323 milhões foram resgatados.
Remanejamento para Desenrola
Parte dos recursos que estavam disponíveis no sistema foi utilizada pelo governo federal para programas de renegociação de dívidas.
Valores cujos direitos foram repassados à União foram destinados ao Fundo Garantidor de Operações (FGO), usado para viabilizar garantias em programas como o Desenrola.
A movimentação desses recursos contribuiu para a redução do estoque disponível nos meses anteriores. Em julho, porém, o montante voltou a subir.
Como consultar
A consulta pode ser feita gratuitamente no Sistema de Valores a Receber do Banco Central. Na consulta inicial, o cidadão informa o Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) e data de nascimento. Empresas devem utilizar o Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) e os dados pedidos pelo sistema.
Caso existam valores disponíveis, é necessário acessar o sistema com uma conta Gov.br de nível prata ou ouro para solicitar o resgate.
O correntista deve seguir os seguintes procedimentos:
Acessar o Sistema de Valores a Receber;
Informar CPF e data de nascimento ou CNPJ;
Consultar a existência de valores;
Entrar no sistema com uma conta Gov.br de nível prata ou ouro;
Ler e aceitar o termo de responsabilidade;
Conferir o valor e a instituição responsável pela devolução;
Pedir o pagamento conforme as opções apresentadas.
Quando disponível a opção Solicitar por aqui, o dinheiro pode ser devolvido por Pix. Para quem não possui Pix ou não pode utilizar essa modalidade, o sistema apresenta a alternativa de contato direto com a instituição financeira.
Resgate automático
Desde maio de 2025, pessoas físicas também podem habilitar o pedido automático de devolução de valores a receber.
A adesão é facultativa. Para utilizar a funcionalidade, é necessário ter uma conta Gov.br de nível prata ou ouro, com a verificação em duas etapas ativada, além de uma chave Pix vinculada ao CPF.
Com a função habilitada, os valores elegíveis são depositados automaticamente na conta cadastrada, sem a necessidade de uma nova requisição a cada recurso identificado.
Atenção aos golpes
O Banco Central alerta que o serviço é gratuito e que a consulta deve ser feita exclusivamente pelos canais oficiais.
O BC não envia links nem entra em contato para solicitar dados pessoais ou senhas relacionados aos valores a receber. O cidadão também não deve fazer pagamentos para liberar o dinheiro.
Entre as principais recomendações estão:
não clicar em links recebidos por SMS, WhatsApp, Telegram ou e-mail;
não fornecer senhas ou códigos de autenticação;
não pagar taxas para receber os valores;
conferir a instituição responsável diretamente no SVR;
utilizar somente os canais oficiais do Banco Central.
O sistema também permite consultar valores de pessoas falecidas. Nesse caso, o acesso é restrito a herdeiros, testamentários, inventariantes ou representantes legais, que precisam cumprir as exigências previstas pelo sistema.


A indústria brasileira clama às autoridades: é preciso bom senso e responsabilidade na condução do Brasil, que vive um momento crucial. Há extrema preocupação com os rumos que o país pode tomar diante dos recentes acontecimentos amplamente divulgados. Tais fatos exigem uma reação institucional vigorosa, de forma justa e responsável.
A República enfrenta um teste de integridade inédito. As sucessivas crises que ocorrem em Brasília colocam as instituições em risco. Os recorrentes episódios podem lançar o Brasil num momento de especial gravidade, pois a confiança da população nos poderes públicos é alicerce da democracia.
Nesse momento delicado, alertamos às autoridades sobre a necessidade de os próximos passos terem equilíbrio e atenção, pensando sempre no Brasil e no povo brasileiro em primeiro lugar. É preciso que cada decisão leve em conta a importância de o país buscar mais competitividade e produtividade, de preservar e criar mais e melhores empregos, de tornar o Brasil cada vez mais forte.
A convivência social pacífica depende da atuação diária, imparcial e equilibrada da Justiça. Para lidar com o ineditismo da situação, as discussões devem ser livres, públicas e transparentes, dando ampla oportunidade para os esclarecimentos devidos. O Brasil que queremos construir precisa despertar esperança, inspirar confiança e apontar um caminho para o futuro por meio de bons exemplos.
Não podemos deixar que questões políticas, eleitorais ou crises institucionais travem o desenvolvimento. Não podemos, mais uma vez, perder as oportunidades de crescimento no cenário internacional.
Esse é um momento decisivo de inflexão no qual cada movimento é importante para planejarmos e acreditarmos que o Brasil possa ser próspero para os jovens, com oportunidades econômicas e sociais. Precisamos e devemos manter a esperança e a fé de todos os brasileiros e brasileiras.
Por isso, convocamos todos os poderes constituídos, empresários e trabalhadores pelo consenso em torno de temas estratégicos para o país, como o estabelecimento de metas fiscais e políticas econômicas estruturantes que possam garantir investimentos e crescimento econômico. Isso só se dará de forma justa, com amplo direito à defesa, sem que haja qualquer influência político-partidária.
Definitivamente, somos todos brasileiros e brasileiras e devemos continuar acreditando que vale a pena.
Ricardo Alban, presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI)
Conhecida nacionalmente pela forte tradição fabril na área têxtil e por um comércio atacadista e varejista altamente competitivo no setor e um pib per capita acima da média brasileira e do próprio estado, de mais de R$ 78,3 mil por habitante (IBGE), Brusque (SC) recebeu cerca de 14 mil novos moradores em apenas cinco anos, entre 2017 e 2022. O movimento ampliou a demanda por moradia e tem aberto espaço para novos projetos imobiliários. O dado dos novos moradores faz parte de diagnóstico divulgado pela Prefeitura de Brusque. A JH Marketing, agência de comunicação estratégica voltada para o segmento e que iniciou a sua trajetória no ramo do varejo contribuindo para alavancar a marca Havan (nativa de Brusque) para o cenário nacional, quadruplicou a sua operação no setor imobiliário na cidade e tem contratos que superam R$ 450 milhões em Valor Geral de Vendas (VGV) em lançamentos previstos até dezembro de 2026.
Para Jordan Hang, fundador do Grupo JH e estrategista de marketing e vendas de renome nacional, o avanço populacional e econômico exige mais precisão na hora de definir novos produtos. “Brusque cresce com uma base econômica muito forte e continua atraindo novos moradores. Isso cria oportunidades, mas também aumenta a necessidade de entender qual produto lançar, para quem, em que região e em qual faixa de preço. Crescer o número de empreendimentos sem essa leitura pode gerar um descompasso entre oferta e demanda”, afirma.
Nos últimos meses, a operação da JH na cidade registrou incremento de 60% no VGV de empreendimentos sob sua gestão. A empresa atua desde a análise de mercado e definição do produto, o perfil comportamental do alvo e de todos os envolvidos no processo até o posicionamento, a estratégia de lançamento, a divulgação e a estrutura comercial, física e humana dos empreendimentos. A expansão em Brusque acompanha um planejamento voltado a cidades com crescimento demográfico e econômico e que passam a exigir estruturas mais organizadas para absorver novos projetos.
“Hoje, uma operação de lançamento precisa começar muito antes da campanha publicitária. É necessário ouvir, pesquisar, analisar dados, entender o comprador, quem pode influenciar a compra e estruturar produto, preço e comercialização de forma integrada, bem como, a ação de marketing mais adequada. Não se trata de acompanhar modas, nem de contratar a celebridade “”o momento”, nem novos aplicativos tecnológicos, trata-se de entender o que, de fato, cabe para cada negócio. Foi esse estudo e o comprometimento que temos com nossos clientes, focados em resultados, que nos levou a ampliar a presença em Brusque e chegar a uma carteira de R$ 450 milhões em lançamentos previstos somente para a cidade até o fim do ano”, completa Jordan.
A dinâmica também aparece em outros municípios do Vale do Itajaí, onde a JH já atrai novos clientes ee monitora o crescimento. Blumenau e Indaial, por exemplo, avançam ao longo do eixo da BR-470, com loteamentos e condomínios que buscam atender a expansão das indústrias e do setor de tecnologia.
Sobre a JH Marketing
A JH Marketing é uma empresa brasileira especializada em gestão estratégica de lançamentos imobiliários, com foco em atender construtoras e incorporadoras para aumentar a performance e a valorização da marca. Fundada por Jordan Hang, referência nacional em marketing e vendas, a empresa desenvolve planos personalizados que integram planejamento de alta complexidade, com soluções que envolvem a tecnologia e o humano. Atuam desde a concepção do produto até o posicionamento no mercado. Reconhecida por sua metodologia e sistemas exclusivos, a JH Marketing transforma empreendimentos em marcas desejadas e rentáveis.
Crédito: Jordan Hang


Novas tecnologias, industrialização, eficiência, sustentabilidade e sistemas construtivos mais avançados estarão entre os principais temas da quinta edição da Feira Construir Aí, que ocorre de 8 a 11 de setembro, no Expocentro, em Balneário Camboriú. O evento deve reunir mais de 230 expositores, receber 35 mil visitantes e movimentar cerca de R$ 500 milhões em negócios. O Fischer Group, responsável pelo primeiro projeto de “edifício-árvore” do Brasil, está entre as empresas que apoiam institucionalmente a iniciativa por meio do Sinduscon de Balneário Camboriú. O apoio reforça a importância da integração entre os diferentes agentes da cadeia da construção civil para o desenvolvimento do setor.
Para o grupo, iniciativas que aproximam construtoras, projetistas, engenheiros, fornecedores e especialistas contribuem para ampliar a troca de conhecimento em um momento de evolução dos sistemas construtivos e de projetos cada vez mais complexos. A programação da Construir Aí terá, no dia 8 de setembro, a partir das 14h, palestra do botânico e paisagista Ricardo Cardim sobre natureza e sustentabilidade. Cardim também está ligado ao Auris Residenze, do Fischer Group, primeiro projeto de “edifício-árvore” do país, e é responsável pelo paisagismo das garagens e acessos do empreendimento, com seleção de espécies que leva a biofilia também a espaços tradicionalmente funcionais. Em Balneário Camboriú, esse intercâmbio ganha relevância diante de temas como eficiência energética, desempenho das edificações, paisagismo e sustentabilidade.
“A evolução da construção civil depende da troca entre diferentes áreas e empresas. Engenharia, materiais, eficiência energética, sustentabilidade e sistemas prediais avançam quando existe um ambiente que favorece o conhecimento e integração entre os profissionais do setor. Por isso, consideramos importante apoiar iniciativas que ampliem esse diálogo e apresentem novas soluções para a construção”, afirma Thomas Fischer, diretor de operações (COO) do Fischer Group.
Essa busca por soluções técnicas aparece em projetos do grupo, como o Auris Residenze, primeiro “edifício-árvore” do Brasil. Com 26 apartamentos e mais de 130 metros de altura, o empreendimento assinado pelo escritório italiano Archea Associati foi concebido com arquitetura biofílica, fachada estrutural aparente, sistemas de renovação de ar, reaproveitamento de águas cinzas e pluviais e soluções projetadas para reduzir em até 42% o consumo de ar-condicionado. O projeto segue padrões internacionais das certificações WELL e LEED.
O portfólio do Fischer Group inclui ainda o Terraço Boa Vista, além de novos projetos que devem ser apresentados ao mercado nos próximos meses e que refletem a atuação da empresa no desenvolvimento de empreendimentos residenciais sustentáveis e de alto padrão em Balneário Camboriú. “Nosso objetivo é que cada novo projeto incorpore aprendizados técnicos, soluções mais eficientes e uma leitura cada vez mais atual das transformações da construção civil e das cidades”, conclui Thomas Fischer.
Sobre o Fischer Group
Focado em projetos ousados e visão empreendedora marcada por gerações, a história do Fischer Group tem relação direta com o desenvolvimento da cidade catarinense de Balneário Camboriú, e iniciou na década de 50 com a inauguração do primeiro hotel de luxo da cidade, o Hotel Fischer, um marco para hotelaria local e nacional na época e que recebeu grandes personalidades públicas e celebridades. A marca Fischer seguiu em renovação e, por meio de especializações e estudos intensos no Brasil e no exterior, trouxe na terceira e na quarta geração, a missão de propagar o “novo luxo” diretamente relacionado à qualidade de vida. Por meio de parcerias com grandes marcas da construção civil, executou empreendimentos diferenciados e de alto padrão como o Terraço Boa Vista e o Fischer Dreams, que está sendo erguido no mesmo local do antigo hotel, além de estar desenvolvendo projetos como o Casa Cubo e o Casa Estaleiro. Auris Residenze entra no mercado como uma “obra-prima da arquitetura viva" e consolida ainda mais o Fischer Group no mercado de empreendimentos ao estilo “boutique”.
https://aurisresidenze.com/ | https://www.fischergroup.com.br/
As novas regras ambientais da União Europeia (UE) estão transformando sustentabilidade, rastreabilidade e transparência em requisitos para empresas que desejam acessar ou permanecer em cadeias de fornecimento do mercado europeu. Para a indústria catarinense, o movimento exige preparação, especialmente de setores exportadores e de empresas que exportam componentes, matérias-primas e produtos para clientes europeus.
“Para a indústria catarinense, o Pacto Verde Europeu não deve ser visto apenas como uma exigência regulatória, mas como uma nova condição de inserção nas cadeias globais de valor. As empresas precisam estar preparadas para fornecer dados confiáveis sobre seus produtos”, afirma Maria Teresa Bustamante, presidente do Conselho de Comércio Exterior da Federação das Indústrias de Santa Catarina (FIESC).
Um dos principais instrumentos dessa transformação é o Passaporte Digital do Produto (DPP), previsto pelo Regulamento de Concepção Ecológica para Produtos Sustentáveis (ESPR). A ferramenta funcionará como uma identidade digital do produto, reunindo informações verificáveis sobre aspectos como composição, origem das matérias-primas, impactos ambientais, durabilidade, reparabilidade e possibilidade de reutilização e reciclagem.
Na prática, mesmo empresas que não exportam diretamente para a Europa podem ser demandadas por seus clientes a fornecer informações sobre seus produtos e processos para que eles atendam às exigências europeias.
Setores catarinenses precisam se preparar
As exigências serão implementadas gradualmente e abrangem segmentos com forte presença em Santa Catarina, como têxtil e vestuário, siderurgia, alumínio, móveis e tecnologia, entre outros.
O impacto vai além da adequação ambiental. As empresas precisarão ter capacidade de rastrear informações, organizar dados e comprovar características dos produtos, o que envolve também fornecedores e demais integrantes da cadeia produtiva.
Como se adequar
A preparação deve começar antes da entrada em vigor das exigências para cada setor. Entre as principais medidas estão:
- Mapear a cadeia de fornecedores e a origem das matérias-primas, ampliando a rastreabilidade;
- Estruturar e digitalizar dados sobre produtos, processos e impactos ambientais;
- Medir e reduzir a pegada de carbono, com investimentos em eficiência e descarbonização;
- Adequar produtos aos princípios de economia circular, como durabilidade, reparabilidade e reciclabilidade;
- Garantir que as informações possam ser comprovadas, evitando declarações de sustentabilidade sem respaldo técnico.
Federação das Indústrias de Santa Catarina - FIESC
Gerência de Comunicação


O desempenho da indústria de transformação no segundo trimestre de 2026 reforça o cenário de perda de espaço da indústria na economia brasileira e acende um alerta para
os próximos meses. A avaliação é da Confederação Nacional da Indústria (CNI), que aponta os juros elevados e o avanço das importações como alguns dos principais fatores por trás do resultado.
De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Produto Interno Bruto (PIB) da indústria de transformação recuou 0,4% no segundo trimestre. Considerando os quatro trimestres encerrados no período, a queda chega a 1,1%. Em 2025, o setor já havia registrado retração de 0,2%.
Para a CNI, o desempenho negativo reflete principalmente o impacto das taxas de juros ainda elevadas, mesmo diante do processo de flexibilização da Selic, e a entrada crescente de produtos importados no mercado brasileiro.
O volume de importações de bens de consumo aumentou 16% no primeiro semestre de 2026, na comparação com o mesmo período do ano anterior.
“Os juros altos desestimularam os investimentos, encareceram o crédito aos consumidores, aumentando o endividamento e a inadimplência das pessoas e, consequentemente, restringiram a demanda por bens industriais. Esse quadro se agrava com a forte entrada das importações, que acabam por capturar grande parte dessa demanda em queda”, avalia Mario Sergio Telles, diretor de Desenvolvimento Industrial da CNI.
Indústria extrativa evita resultado ainda pior
O desempenho negativo não ficou restrito à indústria de transformação. No segundo trimestre, a indústria da construção também recuou 0,4%, enquanto o segmento de eletricidade e gás, água e esgoto registrou queda de 1,1%.
O resultado geral da indústria só não foi negativo devido ao desempenho da indústria extrativa, único segmento a apresentar crescimento no período, com alta de 3,4%. O avanço da atividade extrativa, porém, não foi suficiente para compensar as perdas dos demais segmentos e mudar o cenário de enfraquecimento da indústria de transformação.
Outro ponto de preocupação para a CNI é a perda de competitividade dos produtos nacionais diante do avanço das importações. Segundo o Indicador Ipea de Consumo Aparente, a demanda por bens produzidos no Brasil caiu 1,2% em 12 meses até maio de 2026. No mesmo período, a procura por produtos importados aumentou 2,6%.
O movimento ocorre em um momento de retração do consumo das famílias. De acordo com o IBGE, o consumo das famílias caiu 0,4% no segundo trimestre. Para a CNI, a combinação entre menor demanda e aumento da participação dos produtos estrangeiros amplia a pressão sobre a indústria brasileira.
A retração do consumo também chama atenção porque ocorre apesar do crescimento contínuo da massa de rendimento das famílias. Para a entidade, o comportamento indica que parte da renda disponível está sendo comprometida com outras despesas, especialmente com o pagamento de dívidas.
CNI vê cenário de maior incerteza para o restante do ano
As perspectivas para a indústria de transformação são consideradas preocupantes pela CNI. Além dos juros e da concorrência com produtos importados, a entidade cita medidas que, em sua avaliação, podem ampliar as incertezas para o setor produtivo.
Entre elas estão a redução da jornada de trabalho, a eliminação do Imposto de Importação sobre compras de até US$ 50 e o tabelamento do frete. Diante desse cenário, a CNI avalia que poderá revisar a projeção de crescimento de 0,5% para a indústria de transformação em 2026, estimativa feita no final do ano passado.
A eventual revisão para baixo refletiria a combinação de demanda mais fraca, custos elevados de financiamento, menor competitividade e aumento da participação dos produtos importados no mercado brasileiro.
Na avaliação da CNI, a flexibilização da taxa de juros é uma medida correta, mas ainda insuficiente diante do elevado nível das taxas praticadas no país. A entidade também defende uma agenda estrutural de competitividade como forma de recuperar espaço para a indústria nacional.
Nesse sentido, a redução do chamado Custo Brasil e a criação de condições mais equilibradas de competição com produtos estrangeiros são apontadas como medidas essenciais para fortalecer a produção brasileira.
Para a CNI, a recuperação da indústria depende não apenas de condições financeiras mais favoráveis, mas também de mudanças estruturais capazes de reduzir custos, estimular investimentos e melhorar a capacidade de competição das empresas brasileiras.
O desempenho do segundo trimestre, portanto, reforça o desafio de evitar que a perda de participação da indústria na economia brasileira se aprofunde ao longo de 2026.


Criado pela reforma tributária, o Imposto Seletivo (IS), apelidado como "imposto do pecado", deverá arrecadar R$ 41,9 bilhões em 2027. A previsão foi incluída no Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA), enviado nesta segunda-feira (31) ao Congresso Nacional.
O tributo será aplicado a produtos e atividades considerados prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente. Entre eles estão cigarros, bebidas alcoólicas, refrigerantes, alguns tipos de veículos, além da extração de bens minerais, loterias, apostas e jogos de fantasy sports.
A cobrança começa em 2027, mas a regulamentação do imposto ainda precisa ser aprovada pelo Congresso. O governo ainda não enviou a proposta específica que definirá as regras de funcionamento do tributo.
Produtos taxados
A lista prevista para o Imposto Seletivo inclui:
Cigarros e outros produtos de tabaco;
Bebidas alcoólicas;
Refrigerantes e outras bebidas açucaradas;
Veículos, conforme características e nível de emissão de poluentes;
Extração de bens minerais;
Loterias e apostas;
Bets e fantasy sports.
Segundo o Ministério da Fazenda, a estratégia inicial é preservar, durante o período de transição, uma carga tributária semelhante à atualmente aplicada aos produtos. Em uma etapa posterior, as alíquotas poderão ser elevadas pelo chamado efeito regulatório, com o objetivo de desestimular o consumo de produtos considerados nocivos.
Em entrevista coletiva para explicar o PLOA de 2027, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que a estimativa de arrecadação busca preservar a carga atual incidente sobre setores que são tributados pelo Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI).
No caso das apostas, a tributação será uma novidade, porque as chamadas bets não estão sujeitas ao IPI. Segundo Durigan, o governo pretende evitar uma alíquota tão baixa que seja irrelevante ou tão alta que estimule a migração das plataformas para a ilegalidade.
Impacto na saúde
O governo utiliza também argumentos relacionados aos custos provocados pelo consumo desses produtos para justificar a tributação.
Segundo o Ministério da Saúde, um estudo da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) estimou que o consumo de álcool gerou, em 2019, R$ 18,8 bilhões em custos. Desse total, R$ 1,1 bilhão correspondeu a despesas federais diretas com hospitalizações e procedimentos ambulatoriais no SUS.
No caso do tabagismo, as doenças relacionadas ao consumo de cigarros geram R$ 153,5 bilhões em custos anuais, segundo estimativa do Ministério da Saúde. O valor inclui despesas diretas e perdas de produtividade.
Os números apresentados pelo Ministério da Saúde mostram ainda que:
R$ 86,3 bilhões são custos indiretos associados ao tabagismo;
R$ 8 bilhões são arrecadados anualmente em tributos federais sobre cigarros;
R$ 3 bilhões são os custos estimados ao SUS com doenças relacionadas ao consumo de bebidas ultraprocessadas, como refrigerantes.
Reforma tributária
O Imposto Seletivo integra o novo sistema de tributação sobre o consumo aprovado pelo Congresso em 2023 e regulamentado posteriormente. A implementação ocorrerá de forma gradual, com transição prevista até 2033.
A partir de 2027, o IS passará a coexistir com a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), que substituirá o Programa de Integração Social (PIS) e a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e parte do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI).
No Orçamento de 2027, o governo estima R$ 636 bilhões de arrecadação com a CBS. Somados aos R$ 41,9 bilhões previstos para o Imposto Seletivo, os dois novos tributos devem gerar R$ 677,9 bilhões no próximo ano.
A previsão de receitas com os novos tributos é considerada importante para o equilíbrio das contas públicas durante a transição para o novo modelo tributário.
Críticas do setor
Produtores dos segmentos atingidos pelo Imposto Seletivo alegam que cigarros, bebidas alcoólicas e outros produtos têm elevada carga tributária no Brasil.
Representantes do setor avaliam que aumentos adicionais podem reduzir margens de lucro e provocar repasses aos preços. Também apontam riscos de demissões e crescimento do mercado ilegal caso a tributação seja considerada excessiva.
O governo, por outro lado, sustenta que o Imposto Seletivo terá não apenas função arrecadatória, mas também regulatória, justamente para reduzir o consumo de produtos com impactos negativos sobre a saúde e o meio ambiente.


Uma nova regra do Pix amplia, a partir desta terça-feira (1º), de 30 para 80 dias o prazo para contestar uma devolução realizada pelo Mecanismo Especial de Devolução (MED) quando houver suspeita de fraude. A mudança foi estabelecida pelo Banco Central e busca proteger principalmente comerciantes, prestadores de serviço e pequenos negócios vítimas de golpes que usam o próprio sistema de segurança do Pix.
O novo prazo vale para quem recebeu um Pix de forma legítima, mas teve o dinheiro devolvido posteriormente por causa de uma contestação considerada fraudulenta. A contagem começa na data da devolução feita pelo MED.
O prazo para quem enviou um Pix e foi vítima de fraude continua sendo de 80 dias, contados a partir da transação original.
Dois prazos
Com a mudança, há duas situações distintas em que o prazo é de 80 dias:
Vítima que enviou o Pix: tem até 80 dias a partir da transferência para pedir o MED;
Recebedor que sofreu devolução indevida: tem até 80 dias a partir da devolução para contestá-la.
A alteração está prevista na Instrução Normativa BCB 766, que atualizou o Manual Operacional do Diretório de Identificadores de Contas Transacionais (DICT), integrante das regras do Pix.
Golpe contra lojistas
A mudança mira uma fraude que explora o mecanismo de proteção do Pix.
O golpista pode fazer um pagamento para uma loja ou prestador de serviço e, depois, alegar que transferiu o dinheiro por engano. Ele pede que o comerciante devolva o valor por uma nova transferência, muitas vezes para uma chave diferente.
Depois, o criminoso aciona o MED no próprio banco e afirma que o pagamento original foi resultado de fraude. Se a contestação for aceita e houver saldo disponível, o valor pode ser devolvido pelo banco.
Nesse cenário, o comerciante pode acabar perdendo dinheiro duas vezes: primeiro ao fazer uma nova transferência e depois com a devolução do Pix original.
Por isso, a recomendação é utilizar a função de devolução vinculada à própria transação no aplicativo do banco, em vez de fazer um novo Pix para uma chave informada pela outra pessoa.
Como funciona
O MED foi criado para facilitar a recuperação de valores em casos de fraude, golpe, crime ou falha operacional. O mecanismo, porém, não serve para cancelar qualquer Pix.
Não estão incluídos casos como:
arrependimento de uma compra;
erro de valor cometido pelo próprio usuário;
erro na escolha da chave Pix;
simples desacordo comercial sem indício de fraude.
Ao identificar uma fraude, o usuário deve procurar o banco e solicitar a abertura do MED. As instituições analisam o caso e, no fluxo de fraude, têm até sete dias para verificar se há indícios de irregularidade.
Se a fraude for confirmada, a devolução depende da existência de recursos disponíveis nas contas envolvidas e pode ser total ou parcial.
MED 2.0
A ampliação do prazo ocorre em meio à implantação do chamado MED 2.0, versão mais robusta do mecanismo de devolução.
Desde fevereiro de 2026, o sistema permite rastrear o caminho percorrido pelo dinheiro depois que ele é transferido para outras contas. Antes, a recuperação ficava mais concentrada na conta que havia recebido originalmente os recursos.
O novo modelo pode aumentar as chances de bloqueio e recuperação mesmo quando o dinheiro é movimentado entre diferentes contas. A devolução, entretanto, não é garantida: se os recursos já tiverem sido sacados, transferidos novamente ou não houver saldo disponível, a recuperação pode ser prejudicada.
Uma etapa adicional de comunicação entre as instituições, inicialmente prevista para agosto, foi adiada para 26 de outubro. Segundo o Banco Central, a alteração não muda o funcionamento do rastreamento já disponível.
Se cair no golpe
Quem perceber que foi vítima de fraude deve procurar o banco o mais rápido possível, mesmo que ainda esteja dentro do prazo de 80 dias. A rapidez aumenta a possibilidade de encontrar recursos disponíveis para bloqueio.
Também é importante guardar:
comprovante da transferência;
conversas e mensagens;
anúncios ou documentos relacionados à negociação;
dados da conta que recebeu o dinheiro;
outros registros que possam comprovar a fraude.
Dependendo do caso, também é recomendável registrar um boletim de ocorrência.
O gás natural pode contribuir para diferentes etapas da operação industrial, desde o fornecimento de energia para processos térmicos até a gestão de espaços, logística e manutenção. Distribuído por meio de uma rede canalizada, é fornecido de forma contínua, sem a necessidade de armazenamento de combustível no local de consumo.
Uma das principais características do gás natural é a possibilidade de fornecimento contínuo. Diferentemente de combustíveis que precisam ser transportados e armazenados na indústria, o gás natural chega diretamente aos equipamentos por meio das tubulações que compõem a rede de distribuição, permitindo abastecimento contínuo durante a operação. O modelo também elimina a necessidade de controlar estoques e programar entregas de combustível.
A distribuição canalizada contribui ainda para a segurança e a praticidade da operação. Com a redução da necessidade de tanques, centrais de gás e áreas destinadas ao armazenamento de combustíveis, o espaço fabril pode ser utilizado para outras finalidades. A ausência de operações frequentes de abastecimento também reduz a circulação de veículos dentro e no entorno das unidades industriais.
Eficiência e controle nos processos
A composição do gás natural permite regulagens mais estáveis nos queimadores, facilitando o controle da combustão e a automação dos processos. O combustível apresenta alto rendimento térmico e permite alcançar curvas de temperatura com rapidez e estabilidade, características relevantes para atividades industriais que dependem de controle preciso da temperatura.
A combustão também pode contribuir para a redução da necessidade de manutenção dos equipamentos e para a diminuição do tempo de parada das máquinas. Como o fornecimento é contínuo, a operação não depende de entregas periódicas de combustível, o que favorece a continuidade dos processos produtivos.
Em segmentos como cerâmica, vidro, metalomecânica e alimentos, o controle das condições de combustão pode contribuir para a padronização do processo e para a qualidade do produto final. Por apresentar uma combustão mais limpa e praticamente não gerar cinzas ou resíduos sólidos, o gás natural também pode contribuir para reduzir depósitos e incrustações nos equipamentos, diminuindo determinadas necessidades de limpeza e manutenção.
Mais espaço e menos logística
Outro benefício está relacionado à logística. Como o gás natural é transportado por uma rede subterrânea, a indústria não precisa manter áreas destinadas ao armazenamento de combustíveis, como lenha, GLP, óleo combustível ou outros. Também são reduzidas as operações relacionadas ao recebimento e reabastecimento desses produtos.
A liberação de áreas antes ocupadas por tanques e estoques pode permitir uma utilização mais eficiente do espaço fabril. Ao mesmo tempo, a redução do transporte rodoviário de combustíveis reduz a circulação de veículos associados ao abastecimento dentro e no entorno das unidades industriais.
Segurança e meio ambiente
O fornecimento canalizado reduz a necessidade de armazenamento de grandes volumes de combustível na indústria. Assim, como o gás natural é mais leve que o ar e, em ambientes adequadamente ventilados, tende a se dispersar em caso de vazamento. Como qualquer combustível, seu uso exige instalações projetadas, equipamentos adequados e procedimentos de segurança.
Do ponto de vista ambiental, a combustão do gás natural apresenta menores emissões de material particulado, óxidos de enxofre e outros poluentes atmosféricos em comparação com combustíveis mais intensivos em impurezas, como alguns combustíveis sólidos e líquidos. O gás natural também apresenta menor intensidade de emissões de CO2 por unidade de energia em comparação com demais combustíveis intensivos em carbono.
Um modelo de fornecimento contínuo
Além dos aspectos operacionais, o modelo de fornecimento permite maior previsibilidade na gestão energética da indústria, em que a indústria paga pelo volume efetivamente consumido, sem a necessidade de manter estoques de combustível. Em Santa Catarina, a distribuição é realizada pela SCGÁS por meio de uma rede canalizada, com atendimento aos clientes e suporte operacional. Assim, facilita o acompanhamento do consumo e o planejamento energético da unidade, permitindo que a indústria concentre seus esforços em sua atividade principal e reduza a complexidade associada à gestão de combustíveis.
Com fornecimento contínuo, controle dos processos térmicos, menor necessidade de armazenamento, redução de operações logísticas e maior previsibilidade operacional, o gás natural é uma alternativa para indústrias que buscam maior eficiência, estabilidade e praticidade na gestão energética.
