
Fotos: Richard Casas
A vice-governadora Marilisa Boehm informou à embaixadora da Austrália no Brasil, Sophie Davies, a maneira como o Governo do Estado atua para evitar a litoralização da população catarinense. Durante audiência na manhã desta terça-feira, 14, em Florianópolis, a diplomata se disse surpresa com a estratégia de manter os moradores em suas respectivas regiões para assegurar o desenvolvimento de Santa Catarina.
Marilisa citou os investimentos em Segurança Pública, que tornaram Santa Catarina o estado mais seguro do Brasil; a criação dos programas Universidade Gratuita e Catec na área de educação; o fortalecimento na infraestrutura de rodovias, portos e aeroportos; o incentivo ao turismo nas quatro estações do ano e a internacionalização do estado para atrair investimentos estrangeiros. “Ao criarmos oportunidades para os catarinenses permanecerem em suas regiões nós garantimos o desenvolvimento de todo o Estado. Outro exemplo disso é o fortalecimento de ações voltadas para nossas áreas rurais, como os programas Coopera Agro SC, Terra Boa e SC Rural 2, entre outros, que auxiliam fortemente nossos agricultores”, explicou.
A embaixadora do país da Oceania disse que “é muito importante entender e visitar os estados brasileiros”. “Achei muito curioso e interessante poder entender como o Estado tem desenvolvido programas e formas da população viver nas regiões. Na Austrália, temos o costume de sair das regiões para viver nas cidades grandes e isso traz dificuldades para desenvolver o interior. A vice-governadora me contou que Santa Catarina está enfrentando isso de uma forma muito interessante”, citou.
Para o secretário adjunto de Articulação Internacional e Projetos Estratégicos, Emerson Pereira, a visita da embaixadora é muito importante para Santa Catarina. “A Austrália tem muito a nos ensinar, como a questão da economia Azul, que é uma economia do mar sustentável. Eles são rodeados pelo mar, então têm muito a nos trazer. Acho que esse intercâmbio a gente precisa buscar. A Austrália está no outro lado do mundo, mas está no Hemisfério Sul, então guarda muita similaridade com a nossa região, com o nosso clima, com as nossas paisagens. Então a gente se enxerga lá e eles se enxergam aqui”, avaliou.
Educação e pesquisa
Para a agenda, a delegação australiana incluiu, além do conhecimento das pautas e prioridades do Estado de Santa Catarina, a questão educacional. O conselheiro de Educação e Pesquisa, Peter Nolan, afirmou que é necessário explorar possibilidades de colaboração mútua nas áreas de ensino e pesquisa.
“Podemos criar conexões entre instituições australianas e catarinenses. A Austrália tem muito sucesso no ensino de estrangeiros e no ano passado pelo menos 20 mil foram brasileiros”, informou.
A vice-governadora convidou a embaixadora e o conselheiro a voltarem ao Estado para conhecer instituições de ensino superior catarinenses. Para ela, o tipo de aproximação estabelecida com os australianos começa de forma diplomática e tem tudo para fomentar programas de mobilidade internacional de educação. “Para que, cada vez mais, estudantes de Santa Catarina busquem a Austrália como destino. Mas, também, que venham de lá os talentos australianos para que vivam aqui e contribuam com nossos projetos e programas em Santa Catarina”, concluiu.
A emissão de Nota Fiscal Avulsa só será válida até dia 30 de junho, e essa mudança impactará diretamente quem trabalha de forma autônoma. A partir de 1° de julho de 2026, pessoas físicas, como prestadores de serviço eventuais, produtores rurais e transportadores autônomos, precisarão se inscrever no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) para continuar emitindo documentos fiscais ou se tornar MEI.
A medida exige atenção, mas não significa que o cidadão precisará abrir uma empresa. A inscrição no CNPJ será utilizada apenas como um registro para identificação e controle dos tributos, sem alterar a condição de pessoa física.
Na prática, a mudança atinge quem hoje usa a Nota Fiscal Avulsa para formalizar serviços ou atividades pontuais. Esses profissionais passarão a emitir documentos fiscais eletrônicos vinculados ao CNPJ, seguindo o novo modelo adotado em todo o país.
A alteração faz parte de uma atualização no sistema tributário nacional, que busca unificar cadastros e tornar mais simples o acompanhamento das atividades econômicas. A previsão também inclui, de forma gradual, a substituição de outros registros fiscais, como a Inscrição Estadual, até o ano de 2032.
Diante desse cenário, a Prefeitura de Itajaí orienta que os profissionais que utilizam a Nota Fiscal Avulsa fiquem atentos às mudanças e busquem informações com antecedência junto aos seus contadores.


Fotos: Richard Casas/GVG
O governador Jorginho Mello assinou nesta quarta–feira, 6, um termo de cooperação que oficializa a chegada da multinacional alemã Schomäcker a Santa Catarina. A empresa, com sede em Melle, na Alemanha, instalará sua nova planta no Perini Business Park, em Joinville, com um investimento inicial de R$ 205 milhões e a geração de 105 empregos diretos. Essa será a primeira fábrica da empresa no Brasil e a ideia é produzir para o mercado nacional e para exportação.
“Santa Catarina é um Estado diferente, a gente prestigia quem empreende. Temos feito muitos investimentos na parte da infraestrutura rodoviária, infraestrutura elétrica, entre outros, para que cada vez mais empresas do mundo também decidam abrir sua primeira fábrica no nosso País aqui nas cidades catarinenses”, afirmou o governador Jorginho Mello.
O documento assinado entre o governador de Santa Catarina e o sócio-administrador da Schomäcker, Joachim Henrich Wilhelm Sommer, estabelece o apoio estratégico do Governo do Estado em frentes essenciais para o sucesso do projeto, incluindo a facilitação logística e a identificação de fornecedores locais por meio da Invest SC, empresa pública de atração de investimentos para o território catarinense.
“Nós estamos trazendo uma tecnologia inovadora e que reduziu um processo de fabricação que levava 3 horas para apenas 3 minutos por peça. Nós fabricamos as nossas próprias máquinas usadas nesse processo inovador”, explica Joachim.
A assinatura gera segurança institucional ao investidor estrangeiro, sinalizando de forma clara que Santa Catarina atua como uma verdadeira parceira da iniciativa privada, executando políticas públicas focadas na industrialização de alto valor agregado. A atração do investimento contou com o apoio do deputado estadual Matheus Cadorin, que também participou da reunião de trabalho.
Acompanharam a audiência e a assinatura do termo de cooperação os secretários da Fazenda, Cleverson Siewert, de Indústria Comércio e Serviços, Edgard Usuy, o presidente da Invest SC, Gil Prayon, por parte do Governo do Estado, e Joachim Luiz Bustamante Sommer, CSO da Schomäcker na Alemanha, e Rodrigo Bernardi, CEO da Schomäcker do Brasil.
Indústria 4.0 e engenharia de excelência
A chegada da Schomäcker agrega um peso imensurável ao já robusto ecossistema industrial catarinense. Trata-se de uma autêntica operação de Indústria 4.0. Com equipamentos exclusivos e engenharia de excelência, a empresa produzirá itens únicos no mercado. O nível de inovação tecnológica da planta é tão elevado que o processo de produção de suas peças inovadoras foi reduzido drasticamente: o que antes levava 3 horas, agora é concluído em apenas 3 minutos.
Impacto econômico e expansão
Os números do projeto reforçam a confiança da companhia no mercado catarinense e brasileiro. A operação se inicia com um aporte direto e projeções ousadas. A expectativa da nova fábrica no Brasil é gerar R$ 339 milhões em receitas.
O plano estratégico prevê uma expansão já no curto prazo. Nos próximos 5 anos, a empresa prevê injetar mais R$ 317 milhões na operação local. A planta fabril inicia com mais de cem funcionários e projeta um aumento de quase 100% no seu quadro de colaboradores até 2031.
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Foto: Leo Munhoz / SecomGOVSC
O governador Jorginho Mello entregou nesta quarta-feira, 6, a Licença Ambiental de Instalação (LAI) para a obra de alimentação artificial da Praia de Meia Praia, em Itapema. O documento foi concedido pelo Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina (IMA) e prevê quatro meses de obras que devem trazer proteção costeira e a qualificação urbana do Litoral catarinense. Estiveram presentes na cerimônia o presidente do IMA, Josevan Carmo da Cruz Junior, o prefeito de Itapema, Alexandre Xepa, além de parlamentares e outras autoridades locais.
A intervenção prevê o alargamento da faixa de areia ao longo de aproximadamente 4.750 metros de extensão, com a utilização de cerca de 416 mil metros cúbicos de sedimentos. A obra resultará em um acréscimo médio de 20 metros na largura da praia, ampliando a área disponível para uso público e reforçando a proteção da orla.
Para o governador Jorginho Mello, a obra representa o cuidado com o povo do Litoral catarinense: “Estamos investindo em uma solução que protege a nossa orla, valoriza as cidades e garante mais segurança para moradores e turistas. É um projeto que une desenvolvimento e cuidado com o meio ambiente”, destacou.
A alimentação artificial da praia é considerada uma medida fundamental para enfrentar o avanço do mar e os processos erosivos que historicamente afetam a região. A iniciativa amplia a proteção costeira, aumenta a resiliência da orla frente a eventos climáticos e contribui para equilibrar a pressão urbana sobre o ecossistema litorâneo.
“Essa licença é resultado de um trabalho técnico que analisa os impactos e define como a obra deve ser feita para proteger o meio ambiente. O licenciamento serve justamente para isso: estudar o projeto, prever os impactos e estabelecer regras para que a obra aconteça com responsabilidade ambiental. O IMA tem experiência consolidada nesse tipo de análise, o que garante mais segurança e qualidade nas decisões”, afirmou o presidente do IMA, Josevan Carmo da Cruz Junior.
Localizada no município de Itapema, a Meia Praia é uma das áreas mais urbanizadas do Litoral catarinense, e a obra deve trazer mais segurança para moradores, turistas e infraestrutura urbana, além de qualificar o uso público do espaço.
O projeto prevê o lançamento de 416 mil a 498 mil m³ de areia ao longo de 4,75 km de orla, entre os molhes dos rios Perequê e Taboleiro das Oliveiras. A faixa de areia deve ganhar entre 20 e 60 metros de largura, conforme o trecho. O material será dragado de jazida a cerca de 19 km da costa, com características compatíveis à areia nativa. A intervenção será executada em etapas, com liberação gradual dos trechos. O investimento total é de aproximadamente R$ 60 milhões.
O prefeito Alexandre Xepa destacou o impacto da obra. “A nossa praia precisa dessa ampliação. A cidade cresce, o turismo aumenta e a estrutura precisa acompanhar. É uma obra que protege a orla, amplia o uso e projeta Itapema para um novo patamar. Depois do alargamento, não tenho dúvida nenhuma que vai ser o metro quadrado mais valorizado do Brasil.”


A reta final da declaração do Imposto de Renda já começou e o prazo está mais apertado do que muitos imaginam. A entrega se encerra no próximo dia 29 de maio e milhões de brasileiros ainda não enviaram seus dados à Receita Federal.
Até o momento, mais de 19 milhões de declarações já foram entregues em todo o país, mas o número ainda está abaixo do esperado para o período. Especialistas alertam que deixar para a última hora pode aumentar o risco de erros, além de dificuldades técnicas causadas pelo alto volume de acessos próximos ao fim do prazo.
Com o encerramento se aproximando, a recomendação é clara: não há mais tanto tempo quanto parece. A reta final exige atenção redobrada dos contribuintes, tanto para evitar inconsistências quanto para garantir o envio dentro do prazo.
A declaração de Imposto de Renda é uma certeza na vida de milhões de brasileiros, mas há detalhes nesse processo que podem passar despercebidos até mesmo pelos mais atentos. André Charone, contador, tributarista e mestre em negócios internacionais, professor universitário e autor do livro "Declaração de Imposto de Renda: Dicas e Truques que o Leão Não Quer Que Você Saiba", esclarece alguns desses pontos menos óbvios. Veja abaixo cinco aspectos do imposto de renda que raramente são discutidos:
1. Erros podem ser corrigidos sem pânico:
André Charone ressalta que um dos maiores medos dos contribuintes é cometer erros na declaração. No entanto, ele tranquiliza: "Se você cometeu um erro, pode enviar uma declaração retificadora sem necessidade de pagar multas, desde que faça isso antes de ser notificado para uma auditoria." Isso mostra a flexibilidade do sistema em permitir correções. No entanto, o contador ressalta que o contribuinte deve ficar atento para corrigir as inconsistências antes de receber a notificação da Receita Federal. “Caso contrário, não será possível mais realizar a retificação”, destaca Charone.
2. Pode ser bom declarar mesmo que você não esteja obrigado:
O contador destaca um aspecto muitas vezes ignorado sobre a declaração do imposto de renda: os benefícios de declarar mesmo quando não se é obrigado. Muitos contribuintes assumem que, se não atingem o limite de renda que torna a declaração obrigatória, não há vantagens em preenchê-la. No entanto, existem situações em que declarar pode ser extremamente benéfico.
"Por exemplo, pessoas que tiveram imposto retido na fonte e não são obrigadas a declarar podem receber uma restituição se optarem por enviar a declaração", explica Charone. Além disso, realizar a declaração voluntariamente pode facilitar a obtenção de vistos para viagens internacionais ou a aprovação de financiamentos e empréstimos, já que muitas instituições financeiras e consulados pedem o comprovante de declaração de renda como prova de rendimentos.
3. Declarações em conjunto podem ser benéficas (ou não):
Casais têm a opção de fazer a declaração conjuntamente ou separadamente, e a escolha entre uma e outra pode impactar significativamente o valor a pagar ou a restituir. André destaca que "em muitos casos, a declaração conjunta pode ser mais benéfica, dependendo das rendas e das deduções envolvidas". Ele recomenda analisar cuidadosamente as finanças do casal antes de decidir.
O especialista explica que, em algumas situações, a soma das deduções e dos limites fiscais pode favorecer a declaração conjunta, especialmente quando um dos cônjuges não tem rendimentos. “No entanto, quando ambos possuem rendimentos altos tende a ser mais vantajoso declarar em separado”, alerta o contador.
4. A restituição não passa de um “empréstimo grátis” ao governo:
Embora aquele dinheirinho extra da restituição possa ajudar bastante no orçamento familiar, André Charone comenta que não existe muito motivo para ficar agradecido ao Fisco. “A restituição não é um benefício concedido pelo governo. Muito pelo contrário, na verdade é o reembolso dos valores que foram retidos a mais em relação ao que você devia”. Segundo o contador, a declaração de imposto de renda faz um ajuste entre o valor que foi retido ao longo do ano anterior e o que o contribuinte de fato devia, após o lançamento de todas as deduções.
“Se foi retido mais do que era devido, o governo vai lhe restituir essa diferença. Na prática, é como se você tivesse emprestado, sem juros e sem escolha, seu dinheiro para o Fisco e agora o recebesse de volta”, explana Charone.
5. A fiscalização está mais tecnológica do que nunca:
Com o avanço tecnológico, a Receita Federal tem melhorado seu sistema de cruzamento de dados. "A chance de ser convocado para ajustar sua declaração ou mesmo enfrentar uma auditoria aumenta se houver inconsistências", alerta o autor. A tecnologia tem tornado a fiscalização mais eficaz, exigindo maior precisão nas declarações. Charone destaca que o uso de softwares sofisticados pela Receita permite que ela identifique rapidamente discrepâncias ou omissões, o que torna ainda mais crucial a precisão no preenchimento das informações.
Sobre o autor
André Charone é contador, professor universitário, Mestre em Negócios Internacionais pela Must University (Flórida-EUA), possui MBA em Gestão Financeira, Controladoria e Auditoria pela FGV (São Paulo – Brasil) e certificação internacional pela Universidade de Harvard (Massachusetts-EUA) e Disney Institute (Flórida-EUA).
É sócio do escritório Belconta – Belém Contabilidade e do Portal Neo Ensino, autor de livros e centenas de artigos na área contábil, empresarial e educacional.
Seu mais recente trabalho é o livro "Empresário Sem Fronteiras: Importação e Exportação para pequenas empresas na prática", em que apresenta um guia realista para transformar negócios locais em marcas globais. A obra traz passo a passo estratégias de importação, exportação, precificação para mercados externos, regimes tributários corretos, além de dicas práticas de negociação e prevenção contra armadilhas no comércio internacional.
Disponível em versão física: https://loja.uiclap.com/titulo/ua111005/
e digital: https://play.google.com/store/books/details?id=nAB5EQAAQBAJ&pli=1
Instagram: @andrecharone
Imagem André: Divulgação / Consultório da Fama
Com o lançamento do Desenrola Brasil 2.0, o governo federal mira nos efeitos econômicos e sociais da expansão das apostas online no país. A nova versão do programa foi anunciada com foco na renegociação de dívidas de famílias e pequenos negócios e traz, entre suas medidas, o bloqueio de apostas online por um ano para quem aderir à iniciativa.
O movimento ocorre em meio a novos levantamentos que apontam o peso crescente das bets sobre o orçamento das famílias: de janeiro de 2023 a março de 2026, a inadimplência associada às apostas retirou R$ 143 bilhões do comércio varejista, segundo a CNC. Enquanto o gasto dos brasileiros com essas plataformas superou R$ 30 bilhões por mês.
Para o setor de alimentação fora do lar, esse impacto está bem mapeado. Pesquisa da Abrasel realizada em 2024 mostrou que 43,5% dos empresários ouvidos percebem influência das bets na gestão ou no resultado do estabelecimento. Entre os que identificam esse efeito, os principais reflexos aparecem no comportamento dos funcionários, na frequência de consumidores e no desempenho das vendas.
Quando uma fatia crescente do orçamento doméstico passa a ser drenada pelas apostas, a alimentação fora do lar tende a perder espaço. Entre os empresários que perceberam impacto das bets na frequência dos clientes, 62,1% relataram queda. No gasto individual, 62,2% também apontaram redução.
Os dados apontam uma relação entre o avanço das apostas e a retração do consumo no setor. Entre os empresários do setor, 86,2% disseram enxergar relação direta entre os hábitos de aposta dos consumidores e a perda de movimento nos estabelecimentos.
Pressão também chega ao ambiente de trabalho
O impacto das bets, porém, também alcança o cotidiano das equipes. Entre os empresários que identificaram mudanças no comportamento dos funcionários que apostam online, 75,5% citaram aumento do endividamento pessoal e 55,1% registraram aumento dos pedidos de adiantamento salarial.
É nesse ponto que o Desenrola 2.0 ganha relevância adicional para o setor. Ao prever renegociação de dívidas com descontos de 30% a 90%, prazos mais longos para pagamento e bloqueio temporário das apostas para aderentes, o programa pode funcionar como uma tentativa de reorganização financeira para trabalhadores que já dão sinais de renda comprometida.
O novo programa também amplia condições para micro e pequenas empresas, com carência maior para início do pagamento, aumento do prazo máximo de quitação e expansão do limite de crédito. Eixo de atuação fundamental para bares e restaurantes, visto que 39% das empresas do setor possuem pagamentos em atraso, segundo outra pesquisa recente da Abrasel, feita em abril.
Para Paulo Solmucci, presidente-executivo da Abrasel, a questão merece atenção justamente porque reúne duas pressões relevantes sobre o setor. De um lado, o dinheiro comprometido com apostas reduz a frequência e o tíquete médio do consumidor. De outro, a alta da inadimplência se traduz em efeitos concretos sobre os trabalhadores, como maior endividamento e mais pedidos de adiantamento.
“Os novos levantamentos reforçam que esse é um problema que merece muita atenção. O setor sente isso dos dois lados do balcão: o consumidor sai menos e gasta menos, enquanto cresce a pressão financeira sobre os trabalhadores, com aumento do endividamento e dos pedidos de adiantamento. As ações do governo ganham importância justamente por tentar reorganizar esse cenário, num momento em que as bets já impactam consumo, vendas e rotina de trabalho”, comenta.


Sob a promessa de modernização, o Ministério da Fazenda e o Comitê Gestor, recentemente, detalharam as diretrizes da CBS e do IBS. No entanto, por trás das regras unificadas, o que se vê é a arquitetura de um novo sistema de tributação sobre o consumo tão complexo quanto perigoso. O governo aposta todas as suas fichas no polêmico split payment — um mecanismo de recolhimento automático que, na prática, transfere a "mordida" do fisco para o exato instante da transação.
Embora o discurso oficial venda a ideia de "simplificação", a reforma se limita a trocar quatro tributos conhecidos por um sistema dual: a CBS (federal) e o IBS (estadual e municipal). A proposta de separar o imposto no ato da compra visa garantir o caixa do Estado de forma imediata, retirando das empresas a gestão do fluxo de caixa e centralizando ainda mais o controle financeiro nas mãos do governo.
Hoje, o vendedor ainda detém o valor antes do repasse; amanhã, o Estado se servirá primeiro. No papel, a eficiência é garantida; na realidade do contribuinte, o cenário é de um experimento fiscal sem precedentes. Tudo parece simples... mas o tempo (e o bolso do brasileiro) dirá o verdadeiro preço dessa "facilitação".
Ao abrir mais uma reunião do Conselho Superior de Direito da Fecomercio-SP, que debateu o tema "Soberania fiscal em xeque? Tensões e novos paradigmas tributários", compartilhei algumas reflexões sobre o assunto que agora trago aos amigos leitores.
Estamos vivendo um momento extremamente complicado no Brasil, em que os Poderes se confundem. Trata-se de um momento de máxima insegurança jurídica, em que escândalos vêm à tona e os Poderes envolvidos se autoprotegem, numa tentativa de ocultar tanto aquilo que se busca conhecer quanto aquilo que está errado.
Tudo isso acompanhado de um novo sistema tributário que já teve sua implementação iniciada com a CBS e, em 2029, terá com o IBS. Trata-se de uma tributação de consumo que amplia o número de artigos referentes ao tema constantes no Código Tributário Nacional (CTN). Na legislação aprovada, estamos com dez vezes mais artigos sobre a tributação do consumo do que aqueles que constam no CTN, além de três vezes mais artigos para a tributação do consumo do que todo o sistema tributário que conseguimos aprovar na Constituição de 1988.
Essa inflação normativa não é apenas um detalhe estatístico; ela representa um aumento real no custo de conformidade para o contribuinte. Durante o longo período de transição, as empresas serão obrigadas a conviver com dois sistemas tributários distintos e paralelos, gerando uma sobrecarga administrativa sem precedentes. Em vez de eliminarmos a burocracia, corremos o risco de institucionalizar um "monstro de duas cabeças" que exigirá investimentos massivos em tecnologia e assessoria jurídica apenas para que o setor produtivo consiga cumprir suas obrigações básicas.
Os idealizadores da pretendida reforma afirmam que essa decuplicação de artigos sobre consumo e a triplicação de artigos constitucionais têm o objetivo de simplificar o sistema tributário. Confesso que minha inteligência é limitada demais para compreender uma simplificação tão complexa quanto a que vem sendo implementada.
É fundamental, porém, que continuemos a fazer o que sempre fizemos no Conselho Superior de Direito da Fecomercio-SP desde sua fundação: debater, refletir e sugerir.
Atualmente, contamos com um grupo de estudiosos integrado por renomados colegas, como os economistas Marcos Cintra e Paulo Rabello de Castro, além de Felipe Silva, diretor da Faculdade Brasileira de Tributação — a única instituição de ensino superior dedicada exclusivamente ao Direito Tributário no Brasil. Sob nossa coordenação, estamos elaborando um livro a respeito da reforma da tributação do consumo, no qual analisaremos as dificuldades que já se manifestam neste início de implementação.
Essas análises, que estamos consolidando em nossa obra, não se limitam a meras críticas teóricas; configuram-se como alertas práticos sobre os gargalos que o texto atual ignora e que demandarão, inevitavelmente, uma correção de rumo legislativa. O rigor técnico de renomados especialistas serve aqui como subsídio fundamental para que as falhas de implementação sejam mitigadas antes que se tornem entraves permanentes ao desenvolvimento econômico.
Em todas as nossas ações, devemos observar que, a partir de 2027, teremos um novo Legislativo capaz de promover mudanças significativas no cenário atual, haja vista a renovação de dois terços do Senado Federal. É evidente a percepção de que haverá uma maioria conservadora no Congresso, o que deve favorecer uma reflexão profunda sobre o modo adequado de simplificação do nosso sistema tributário.
Quanto mais nos aprofundamos no estudo da Reforma Tributária — como ocorreu durante a elaboração do livro que lancei em parceria com o advogado e professor Daniel Moretti —, mais as incertezas se multiplicam. Ao dialogar com tributaristas de alto nível e docentes das principais universidades do País, percebo que as dúvidas são inúmeras.
Essa atmosfera de hesitação não é apenas um debate entre acadêmicos; ela se traduz em um impacto severo sobre o investimento produtivo. A incerteza tributária atua como um freio invisível, gerando um ambiente de "esperar para ver" que afasta o capital e adia projetos estratégicos. Sem regras do jogo claras e previsíveis a médio prazo, o investidor retrai-se, o que compromete o crescimento econômico imediato do País e a própria geração de empregos.
Por essa razão, tenho encerrado minhas palestras sobre o novo sistema com uma postura de cautela: quando questionado sobre minha opinião, não respondo "sim" nem "não"; eu respondo "talvez".
Ives Gandra da Silva Martins é professor emérito das universidades Mackenzie, Unip, Unifieo, UniFMU, do Ciee/O Estado de São Paulo, das Escolas de Comando e Estado-Maior do Exército (Eceme), Superior de Guerra (ESG) e da Magistratura do Tribunal Regional Federal – 1ª Região, professor honorário das Universidades Austral (Argentina), San Martin de Porres (Peru) e Vasili Goldis (Romênia), doutor honoris causa das Universidades de Craiova (Romênia) e das PUCs PR e RS, catedrático da Universidade do Minho (Portugal), presidente do Conselho Superior de Direito da Fecomercio -SP, ex-presidente da Academia Paulista de Letras (APL) e do Instituto dos Advogados de São Paulo (Iasp).
Fotos: Andreia Tarelow
O futuro da tecnologia na Foz do Rio Itajaí já tem data e local definidos: 7 de maio de 2026, às 18h30, no Elume Centro Regional de Inovação. O evento “Hiring the Future” vai reunir empresários, lideranças e alunos do Entra21, criando uma ponte direta entre quem precisa contratar e quem está se preparando para o mercado. A iniciativa marca um momento estratégico para Itajaí e Balneário Camboriú.
Com 20 anos de história e mais de 9 mil profissionais formados desde sua criação, em Blumenau, o Entra21 chega à edição de 2026 ampliando sua atuação no litoral norte catarinense. As turmas já estão em andamento, com 25 alunos em cada cidade, focadas na linguagem Java — uma das mais demandadas pelo setor de tecnologia.
Em Balneário Camboriú, as aulas acontecem no campus da UDESC. Já em Itajaí, a formação é realizada no Elume Centro Regional de Inovação, colocando os alunos em contato direto com o ecossistema de inovação desde o primeiro dia.
Para José Geraldo Gastaldi, coordenador do Núcleo de Empresas de Tecnologia e Inovação da ACII e diretor do Polo Regional da ACATE, a chegada do programa representa a concretização de um esforço antigo. “Trazer o Entra21 para Itajaí era uma prioridade. O programa tem duas décadas de experiência na formação de profissionais e atua diretamente em uma das maiores demandas do setor: a falta de mão de obra qualificada”, destaca.
O diferencial está na formação completa. São 480 horas de imersão que vão além do ensino técnico, incluindo inglês e o desenvolvimento de soft skills — habilidades essenciais para o dia a dia nas empresas. O inglês, inclusive, é considerado uma competência fundamental para o desenvolvimento de software.
A iniciativa é resultado da atuação conjunta de importantes instituições. A Blusoft-ACATE lidera a execução do programa, conectando alunos ao mercado. O NuTI-ACATE atua na articulação com o setor produtivo, enquanto a UDESC garante a qualidade acadêmica e coordena as atividades nas duas cidades. Além disso, a formação de talentos na região fortalece as empresas locais e cria novas oportunidades para jovens que buscam espaço em uma das áreas mais promissoras da atualidade.


