
Os Molhes da Barra são um dos pontos turísticos mais importantes da Cidade do Rio Grande e do Estado do Rio Grande do Sul. Os dois braços de pedra que se estendem mar à dentro e protegem o canal de acesso ao porto é uma das obras oceânicas mais importantes do século XX. No Molhe Oeste, as margens da Praia do Cassino, ocorre o passeio de vagoneta. A Superintendência do Porto do Rio Grande realiza um intenso trabalho na preservação da história do local, auxiliando os vagoneteiros na manutenção de seu trabalho.
O passeio leva o visitante, em um carrinho com rodas de ferro movido à tração do vento e na força do vagoneteiro, em boa parte da extensão do Molhe Oeste, que em sua totalidade supera os quatro quilômetros mar à dentro. Através da Divisão de Meio Ambiente, Saúde e Segurança (DMASS), desde 2012, em parceria com o Nema, a equipe da SUPRG realiza um processo educativo continuado em conjunto com os vagoneteiros. O trabalho do ProEA junto aos trabalhadores é o de mediar uma relação entre os sujeitos, o trabalho artesanal e o patrimônio cultural e natural presente nesse espaço.
Pensando na qualidade de vida e segurança dos trabalhadores, a DMASS realiza a padronização da estrutura operacional dos vagoneteiros, fornecendo bonés, uniformes, protetor solar e manutenção das velas. “O serviço deles é insalubre, ou seja, oferece muitos riscos, principalmente a saúde da pele. Por isso é importante conscientizar e fornecer as ferramentas de proteção”, relatou Luciana Roldão, responsável pelo intermédio entre a DMASS e os trabalhadores do Molhe Oeste.
A Obra
Os Molhes da Barra do Rio Grande foram uma infraestrutura planejada durante o império de Dom Pedro II e executado na República Velha pelos presidentes Rodrigues Alves e Afonso Pena. Foram construídos entre 1908 e 1915 pela Companhia Francesa dos Portos do Rio Grande do Sul. Os franceses, nesse período, trouxeram as pedras da Pedreira de Capão do Leão e construíram os dois braços de pedra, reconhecidos até hoje, como uma das maiores obras do país no século passado. O passeio de vagoneta remonta a história e possibilita uma visão única: de um lado, o movimento dos navios e o encontro da Lagoa dos Patos com o mar; de outro, a orla da Praia do Cassino.
A visão de um profissional
Odair Xavier Rodrigues, vagoneteiro de 44 anos, e, desse tempo, tem 27 anos de profissão. Segundo ele foi a falta de emprego que o levou até a área. “Comecei como empregado, dividia lucros com o dono de uma vagoneta e, aos poucos, juntei dinheiro para comprar a minha própria”, relatou. Hoje, dono do seu próprio transporte, diz que, na alta temporada é uma ótima fonte de renda. Odair realiza, durante a semana, no verão, cerca de 3 passeios por dia, em função do rodízio de vagoneteiros, que, em média são de 35 profissionais por dia. Já nos finais de semana, o profissional diz realizar de 5 a 6 passeios.
Patrimônio Cultural
Em junho de 2016, a atividade se tornou Patrimônio Artístico e Cultural do Rio Grande do Sul. O projeto de lei 406/2015, do deputado Adilson Troca, foi aprovado pelo parlamento gaúcho por unanimidade e foi sancionado pelo governador José Ivo Sartori. "As atividades nas vagonetas garantem o sustento de diversas famílias", justificou o governador no momento que sancionou a lei.
Preço
Odair explica que o valor sofreu reajuste em relação ao ano passado. Antigamente o valor para o serviço de uma a quatro pessoas partia de R$ 40. Agora, o valor passou para R$50 e, para mais de cinco pessoas continuam os mesmos R$10 por pessoa. O limite máximo de pessoas em um carro é de dez pessoas. Ele ainda atenta para o fato de que, com a questão da crise econômica, pensava-se que o serviço sofreria uma baixa significativa, no entanto, o fluxo está surpreendendo a ele e aos outros vagoneteiros.As vagonetas funcionam nos turnos manhã e tarde, todos os dias da semana.