
A soma das riquezas do país atingiu R$ 3,2 trilhões, mas o crescimento foi o menor desde 2021 no Consumo das Famílias. Extrativa Mineral e Agropecuária seguram alta no comparativo anual.
A economia brasileira registrou uma significativa desaceleração no terceiro trimestre de 2025. Dados divulgados nesta quinta-feira (4) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) mostram que o Produto Interno Bruto (PIB) — a soma de todas as riquezas produzidas pelo país — cresceu apenas 0,1% na comparação com o segundo trimestre. O resultado ficou abaixo da expectativa do mercado (0,2%) e representa uma forte queda em relação à alta de 0,4% registrada no trimestre anterior.
Em valores correntes, o PIB no terceiro trimestre alcançou R$ 3,2 trilhões.
Detalhes da Desaceleração: Setores
Comparação com o 2º Trimestre de 2025 (Crescimento de 0,1%)
A analista Claudia Dionísio, do IBGE, destacou que o setor de Serviços ficou estável, impactado pela queda em Atividades financeiras, de seguros e serviços relacionados (-1,0%). No entanto, o bom desempenho do Transporte, armazenagem e correio (2,7%), impulsionado pelo escoamento da produção de commodities, evitou um resultado negativo.
Pelo lado das despesas, o Consumo das Famílias (0,1%) ficou “praticamente estável”, e foi o menor aumento desde o primeiro trimestre de 2021, auge da pandemia de Covid-19.
Comparação Anual e Acumulado
Apesar da forte desaceleração trimestral, o PIB apresentou um crescimento mais robusto em outras comparações, graças à influência de setores com menor sensibilidade à política monetária contracionista:
Comparação com o 3º Trimestre de 2024 (Crescimento de 1,8%)
Neste comparativo, a Agropecuária liderou com uma alta de 10,1%, puxada pelas safras de milho (+23,5%), laranja (+13,5%) e algodão (+10,6%).
A Indústria cresceu 1,7%, sustentada pela alta de 11,9% nas Indústrias Extrativas (petróleo e gás), enquanto a Indústria de Transformação recuou (-0,6%). O setor de Serviços avançou 1,3%.
O Consumo das Famílias (0,4%) registrou sua 18ª variação positiva, e a Formação Bruta de Capital Fixo subiu 2,3%.
Acumulado em Quatro Trimestres
No acumulado em quatro trimestres, o PIB cresceu 2,7%. Novamente, a Agropecuária (9,6%) e a Indústria (1,8%) e Serviços (2,2%) puxaram a alta, com destaque para a Formação Bruta de Capital Fixo (6,0%) na ótica da demanda.
A taxa de investimento do país no terceiro trimestre de 2025 foi de 17,3%, uma leve redução em relação a 2024 (17,4%). Já a taxa de poupança manteve-se estável em 14,5%.